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Mostrando postagens de fevereiro, 2017

Missão

a poesia tem em mim a missao de: visitar., revisitar, descobrir, dilacerar, assustar, amar, ensurdecer, acalmar, encher, esvaziar, ajustar, sonhar, esquiziofrenar, bipolarizar, ficcionar, funcionar, observar, matar, ressuscitar, nas palavras que não sou, reconheço a metamorfose delas em mim, depois sou-as, não poderia ser doutra matéria que não esta: mar negro, manhã clara, ausência frio, abraço amor, despedida ausente, dilacerado contente, felicidade amargura, gente de gente. as palavras tem uma missão em mim: desassossegarem-me num sentir autista e lúcido, num reencontro festivo, único e solitário, celebrando-se de mim para mim, incompreensível para muitos, Inalcançável aos olhos de quem não sabe voar. missão...

Mais mar do que medo

"... Não.    Como posso sentir o que não semeaste nesta agonia escanzelada e vil que não é senão e somente um espírito alucinado sem razão ou pertença, uma delirante fantasia procriada neste avassalador sentir que nego.    Ontem, o céu acobardou-se em mim, achou-me um bom cúmplice para desabar em trovoada.   Adormeci no último relâmpago que escutei, morto no frio que se sepultou no meu peito.    Acordo agora neste despertar em que a luz do sorriso me empurra para norte, onde a falésia amante do mar me espera recatada.    Há mais mar do que medo.  Há menos medo do que mar ..."

relógio de arvore

Gostava que as árvores dessem horas. Como o relógio da torre que me acorda da ressaca matinal.   Preferia ser acordado pelas árvores. Preferia ser rasgado na pele pelos seus ramos e beijado pelas folhas a caírem delicadamente.   Gostava de destrambelhado com a manhã, me cruzar nos olhos do cheiro a inverno, adocicado pela fogueira que ainda massacra a lenha por arder.   Se as árvores lamentassem as horas, plantava uma ao fundo do meu corredor, um relógio de árvore.

Timbre

sei de palavras iguais que significam coisas diferentes, conheço palavras iguais que não significam a mesma dor ou amor, a mesma palavra e um querer tão diferente, um querer vazio, um querer-te tão pleno, um amor terno onde o corpo se despreocupa com o que atormenta o coração, sei de palavras iguais com  timbre e compasso desafinado.     

a pedra feita de escada

caiu o pranto, a noite, a viagem quase parada, o soslaio com que me olhaste, o beijo que não te dei, a madrugada quase feita,  desta vontade que desfaço, no olhar que te deixei.  

Rebolam

Rebolam as palavras como as pernas de uma mulher esta tarde ao sair da esplanada, fingindo-se distraída com o meu olhar. Revoltam-se as palavras com a distraída mulher desatenta ao meu olhar, ao levantar-se para o mundo, esta tarde, na esplanada. Ao fundo, um poeta embelezou de olhar um prédio desumanizado, com atenção.

Tamanho

O meu amor tem a fúria do tamanho do mar, a altura do desconhecido, a largura de um abraço. O meu amor não tem medidas conformes no disforme jeito de me encantar. 

30 anos que vão de Zeca aqui

"... redondos vocábulos, somas agrestes, amigos convertidos depois da liberdade sair à rua de cravo na mão. Resistente ao ideal da fraternidade de ser um amigo em cada esquina. Pinto hoje o quadro que o fascismo não deixou pintar. Em todos os acordes dedilhados nas palavras feitas de sonho, junto o poema que será vivo eternamente.   Sem vampiros com cem índios da meia praia continuarei o sonho de abril recordado no sangue misturado de Zeca que me corre nas veias..."

Meiga e bravia

" ..  Nascente rebentada por acalmar, fonte meiga e bravia, mais do que perguntar ... é vida..."  

Despertar

No despertar dos meus olhos não existe apenas paisagem, há um dia inacabado, uma vontade começada, um sôfrego e triturado beijo por dar. No despertar dos meus olhos existe mais do que ver, existe toda a cegueira do mundo em bocados de sentir.   

A que deus posso recorrer?

a que deus posso recorrer com a fila de espera que ele tem?     não havendo vagas recorro a mim que não há deus que me queira melhor, nem anjo que me guarde tão bem.

Terramoto

Terra abalada de terramoto imóvel e invisível, ninguém viu, ninguém escutou, ninguém sentiu, porque os meus olhos se fecham e mentem mais do que o engano, e enfeitam-se de flores de todo o ano, riem mesmo chorando, e ao cair do dia, cai-me a vida toda por inteiro no travesseiro.   Terramoto imóvel e invisível que me guarda desta terra abalada.

Chão que cede

" ... Empanturrado, esperava que a coragem me forçasse a sair rapidamente dali, a repugnante e réptilinea observação que me tinham acabado de fazer, não cabia no meu corpo todo. Empanturrado, era o melhor termo que me ocorria para descrever aquela mísera fartura agonizante e desconhecida. Apenas recordava o peso das palavras e a má disposição repentina que me tinha feito falecer por segundos. Que sossego falecer um bocadinho. Não associei de imediato o quanto o meu corpo me tinha denunciado, só mais tarde e num rasgo lúcido e angustiado, entendi o enfartamento de tantas palavras envenenadas.  Ensanguentado, limpei as mazelas que mais tarde sabia sararem. Forcei levantar-me, respirar fundo e acreditar na negra mulher que oscilava ao vento. Ao longe, uma melodia chegava-me, voltei a encantar-se com um poema que me saiu pelos poros e, decorei-o.   navio solto neste mar adocicado de sonho, sem sal que me salgue o sangue, sem vento, sem nada que retire ou acrescente, pobres os meus olh...

Distância

distânca do sossego onde o que deixei a arder contém o fogo da saudsde.  distância da cidade das ruas que são dialecto que não falo. distância de existir na escolha da sobrevivência do medo. distância contrária à proximidade que não se distancia.     

Desaglutinado

Há sempre alguma coisa para deixar. - o açúcar, as gorduras, os hidratos, os cigarros, o álcool, o carbono, as benzodiazepinas, os opiácios, os canabinoides, a benzoilmetilecgonina ,  os ácidos, os comportamentos, os pensamentos, os pecados etc, etc, etc - Passo pela vida desaglutinado. Passo pela vida a deixar a vida. 

Loucura e luz

a noite adormeceu pela minha solidão adentro, e, a minha resistência sossegou-se, já tarde, abro as frestas da janela e deixo entrar a breve luz da música que me ajusta - a ser - que me devolve - o ser -   há tanto tempo que a inveja não se solta (penso), porquê esta invasão sem revolução, sem flores e policia de estado emocional, sem nada que me retorça as vísceras, ou que faça esfaquear-me de angustia?   gosto de quem não proclama a loucura e apenas se dá com ela (volto a pensar). adormeço debruçado na saudade.              

Quórum

Habitualmente a chuva não me queima e o sol não me molha, mesmo rebolando velozmente o mundo ao contrário. Levei anos a saber dos meus amigos e eles mais ainda a saber de mim. Hoje é apenas um dia. Um desabalado abalo sem quórum ou consistência de que existe alguma certeza no princípio da incerteza.   Ganho vida no que observo, ficciono, experimento ou intuo. Não ganho certeza, apenas abro outra perspectiva acerca da diferença e distância da semelhança. Tal como as portas de uma igreja fechada aos crentes está sempre aberta, aos ateus estará sempre fechada mesmo que aberta.    Quanto mais céu, menos terra há para voar.    

Cristal

Devoro o poema de cristal com o cuidado com que foi concebido, não sou eu nele estabelecido, não deixo de ser nele circunspecto, não sou o entendimento que se espera, muito menos conhecimento,  sou somente o meu amigo inexistente, o cristal devorado no poema resistente.    

Desvio padrão

O desvio padrão está previsto numa regra estatística da matemática.    Na vida, o padrão e o desvio não encaixa em quem tem no padrão o desvio.    Sou desvio, sou padrão, no meu intervalo de confiança em clara  probabilidade de ser.    Logicamente.

desamar

desamar devagar dói, porém - certifica a verdade do amor - desamar sem que o sono me derrube, desamar sem que a música me embale, desamar sem que sinta nada que não seja agudo dilacerante, desamar mecanicamente como um engenho, desamar por turnos, das oito às quatro, das quatro à meia-noite, da meia noite às seis, desamar devagar - certifica o amor -

fontes secas

… e assim se perdeu o voar, embora as asas existiam, não se esbracejam ao vento, um pássaro em terra é como o amor sem desígnio,   não voa, não tem direcção, vive morto aguardando a ressurreição, é como os dias sem horas, e as fontes de aguas seca …

Que o céu desça tanto que lhe toque com os dedos

Que o céu desça tanto que lhe toque com os dedos, o mar seja a rua onde vivo, e sempre seja verdade as palavras que me ofertam, e não se transformem de arbítrio aniquilado, não sejam vestes de actor, representação de vontade, e não amor, como antes sublinhado.   Que o céu e os mares desçam e transbordem,  sem que a gente se transforme assim, como o dia, como antes como a noite,  como agora.

Natureza humana

Quando as palavras se revoltam e sopram todo o ódio das noites inacabadas, dos sonhos incendiados por apagar, da desertificação molecular da razão, como se não soubesse nada, e.nada houvesse para além do mundo que me toma de assalto, vertiginoso, desabitado, cruel, crucificado, e os meus amigos inimigos, voltassem inimigos amigos.   Estranho, esta natureza desumanizada, a que chamo natureza humana.     

Translucidez

Translucidez: [ co-seno da tangente da alma. É trignométrica a sua equação ]

Amadureço

Amadureço na vida como um fruto na arvore, se não cuidado apodreço na angústia dos dias iguais, de gente igual, de sítios iguais, de atitudes iguais e, de eu próprio ser igual de tudo o que eu sou desigual.   Rogo a um deus que não sei existir a virtude do amadurecimento, a loucura cega de não me perder no ilusório nascente de sol, na árida terra por fecundar,  na masmorra literária das palavras, no crer sôfrego de um sorriso, rogo pela plenitude de ser colhido e não apodrecido. 

Feridas por sarar

Tempos em que eu guardava os segredos em cartas escritas por enviar,  segredos que não sao segredos por serem medos de amar, escondido em copos de noite bebidos de um só trago, refúgio em corpos de mulheres refugiadas em corpos como o meu, negócio sem moeda que se possa pagar, segredos abastados de miséria de vida por inventar, noites esquecidas sem memórias por lembrar, sangue por sangrar de feridas por sarar.

loucas memórias que me falcatruam

Toda tu me cegas como a neve que queima a ausência à temperatura, todo esse bosque em ti, esse foguetão que deu na televisão a espetar a lua, todo o teu bairro, os teus homens, os teus filhos, a tua cegueira transformada em neve que me queima por te não ver.   Toda neve tão gélida quando me olhas, esse bosque que se solta de vento e sibila, esse foguete humano que parece mentira, o teu bairro todo inteiro te vê imóvel à tua passagem, os teus homens construtores do seu próprio medo e desejo, os teus filhos que te quebram, e a tua cegueira neve verde, loucas memórias que me falcatruam.

Flores secas

as flores murcharam com o descuidado amor,   as palavras, o coração, tudo secou, sem que branco se tornasse o negro que ficou. em mim, há mais alvorada do que penumbra, mais dilúvio, do que flores secas em terra fértil. 

Geração antecipada

Póstuma lembrança das horas sem viagens, do regresso torturado pelo teu cheiro, do rio, das árvores a chorar dependuradas, do teu corpo todo sorriso,  o teu cabelo todo vento, a antecipada angústia de te saber incólume da despedida adiada, das minhas lágrimas sabedoras, uma geração antecipada, aos teus verdes anos.    

Veste e agasalho

Todo este céu imenso,  cinza, negro, azul,  lilás, laranja, púrpura, transparência.   Todo este céu de céu, mar encantado de coração,  veste e agasalho do meu sonho e desespero.   Infiel de amor quando negro, angústia quando cinza, e quando de todas as cores,  arco íris fantasia do meu amor,  veste e agasalho do meu desespero.

Loucura III

A loucura é estatuto,                E a lucidez a loucura,

Enquanto morrias eu escrevia

Enquanto morrias eu escrevia, tal qual o teu deus questionado, na diferença que não interessa que seja pensada, um homem na essência é um homem que faz os outros homens questionarem-se, um ataque é: uma elevação intangível.

Vem

Vem.  Sabes que toda a minha rebeldia se amaina com o crepúsculo de madrugada com que te enfeitas.   Vem.  Em toda a minha excitação tu existes, e toda a minha excitação são arrebatadas excitações.   Corpo. Voz. Respiração. Movimento. Palavras. Pele. Cheiro. Olhos. Mãos. Cabelo. Boca. Pés. Peito. Ombros. Sussurro. Sorriso.   Lua. Mar. África. Blues. Floresta. Montanha. Planície. Desejo e tu. Vem.

Desejo e flores

O teu sorriso empresta-se aos meus lábios saboreado na dissonância do que sinto verdadeiramente, e do que me fazes sentir. O teu olhar agiganta o meu no adorno feliz que desentristece os meus olhos. O teu cheiro perfuma as minhas mãos de desejo e flores. 

não deixando de ser amor, com certeza

Hoje, é impossível o amor ser amor, doer como deve doer, acontecer como deve acontecer, tal qual Romeu e Julieta, Ofélia e Pessoa, hoje existem telefones móveis, sms, skype, whatsapp, instagram, facebook, twitter, amor dissemelhante, saudade que não é saudade, presença que não é presença,                           não deixando de ser amor, com certeza.

cheira a terra e a flores o teu leito

" ... cheira a terra e a flores o teu leito, onde já me pesa o corpo em que jazo ..."

Sem asas

Não é a mistura do mar com os teus olhos que me cega quando o sol cai, é a miséria das palavras que me dizes, quando o teu peito geme - ai - culpado, sou como ave sem asas solta na planície, sem céu, incapaz de voar.  

Si menor sustenido

As palavras ficam presas nos poemas inacabados, valem os sonhos e a cobardia de um ser assumido, e de um ré maior a beijar um si menor sustenido.

Outro dia

Um trompete gemido de Beirute  em silvo estridente , acaricia o meu silêncio de início de dia. As minhas mãos, mar de mim, são a descansada angústia, solta por instantes, ao regresso das noites de dezembro. Ao longe, uma eternidade de sonhos decidem qual deles sobreviverá. Eu, embebedado de ilusão, rumo a norte, descrendo na sorte que a manhã teima em  me doar. Outro dia. 

Ausência

Estou sempre ausente. Quando presente num local, estou ausente noutro, quando presente noutro, sou ausente noutro. Logo, a presença e a ausência são o que sou.

valer a pena

Não tenho morada, nem pátria, nem cidade, nem idade, nem coisa nenhuma que valha a pena ser encontrado.   Não tenho vida, nem dor, nem amor, nem morte, nem coisa nenhuma que valha a pena ter sorte.   Não tenho império, nem miséria, nem intempérie, nem bonança, nem coisa nenhuma que valha a pena ser a mudança.

há momentos em que as palavras se abraçam sem se conhecerem

Sentado entre o sol e um café, outro café, e a tarde a gastar-se pelo dia afora, o sol a empobrecer a olhos vistos, e o tempo parado nas palavras, ideias e ideais, debatidos no prazer de um espirito sossegado. A tarde gastou-se. A noite soltou-se. O mundo soube-me a quietude. Há momentos em que as palavras se abraçam sem se conhecerem.

Poetisa

Pesam-me as mãos como se não tivesse braços. Os pés como se não tivesse pernas. A alma como se não tivesse corpo. Pesam-me na isenção de vida, no acrescento de dias, na saudade militante.  Alivia-me a fiel companhia do silêncio, o contrabaixo e a generosa poetisa de olhar falecido como o meu      

Pescadores

Perco-me nas horas dos pescadores e das gaivotas, como se um incêndio me afogasse. Sou claridade neste delírio constante.

Palavras por ver o sol um dia (só)

Palavras por ver o sol um dia  (só)   "... Sim, tolero-te.    Sabes, a forma impacientada como me sinto, transformas-la em saudade, por isso admiro-te e vives em mim, em eterna e angustiada vontade, mesmo entendendo que o teu mundo vai a meio, e o meu já esgotou o libertino e egoísta querer, de prender quem está agora a começar a liberdade.    Os dias em que fui feliz, serei-o para sempre.   Tive mar, sonho, Pessoa, al berto, chuva e jazz.    Repito: Os dias em que fui feliz, serei-o para sempre.    Tu surpreendes-me todos os dias com o teu impossível amor.    Mesmo quando me disfarço de pessoa crescida e intolerante, tolero-te.    Fazes-me invejar-te e sorrir por dentro.    Os dias em que fui feliz, serei-o para sempre..."

Arredado é raro

O sexo é amor disfarçado que o tempo desengana.  O amor não tem um tempo.  O amor ocupa o espaço que o sexo não tem.  O amor tem somente desejo de estar.  O sexo só tem tempo de partir.  O amor não se confude.  O sexo é confuso.  O prazer está em amar e ficar.  E assim canto ao amor, arredado e raro.

Mais ou menos não sou

Mais ou menos não sou, sou nada, outras alguma coisa, sou menos, sou mais, gritaria e silêncio, sou mais do menos em que existo, sou menos do rude que sobrevive. 

Antes

" ... Depois, já não há antes, mesmo sendo antes, o anterior instante ao próximo momento. É sempre antes, o mais forte que experimento ..."

Amor de amor

Pode haver mais amor do que este amor?  Este amor duro e raro, sem outro nome a dar, que não, - amor morto por amor, amor vivo de amor -

Mar e céu

Nem o céu cai, nem o mar transborda, por mais que se embruteça o homem. Ambos serão sempre maiores que a vontade humana. 

Lábios de sorriso

" ... É desordeira, de olhar meigo, a quem toda a gente volta a cara, sem que se perceba que é a coragem dos seus passos que incomoda. A diferença que não precisa de fazer por ter, é feita de mundo, tem a simplicidade de não precisar de nenhum adorno que não seja ela própria, tem lábios de sorriso, mesmo que triste ..."

Tentação

Estende-se na praia a areia branca. O mar a perder de vista. Horizonte azul. Perco-me.   Três linhas se me oferecem. Poesia, distância e natureza.   Solta-se-me primeiro a tristeza.  Na segunda a demasia.  A esperança nasce-me depois.    Terra minha fecundada. Sal de mim transpirado.   Em cada onda espraiada o sol porfiado é o pranto.  Dia de mar.  Noite que se faz rogada.  Rebenta já a madrugada.

Noite partida

Uma noite, Um punhado de palavras, Uma despedida, Um beijo, Uma noite inteira, Uma noite partida.

Equilíbrio

" ..  Será que tenho que treinar andar de copo na mão sem me derrubar.   Será que tenho que me acostumar a conversas que não sei ter.  Sorrir ao humor que não atinjo.  Sentar-me sem me esparramar.  Entender tanta coisa sem sentido que não entendo.    Não sou simpático nem quero ser. Penso e pronto. Penso ..."

Fui gente

As madrugadas em que ousei ser, patrimoniaram-me o sonho, fui gente.

Sei que o tempo abonará

As minhas mãos curvam-se como as sílabas que roufenho arquitecto.   Choro lágrimas secretas e invisíveis.    Molho de lágrimas as letras do que escrevo.    Aflito cravo um aí num vernáculo desabafado.    Dói me o peito de segredo e desilusão.   Tenho um sonho, vários sonhos, um maior que os outros todos.    Sei que o tempo abonará.

Semente

Fugi da sementeira que a semente estava intoxicada, para colher no pousio a seara transformada.   E fui pássaro, nascente e céu...