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Mostrando postagens de junho, 2009

mais do que sol

  Serei sombra mais do que sol, mas serei. Desilusão ou encanto Mas serei.   Serei o que sou, Sem falsear, A minha existência.   Se me engano, corrijo. Se me corrijo emendo, Se me emendo melhoro.   Se melhoro gemino-me, Mas não me ignoro mais que o sol, Se sou feito mais que de mim.   Sou esperança, noite e luz, Artista, palhaço, fantasia, Criança, sonho e paixão.   Sou vento, tempestade e maré, Porque sou assim, Mais do que sou.   Vou-me de encontro a mim, Numa guerra vulcânica. Sou floresta e rio.   Liberdade sombra e sol, Aventura, poesia, Montes, vales, e luar.   Sou mais lua, Do que sol, Sou sombra.

A cidade não pára

  Está mesmo mesmo a acabar. Os dias misturam-se com as noites, a vontade com a anti-vontade, a fome com a sede, e a sede com o sono. Tem sido duro manter-me acordado. Deito-me num amontoado de papéis que já não consigo discernir. Satisfação do dever cumprido. Sábado quatro de Julho está aí. Falta a outra metade porque a primeira esta feita. Aguardo os resultados que sinto estarem consumados. Fusão de sentimentos. Pais, filha, eu próprio. Questões, audácias, arrojos. Dormente e demente, letárgico e lúcido. Carregam-me palavras e pensamentos. O cheiro da madrugada vislumbra a aurora que o dia encerra. A alvorada estremece em mim. Debaixo da ponte, salpicos de chuva batem-me nos dedos entreabertos. Na fábrica de prata, uma pianista constrói sons feitos de acordes. Uma voz plácida e cristalina persegue os dedos esguios, na escala decorada a preto e branco. Teclas mágicas misturam-se. Nos meus joelhos a tua cabeça sossega, feito de nada num degrau de madeira. De tão pouco, faz-se tudo. O t...

Pois

  Serpenteiam aborígenes desarvorados no meu sono expatriado. Sonho de cansaço. Acordado pelas imagens que em mim deambulam. Repenso como se cogitasse. Repensar é pensar varias vezes, num pensamento que não se esvai. Cedo já de madrugada. Adormeço e acordo no mesmo reduzido espaço de tempo. Acabou mais uma noite. O dia já se espreguiça na janela que me entra pelo leito adentro. Estou extasiado da alienação que o desassossego me oferta. Caminho trémulo, por mim e declino. Os dedos engrossam-me nas mãos. Palhaceio com gracejos o meu drama. Represento-me austero, apesar de tudo. O mundo esvai-se-me entre os dedos. Tenho mil anos de ideais dentro de mim. Nunca serão os dias extorquidos. O fascínio em declive, equilibra o desequilíbrio do fascínio. Germina um campo estéril. Um batalhão interroga-me. Inobservado, prendo-me nos pecados apolíticos cometidos. Grito em surdina. Rebento um tímpano, ocupado por uma substância inaplicável. Vou trabalhar, continuar e finalizar. Vou abraçar o mar sáb...

matos verdes II

  Estou com o coração aí. Guardo a tua imagem sombreada na noite antes de ires. Espero ver te como sempre te vi. Estas tão diferente, tão decidida. Apesar das dificuldades todas por que tens passado, sinto te como nunca. Deves estar a acordar. Gostei do teu ultimo contacto. Roubaste-me um esboçado sorriso. És uma mulher do “caraças”. Tens conteúdo, não te vendes, emprestas ou alugas. Bom regresso amiga grande. Até amanha. Estamos cá.

Irreais, cruéis e crassos

    O peixe virá à tona tão poluído está o mar, As ondas esbracejam-se insatisfeitas, Desaparecem os silêncios das fogueiras acesas à beira mar, O desejo está enterrado na minha praia, O areal é a perder de vista, como tudo na vida, Perde-se de vista as palavras não ditas, Ficam as roucas vociferadas, A coragem desvinculada não é imaculada, Faz-se do tempo adiamento, Justificam-se as vontades, A loucura é estatuto, E a lucidez a loucura, Embriagado percorro-me Como o sangue envenenado que frequentei, Perco-me, encontro-me, Encontro-me perdido, O progresso anulou a existência, Existo nas melodias que invento sem igual, Desisto dos dois sois que inventei, Irreais, cruéis e crassos.

Matos verdes

  Minha boa, querida, fiel e única amiga. Como te disse esta noite, as palavras entre nós só atrapalham. Dizer que gosto de ti é ridículo. Os anos, o que passámos e passamos juntos, definem-no. Sabes que estou contigo. Retirar-me-ei na tua hora. Quero estar sem barulho, com a minha luz. Celebrarei numa madrugada o êxito da tua vida. Ontem em retrospectiva falamos da tua caminhada. Do teu pai, dos teus irmãos, dos amigos dos teus irmãos, e de tudo o mais que não vem ao caso. Falei te de mim. Sei que me entendes como poucos, que estás do meu lado, que te preocupas e disponibilizas. Sinto a viragem da tua caminhada. És mais sombra que sol. Vais dobrar, tal qual os navegantes fizeram do Bojador, Boa Esperança. Esperançado por ti, esperançado por mim. A ti nada te foi oferecido, sempre foi a ferros conseguido. Se fosse fácil não era para ti. Estarei por cá…

A ver os dias e as horas

  Fingimos que não reparamos, Que reparamos naquilo, Que os outros f ingem não reparar.   Precisamos todos de ver, Aquilo que os outros vêem, E nós não queremos ver.   Matamos a vida com a morte, A morte que se faz em vida, Na vida que a morte tem.   Esperançados pelos dias, Adiamos noites a fio, Os recomeços das madrugadas.   Não decidimos a hora, A hora não tem decisão, A hora tornou-se ilusão.

Navegar é Preciso, Viver Não é Preciso

    Navegar é Preciso   Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa: “Navegar é preciso; viver não é preciso”.   Quero para mim o espírito [d]esta frase, transformada a forma para a casar como eu sou:   Viver não é necessário; o que é necessário é criar. Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso. Só quero torná-la grande, ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) a lenha desse fogo. Só quero torná-la de toda a humanidade; ainda que para isso tenha de a perder como minha. Cada vez mais assim penso. Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir para a evolução da humanidade. É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça.   Fernando Pessoa         Nota:   “Navigare necesse; vivere non est necesse” – latim, frase de Pompeu, general romano, 106-48 aC., dita aos marinheiros, amedrontados, que recusavam viajar durante a guerra, cf. Plutarco, in Vida de Pompeu]...

Solteira e embrutecida

  A Ministra não é parva de todo apenas me parece inacessível, com alguma dificuldade em ouvir. Problema Nacional. 17 Anos de escola e professores dão-me alguma experiência acerca do que são os ensinadores deste País. Claro que entendo que não são todos farinha do mesmo saco, mas são quase.   Arrisco-me a dizer, e, baseado na Estatística Descritiva e na rejeição da hipótese 0 (nula), de que haverá dois professores bons, para cada dez docentes, decentes. Mais um, de vez em quando motivado, que inteira três e dá percentualmente qualquer coisa como 33,33 %. Parece-me insuficiente. Em contra partida, desfilam avenida da liberdade abaixo, aos montes de 100%. Se fosse liberdade acima seriam certamente menos, porque para baixo todos os santos ajudam.   Os professores auferem de ordenado entre 1600 / 3600 euros conforme básico, secundário ou superior, e não gostam de ser avaliados, de trabalhar longe de casa etc. etc. etc. Parece me uma classe privilegiada, que nunca experimentou o mercado de ...

O rio és tu

  Apesar da minha ausência e pouca disponibilidade social, tenho reparado no calor noctâmbulo e sonâmbulo pendido na minha janela. Negar parte de mim, seria negar a outra metade de mim. Lufadas imaginadas de imagens apoquentam-me. Sorrio aos discursos socráticos, sinto que ele me acha estúpido. Agora é sonso. Não estranho, penso até que a maior parte de nós, acha os outros obtusos. Subestimar ou atacar é asinino.   A falta de coragem é latente. É sempre mais fácil achar que a culpa é de todos, mas não é de ninguém em particular. Não há pachorra para este País de brincar.   Ontem partiu mais um dos que eu evoco como poeta de Abril. Outro Adriano, Alegre, Ary, Afonso ou Viegas, que já ninguém sabe quem são. Eleito, fez da força da música liberdade, e do encanto das palavras direito (s).   De madrugada dedilho a olhar para as estrelas. Sinto paz quando toco baixinho já tarde. Liberto e invento. A outra metade de mim não me habita, esta atracada junto de um barco branco à vela, num lago en...

Sabes Pai

  O teu olhar azul fascina-me. De repente muito de repente, tens dificuldade em raciocinar e articular ate o teu nome. Apesar da dor, de te ver aos poucos a desbaratares, penso e repenso que fiz contigo, uma data de coisas que queria fazer. Essas, não as vou chorar não ter feito. Sei que estas sossegado e em paz. Que a tua empreitada foi feita, que está na hora, e que tens todo o direito a trocares pensamentos e palavras. Vejo te sorrir. O teu olhar azul embebeda-me de vulnerabilidade. Estou forte contigo. Estamos cá. Deus há-de abonar. Obrigado. Nada há a provar.   Sabes Pai, não sou perfeito. Faço muito do meu caminho imperfeito. Mas faço-o. Não espero nem debito que me o façam. Meto pernas ao caminho e faço-o. Ensinaste-me isto e muito mais. Nem sou culpado, nem vitima. Não sou bom, nem sou mau. Não apoio o meu bem-estar em ninguém. Sou autónomo e auto-suficiente. Mas preciso daqueles três ou quatro. São a minha família, que como sabes é muito curta. Tu a mãe e a Joana. A Joana vai ...

Bendito ópio

  Ópio bendito ópio, Que saras as feridas, Enchendo-as de sangue.   Relativizas, Optimizas, Inventas o gerúndio.   Ópio maldito ópio, Que sacodes a esperança, Que tornas terno o sentir.   As palavras morrem na verdade, Que não se sabe, Que não se pretende saber.   Fugazes ondas de mares, Desfazem-se num promíscuo, Ataque intangível.   Prostitui-se a alma, Incapacitada de ver que: “O essencial é invisível aos olhos”.   Ontem não se era bom, e hoje mau, A verdade não se transforma em mentira, Pela “desaceitação”.   Os inversos, Matematicamente compõem-se, Não se opõem.   Viver pode ser ignóbil, Não quero, Bendito ópio.

Difácil...

  Estou cansado, infértil, desesperançado, sem ideias. Estou em Junho, meados do ano mas afinal, final para mim. Durmo quase nada, trabalho tantas horas como as que consigo estar acordado. No meio desta insane forma de estar e trabalhar, passam-me ideias desgastadas. Penso no amigo do deslize. Do deslize só sei isso mesmo, deslize. As partes não o partilharam. A da suposta honestidade falou-me no a, b, c, d e demais cognomes mas esqueceu-se do x. A outra, posso perceber que se cruza comigo na vida, mas a protecção impera…… vale o que vale. Isso distingue-me.   Esta expressão, é pródiga em retirar dimensão, em ajustar e situar.   Espero por meados de Julho, e outro título honorífico juntar-se-á a um curriculum já recheado de “merdas”, que me gastam a vida, e sei lá se me dão vida. No outro Julho serei mestre, passarei mais uma data de meses isolado, a pesquisar, a estudar, a fazer e a desfazer, e da destruição criativa nascerá uma “merda” qualquer qu...

O meu presente imaginado

  Vem mistério e arte, aninhar-te no meu colo Vem poesia misturada, Números de beijos com que te sufoco Prende-me outra vez a respiração, Dá me alento E vida em mim. Mar tão verde desaguado em ti. És o meu passo cadente, Estrela a quem peço o desejo. És a minha oração. O meu presente imaginado, O meu próprio cheiro. Faço – me de ti, Eu próprio. Tu és a minha canção, Feita de um conto animado, Feita de uma melodia que me despe e entoa, Que me mostra onde habita a minha alma, A minha calma, Onde as chamas se tornam as minhas luzes. E eu, Viva, Parada, Mergulhada em ti, Sem querer, descubro-me, conheço-me, Sou vida assim Querida, mais sentida que falada Dorida Encaixada e encantada. E neste momento, Não ouço o tempo, Ouço a minha canção, A tua respiração quente. Fecho os meus olhos e sinto-te para além do que vejo Já não és a minha oração Noutro tempo ver-me-ás, Fiel,humilde Seguindo a fé que conheço Pagando o que afinal existe És uma forma de prece Um ensinamento eterno .    

O Bloco dobrou

  Os caminhos mais fáceis são os menos prazeirosos. Nunca nada foi linear e não há-de ser. As madrugadas nunca entraram no tempo certo pela minha janela adentro. A noite nunca caiu ou se pôs, como as noites todas caem ou se põem. Sobra-me pouco tempo, para alem do tempo que tenho, dos meus afazeres.   Vão cinco anos em que transformo os sonhos da noite, em realidades do dia. Cheguei onde não sabia ser capaz chegar. Ainda não acabou, ainda agora começou. Na verdade sou um ser mutante. Na verdade ainda me descubro e reinvento. Ainda decido, ainda me surpreendo. Auto admiro-me com a mesma facilidade que me critico. Penso e fundamento-me.   Não adormeço ou acordo induzido. Adormeço com o sonho e acordo com a esperança. Dia após dia, noite após noite. Cada etapa torna-se numa tarefa. Umas após outra vão sendo empreendidas. Apaixonei-me pela vida antes de tudo. Desafio-me. Entrego-me. A saudade existe antes de ser saudade, o desejo antes de ser desejo. A vontade é a soma do desejo com a saud...

A diferença faz-se no levantar

Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá a falência. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma . É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um 'não'. É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta. Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo...   (Fernando Pessoa)

O magoito !...

  O Magoito continua lá, intocável. As tuas mãos pequenas arrecadam o enorme que tens para dar. Escorrem-te os caracóis de cabelo pelo rosto. O mar é testemunha das palavras aquecidas generosamente pelo sol, ainda de Maio. A pedra desenhou um sofá onde te aninhas, em contemplação do enorme sentir do medo, da realidade e do sonho.   Se acabassem hoje as horas e se eternizasse o momento?   O sal solta-se ao bater nas rochas cinza e molha-me a face. Saltitas de pedra em pedra ate ao exíguo precipício onde tocas a agua. Os moinhos desfraldam vontades ao vento. O dia passa-se para a noite. O mar escurece. O timbre certo de cadência do oceano, ritma o avassalador sentir das ondas, sem adjectivos ocorrentes para o momento.   A Aguda e a Assafora antecipam-te e prolongam-te, são o teu sul e norte. Eu sou o presente e o sentimento. Fui alegria ás vezes. Alegra-me ser assim. As minhas mãos curvam-se como as sílabas que roufenho arquitecto.   Choro lágrimas secretas e invisíveis. Molho de agua as...