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Mostrando postagens de janeiro, 2017

Espontaneidade

Espontaneidade uma dádiva amarrada pela vida. Uma prisão de falsa liberdade, um bem hipotecado à nascença.   

Veneno

O veneno da solidão quando acaba transforma-se em força e lucidez.   Não escrevo multidões cheias de nada, escrevo muito mais solidões cheias de tudo.

Ter sem ser?

" ... posso ter todas as flores do mundo e não ter um jardim, todas as musicas e não ter uma orquestra, todas os sorrisos e não ter alegria. Ter tudo é quase sempre ser nada, se não tenho ou sei, onde guardar, como cuidar ..."

Apenas palavras e vida

Isto não são apenas palavras, são anos construídos de dias e não somente poesia, são sentires acumulados, alegria, muitas noites feitas de nada, tristeza e tudo o que é vida.   Isto não é somente o que vejo, é tudo o que entendo e nao apenas desejo, são palavras lavadas de lágrimas e secas de pó e caminho. Isto não é somente poesia, isto não são apenas palavras, isto não é deliberadamente só vida.    

No teu olhar

Colocas no olhar a claridade dos sonhos que albergas ...

Liberal

"... Imóvel, esta burguesa vontade, onde o tempo e as mulheres fingem ser tempo e mulheres, e o vinho não embriaga mais que o véu que cobre o que fantasio desnudado, alma, ombros, peito, mãos.   Aburguesado direito feito de povo, terra, lua e sol. Liberal vontade de jovens, velhos, e ideais ..."  

É nesta encruzilhada que me encontro

Cruzo-me com todo o conhecimento que julgas saber de mim. As palavras que consigo não são suficientes e já estão envelhecidas, para que saibas o quanto as minhas palavras não são as tuas. Que os meus pensamentos não são os teus. Que o meu sentir não me aproxima de ti. Que o que não me tocaste, não é de todo o que julgas ter entendido de mim.     Encontro-me com tudo o que me cruzei vida afora, com a soma de tudo o que guardo. Com tudo o que eu mesmo desconheço. É nesta encruzilhada que me encontro. 

Hoje

Hoje acordei com esta chuva que me agasalha e ampara. Com este dia cinza e o sol que insiste em me ressuscitar. 

Quero morrer com a mão no coração

Excerto de palavras por ver o sol um dia (11)   " ... Por vezes sonho com uma existência. Sonho com planícies às cores e aos quadrados. Cada quadrado da sua cor. Quadrados laranjas. Quadrados rosas. Quadrados violetas. Sonho com um mar de arco-íris.    Mar com ondas às cores e de diferentes formas geométricas. Sonho com ondas em triângulos dourados e em círculos prateados.    Vejo um gigantesco areal a abraça-las e, sentadas, ali ficarem em alongadas conversas, a falar dos versos que as juntaram ali.    Vejo o céu curvar-se educadamente ao sol e a ceder passagem à lua.   Quero morrer com a mão no coração ..."

pequenez

Hoje restrinjo o mundo à sua pequenez, Circunscrito à saudade, Ao cheiro a pomar do meu bairro, Ao começo onde cresci, Ao vento, À ponte e ao rio, À lua. E à sua pequenez maior do que tudo.

Dentro de mim

A ausência não tem forma com que se meça, pese, afira, a própria ausência. Estavam menos de zero graus há pouco.  Dentro de mim, nem tanto ...

https://www.facebook.com/Cardilium/

https://www.facebook.com/Cardilium/   existe um cardilium no facebook a precisar de likes (passo o termo) gostos, obrigadooooooo :-)

Excerto de palavras por ver o sol um dia (77)

“ … Sabes, eu acho que as palavras deviam ser como os lagos, que quando se atirassem pedrinhas, se replicassem como os anéis de um átomo, ou de clusters, ou talvez como o eco. A palavra amor por exemplo, espelhar-se-ia num amor, amor, amor, amor, sem fim … cada vez mais replicado, atraente, sólido, cada vez mais amor, e aconteceria o mesmo com todas as palavras que existem, menos a palavra, eu …

é este o mar da minha vida

Não posso mais com este corpo gasto e intranquilo, com esta mistura de terra e duvida, com esta intempérie de alma, com esta vida desavinda de sustento. Umas vezes homem, outras mulher, outras jovem envelhecido, outras velho adolescente. Umas vezes todo olhos, outras todo coração, outras todo morte, outras todo vida, outras todo eu, outras desconhecido, e nenhuma vez apesar de tudo – encalhado, sem saída, é este o mar da minha vida -

é assim o amor.

Nada para fazer com amor, nada para fazer sem amor, tudo a fazer com amor, tudo a fazer sem amor, verifico que o amor tem obra, tem arte, tem construção, tudo ou nada a fazer, é assim o amor.

Cumprir meu ideal

Quem é aquela mulher que me diz amar, que tem cheiro a outro homem, outro mundo, outras viagens, outras canções. Quem é aquela mulher que me diz amar a mais de metade da minha vida, como se fosse o seu primeiro amor. Quem é aquela mulher que se desconhece e diz conhecer o que eu mesmo desconheço. Quem é aquela mulher, esta mulher, esta imensidão de cumprir o meu ideal, o meu amor no mundo.

Deste amor

“ … Deste amor nada mais sobra do que a paz retornada, como se das colónias voltasse, a guerra que foi acabada. Deste amor sobrou a paz, depois de torturada a alma, e do cansaço das noites agonizadas, como se voltasse de uma ressaca demorada. Este amor de boca seca e corpo alterado, neste olhar negro magoado…”

Ilusão

A ilusão por si só é real, os momentos em que me dilacera tem mais realidade, do que a realidade da ilusão.

Este dia

Relógio não é peça que me seduza.   O dia?  É só este.   Ser parte das horas que partem, Foi-me escolhido pelo destino, Não sou o tempo parado, Nem sou tão somente o passado,  Tenho o dia como mundo.   Relógio não é peça que me seduza.   O dia?  É só este.

Este dia sensualmente gelado

"...Este dia sensualmente gelado, com este sol tão sol, quanto o sol de verão. Agasalho o frio desta tristeza de janeiro, desta incompreendida estação, deste voluptuoso sarcasmo de estar gelado com o ferver do meu coração..."

Reciprocidade

Frequento o intervalo do dia em que nasci, até um dia qualquer que renascerei de um corpo falecido. Nem esta viagem me assusta por aí além, nem a vindoura. Não nos preparamos para nascer, igualmente não nos preparamos para partir. Qualquer um dos eventos, são por contentamento meu, os únicos onde a igualdade de acessos é na verdade uma relação humana democrática, tanto na paridade, como na condição financeira, religiosa, etc. não nos preparamos para nascer ou morrer, escolhem por nós.   Por cá somos escolhidos pelos amigos, escolhidos pela reciprocidade, pouco mais.

Paisagens apadrinhadas

Há paisagens que eu apadrinho. Elas nem fazem ideia de quem eu sou, mas o céu sabe, o mar e o sol também, e o silêncio que me dão também. Logo, todos sabem que as paisagens que eu apadrinho, são pertença da minha alma. São o refúgio onde danço e amo. 

Excerto de palavras por ver o sol um dia (8))

" ... há uma particularidade que faz toda a diferença, a música que se houve, os autores de que mais gostamos, o mar que escolhemos, vezes a frequência das pessoas o silêncio e o burburinho e as ondas, as estrelas e o céu de que necessitamos, afastam-nos ou fazem-nos até não desistir. Nao chega rezarmos a mesma oração de mãos dadas, mesmo que me sinta culpado para assim sentir, este não sentir.  Na verdade as semelhanças aproximam-nos mais do que as diferenças, disse eu na espera angustiada de que: - nem que fosse um aceno de aprovação da Gisela Flor. - ..."

Resistência

" ... Sento-me na noite já avançada a meio caminho com a madrugada. A seŕra está em viva convivência, as estrelas são as estrelas e o pó sossega na geada que cobre o chão. As notícias de uma radio acordada fazem-me companhia. Não sei se me apetece dormir ou manter-me acordado sentindo este viver. Gosto de ser o único humano neste recanto do mundo. Daqui a nada este sossego já não é sossego e o dia trará gente para o dia. Adormecerei então. Por agora fico com frio e a música deste trompete que me acompanha. Fico com a duvida e a resistência ao sono de detenho ..."   

Esperançado

" ..  Não espero nenhuma solução nesta forma ditatorial de permanência militante de existência.   Espero somente a simplicidade de fazer, o que é a soma das experiências vinculadas à intuição das minhas observações.  O deus em que creio é secreto e selvagem e, eu sou seu filho.  Continuando o passeio pela colina escarpada ao mar, o silêncio dos mil pensamentos que me assolavam, enterneciam-me e esperançavam-me ..."

excerto de palavras por ver o sol um dia (62)

“ … Admirei-me pela sua consciência, não disse nada e ele continuou:   Sabes:           - Sair fora de mim, ver-me e detestar-me, é um exercício de coragem e maturidade, é o caminho para gostar de mim, é a tentativa de ajuste do meu ego, à comum mortalidade do ser humano, invertendo o meu eu, na possibilidade de evolução.   É perceber que existe tempestade e bonança, raiva e amor, nas doses temporais que eu lhe quiser dar, ou mesmo escolher, e a verdade que existe em mim, existirá nos outros, em todos os outros, e em toda a gente.    Assim sendo, rogo pela bênção da imortalidade na falência humana do erro, rogo pelo ajuste sereno à minha mortalidade, junto de mim e dos meus …” 

Excerto de palavras por ver o sol um dia (32)

“ … Gosto da raça desumana que é humana e não gosta da raça humanamente desumana. Na raça desumana aboliu-se a humanidade financeira em prol de carroceis, crianças, musica e malabaristas, é o perfeito “desumanismo” a tratar bem das pessoas, não se cognominando de raça sequer.   As pessoas não têm raça afinal. São pessoas, pronto. Entendes “Mari ‘terra”? Sim entendo,  “val de mar …”

conexão

" ... No decorrer da vida, desfrutamos a companhia de diferentes tipos de amigos. À medida que envelhecemos, um amigo é aquele com quem podemos sossegadamente beber chá enquanto conversamos. Não importa em que estágio da vida está ou estou, ou que tipo de amizade pretendo. A amizade é a pura conexão entre duas pessoas, um elo de sinceridade mútua, imune aos cálculos de perdas e lucros. Não mutável. Não influenciada por vantagens ..."

Tanto se me faz a riqueza ou a avareza

Tanto se me faz a riqueza ou a avareza, até o bonito ou o feio, o nome que o mundo dá, do que me afasto e alheio.   Interessa-me apenas a gente, que ocupa o corpo inteiro, nao me seduz nem a roupa, a maquilhagem, ou o dinheiro.   Sou isento de opinião, aos artefactos da moda, gosto muito de abraços, e palavras que incomodam.

al berto a 11 janeiro

Tudo está entretanto e novamente a ser como se não tivesse existido agosto ou dezembro. Tudo está como deve estar em janeiro. Não é o mês.  Não é o dia. Não é o ano. Não é alguém. Não é ninguém. É de mim. Sou eu. Janeiro é como numa recta interminável sem linha do horizonte. É com se a lua fosse cheia trinta e um dias ou mais. É como se a noite e o dia, a madrugada e o pôr-do-sol, não tivessem que se esconder ou mostrar, como se não houvesse vida ou morte. Esperança ou medo.   Não é o mês. Sou eu. Sou eu sempre.  Sempre. Eu.     É em mim que habita o que me invade e tolero, o que escolho e intuo. É a mim que se atraca esta intuitiva forma de ser. Sou eu.Sempre. Eu.   

amigo (s)

Para um amigo, tenho sempre o tempo que não existe, e um sorriso que descubro na tristeza que se altera.   Para um amigo, tenho sempre mãos, olhos e ouvidos. Tenho em mim até, o que desconheço existir.   Para um amigo, tenho tudo o que penso que não tenho, mesmo julgando que um amigo possa não ter.

Doloso silêncio anunciado

Cala-te doloso silêncio, sossega-te, disfarça-te de vento e ama. Ama como se fosses uma tempestade, um cavalo solto e feliz na planície.  Desprende-te desse silêncio escolhido, dessa luz sem brilho, desse brilho opaco e solitário.  Crê na palavra escondida que sentes, na palavra mostrada que te disseram, na maré anunciada que não queres ver, e aí sim, o teu silêncio será o sossego da tua alma.  

Flores adentro

Espero que as madrugadas regenerem as manhãs, que o frio se solte e se aqueça no dia, que as vozes que maltratam se tornem arautos da consciência, que as nódoas negras infligidas se sarem na plenitude do que está para vir, que o medo de sorrir se desfaça no medo da morte,  e que todas as flores se abraçam e caminhem mundo adentro.        

Fingir que está tudo bem

Uma dor de falência a fingir que está tudo bem. O mundo crê, eu, faleço na falência da dor a fingir que está tudo bem.   

Sobra tudo o que me falta

Sobra tudo o que me falta. O fogo a arder, a lenha a gemer, o cheiro a estalar sempre desigual. Falta a quietude de todo o alvoroço. A paz fugidia e distante. O caminho que perco e o destino. Falta-me saber se todos os domingos são a vida que espero ao cair da tarde, véspera de mim mesmo.  Sobra tudo o que me falta.    

Ébrio

As nuvens embriagadas de céu, eu embebedado de razão, de certezas infelizes, e dúvidas desconfirmadas, de verdades e angústias,  de esperas anunciadas, os dias gastam-se de vida, na morte aproximada.   Ébrio como as nuvens embriagadas no céu,  felicito esta solidão da incerteza com que me abasteço.        

Entre as tais

Rasgas e vida, rapidamente recolhes as palavras, há uma que não guardas,  desistir, não usas umas outras que te revoltam, maledicência por exemplo, algumas até me as dás,  maravilhoso e obrigado entre as tais.        

Natal "A final"

Natal "a final"   Amanhã desmonta-se o natal, Recebi um mail a dizer que amanhã passa uma empresa para desmontar o natal, A mesma empresa que o montou com certeza, Levam as luzes o burro e o s. josé por ser dias seis, Que o cheque já o levantaram à pobreza.   Vai tudo junto numa caixa, Os pobres, as crianças e os bonzinhos, Para o ano cá estarão numa data a anunciar, Os mesmos com a mesma compaixão por todos nós, Até lá, estão  por aí, na concorrência do natal,   ... Porque o natal só dá lucro em dezembro         

Cama, sol e saudade

A minha cama encharcada de suor e saudade, fria, quase amortalhada, abro a janela, primeiro uma portada, depois outra, o sol de janeiro não faz lá grande coisa, mas é tão sol como em todos os meses em que é sol, se calhar sou eu que sou a saudade e o sol, sol.   A minha cama amortalhada de saudade e suor, está fria.   

Coisas

Ter coisas, coisas, coisas, muitas coisas. Coisas sem sabor, sem cheiro, sem paixão, sem amor, sem se gostar até das coisas. Coisas para os outros verem, falarem, admirarem, que estas coisas podem mostrar-se, por troca com o sentir que se quer esconder. Coisas. Coisas. Coisas. Muitas coisas.   

Excerto de palavras por ver o sol um dia (190)

Tens nome do romance que trai em nome de deus. Tens aquele veneno lento que a paixão empresta  Aquele olhar enfeitado do cheiro que tem o teu nome. Tens um vulcão que me embala dentro de ti e uma gargalhada cheia de riso. Tens uma menina eterna de mão dada contigo. Tens uma mulher torturada mas não rendida. Tens no teu nome, espinhos de rosa e amor.  Tens nome do romance que trai em nome de deus

sempre quis, sempre, o bastante que me conformasse

“ … Por hoje acabei o meu trabalho. Queria agora dizer-te o que não quero dizer, porque não quero, porque não queres. Não quero mais vida que não esta, nem mais anos, nem mais nada, além do que já tenho. É-me suficiente. É-me a mim mesmo, não o sendo a outros. Mas há poucas horas. Poucos dias. Pouco de tão pouco. Mas há o suficiente. Acabei de ler o último livro que escolhi ler. A última música que escolhi ouvir. A última da última coisa que queria fazer. Se tiver tempo, farei mais, que o tempo já é muito.   (sempre quis, sempre, o bastante que me conformasse)   Gostava de acrescentar apenas, e, em nota de rodapé, não um aqui jaz, mas um aqui - vive para sempre - na minha lápide junto às cinzas encomendadas.   E, após isso, ninguém dirá uma só palavra que recorde o tão pouco, o bastante, que me conforma, e o valor que tem o tempo afinal. Foi deixar o tempo ser tempo, que me afirmou o tanto, que tao pouco me abasta …”

A luz aprisionada nas frestas do meu quarto

" ... Escrevi esta manhã toda na procura de conseguir que os meus olhos não se fechassem à felicidade.   Ontem, do alto do monte, a baía adormecida convidava-me a te amar. O meu corpo tremia e temia ao mesmo tempo. A minha boca escolhia as palavras certas que te dizer mas, saiam-me desajustadas. Os meus olhos reparavam no teu vestido. As minhas mãos fugiam do meu silêncio.  Ontem, as palavras pareciam-me escassas, vagas e fugidias para a tua certeza no amor, arrependo-me sempre do que não te digo, do que não te escrevo.      Adormeci já de manhã com a luz aprisionada nas frestas da janela do meu quarto. Já era hoje.    

És sempre tu

És sempre tu. É sempre a tua cara que me lembra a primavera. O teu cheiro que me traz as tuas mãos. A tua voz que me traz o meu sorriso. O teu humor que me traz o vento norte. És sempre tu. É sempre o teu silêncio que me alvoraça. O teu alvoroço que me acalma. É sempre esta desordem que faz vida em mim. É sempre tua, esta minha revolução.. És sempre tu.