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Mostrando postagens de novembro, 2015

as desculpas e os enganos

... as desculpas e os enganos são como os enganos e as desculpas, são uma vontade férrea de me enganar desculpando-me, desculpando-me com os enganos ...

Palavras por ver o sol um dia XIX

Quando os raios de sol me cegam caminho por intuição. Confio no passo seguinte de um caminho que tem que ser feito tantas vezes sem rede nem claridade.   Cada desafio é uma oportunidade, ultrapassável. Não há forma de saber o que está para lá da esquina seguinte se não a dobrar. Tal qual caravela quinhentista de velas desfraldadas, dobrando o Bojador em boa esperança. Desafiar-me é provocar-me. É saber que irei sempre mais além. É ser medo e f orça. Pensamento e decisão. Acção mais que sonhos delirantes e coloridos de uma natureza morta de palavras, que somente as palavras nos dão.   Que bem me sabem as noites estafadas da concessão de um sentimento de dever desafiado e cumprido. Que bem me sabe a brisa que corre na estação sintonizada de uma musica que me trás de regresso. Que bem me sabe aprender. Que bem sabe descobrir-me. Não tenho. Não existem desculpas para não ser eu.   Não consigo lamuriar-me e ser imóvel. Se o fizer a lamuria perde o sentido, e, diminui-me. Sou um homem de man...

A intimidade que encontro no olhar que procuro

Trouxe comigo o silêncio, Adivinho o mar azul na noite escura, Sei que o sol nascerá novamente, Quando a nuvem escura se dissipar no céu, O silêncio por si só é: ..........A intimidade que encontro, no olhar que procuro.   Trouxe comigo os silêncios do silêncio, A companhia de mim próprio, A alegria de estar só, No pacto feito ao entardecer, Quando me visitei, ..........No caminho abreviado de tempestade.   Celebro o silêncio que me trouxe, Da rua que deixei no bairro que partiu, Celebro o vinho que não brindo, No abraço forte e amigo, Do silêncio que me acalma, ...........Na madrugada que me afaga.

algo de mais

Procuro algo mais, Estou tão perto por vezes, E quase sempre me sinto tão distante.   Procuro algo mais, No silêncio, em mim, No vento, no tempo, Na solidão, na admiração, No mar, no estar, No rio, na foz.   Estou tão perto por vezes, E quase sempre me sinto tão distante.   Não procuro nas pessoas, O mais que eu procuro, Aí já procurei, Não encontrei, Essa procura adiei.   Procuro algo mais que já senti, Procuro algo mais de que não desisti, Procuro algo mais de que já tive tão perto, .................E que sinto em mim, quase sempre, tão distante.

olhos de fragrância

Os teus olhos, São feitos do teu bálsamo.   O teu perfume não possui o teu cheiro, O teu odor não carece de fragrância.   Cheiras ao teu coração, É esse o teu aroma, cheiro a coração.

sol porfiado

Estende-se na praia a areia branca. O mar a perder de vista. Horizonte azul. Perco-me.   Três linhas se me oferecem. Poesia, distância e natureza.   Solta-se-me primeiro a tristeza. Na segunda a demasia. A esperança nasce-me depois. Terra minha fecundada. Sal de mim transpirado.   Em cada onda espraiada o sol porfiado é o pranto. Dia de mar. Noite que se faz rogada. Rebenta já a madrugada.

Saberás que sou mesmo de ser

Saberás que sou mesmo de ser, e se sou mesmo de ser, sou de estar, sou de ficar.   sou de atravessar o mundo e navegar nos mares que se me cruzam, sou de deixar partir de mim os meus segredos, sou de ficar.

fio de chuva

Responde-me às flores que te enviei, Responde-me nem que seja somente com uma pétala, Ou um raio de sol.   Responde-me sol à angústia desta lua, Ao querer desta floresta.   Responde-me fio de chuva a este deserto de sequeiro.

rio que faz de espelho à alma

A poesia duplica: A paz, O entendimento, A luz, O trilho, O que creio, O que desconheço de mim.   A poesia acrescenta: Tempo, Vontade, Verdade, Sentimento, Alegria, Ao que conheço em mim.   Como um rio que faz de espelho à alma.

palavras incendiadas

Sou assediado por palavras que resultam de um fogo que por vezes quero sentir extinto. Outras eu mesmo me incêndeio.   Resultam da capacidade de pensar. Exprimem-se na vulnerabilidade de sentir

Sou eu que escolho o merecimento em quem me deposito.

O burburinho foi sempre a estratégia dos maldizentes, no sussurro, na dissimulação, na cobardia.   No olhar existe o mundo, Num abraço existe o universo, Em ambos, existe a vida.   Em todos os meus dias eu nasço, Em todos os meus dias eu me enfrento, E em mim habitam todos os elementos.   Terra e confiança, Ar e luta, Fogo e vontade, Água e transparência.   … Sou eu que escolho o merecimento em quem me deposito.

19_nov_15

A minha filha nasceu ontem. Tem hoje um dia, mais os anos que já tem.   Concedeu-me, como se “com ceder”, fosse um acto único de um homem só, com e “cedeu-me”, todas as respostas às perguntas que fiz, "com se deus-me” me albergasse nela.   Entre a neblina suave que acordou com o fim do dia, apertei o seu peito de encontro ao meu, e disse-me a mim mesmo, num tom que eu nunca ouvira antes. Para sempre. Numa despedida permanente e adiada … parti mas fiquei, renascido horas depois, num 6 de dezembro do século passado.   É assim que o consigo descrever … meio confuso, meio baralhado, embarga-se-me a voz de emoção, embargo-me na recordação.   Obrigado filha maior do que tudo.

Tudo se transforma no céu

As noites são mais velozes do que os dias, São mais densas, são mais frias, São mais cheias, mais vazias.   Tudo se transforma no céu, Com lua que se põe de madrugada, E o sol que se esconde com a tarde amargurada.

Evito o entendimento

Evito o entendimento, Ou entendo o evitamento?   Evito entender pela limitação da escolha, Entendo o evitamento pela falta de percepção.   Sou mais infinito quando não entendo, Sou mais absoluto quando evito.   Ambas são a paz que pretendo, Neste direito à loucura que me assiste.

Estado demente e dormente este, feito de opiário

Restos de bocado de homem despedaçado em fragmentos de dor, passeia-se vagabundeando pela cidade tardia. Melindrado pela angústia de uma lacuna parte de si, insensível e roubada, pela necessidade de numa noite se ter ausentado de si mesmo, aniquilou o sentir e não mais voltou. Estilhaçado, procura as porções de si na vida dos outros. Parece inteiro por fora, sem passado e sem memória, fala fluente, mas não ri. Lê e escreve, faz canções que não canta mas que guarda em cada est rela.   Sofre mais do que devia e do que devia mais de sofrer. Encanta mais do que sorri. Fascina-se nos olhares fixos e longínquos, meios esquizofrénicos e absurdos. As palavras ditas são o seu cansaço e as escritas a sua liberdade. As horas são mais transferências de quebranto do que de momento. A sedução tem-na na natureza. O passado é um presente inesquecível.   Bairros amargurados de crianças recordadas pela miséria de se ter nascido sem merecimento. Homens e mulheres autómatos, movidos por sinais e rituais q...

excerto de palavras por ver o sol um dia xxxiv

"Surpreende-me com antigamente, pedi.   A criatividade da surpresa já não se tinha de pé. Não se sustinha. Perdera-se com o desentendimento, com o egoísmo de não nos termos no plural, com o egoísmo de nos termos juntos no singular. Já não havia mais noites, nem acordardes surpreendentes. O mar já não habitava irrequieto o meu peito, a lua já não espelhava a sombra do meu caminhar. O ruído esmagara a difícil subida da montanha. As p alavras não encaixavam mais, os conceitos modificaram-se. Apenas a contradição nos alimentava. Estava na hora dolorosa da partida. A partida e a resistência esperavam-nos....   Sei, que acordando assim, todos os dias sem assombro é apenas uma questão de contraposição, a partida. Somos um País de viajantes. De desacautelados viajantes. Partir assim sem rumo, sem maré ou poiso certo, é apenas dar existência há minha vida. Só me sinto vivo perto da morte, ou semi-perto dela. Partir, é sair deste estado moribundo, é apenas dar-me direcção e rédea. Melhor as...

Hoje é sempre

Quero partir com o teu sorriso, com o reconhecimento de quem te guarda e leva.   Quero sair sabedor da tua importância, do farol que me iluminou em tantas angústias, o peito que me secou as cascatas de lágrimas, o ombro que acolheu os meus sorrisos.   Tenho que ir. Para sempre. Vou.   Hoje é sempre e sempre é o passado, O passado somos nós, Amanhã não existe, Existe a noite passada, nós e hoje.

Engrandece-me a reconstrução

Todas essas palavras que foram solidão e hoje são presença, pronunciei-as de todas as formas que sabia.   Engrandece-me a reconstrução. Apazigua-me o florir da esperança. Morrerei em paz no renascimento de outra alma.

Vou escrever uma página em branco de silêncio

Vou escrever uma página em branco de silêncio, Amarei, quem comigo amar a púrpura calma e seja cúmplice.   O ruído são páginas escritas mais do que lidas, Inflamadas do um se querer dizer não dito, Do um se querer mostrar não mostrado, De um se querer ser não sendo, Escrevo assim em branco o meu nome cristalizado, No meu silêncio de névoa e fogo.   Escrevo salpicado de frio, quente, e temperado, Escrevo sinónimos rebuscados de adjectivos, Sem expressão, Isolados, Falhados, Ruidosos.   Escrevo o meu nome e o nome de todos os que em branco se passeiam pelo silêncio das madrugadas, Feitas de um mais que pousado nevoeiro numa planície semeado.   As palavras, a maior parte vezes só desarranjam.   Curvo-me respeitoso a quem me mostra o caminho sem palavras, A quem solta nas lágrimas o silêncio, A quem com palavras abundantes de silêncio me entende, A quem entende mais do que as palavras que se soltam, A quem entende mais do que o explicável, A quem explica com um suave toque de mãos, A quem ...

Um invertido acontecer

Trocámos olhares fugidios e vocábulos invisíveis, Li nos teus olhos um envergonhado apetecer, Na minha boca reside - um invertido acontecer -.   O meu peito questionou - a improbabilidade de te ler-, Inventei o cheiro dos teus dedos indicando-me a direção, E dos teus lábios cor-de-rosa segredando-me paixão.   Trocámos três palavras de ocasião, Toquei no teu cheiro ao passar, E a improbabilidade de te ter - ficou plantada na noite fria de luar-.   Um invertido acontecer na improbabilidade de te ler, ficou plantada na noite fria de luar.

Maria do Cabreiro

A janela embaciada faz-me adivinhar o tempo. Está frio e na minha face sucumbem dois olhos fundos, esperando uns raios de sol extravagantes e inesperados. Sinto-me fraco. Fisicamente sinto-me em fase de ajustamento. Espero que o meu metabolismo faça as pazes comigo. As mãos não obedecem ao comando e no meu peito fere a incerteza.   A Maria do Cabreiro curandeira ancestral recomendou-me chá de erva do ribeiro, uma mistela que diz ela que ressuscita até o inverno em pleno verão. Oiço na estrada grande afastada daqui, o respirar dos motores que se debatem recta acima. Os miúdos dançam e debatem-se debaixo da arcada do prédio em frente. Felizes. Cheira a rosas o ar, pronuncio de névoa que caíra na certa pela noite dentro. As luzes trémulas começam a acender-se quando o dia cai. Entre o tórax e o fígado, os rins e os pulmões existe uma revolução em mim.   Já tomei o chá da Maria do Cabreiro e descanso agora um pouco. Amanhã outro dia romperá augurado de uma nova e incandescente aurora, rep...

Nas varandas do amanhecer

Nas varandas do amanhecer o deslumbre pousa no vale, oiço o ruído que tem a paz das sete da madrugada, o dia emerge seguro, decidido, salpicado pela cor da neblina.   O dia tem em mim a inocência de ainda não ser dia a sério, com pessoas a sério, e as barreiras de sobrevivência por transpor.   O dia é dia, quando a noite embala a lua e a madrugada desperta a vida.

O amor volta sempre ao sítio onde é feliz

Interrogo a existência do amor depois de amar, Contesto-o de uma forma quase anárquica, Quase quântica.   Desminto-o mesmo só quando o vejo ao longe na possibilidade de ser atingido, Interrogo a validade do que sinto, E sinto mais lágrimas do que sorrisos nos olhos e nos lábios.   Quando vejo a certificação do amor, já não é amor, é um outro estágio, e, esse acredito ser a bonança depois da tempestade.   Acredito ser a paixão apaziguada pelos destroços da alma, Acredito ser o desejo de envelhecer depois do terramoto e já sem forças para contradizer o coração.   O amor volta sempre ao sítio onde é feliz.   É mutável, inacabado e adjectivado por enleantes e formosas expressões,que terminam sempre na interrogação da exaltação do amor.

Isso eu sei muito bem.

esta página não tem de todo nenhum objectivo político, no entanto quem a escreve é um ser político, social, com massa crítica e um defensor acérrimo da liberdade e igualdade de direitos.   Cada qual vive na miséria que escolhe viver, mas não tenho que aceitar a miséria que alguém escolhe para eu viver.   Palermice esta coisa da direita, da esquerda, dos radicais de ambos os lados.   Não existem é ideias, não existem ideais, não existem sonhos e pluralidade.   Existe somente mercados, especulação financeira, enriquecimento ilícito e corrupção.   Quem são ? Não sei, mas sei quem nos governou nos últimos 40 anos.   Isso eu sei muito bem.

todas as letras se abraçam e conversam

Não sei. Só sei que se escreve sempre com um A. A de ar, A de amar e ême de mar. A de amor e ême de Mãe.   Só sei que se escreve sempre com um A.   Como: Arrepio, Ausência, Afectivo, Amor, Andante, Anónimo, Antigo e Afectuoso.   Quase tudo se escreve com um A grande, como Amigo.   Menos: Marinheiro e Morte, Mulata e sorte.   todas as letras se abraçam e conversam.

desentendimento do tempo

A vida separa-nos sem que façamos nada por isso. Quando se experimenta a saudade existe porventura existência, e, é disso mesmo que sinto a falta, de existir.   Saudade da época em que habitavam músicas nas pessoas, perfumes e serões nas estações, esperança nos sonetos que me endiabravam a alma e a descoberta do sonho e da vida incluídos, pela espírito e o alento.   O sonho jamais termina se me recusar a apodrecer de conceitos e ideais. Pese embora os sonhos amadureçam com a minh a existência, a entidade que os regula amadurece igualmente comigo.   Os canaviais já não são bravios como outrora, já não faço amor entre as giestas nas quintas-feiras das eiras e da ascensão, quarenta dias precedentemente da páscoa, onde o feno ainda fresco não secara. O corpo já não me deixa. O corpo já perdura uma manhã soalheira de sequeiro a fortalecer.   O mundo mudou de forma e a forma. Já não existem arco-íris que se acreditem ser os sorrisos do céu. Agora tudo se tenta explicar.   Tenho saudades do d...

Porque teimas tu em dizer-me que não?

Se já antes assim fora, Tendo eu a demente ideia, De fazer do mar abundância, Abrindo assim o mundo, De negada evidência.   Os meus olhos vêem os teus braços a enlaçar a lua, Porque teimas tu em dizer-me que não?   A minha verdade contempla um desfiladeiro, Um rio revoltoso já seco, Lagrimas que me abandonam os olhos, Combatentes do amor, Flecha dilacerada, Elevada bandeira hasteada, Desofuscada. Sinal de bem-querer, Mutação de desamparo em esperança.

mais do que um lamento

Se na tua fonte gemo em ti mais do que um lamento, .................pelo mesmo motivo não jorro em ti esta inquietação.

O amor é um convite

Fazer da ausência presença é como confundir a terra, o ar, o fogo e a água, e analogamente consubstancia-los de admiração, confiança, desejo, paz e esperança.   Soltei-me da enfadonha madrugada. No fosso que existe do Outono para o Inverno existe um limbo que me exalta de vida. Nada por mal. Nada por acaso. Nada, por nada ser.   Se algum dia for. Se algum dia chegar a ser. Serei disruptivo e coincidente como o adormecer desamedrontado de um acordar sorrido e desassossegadamente tranquilo, abonado e sereno. São coisas que creio não acontecerem, mas que sei existirem.   A tranquilidade do meu pedaço moreno de mar é uma viagem onde o tempo não me parece a prazo, onde as estações não me parecem cinza em pedaços de nuvens e o vento é mensageiro.   Possuo a dor da ausência e a mascara da saudade. Desde sempre que o momento me insatisfaz. Desde sempre que os momentos me satisfazem. Satisfeito sou, sempre que a saudade saboreia o reencontro e as noites não detêm pressa ou regresso.   O amor é...

Sou diferente a cada dia que passa

O aperfeiçoamento e a vida.   A vida por si só não me aperfeiçoa. A vida por si só pode ser uma mera distracção de conceitos absorvidos e não questionados. Se não me questiono não vivo, se não vivo não me questiono.   Se não mudo vivo estagnado em velhas e caducas teorias de sobrevivência. Toda a vida é composta de mudança e, toda a modificação é composta pela vida.   Sou diferente a cada dia que passa e, sou a minha essência melhorada em cada hora que me questiono.

o acolhimento do sonho

O refúgio da esperança está na acção e na quimera que todos os meus sonhos abrigam. As cores que me devolvem as estações fazem-me crer na pequenez do meu alcance. O poder do que creio abriga-se em mim e é por lá que acolho o sonho.

Sou eu a minha insónia

A norte a madrugada, Os teus lábios sôfregos, A saudade magoada.   Deslembrei a cor da tua voz e o timbre do teu olhar, Já só a dor de partir, Me enche a alma.   Nada tem a ver com o amor, Nem a solidão, nem a melancolia, Nem a alegoria iludida num final de dia.   Nem o mar de época revoltado, Nem o céu estrelado e saciado, Eu tenho a ver com tudo e, tudo não tem a ver com nada.   Sou eu a minha insónia, O minha barca naufragada, A minha noite e a lua iluminada.

A dor é um estado de alma

Nasceu uma fonte em mim. Uma colina. Uma bolina antes do vento. A vontade transpira-se-me no momento extasiado que sonho ser eterno. Os sonhos são sempre exequíveis desde que sonhados. Ontem, o hoje era um sonho. Antes, os sonhos foram quimeras, devaneios, congeminações energéticas, delírios, estrelas e entressonhos. Uma não estória é um esboço romanceado, um soneto, uma travessia, um lugar no mundo, um assento da alma. A dor é um estado de alma, um alarme do âmago, um pré-reencontro com a vontade, a impossibilidade de abraçar a ausência e o desejo. Um acorde é o sustento de uma clave de sol, o sentido existencial de uma pauta onde gravo o teu nome. É como uma gota de chuva antes da enxurrada, é como uma sinfonia feita de gestos de enlaço, cheiros, bocas, olhares, fusões desnudadas e sentidos. Aclara-se-me a palavra amor como uma farpa na mente. O amor é simples, e por tão simples ser, não o entendo. O amor não é representado matematicamente de uma forma racional e logica, não tem algo...

Novembro

Gosto do cheiro de Novembro em todas as manhãs. Gosto de todos os “Novembros” da minha vida.   Por ordem de grandeza: fui pai, fui emendado, fiquei apto, parti.

O tempo guarda a poesia

O tempo guarda a poesia, a poesia guarda os poetas, e ambos, poesia e poetas, cuidam do tempo

Não há mais dias como o de hoje

No intervalo entre o adormecer e o acordar vive uma albufeira repleta de paz a que chamei sonho. Não há mais dias como o de hoje. Hoje é o sonho que realizo

Inspirado em Luíz Pacheco com o Z,e em mim a acabar em dilium

Inspirado em Luíz Pacheco com o Z,e em mim a acabar em dilium   Ele há coisas! E assim me deslumbro do poder espiritual que diariamente me é devolvido e enviado. Esta coisa do espiritual, em mim, vale o que vale. Vale coisa nenhuma, contudo, quando me ponho a somar as peças, vale em mim uma vida. A minha vida. Os sinais, no fundo são a confirmação da minha intuição. Fico feliz pela forma como aprendi a sentir. A minha intuição é a minha espiritualidade.   Prevejo hipocrisia em discursos fingidos e perfeitos, desconfio sempre da perfeição, gera confusão aos meus defeitos.   Esta coisa de mostrar para esconder, adivinho-as nas contradições, atento e pensante, detecto-as. Prevejo marés de afectos fora de época. Antecipo inícios e finais, traições e desencantos, esquizofrenias teatrais.   De onde eu venho, ainda a tempestade por lá existe, não se apagou. Ainda por lá baloiça a maldade e a humilhação, e os mortos só saem de lá nus. Tudo se pode trocar na guarita verde do bairro esculpido a ...

Quando o orvalho desperta nos meus olhos

Quando o orvalho desperta nos meus olhos, Amanhecem-me fantasias, Alvoradas do passado.   O que sei certo? É o presente, Não conheço o futuro em detalhado.

Deixei ir ….deixei voar

As minhas mãos já não calam, E a minha boca já não toca, Em tudo o que toquei, E tudo o que murmurei, Foram vãs formas de sobrevivência.   Guardei tudo no livre voar do pensamento, Arrumei tudo na ausência, Conservei tudo na partida, E sem nada com que tenha ficado, Deixei ir ….deixei voar.

Não se cantam palavras

Não se cantam apenas palavras, canta-se os que as palavras dizem, esdrúxulas, incomuns violentas, vigorosas.   Canta-se a compulsão das palavras, e por mais belo que sejam os acordes, se as palavras não se exprimem, não existe embalo, que dê a uma canção, palavras que chorem da alma

Datas

Não gosto de datas obrigacionais de comemoração do que quer que seja. Gosto de comemorar sem ser encarneirado. Não contem comigo para natais, páscoas, carnavais, e halloween também. Não contem comigo para nada e, contem comigo para tudo.   Manobras de distracção colectiva?   Não obrigado. Vivemos num País onde ainda ontem foi dado posse a um governo, não governo, tipo fantasma como a data recomenda. Vivemos num País onde metade do povo não tem opinião, não se exprime ou se desinteressa, resultado da uma depressão colectiva como demonstrada na estatística da prescrição de receitas de ansiolíticos per capita.   Vivemos num País onde se acha normal comemorar os natais, as pascoas, os carnavais e os Halloween´s, e se acha normal também, já não se comemorar o 5 de Outubro e o 1 de Dezembro, portas escancaradas para o débil 25 de Abril e 1 de Maio se esvaírem nesta distração colectiva de um povo.   Gosto de bruxas todo o ano, nunca vi nenhuma, mas que as há, há.