Enquanto houver ventos e mar !
De coração embelezado cortado pelo vento do sul espero-te. Espero pelo dia da coragem. Espero pela noite dentro, sonolenta e prazeirosa, o convite. Não me apresso, gosto assim. Gosto de não te ter. Gosto de te ter perdida, sem encontro. Temo o fogo incandescente incontrolável. Apago-o. Ateio-o. Volto. Fujo. Regresso sem sentir que regresso. Acredito. Desacredito. Analiso, sem querer saber. Mas sinto. Sinto os músculos tensos, e a barriga fria. Domino o medo sem dominar a ânsia de me ligar a ti. Aguardo. Espero. Espero por um dia, que não quero que chegue. Basta-me o que tenho sem me chegar. Quero enrolar-me a ti. Ver o rio a passar e os peixes a bailarem, sentado na relva que imagino fresca. Conversar letras quentes e palavras que escaldem. Palavras que ditaremos um para o outro. Palavras escritas. Palavras ditas. Palavras confirmadas pelos gestos e olhares. Confirmadas pelo timbre. Os dedos enroladas nas mãos que entrelaçamos, dedilhados pelo luar do castelo altaneiro, que se ergue na...