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Mostrando postagens de novembro, 2016

Excerto de os meus sonhos são capaz

  Excerto de os meus sonhos são capaz   “ … Sim.   Nesta mesa onde há anos me sento e reflicto, saboreio cada dia que recomeça sem angústia, livre nos minutos, preso nas horas.   Cada amigo que não o foi, me lembra. Cada amigo que partiu, saúdo. Os que estão - estão de quando em vez-.   Esta mesa sabe mais dos meus dias que minha mãe. O tampo desta mesa enxuga-me todas as lágrimas que lhe declamo. No canto desta sala onde arrumo esta mesa, a fogueira e o cão são a humanidade, a felicidade desta casa.   Eu, saboreio um livro adocicado com uma canção velha de abril, semeada em novas coutadas …”

Sol e vento

O teu corpo está em todas as minhas palavras, assim como o teu rosto de prazer está em todas as minhas fantasias.  Todas as noites em que o teu cheiro não adormece no meu peito é um dia adiado, há espera do dia seguinte. As tuas mãos são a esperança que os raios de sol anunciam no meu peito, como se eu desejasse que me arrancasses o coração e o adormecesses contigo, nas noites em que não estás.      

Jorge Palma

Só. Depois de 25 anos de bairro do amor a sentir-me frágil e um lobo malvado, num Portugal que continua à espera com um pé no fundo do mar. Mãos mágicas debruçadas no piano, prolongamento das palavras harmonizadas que sangram e esperançam. Foi ontem numa noite de ruídoso silêncio e emoção. Obrigado Jorge. Palmas.

A minha cama

A minha cama tem lençóis de corpo e alma, Deito-me dorido e acordo o sorriso que me adormece, De manhã a preguiça acorda-me e anuncia o sol, A minha cama não tem orgasmos e gemidos por dá cá aquela palha, Tem noites de quimera tocada em sinais badalados da torre de uma igreja que nao frequento, O meu quarto tem a minha cama, um quadro, livros, bocados de alma desarrumada pelo chão e pó para limpar, Tem o universo do lado de dentro da janela, E o meu cheiro junto a ela.        

Rio Ill

"... quero uma familia como o rio grande que vejo passar, enquanto dedilho uns acordes de uma música que evoca são macaio.  Um rio grande cheio de outros rios que se lhe juntam, mais os ribeiros que se juntam as esses rios, mais a chuva e as gotas de orvalho que rebolam do vermelho dos cravos outrora liberdade.  Quero uma família grande como a chuva, unida e solidária como o sonho de abril adiado. A minha família são três pessoas e menos amigos ainda do que três.  A vida é a nossa história e, essa, tenho-a cheia de amigos e família, quando eu não tinha família nem amigos. Depois, deixei por evolução de ser o que era e passei a ser quem sou, como um rio que recebe os outros rios, ribeiros, chuva e a gota de orvalho do encarnado cravo, por aí  juntei-me ao mar como o rio, que mesmo imenso, é desafinado com a música que dedilho.  O mar sabe bem o que eu andei para aqui chegar. Só, com são macaio e uma pequena família..."  

instante

"... sim, pode ser, se por cada instante em que és fores a eternidade, eu voltarei a ser infância na soma da minha idade ..."

Não posso

"... Posso enviar-te por um pássaro do céu a cor de que mais gosto para te enfeitares, posso enviar-te pelo vento a primeira música que ouvimos, posso segredar-te pelo mar o poema que te dediquei na nossa madrugada primeira, posso enviar-te o meu cheiro pelo luar, posso enviar-te a maresia da margem do lago onde penteaste os teus cabelos no dia em que te amei o corpo, depois de me abencçoares a alma.    Posso tanta coisa que não posso, tanta coisa que não pude, tanta idade que deixei no tempo que foi tempo ... "

O verão e o inverno da minha existência

As janelas e a memória, As recordações e ausências, As mãos e o trabalho, Os beijos e o amor, Os abraços e a amizade,  Os poemas e o mar, Os velhos homens e a sabedoria, O encanto e a paixão, O céu e as flores, Os rios e as árvores, Os filhos e os pais, A verdade e o sentir...   São a vida que me magoa e faz feliz, São o inverno e verão da minha existência.      

Os meus sonhos são capaz

A incapacidade de não depender o meu bem estar de mim somente causa-me medo.   A incapacidade da não apreciação da minha companhia como se houvesse outra mais necessária ao meu bem estar causa-me solidão.    Aprecio a espaços a minha companhia e bem-estar e, quando sou invadido pela necessidade de dependência de alguém, vou para a serra que me viu nascer, sento-me na minha pedra favorita e deixo a musica do ribeiro que passa embalar os meus sonhos. Esses são capaz.    Os meus sonhos são capaz         

Não sou livre quando em mim o tempo se desfaz de tempo

Sou livre dentro de mim quando o tempo não   se faz de tempo, quando ignoro o que foi só corpo e me absolvo de ter sido só corpo também, sou livre quando as palavras são apenas palavras gritadas de escondida cobardia, sou livre quando: espero, estou, e sou, sou livre quando as ruas me assentam o caminho, e as noites adormecem em mim sem sobressalto.   Não sou livre quando em mim o tempo se desfaz de tempo.

Despertencente

"..  as portas são desnecessárias na minha casa.  Não preciso de portas para abrir, para depois as fechar. Não preciso de portas para fechar, para depois as abrir. As portas não fazem sentido na minha casa. Aprisionam-me. Já as janelas são o espaço e lua. O sol e as estrelas. São gente ausente e o mundo que observo despertencente..." 

O teu nome de tanto escrever já pertence ao teu nome

Já não escrevo o teu nome num papel, Agora são símbolos, Já nem escrevo letras, Agora são teclas e, tudo junto pode não ser o teu nome, Abro antigas gavetas inundadas de pó, e aí sim, o teu nome está empalidecido e escrito com letras, mãos, lápis, e linhas sumidas de uma folha que tem história e, não se apaga carregando numa tecla de um écran.   O teu nome de tanto escrever já pertence ao teu nome.  

Palavras por ver novembro feliz

" ... Já me sabe bem este fresco da manhã por acordar a noite. Sabe a esquecimento esta primazia de não lembrar mais os rostos que se cruzaram por mim numa estação que não foi uma estação, foi somente a representação terrena da maledicência e do vernáculo sentir.   Não ajuizo, não abencou-o. Apenas me sabe bem este fresco "novembrino" e libertatário, portas meias com um Dezembro a gritar.    Embrulhada de preto e xaile, seguiu esguia e delgada no seu andar, a viúva do Zé Pexim homem do mar e do Inverno, que o inverno recolheu há três novembros atrasado..."  

Entrego assim as minhas mãos

A forma como te entrego as minhas mãos, o meu caminho, a esperança do que eu mesmo duvido, entrego-te por confiar em ti este destino que não sei existir e, não sei se o caminho tem muitos dias por andar, se o mar vai chegar a tempo de nos unir numa praia deserta, do lado de lá do sonho adjacente ao luar.   

Terra IV

Nem a terra que cobre o corpo, cala a obra edificada de quem viveu como homem, a muitos, a terra que ocupam não vale o seu espaço, a construção de uma vida não se perpétua no nome de uma rotunda, avenida ou beco, eterniza-se no merecimento da terra ou cinza, que imortaliza a saudade.

Joaninha

Joaninha    Há uma parte inteira de mim, por quem eu daria mais do que a minha parte inteira de vida.   És uma parte inteira do meu amor. És a minha vida completa.   És o sentido que me faz ter nascido e por aqui existir. És o sentido que me faz prosseguir. És o sentido que me faz ser inteiro e por inteiro me dar. És o sentido que me faz ser homem. És o sentido que me faz ser Pai e o previlegio de saber o sabor do incondicional amor de amar.    Faz hoje anos que fui Pai e, se fui, sou.    Obrigado "filhota". Salvas-me eternamente a vida.   Abraço-te com amor.

Quietude do amor

Em gestão, o princípio da incerteza reflecte-se no custo, valor e inevitavelmente no preço. Assim é no amor.   O princípio da incerteza reflecte-se no ajuste directo da paixão. No ajuste directo da entrega. Na entrega do amor alavancando a escala.    A gestão do amor não tem na confirmação analítica a quietude do seu valor.   

Poente

"... Entre as folhas qu vão caindo dos meus olhos, albergo todo o poente que se põe no mar que escuta o sol.   A lua, sempre a lua feita de esperança e luar, sobrevive a todos os dias em que mísero me julgo encontrar ..."    

Feroz benção

Na feroz benção de amar, escreve o coração palavras que nenhuma boca pode falar, assim se escreve o amor em cada sílaba de sentir mais do que dizer.   

Apatrida nacionalidade

Sem terra nenhuma ou mãos que a remexam. pranto por cultivar, pássaros no céu por migrar.   Sem lagoas ou rios de foz adiados, ou palavras benzidas de tanto afiadas.   Sem campos de delírios ou medos abundantes, Apenas e só um sentir dilacerante e bocas condizentes que teimam em ser distantes.   Tempo gasto irrecuperável de vida, Onde sobrevive cada dia de retorno de uma apatrida nacionalidade da alma.        

Trilho

Falei-te de flores, De paixao, De jazz, De silêncio, Do teu cheiro ao acordares, Do meu corpo estremecido, Do meu poeta preferido, Das portas da minha alma, Do orvalho do tempo da estação, Dos meus sentires e reparos banais.   O meu simples sentir era em ti enfado, Um caminho desconhecido, Um trilho incapaz de ser amado.   

oportunidade III

“ … Não. Não vou dizer que sim. Não vou dizer o que sinto, nem apresentar-te a minha a solidão. É minha. Não é divisível. Nem eu a quero dividir com ninguém, tamanha é a oportunidade. Não. Não vou dizer que não. Não vou dizer que não, nem apresentar-te a minha insularidade, o meu desejo de mim, quase uma egomaníaca forma de ser, onde habitam a liberdade e a prisão na mesma cela, o amor e o desamor no mesmo quarto, a alegria e a tristeza no mesmo peito. Sentindo tudo isto tão intenso e tendo a saudade como mãe, não te apresentarei a minha solidão, não te direi que sim, nem que não, mesmo que me ajuízes como um espírito sem alma, ou um corpo sem juízo, mesmo que o teu entendimento não seja coerente, e aches esquizofrénico o meu sentir, dar-te-ei apenas as minhas mãos quando precisares de alento, à parte disso, resignar-me-ei a esta dolosa forma de alegria, e a esta alegre tristeza da solidão …”

Ermida

“ … Na sobranceira ermida de santa marta o pecado segundo os homens pratica-se em pedaços de amor recordados de um namoro feliz e escasso, o que invalida o conceito de pecado, por não existir pecado algum no amor mesmo aos pedaços, na sobranceira ermida de santa marta ou outra santa/o qualquer.   O pecado é uma “mentira”. O pecado não existe nem abaixo, nem acima do equador.   “O pecado é uma falta contra a razão, a verdade, a consciência reta; é uma falta ao amor verdadeiro para com deus e para com o próximo, por causa de um apego perverso a certos bens. Fere a natureza do homem e ofende a solidariedade humana. Foi definido como "uma palavra, um ato ou um desejo contrários à lei eterna". Lucas 17   Lei eterna segundo são Tomás de Aquino: “ o bem comum por excelência a deus. A lei eterna apresenta a deus como fim de todas as criaturas, tanto racionais como irracionais. Aos seres inferiores (nota de autor: que não faço ideia o que seja), cabe refletir a imitação da glória de ...

DT que escrever o nome dá-me asco

Adormeci e acordei de um sono que não dormi. O meu mundo, o mundo, este lugar, nem sempre é um lugar, um mundo ou um sítio sequer. deus anda distraído, é demas iado liberal, ou é mesmo incompetente. Rogo á unidade e ao que resta de humanidade, como forma de sobrevivência emocional, de justiça e igualdade. esta vida que que nos deram para habitar está cada vez mais mal frequentada. A extrema-direita, o racismo, a xenofobia têm a sua oportunidade de ouro. Luto de pesar, luto de luta.

Maria Homem / João Antero

“... Se eu não sei o que sou, como sabes tu o que sou eu? Replicou o João Antero vizinho da falsidade que habitava no terceiro esquerdo e andava enrolado com a Maria Homem mulher mal-afamada aos olhos dos que não esperam nem uma lua para se calçarem dos seus passos e sangrarem como ela dos seus próprios pés.     Eu gosto da Maria Homem e não gosto do Joao Antero, toda a sua intelectualidade me cheira a ignorância, todo o seu acerto me sabe a manipulação.   A Maria Homem não. É cristalina no seu sorriso, bem-aventurada na sua alma, tem mãos de mulher mãe, todo o amor que detém ainda nem a metade vai, e já a sua vida se esgota para além de setenta anos. A Maria Homem é uma menina do tempo, não envelhece.   O Joao Antero é um homem de meia-idade, retorcido pela malvadez calculista por não ser homem, nem mulher, nem novo de idade, nem velho de tempo. A Maria tem um sorriso de mar. O Antero já nem de João se faz o seu nome, não se afigura com nenhuma forma expressa pela natureza, nem o pior...

trovador, sol, profeta e profano

" ... ser trovador, sol, profeta e profano, é a necessidade existencial de conseguir viver razoavelmente num mundo em decisão constante sobre a humanidade ... "

palavras soltas ao vento

" ... as palavras muitas vezes não são apenas o que o vento leva, tambem são o que o vento trás ...."

ruinosas janelas defloradas

“ … Antigos bocados de história nas paredes feitas de ruínas, de uma casa que é mais do que uma casa feita de ruínas. Adivinho vida nas janelas largas, onde a luz dia após dia em massacre, desfez os blocos sobrepostos uns aos outros, uns nos outros, uns com os outros. A vida desfaz-se quando a luz acorda o dia e não rasga a alma de um novo tempo. As janelas quando não se abrem adiam cada dia, perene como as folhas de um outono em rigor. Relembro os espelhos contruídos com a chuva e pequenos furacões de pingos de água nas poças, com o enfumaçado tempo a sair-me respirado pela boca. Relembro o tempo a acordar-me de vida, outro tempo, outra vida. Recordo rostos que já não defino, vozes que conservo, sentires que guardo. Resguardo-me da sensibilidade com que me deitei todas as noites, antes de me deitar com uma mulher ou o mar. Vivo com tudo o que roubei a mim próprio, com tudo o que fugi de mim mesmo, vivo com a fuga ao amor e o risco de ser feliz … “

Tudo

Nem o teu cheiro, Nem a menina cheia do teu olhar, Nem a tua voz inundada de vento do sul, Nem os teus cabelos desprendidos de cabelo, Nem esse teu andar construído de caminho, Nem esse patrimônio fecundado de vida, Nem a tua razão sorriso de mulher, Nem o teu fogo que me sossega, Nem a paz da tua alma, Nem a doçura da tua boca, Nem a protecção das tuas mãos, Nema tua voz canção e melodia, Nem o teu corpo pronuncio de prazer, Nem os teus ais segredados, Nem os teus beijos molhados, Nem a saudade, Nem nada,   ........................saberei dizer por inteiro este nada por tudo ser, ....................... saberei dizer-te por inteiro este nada de tanto sentir.    

Sempre aquela terra me abraçou como se fosse mãe

Sempre aquela terra me abraçou como se fosse mãe. Sempre no sopé da sombra das árvores amansadas, me perdi no encontro do pensamento e me encontrei no desencontro que são os dias, não tendo a absoluta certeza, de que são vida.   Sempre e nunca, ali, naquele lugar, são exatamente sempre e nunca. Sempre de eternamente. Nunca de seu antónimo, oposto e contrário.   Há lugares que são como pessoas. Há lugares onde viveria uma vida inteira, sem saudade de alguém ou outro lugar qualquer.