“ … Por hoje acabei o meu trabalho. Queria agora dizer-te o que não quero dizer, porque não quero, porque não queres. Não quero mais vida que não esta, nem mais anos, nem mais nada, além do que já tenho. É-me suficiente. É-me a mim mesmo, não o sendo a outros. Mas há poucas horas. Poucos dias. Pouco de tão pouco. Mas há o suficiente. Acabei de ler o último livro que escolhi ler. A última música que escolhi ouvir. A última da última coisa que queria fazer. Se tiver tempo, farei mais, que o tempo já é muito. (sempre quis, sempre, o bastante que me conformasse) Gostava de acrescentar apenas, e, em nota de rodapé, não um aqui jaz, mas um aqui - vive para sempre - na minha lápide junto às cinzas encomendadas. E, após isso, ninguém dirá uma só palavra que recorde o tão pouco, o bastante, que me conforma, e o valor que tem o tempo afinal. Foi deixar o tempo ser tempo, que me afirmou o tanto, que tao pouco me abasta …”