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Mostrando postagens de julho, 2024

FMM 24

Tenho sorte do mar estar lento e o tempo a desmoronar-se em mim, como a música que me seduz a ficar mais um dia em todos estes anos adocicados de mundo. Tenho a sorte da cidade se fechar e a planície se abrir para me receber.

Entraste-me em casa

Estou fantasiosamente apaixonado pela terra a que pertences, pelas mãos das árvores que circundam o caminho onde te deixo, até a luz do prédio se apagar.   Entraste-me em casa!

Fantasia das cinzas doadas

Na poesia frequento sítios que desconheço, paisagens que nunca vi, e cheiro até a terra que me havia de sepultar, caso eu não a fintasse, e escolhesse as cinzas doadas ao vento a 150 kmh na A1 ao km 93.   Fantasia da poesia frequentada!

Sobrevivência

A liberdade perdeu-se quando o homem ficou refém de um salário e o dinheiro se tornou na sobrevivência humana.  

No sossego das estações.

As coisas, uma a uma, vão-se encaixando no lugar delas, no sítio e no tempo das nossas vidas, no local onde têm de estar. Elas decidem. A nós passageiros, pede-se somente que ocupemos o nosso lugar e nos encaixemos no sossego das estações.

Humor IV

Não é humor é desafio, desafio a um rio de ideias.

Tenho mais medo dos donos, do que dos cães

Tenho mais medo dos donos, do que dos cães, que a mansidão do ensinamento desaprendesse.

Fausto Bordalo Dias

Por este rio acima, pela reflexão, pelo sentir, pelos acordes perfeitos, as orquestrações, a poesia, o mar, a liberdade, a Rosa, a Rosalinda, as mulheres todas, a democracia, os ventos, os sonhos lindos, os barcos que partiram, os homens que chegaram, a guerra sem sentido, as mães viúvas, os filhos órfãos, por nós todos, obrigado pela companhia, por esta vida acima, “Hei-de ser punho cerrado e ternura docemente”

O desassossego da tua poesia

Falar demoradamente das coisas do pensamento,  sem tempos,  com a maresia que espreita a noite, e a tua pele a cheirar a flores, com o sossego da tua companhia, e o desassossego da nossa poesia.