À deriva, só as nossas almas gerúndio da nossa estória, estoiradas se embargam, e em todas as madrugadas, vou nesta desenfreada vontade, viver, antes que o tempo se levante a poente.
Não consigo lembrar-me de ti se não te esqueço. Lembrar-te, seria admitir ausência alguns dias e, isso é, inequivocamente casualistico. Esquecer-te-ei nos finados, aí lembrar-me-ás tu em memória que é o que sobra depois de vida. À filha, o pai.
Eu gosto como sangras escrita alma adentro. Gosto da forma como das sílabas fazes palavras que são eu. Gosto das palavras lentas e prazeirosas com que me envaideces. Gosto como se lêem os teus vocábulos sempre de forma desfigurada e real. Gosto como sangras escrita alma adentro.
Sabes. Eu danço com as pedras! É-me mais fácil. Ninguém me vê. Os sítios são os meus sítios. A leveza do vento embala-me os passos. A música cantam-ma os pássaros e as giestas perfumam o ar. Aprendo assim a dançar no recato da serra. Sabes. Eu danço com as pedras, e gosto.