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Mostrando postagens de maio, 2016

A minha escolha é: - a poesia liquidada em versos da minha vida -

Não há mais o dia de ontem. Não há mais a noite de ontem também. A noite estando mais perto, está tão longe quanto o dia. Ambos não existem mais.   O que deixaram? Apenas companhia. Então o que são os dias e as noites passadas? São a inexistência da vida? É a inexistência da vida na recordação subsistida.   A vida não é vida em bocados de dia ou existência. A vida é como a poesia que acaba quando os versos partem. A vida é como a poesia que contem todo o meu amor. A minha culpa. O meu perdão. O meu sentir. A minha fuga. O meu regresso.   A vida não são os dias que passaram. São os dias que estão por vir. Os versos que tenho por cantar. O tempo que tenho para cuidar. O que idealizo ser no meu sonho. Os meus amigos, eu, e a quem eu amo.   A minha escolha é: - a poesia liquidada em versos da minha vida -

Os nossos pais afinal são como os pais de todos

Trémula voz, mãos, andar, pensar, falar, ver, esperançar.   sentir trémulos os dias que se esgotam relativizada que foi, a importância do que afinal nunca foi importante. trémulo sentir dos finais de dia de consultório em consultório.   Os nossos pais afinal são como os pais de todos, envelhecem e ... tudo ....

margem

Nenhuma margem se junta ao nosso amor, Nem o silêncio irrompe madrugada adentro, Nem tu sabes da existência da outra margem de mim, Nem o rio sufoca com os meus desabafos, Nem as aparências vacilam, apagam, ou se iluminam.    Somente existe os meus sonhos como as ondas no mar, Talvez algum delírio, Com certeza algum fascínio, As minhas mãos na minha viola, Desesperadas por compor uma canção.

Aproximar

Aproximar encanta o mar, Aproximar enfeitiça a solidão,   Descubro dentro das palavras, palavras, Termos unos que se multiplicam,   Aproximar: - tem em si, amar - Aproximar: - tem dentro, mar -   Tem loucura, Tem procura,   Tem seara, Paredão, paixão, encontro, e vocábulos de vento.

poema lágrima

Trago no poema lágrimas e choro que deslaço, Não é tristeza que bebo, É alegria que faço.   No poema levo um sorriso e parto, Beijo a lua, Com as lágrimas transformadas num abraço.

sete

Se com sete palmos de terra se constrói uma cabana, Se com sete palmos de terra se repousa um corpo, Se com sete colinas se faz uma cidade, Se com sete saias se veste uma mulher, Se com sete ondas de mar se pede um desejo, Se com sete sóis se faz uma estação, Se com sete notas se compõe uma canção, Se com sete dias se constrói uma semana, Se com sete luas se vive uma paixão, Porque não fazem sete homens a paz?   A natureza usa melhor do que os homens, o universo.

Para que conste

Para que conste:  - Não sou poeta, sou operário obreiro dos meus sonhos em palavras, desenhadas por letras de céu e lua, algoritmo do meu coração -

O amor também mata!

O amor também mata!   O amor que não deixa crescer, O amor que não deixa voltar, O amor que não deixa aprender, O amor que não deixa andar, O amor que não deixa cair, O amor que não deixa errar, O amor que não deixa gostar, O amor que não deixa ser, O amor que não deixa levantar, O amor de quem por amor tudo faz, nada deixando fazer o amor. O amor que quando solto não sabe voar, mata!   Não é a falta de amor no desamor que mata, Esse cresce, Aprende, Voa, Chora, Vive, E continua crente que o amor pertence a quem o sente, O amor é próprio, depois, dividido se for caso disso.   O amor também mata!

- Espero continuar abençoado com realidade, no meu peito – X

- Espero continuar abençoado com realidade, no meu peito –    Chegado, Vislumbro na noite o saber que a lucidez conquistada me oferta, A experiência dorida que os dias vazios de dia me fazem admitir, E que não me é exterior, A contraparte de mim que tomo como destino, Os outros não são a minha culpa, Os outros não são o meu destino, Os outros são os outros e, sem eles, não seria eu no meu livre arbítrio   - Espero continuar abençoado com realidade, no meu peito -

- Espero continuar abençoado com realidade, no meu peito – IX

 - Espero continuar abençoado com realidade, no meu peito – IX   Adivinho no cheiro que se solta o final da viagem pelo pó levantado do chão , No chão que foi a minha cama, No rio que foi a minha companhia, Na viagem que foi a minha decisão, No cheiro que foi a minha solidão, Na adivinhação que foi saber que o meu pranto se excluiria no pó levantado pelo chão do caminho.   - Espero continuar abençoado com realidade, no meu peito -

- Espero continuar abençoado com realidade, no meu peito – VIII

- Espero continuar abençoado com realidade, no meu peito –    As estrelas continuam no firmamento, O mar na costa, O vento nas árvores, A giesta na montanha, O rio na foz, Os pássaros no céu, Mesmo que ao mundo e a mim nos pareça que os barcos não povoam o mar, Adivinho no cheiro que se solta o final da viagem pelo pó levantado do chão   - Espero continuar abençoado com realidade,no meu peito -

- Espero continuar abençoado com realidade, no meu peito – VII

- Espero continuar abençoado com realidade, no meu peito –    Não reconhecendo as parcelas, porções e fragmentos de alma, O corpo desiludido e a ténue vontade de adormecer ou acordar, O caminho destruído da viagem, O porto onde atraco a esperança, Que deposito no corpo e no mar, Água incandescente e frívola que me baptiza e devolve a um amor não crente, De um deus ausente de presença em mim   - Espero continuar abençoado com realidade,no meu peito -

- Espero continuar abençoado com realidade, no meu peito – VI

- Espero continuar abençoado com realidade, no meu peito – VI   Moribundo cambaleando pelo caminho do dever sentido mais do que cumprido, Não se cumpre inteiramente uma vida, Cumpre-se na totalidade a morte, Executa-se o sentido, Pernoita-se nos sentidos, Nas desavindas horas indecisas de uma vida, Sem sentido, com sentido, consentindo, desistindo, reforçando o sentido.   - Espero continuar abençoado com realidade,no meu peito -

- Espero continuar abençoado com realidade, no meu peito - V

- Espero continuar abençoado com realidade, no meu peito -   Não posso purificar-me desta paixão, Posso crer no dia em que me verei como um idiota filosófico, Um devastado velho sôfrego de juventude, Um retórico demagogo poeta, Um sofista sindicalizado, Sentado com os deuses no ébrio sentir adocicado, De um oriental cigarro amarelado.   - Espero continuar abençoado com realidade, no meu peito -

- Espero continuar abençoado com realidade, no meu peito - IV

- Espero continuar abençoado com realidade, no meu peito -   Espero não ter a sensatez dos vocábulos, A ira da desilusão, Espero saber que nada há a esperar, Nada será construído no terramoto que me habita, Apenas a alma não sucumbe ao murmúrio de uma mulher, O corpo cede e será sempre atraiçoado pela isenção do amor.   - Espero continuar abençoado com realidade, no meu peito -

- Espero continuar abençoado com realidade, no meu peito - III

- Espero continuar abençoado com realidade, no meu peito -   Espero continuar a experimentar a morte, Saudade na ausência, Presença na amizade, E no âmago dos meus dias o desespero de pernoitar no perfume recordado, Do sol reflectido no olhar, Na vida purpura envelhecida de madrugada.   - Espero continuar abençoado com realidade, no meu peito -

- Espero continuar abençoado com realidade, no meu peito - II

- Espero continuar abençoado com realidade, no meu peito -    Com a minha visão do real. Com autocrítica. Com massa critica em crer que não existe conspiração universal. Que eu sou responsável e elegível. Acreditando no retorno da sementeira mais do que na lei de Murphy. Espero continuar a acreditar de que a culpa não é dos outros e que eu sou a realidade na minha alma.   - Espero continuar abençoado com realidade, no meu peito -

- Espero continuar abençoado com realidade, no meu peito - I

- Espero continuar abençoado com realidade, no meu peito - Continuar a sentir-me errado e culpado. Certo e magoado. Amoroso e raivoso. Introspectivo e equacionado. Sem razão. Com razão. Infeliz. Feliz. Sozinho. Acompanhado. Sem fé. Com esperança..." - Espero continuar abençoado com realidade, no meu peito -

Sei que metade de mim é a minha outra metade

Não digo que o silêncio é de ouro ou é de prata, Ou que o silêncio existe enquanto mata, Ou se com ele vivo livre amordaçado.   Reconheço a libertação do reencontro, A possibilidade de doar ou até matar, Sei que metade de mim é a minha outra metade.   Sei que em metade de silêncio me castro e liberto, Sei que nas manhãs perfumadas dos restos de noite de lua cheia, Acordo do resquício avassalador que sobra de mim encontrado.

sonho de sonho

Sempre o mesmo sonho. O mesmo alcance. O mesmo desejo. A mesma satisfação. O sonho de eu mesmo ser eu próprio. Um sonho. Um pensamento.   Um sonho de amor de amor. Um sonho de paz de paz. Um sonho passado de um futuro presente. Um sonho não imaginado.   Um sonho real às vezes. Um sonho sonhado outras vezes. Um sonho tresloucado por vezes.   Sempre o mesmo sonho. Um sonho não despertado. Um sonho de céu e mar.

De uma manhã nascido sem descendência

De uma manhã nascido sem descendência, Apátrida emocional, Navegante, Moribundo, Sacrossanto, Refugiado, Hipérbole descabelada, Visionário, Disruptivo, Tragédia grega antiga, Descendente de uma manhã plantada.

Como companhia, solidão.

A noite cai devagar entre a janela e a portada de madeira entreaberta. Não sei exactamente a medida que o tempo pesa, mas sei que o dia teima em partir e a noite escurece quando vem. Abstenho-me da solidão e decido hoje pegar na minha companhia de sempre e compor. Não tenho público mas tenho arte. A arte é propícia ao recanto. Tem na arte, público. Como companhia, solidão.

Isso não. Antes o enterro.

Com este frio à volta de mim tento escrever. Tento escrever sobre paixão que me parece viver hoje em dia, dentro de um telefone. Escrever sobre palavras novas. Símbolos novos e tecnologia. Escrever sobre o que sabemos da vida dos outros. O que nos é mostrado. O romance. O honesto desonesto. Como que se quiséssemos mostrar mais do que o que é, ou a diferenciação do nosso olhar sobre o mundo. Escrever sobre paixão que vive dentro de um telefone, ou de uma vida dependente de um acesso a uma rede que é de todos, não é a paixão na sua raiz ou colheita. São noites perdidas de inutilidade. Inútil, sinto-me perdido. Gosto que me batam à porta. Gosto de bater à porta das pessoas. Gosto do cheiro a lenha estaladiça da lareira como o pão. Escrever é o meu silêncio acompanhado de mim. É entender-me igual. É saber-me diferente. É sentir-me normal em todas as peles. É aceitar-me desigual mas frequente. Querer olhar a terra, o mar e o céu, cega-me. Não me deixa sair e bater às portas de quem gosto. ...

Tal e qual!.

Imagem
Não sei se acerto com as palavras que quero escrever. Se acerto com o que sinto. Se apenas quero justificar a minha ausência de fé (pelo menos desta fé), o meu ateísmo, o simples facto agnóstico de não ser crente. Não sei se não pactuo com o negócio dos milagres e esta imagem apenas confirma o que sinto, ou o que não sinto. Não me sinto no direito de escrever o que me apetece por respeito a uma criança usada, pela ignorância que geralmente o fundamentalismo doa a quem gere a educação e a amor debitado num filho /a. Fundamentalistas são todos e a crença pouco vale. A avaliar pela imagem, parece-me até caso de comissão de Proteção de Crianças e Jovens. Quanto às pernas da mãe não vou igualmente escrever o que sinto pelo medo de não acertar com as palavras, mas bailam-me mil imagens e muitas palavras antipáticas. Tamanha ignorância padece de reeducação urgente do educador. Seja o que for que tenha promovido esta promessa é ignorância pura. Como podem tantos fiéis do bem, e tantos seguranç...

Bem-vindo à vila da Vida

Volto sempre que posso ao sítio onde pertenço, mesmo não sendo o sítio onde me incluo, mesmo não existindo como minha morada principal, mesmo sendo eventual a minha direcção. Revejo a chuva, o arco-íris e a velha igreja sem frequência.   Este silêncio e ausência inundam-me. Tudo me parece novo, conhecido e sempre a primeira vez. Os rostos, os cheiros, os que morreram e os que acabaram de nascer. Volto sem tempo para voltar à ausência do tempo a que pertenço.   O tempo no sítio onde pertenço não é tempo. O tempo é sempre igual mesmo diferenciado. Sou eu que passo nele, volto e regresso. O sítio, o tempo, o arco-íris, os rostos, os cheiros e a igreja, são a obra-prima que eu necessito.   Volto sempre ao sítio a que gosto de pertencer e não pertenço. É tarde. Parto agora sem vontade para o sítio onde não caibo, mas onde me encaixo, é uma pequena vila com efémeros sentidos e destinos, à entrada tem uma tabuleta com o seu nome, e uma recomendação que diz:   - Bem-vindo à vila da Vida -

Voltarei quando menos me esperar

Amo todos os poemas que sou. Todos os poemas que choro. Todos os poemas que vivo. Hoje, esperei por mim em casa depois do trabalho, mas ainda não cheguei. Continuo sentado à minha espera neste sofá que tem a forma do meu corpo habituado. O tempo desaparece e muda-me a vida. Espero brevemente estar comigo aqui sentado, com o velho poeta que canta a revolta e a espera, em acordes que encaixam no poema que tenho por acabar.   Tenho melancolia no olhar, sinto-a, e tenho as mãos sufocadas de saudade. Ouço estridente um ruído que me desperta e penso sempre que sou eu regressado, mas não sou, não há meio de eu voltar.   Vou ficar esperando-me nesta noite que devia ser quente. Já é mais do que Abril. A noite continua fria e amortalhada no corpo que tomo conta, nesta espera de mim.     Voltarei quando menos me esperar. Com certeza.

Forte ou fraco. Vivo ou morto.

Dizem-me que os meus dias ficaram em ti, e que todos os momentos que não matam me fortificam. A quem declararam que quero viver ou ser forte? Ou o contrário? A quem o declararam? Porque não me o disseram a mim? Posso perfeitamente ser fraco e vivo, desde que vivo, fraco!   Tenho saudade da poeira perfumada do caminho que me traz o oceano de volta, na deserta praia que frequento e me dizem mal frequentada.   Tenho saudade dos catos coloridos, amarelos e roxos, e do pecado da pedra ilhada no embriagado final de tarde, sóbrio de contentamento.   O que em mim está amarrado como uma madressilva que me eleia e confunde é. o cuidado com que cuido das raízes do meu ser.   Forte ou fraco. Vivo ou morto.

coração incendiado

De coração incendiado sem saber que caminho tomar desfaleço a cada passo. Sinto a alma escurecer, a floresta em alvoroço de vento, árvores e medo. O medo abraçado de mim e eu arruinando com o que me resta de corpo, sem saber que direcção tomar. Cerro os punhos.   Quando abro as mãos depois da viagem, tenho no meu peito o - céu azul, o mar azul, pássaros azuis, arco-íris de azuis, madrugadas de azul e flores azuis -   Cerro os punhos na revolução de que sou dono, quando abro as m ãos tenho em mim um - cravo vermelho, um sol vermelho, um entardecer encarnado, um vulcão rubro a dançar, uma vontade cor de sangue habitada na minha vontade -   Cerro os punhos e parto. Abro as mãos. Abro mão. Na minha frente um - verde prado sossega. O rio corre verde. As encostas sobem verdes até aos vales verdes onde desfalecem -   De coração incendiado sem saber que caminho tomar, de alma escurecida à porta da floresta em alvoroço de vento, árvores e medo, sei agora que todas as cores são na vida - a madru...

E existe a noite perdoada

E há a noite, E há a minha companhia.   E à noite tantas vezes me procuro. E à noite poucas vezes me encontro.   E há o remorso, E à noite procuro a culpa.   E encontro na noite apenas a madrugada, Alva, clara sem pecado.   Sem temor, Perdoado.

gasto

Gastar horas por gastar, estar por estar,   que seja antes a solidão o privilegio da inquietação.

transformação

Nao há mudança que não me tranforme, nem transformação que não evolua.   A essência fica. O essencial aproxima-se. O acessório verifica-se.   Sendo o mesmo, sou vários "mesmos" num todo. Tal como a tristeza aceite em cada folha de árvore que cai até à primavera seguinte, e logo será força e vontade até ao cair do novo outono.   Não há mudança que não me transforme, nem transformação que não evolua. Vale isto por ser a vida.

Excerto de umas folhas amareladas por ver o sol um dia …

As ruas, os pássaros, o vento, o rio, os cães, as árvores, as mulheres, as crianças, os homens, os homens mais velhos, as senhoras mais idosas, as nuvens, o sol, a chuva, a lua, o mar, o arco-íris, os feiticeiros, as bailarinas, os músicos, os poetas, os pintores, os metalúrgicos, as lavadeiras, todos pararam para a despedida atempada da tua partida.   Deixaste escrito que não queres o teu nome numa rua, esquina, ou aven ida. Anónimo uma vez, anónimo sempre. Para ti é suficiente que o amor se mantenha. Que quem te amou te celebre e a quem amaste te recorde. Certamente será a mesma pessoa. Quem te amou e a quem amaste. Ou as mesmas pessoas, crendo que não se ama uma só vez na vida!   Para ti será suficiente a tua filha decidir em conformidade com o que lhe pediste, que o ritual das cinzas seja como combinado, e que não haja padre a abençoar o que não tem bênção, muito menos se fustigue a choraminguice na celebração que deve ser a partida, porque a vida é apenas e só enquanto por cá nos ...

saudade III

Nao tenho saudades. Tenho saudade. Na saudade ha plural. Nas saudades nao ha singular. Tenho saudade . Por vezes. De sentir.   Tenho até saudade da saudade .

1º de maio de mãe

Não tive a melhor mãe do mundo, nem a pior, nem  assim assim, Tenho uma mãe.   A minha mãe não teve o melhor filho do mundo, nem o pior, nem assim assim, Tem um filho.   Ambos, Eu e ela, Não acreditamos nas medidas grandes, pequenas ou assim assim.   Acreditamos no estarmos lá sem sermos os melhores, os piores ou assim assim.