Depois
Quando as palavras se obstruem de sentimento maior só atrapalham o entendimento, Esgotam-se nos minutos de tempo que o tempo tem, As almas unem-se em silêncio quase digladiando-se na espera do primeiro momento. Há já mais de mil madrugadas que o nevoeiro raiava dos olhos de cada um deles, Dos quatro-olhos de dois pares por vezes baços, Outras mesmo, molhados da maresia que os inundava. Num frente a frente que não queriam que nunca o deixasse de ser o mundo sucedia-se, Sem qualquer importância para o silêncio das almas em união e metamorfose, O abraço quase dado tantas vezes foi adiado, como quase apertado. Na ânsia da glorificação do momento cristalizaram aquele instante, Num absurdo medo que a traição à imobilidade se desvanecesse daquele amor, Em debandada, assistiram à migração das cegonhas brancas nas escarpas que adoptaram. A espuma das rochas e o mar confundia-os e já não enxergavam, Se era o mar que batia nas rochas, se eram as rochas que inundavam o mar, Assim se sentiam ...