Postagens

Mostrando postagens de julho, 2008

Os olhos

  Os olhos não vêm o que vê o coração, Facadas rudes rolam rua abaixo, A miséria foge á miséria juntando-a.   Falam seres ásperos, Numa surdina ruidosa, Dos outros, da vida dos outros.   Seres perfeitos, Intocáveis, Emocionalmente desgraçados.   Nos jardins, crianças e velhos Povoam de flores os sorrisos. Os olhares julgam o alheio.   Escasseiam poemas… Escasseia vida… Escasseia o conceito auto crítico.   Pincelam-se de vida, Quadros inacabados, Pobres e podres.   Ser poeta afinal É ver sem ser visto, É amar, sem ser amado. É conhecer, sem ser conhecido, É voar, sem ser pássaro. É ser vida, morte, estrofe e vento…

FMM 2008

Trago a noite no peito. A  lua misturada com o mar revolto acena-me. O Céu, o vento, as estrelas, e o mar. Sinto o cheiro a musica nas mãos. Sentado numa praça que não conheço, mas onde me reconheço adormeci. O perfume e a música teimam em não me retirar a noite, o céu, o mar, as estrelas, o vento e a melodia. A imagem real do tempo está desocupada num banco. Pertenço ali. No fundo vivo num constante ajustamento a um sítio onde não pertenço. Vivo num sítio onde não conheço pessoas. Onde as pessoas não me conhecem. Tenho os três ou quatro do costume. Não gosto do bom gosto. Não gosto do bom senso. Esgotarei noutro continente. Visitei o FMM – Festival Musica do Mundo. Sobressaiu a minha pequenez defronte a tanto talento. Viajei pelo Mali, Senegal e/ou Trinidad Tobago. As noites de fumo adocicado encaminharam-me pelas manhas. A areia foi o meu leito. As ondas o meu balanço. Resta-me ler e viajar com as palavras. Basta-me não colaborar e pensar por mim. Pensar é ok !... Melides está l...

Obrigados companheiros , voltei a ser feliz em Tomar.

Sonho a preto e branco sonhos longínquos e coloridos. O tempo pintado de madrugadas e letras traz vagarosamente o sonho. A cada seis meses esfumaram-se os dias. Senti que o dia ia chegar. Dias ansiosos e compulsivos. As noites passaram pelas estações. Entre Setembro e Fevereiro fumei o nevoeiro entre o virar de cada página. De Fevereiro a Julho respirei o cheiro das flores após cada livro que li. O sonho sentia-o. Aproximou-se á medida que o tempo se esfumou cada vez mais. Estonteante e apressado. Comi fruta e bebi agua enquanto percorri os conceitos que me trouxeram ate aqui. Cheguei. Praticamente cheguei. Não ao fim, mas ao início de mais qualquer coisa que irá acontecer. O mágico é não saber precisamente o que vai acontecer. Não tenho medo. Estou sereno e com uma sensação agradável e normal de dever cumprido. Valeu a pena a travessia. Valeu a pena as pessoas, os amigos. Guardo Tomar no coração. Guardo o convento, o rio, a barragem, as madrugadas de pão quente, a estrada da serra, a ...

Os domingos

  As pontes do rio juntam as margens. Nas encostas salpicadas de relva e flores. Choram os salgueiros. Ao domingo as canas são atiradas mortiferamente aos peixes. Numa luta desigual, fogem á morte fitando o isco. Os domingueiros passeiam a trinta e cinco quilómetros hora pela estrada nacional num exercício de paciência familiar. A sogra dá opinião e alvitres. Os miúdos repetem-se com perguntas acerca, “do que é isto?” Exercício de paciência agradadora. A sogra, o genro, a nora, a filha. É domingo finalmente. O mar enche-se de pessoas e o sol brilha com luz domingueira. Do mal o menos, os museus e centros culturais ficam habitados. Os cantores e poetas são  ouvidos, e os cinemas povoados. O Colombo tem mais gente do que a nau quando chegou á América. O Vasco da gama tem tantos indianos como na Índia. Somos um País de navegantes ponto final. Navegamos ao sabor dos ventos e dos mares. Mas não somos estúpidos somos um País de poetas. Assim sendo Dra. Leite e Sr. (Eng.??????????)...

“no fundo era boa pessoa”

Galopam gritos de alerta através do dia e da noite. Fascínios azuis pedem ordem para se ausentarem. Danço de roda em roda com os pares trocados. O dia já leva muitas horas e a noite ainda se esta a pôr. No refúgio, o alento dá-me vida. Misturo as gotas que transpiro com o cheiro a pele. Os lençóis encharcados pedem a dose para acordar. Os cavalos soltos nas veias pensam em partir. No sussurro embriagado alucino. Perco de vista o pensamento. Durmo em sobressalto com a angústia de acordar. Adormeço solenemente após a última dose. Foi assim que partiu mais um conhecido. A cena do costume encontraram-no roxo. Linda cor. Roxo alilesado. A cena do costume. A onda moralista do: “no fundo era boa pessoa”. Dividiu a vida entre a liberdade, a liberdade condicional e a prisão. Escolheu mal nesta vida. Desejo amigo que acertes na próxima.

Barbeado e com bom aspecto

  Pertenço a um lugar. Viver é ter no horizonte o limite. Vivo. Pertenço á natureza que me rodeia. Não pertenço necessariamente ao sítio onde nasci, vivo ou vivi. Pertenço ao sítio donde sou e onde me sinto bem. Dentro do meu continente ou não. O mar na verdade não é igual em lugar nenhum. O céu tem tons diferentes em cada milímetro quadrado. A fogueira que acendo jamais grita o mesmo som. A luz ao amanhecer nem sempre é alaranjada esverdeada. O solstício é vitalício e eterno, mas não encerra sempre a mesma verdade ou verdades. O luar é doirado e imprevisível. As ruas empedradas que desço com a noite, e a sombra, fazem me viajar. Sei que em cada esquina existe a mudança. Mudo de rua, de princípios, de vontades. Os putos que chilreiam nos jardins estão ali existem anos. A velha vedação que toco com os dedos não apodreceu, e as arvores são altas e largas. O vento que corre entre as ruas foge-me, não o apanho. Sento me no degrau gasto. O nevoeiro passa por mim e nem me vê. O bairro recebe...