A este ano chama-se Dezembro. Vai ser Dezembro o ano todo, sem sopa e pão de uma forma igual e justa. O Dezembro, em Janeiro já foi esquecido. Pensar o outro, é uma forma de exercício em desuso. Não há alegria na avenida da Liberdade, nem liberdade na praça da Alegria. Na estrada da Luz só existem trevas, e, ao Calvário, estende-se a cidade inteira na íntegra e num sacrifício imposto. Em Belém não já não existem estrelas e os astros já não sobrevoam o rio. A cidade está fria e deserta de sorrisos, não existem olhos levantados do chão. Vai ser acinzentado, cor de solidão, por inteiro, este ano. Os vestidos esguios das mulheres não são reparados como outrora. A cidade está desertamente edificada e nos jardins soa inerte o perfume das acácias. Esta estranha forma de existência transpõe-se nas redes sociais, onde a solidão não parece ser solidão, e onde a amizade se confunde com presença, onde o amor se desassocia do tal exercício de pensar o outro, deixado cair em desuso em todos os dias,...