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Mostrando postagens de abril, 2007

Enquanto houver ventos e mar !

De coração embelezado cortado pelo vento do sul espero-te. Espero pelo dia da coragem. Espero pela noite dentro, sonolenta e prazeirosa, o convite. Não me apresso, gosto assim. Gosto de não te ter. Gosto de te ter perdida, sem encontro. Temo o fogo incandescente incontrolável. Apago-o. Ateio-o. Volto. Fujo. Regresso sem sentir que regresso. Acredito. Desacredito. Analiso, sem querer saber. Mas sinto. Sinto os músculos tensos, e a barriga fria. Domino o medo sem dominar a ânsia de me ligar a ti. Aguardo. Espero. Espero por um dia, que não quero que chegue. Basta-me o que tenho sem me chegar. Quero enrolar-me a ti. Ver o rio a passar e os peixes a bailarem, sentado na relva que imagino fresca. Conversar letras quentes e palavras que escaldem. Palavras que ditaremos um para o outro. Palavras escritas. Palavras ditas. Palavras confirmadas pelos gestos e olhares. Confirmadas pelo timbre. Os dedos enroladas nas mãos que entrelaçamos, dedilhados pelo luar do castelo altaneiro, que se ergue na...

Porque tudo é tudo

Sete dias depois voltaste. Trazes no rosto a pele pálida que o sol não queimou. Caminhas sensatamente pela luz. Mudaste. Referes hoje as forças que gastaste com a mudança. O chão de quadrados pretos e brancos, são o tabuleiro de xadrez com que preparas o xeque-mate. Trocas o peão pelo cavalo. O cavalo põe a rainha em cheque. O Rei vai se escapando. Tu sabes que não vai conseguir escapar-te. Estás a preparar o ataque. Tomas precauções, calculas. Irás pela certa, certamente. O cerco cada vez mais se aperta. O Rei está fraco e denuncia os seus súbditos. A rainha transforma as rosas em pão. O teu tabuleiro esta cada vez mais vazio de figuras, mas cheio de tudo. E tudo é tudo. A tua vida não é um jogo. Estás prestes a derrotar figuras assegurando tudo. E tudo é tudo. Estás em separado a separar-te. A desprender-te. Estás finalmente de viagem de encontro ao começo. Os recomeços não existem. Tudo começa e tudo acaba. É no durante que habitas. É no durante que decides acabar. É antes de aca...

Quase medo !...

Cada ruga que te causei marca me. Almoço e janto bem, assim como os nossos. Cada dor que sentes eu sinto. A tua pequenez enche de grandeza aquela casa enorme. O Inverno é aconchegante. Os cheiros com que perfumas aquela casa são únicos, são especiais, são diferentes. As tuas flores estão regadas. Estão sossegadas, como se num sono profundo te esperassem, para voltarem, a ser felizes. E são muitas como sabes. São muitas as flores do teu jardim. O jardim que plantaste com vida, com entrega, com carinho. A minha alma escureceu. Escurece pelo pânico de te perder. Escureceu de saudade. Escurece dentro de cada minuto. Ilumina-se a cada minuto de fé que consigo sentir. O teu sorriso esta cristalizado dentro de mim. As tuas penosas preocupações. As tuas aborrecidas preocupações, são hoje saudade. Os teus gatos estão tristes, sem vontade. Já não fogem á minha presença. Estão á tua espera. Serenos. O teu marido enrola-se pelos cantos. A tua neta vai-nos cuidando. Nos vamos cuidando dela. Tu vais...

Maxime !

Recuo uns anos e revejo-me. É nas diversas visitas que me faço, que avanço. Recuo para avançar. Nunca percebo que estou a avançar. Vejo-o depois, quando me revisito. Inteligência é gostar de pessoas. É ter uma boa alma. É tratar bem. Ser e estar presente. É caminhar pela verdade, pelo coração, na poesia que é a vida, ter tempo para viver a Natureza. É nela que existem as respostas. Forçar não é Amar. Abrir mão é respeitar, admirar, não tendo á mão o julgamento. Julgar que faríamos sempre diferente, é não nos igualarmos, a alguém que vive com as mesmas necessidades básicas. É julgar o essencial e o acessório. É diferenciar. Na diferenciação nasce a hipocrisia, a ambição desmedida, o lucro fácil. A vida encarregar-se-á sempre de sinalizar, de ensinar. Nem sempre se recolhem ensinamentos. A vida não é a praça da alegria, mas é nas praças, que fazemos alegria. Ontem tentei em plena praça da alegria ter alegria. Não naquele programa televisivo. Vi uma fila de pessoas iguais, tentarem entrar...