Arco
Paz podre, silêncio e mudez. Palavras por dizer, gritos por gritar. Repensar é benévolo. Pensar a memória, a morte, a vida, a fome, a guerra, o romantismo, o sonho e a ficção, os sentimentos de cristal despedaçáveis, frágeis e quebráveis, o futuro feito ontem, o depois do amanhã vindouro, a história feita de estórias, os filhos e o medo, isto é a memória do que sou, subsisti e habitei. O silêncio é, um aliado necessário, irmão da solidão, trilho para a decisão. Os sabores, as cores e os cheiros, alteraram-se. As montanhas, os mares e o sotaque, são esta coisa de que sou feito hoje, a que chamo memória, passado, património, o que quer que seja, é este arco entre o que foi e o que é, que faz de mim o que sou. O que recordo? Lembro o Pessoa, o O´Neil, o Torga, o Eça ou o Camões e outros viajantes primeiros e principais. As personagens que crio são a natureza que invento, a democracia prezada já exilada e ausente. Pensar faz falta mas está desusada, logo, não se pode repensar. Já não s...