Por detrás da noite que cai, a lua refresca metade do dia que se esvai, a serra a meio caminho, aguarda-me regressado, num caminho de moinhos, que ao sabor do vento, velejam como as gaivotas nas ondas do mar.
Nas entranhas da serra, o vento de repente parou para ouvir a passarada ao pôr-do-sol, todos os pássaros d´Aire despedem-se da tarde, neste melodioso sobejo do dia.
Todo o veneno importado da américa do sul, nem me matou, nem me foi suficiente. As flores continuaram no parapeito da janela do meu quarto a fazerem a sua época, e, repetidamente, nasceram, cresceram e morreram. Eu sobrevivi. Os gatos continuaram a compor nas madrugadas as suas baladas. Os sinos pontualmente continuaram a cumprir as suas horas. Tudo se mantêm inalterado nesta mudança contínua. Nada está igual. Tudo está igual. Tudo se modificou, tudo está na mesma. A vida a ser vida.
Há uma aparente parte de mim que não é necessidade, uma parte crente no que não crêem os crentes, uma parte descrente no que veem os olhos de gente, uma parte assertada, outra anarca, e, parte nenhuma é: - a que eu ocupo -
A minha cama tem lençóis de corpo e alma, preguiça e quimera, badaladas da torre da igreja, um quadro à cabeceira, e livros por desfolhar, tem pedaços de alma desarrumada pelo chão, pó para limpar, e o universo do lado de dentro da janela, com o meu cheiro junto a ela.