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Mostrando postagens de abril, 2008

Antítese

Antítese é uma forma de vida. Nascemos em sentido inverso. As estrofes não são simétricas. Carregamos decisões irreversíveis. Somos um projecto iniciado e inacabado . Exportamos beijos por exportar. O caminho inverso é a antítese. Não nasci para fazer o que faço. Não nasci para morrer. A morte não existe. A morte é a recordação da vida, nada mais. Abri um túnel na montanha para não a escalar. Acampei no fundo do mar e abri janelas nas árvores. Dos quadros fiz a minha casa. Comprei nuvens para alugar. Guardo num escaparate um frasco de cheiros. Frasco de momentos quentes pintados de imagens. A música dança ao vento como uma maluca. Pela manha saiu de casa a saudade. Ainda não voltou. Fica pela madrugada fora a falar com estranhos. Fica presa ao pesar do tempo. Não se pode encher a alma de palavras. As palavras esvaziam-na. A alma enche-se de momentos. A poesia já não é uma prenda. Já não descreve o caminho. A poesia pintou Abril. O Abril converteu-se em antítese, como a existência. Gran...

uma mão cheia de tudo e outra cheia de nada!...

Vivo desencontros que sei não serem reais. Tenho saudade dos brindes e dos olhares de soslaio encostados ao balcão do bar que frequento. Fico com saudade dos cúmplices olhares e do abanar ritmado dos acordes saídos dos corpos das miúdas que se passeiam por ali. Disfarçam absortas a ligação ao meio! Gosto deste jogo do não reparo! Gosto porque reparo. O que me mantêm incorporado ao balcão é ter uma mão cheia de tudo e outra cheia de nada. Gosto do cheiro a álcool com perfume e cigarros. Gosto das imundas casas de banho e das conversas. Aprimorar a maquilhagem é o segredo que guardam os espelhos. Mantém-se o dia no dia. Vive-se obstinado pelo que não se sente. Escolhem-se os especiais para se continuarem solenes encontros. O jantar das quintas é enorme, o da sexta é recatado. E as noites??? As noites alteram-se uma a seguir á outra. As rotundas são inundadas pela seita. Na madrugada é ver os pedaços moribundos da velocidade. Chamam-lhe Tunning ou Chunning ainda não assimilei o termo. Sou...

Os arautos do Amor

Os lobos comunicam com o uivar. Encaminham sinais pelas estrelas escritas no céu. Amanhece cada vez mais tardiamente. O encontro fugidio dos amantes é mais espaçado. Geme água das pedras solidárias. O frio gélido invade a alma. O espírito desassossegado e insano não pára de projectar encontros. Encontros que tardam em apagar o fogo da alma do desejo. O desejo de um rio que se mistura com o mar feroz na foz. A lua é testemunha dos amantes. As gaivotas apanham as ondas do mar num baloiçar que invejo. Resume-se a vida aos desencontros. Adormeci hoje pleno de paz. Mais um dia em que olho para o lado e me apetece fugir sem me carregar. Desaguam de mim ideias em desalinho. Sinto-me vagarosamente agitado e cerebral. Inquietante este estar. Está cravado em mim aquele telhado esquinado do mar da Gelfa. O vento que levanta a areia fina e a torna numa neblina sedutora e envolvente sobrevive. A velha ponte de madeira que range ás passadas incertas passa pelo Inverno sem ceder. Não penso mais nisso...

mutante

sede insaciavel que perdura por mais anos que floresça.   na amazonia do meu peito correm rios bravos e soltos, entre silabas soletradas letra, a letra.   a paz fugiu para parte nenhuma.   adormeço dormente, o sal desconcentra embriagado pelos tropicos, que degelam esperança.   o reino vendeu o rei a rainha adulterou.   sou rei sou rainha bicho povo e mutante