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Mostrando postagens de novembro, 2017

Deixem-me em paz com a merda do natal

Podem iluminar as ruas, perfuma-las, apelar à conformidade das boas acções, manipular as notícias, tentarem fazer-me de parvo, organizarem bons repastos, fingirem o altruísmo caduco dos dezembros, que eu vou continuar entristecido pela fantasia natalícia, deprimido, revoltado e choroso com homens escravos pelos homens que fazem o natal.   Não adianta deixem-me em paz com a merda do natal ....

Corrupta esta forma cega da fé dos homens.

Por vezes parece-me que a fé, os milagres, a crença, a proximidade a um ente superior é corrupta.   Parece que há mais concessões de milagres a uns do que outros. Não me parece que o fenómeno seja só e apenas em nome individual, aprecio-o em grupos também, mais a uns do que a outros. Há vezes até, em que me parece que são concedidas bênçãos a ateus convictos, hereges militantes.   Milagres, milagres, nunca assisti a nenhum, oiço por aí dizer que: “foi um autentico milagre” “que deus é grande e nunca me faltou” e “que nossa senhora de fátima me proteja”.   O que será necessário para ter uma bênção ou um milagre na minha sala de estar, no conforto dos quinze graus a mais que fazem de diferença para a avenida que cruza a minha casa?   Esta coisa de deus decidir por mim tem que acabar, não gosto nada de ditadores, gosto de decidir, escolher, ter livre arbítrio, pensar, errar, acertar, cair, levantar, e saber que se não for outro alguém, jamais poderá ser outro ninguém a salvar-me.   Corrup...

Naif e tonto

As nuvens estão sentadas na serra, as rochas ajeitam-se ao seu sentar. O sol esconde o frio que teima em desautorizar o sol. As árvores dançam e riem. Um pássaro grande é feliz no seu voo. Gosto deste naif sentir, feliz e tonto.   

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São as metades que desiludem o todo.  Metades, mesmo mais do que uma, nunca é a esperança de um todo acontecer.  Quanto mais são as metades, mais são a(s) (des) confirmações ...

Tristes memórias doces

Os olhos sempre cheios de outono,  o peito nascente de cascata, rebuliço de memórias doces que são hoje tristeza, nada pode ser novamente se já o foi.   Entre a neblina que pousa nas folhas caídas a nordeste, escolho um sorriso e visito um cliente, os dois, eu e ele, durante mais de sessenta minutos não sabemos quem o outro é, não sabemos sequer quem somos, esgrimamos interesses de desumanização, que a humanidade que se lixe.   Depois, cumprimentamo-nos, arrumo o sorriso escolhido, volto aos olhos de outono e às tristes memórias doces. 

horta do sr pimenta

Já não sou o menino de quem te escondeste entre as ruas e os carros, os prédios e a horta do sr pimenta, aquele bocado de mundo onde tudo havia, árvores, água, pássaros, outro bairro, erva, flores, terra, céu, estrelas, e o menino de quem te escondeste.   A horta do sr pimenta tinha tanto mundo, que eu não sabia que não havia horta do sr pimenta nos outros mundos. 

Nem sei o quê

São nas mãos envelhecidas que a recordo, mãe. Nas mãos que ordenaram que o céu me protegesse e o diabo se amarrasse. É na lembrança do que esqueceu, mãe, que retorno à nossa casa e me sento sob a esperança que o tempo devolva, nem sei o quê, talvez um pequeno  sorriso de paz fosse suficiente. 

Sobras

" ... Quando a realidade se mistura com a ficção, a mentira e a verdade padecem ambas da mesma miserabilidade.   Nenhuma é ela propria.   A mentira porque não acrescenta. A verdade porque envergonha ..."

Sou dos que fazem e desfazem

“… Liberdade que me prende nas palavras amareladas que a gaveta guarda do tempo. Tempo cruel e sábio que desfaz o sentido, na passagem da vida pelo tempo. Já não há certezas que não sejam dúvidas, nem dúvidas que não sejam certezas. Já não há pessoas que não se achem sabedoras de tudo, ou que nunca se enganem na imagem de outro alguém.   O meu tempo está fechado com os papeis amarelados que a gaveta guarda, ensinam-me que não sou dos que sabem tudo e nunca se enganam.   Eu sou dos que se enganam. Dos que desamam. Dos que ressentem. Dos imperfeitos e incoerentes. Dos errantes navegantes. Dos que recomeçam e são donos de uma obra inacabada.   Sou dos que não se escondem. Dos que andam nas bocas dos outros sem se importar o que as bocas do mundo sopram, esperando sempre ser em desfavor, sem que isso seja importante ou referência acerca da humanidade.   Sou igualmente dos que constroem. Dos que fazem uma musica. Um poema. Um filho. Amor. Uma paisagem. Uma lágrima antes da seguinte. Um sorr...

Parabéns filhota

Não há amor aos bocados, percentins de gostar, condições ou condicionamentos.   Amor é este sentir sobreposto ao sentir. É esta agonia e felicidade. Esta proximidade constante. Esta vigilante aventura de estar e ser.    Faz hoje tempo que fui pai. Por inteiro, sem contrato, prazo ou negociação.    Parabéns filhota. Amo-te.  

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"... nem o corpo, nem a música, nem o desconhecido balanço que te embala, te trazem brilho ao olhar. Penumbra, é como os teus olhos me dizem boa noite. Frio, é o convite da tua boca triste e cabisbaixa, ao invés de vida e luz te enfeitarem o rosto ..."

A medicina não cura a solidão

O ciúme é o cancro da alma , o terramoto do amor.   Quando se procura que a solidão se trate com a medicina fica-se mais só, e nos jardins sao apreendidas as flores.    Encontrei uma amiga só, nem as palavras se pronunciam desenvoltas da sua boca adormecida.     A medicina não cura a solidão.

nomes soltos e insensatez

Porque nao sai esta serenata da nota menor de ré, sem sustenido, sem bemol, sem mãos, sem lágrimas, cantada pelas almas ?   Porque nao chega esta serenata de cristais até ti, e a solidão se encha de tempo e jasmim ?   Porque nao enlouquece a minha voz de canto e madrugada, de nomes soltos e insensatez ?

se tu não estás

não adianta velar este continente que trouxe para te guardar                                                                         se tu não estás,   estás mais próximo,  no entanto inacessível, sem que o teu perfume possa embalar-se no vento, ou a tua sombra se possa ver no dobrar da esquina, sabendo que à noite não te acharei sorrindo, ou logre contemplar a tua pele dourada pelo sol.   não adianta velar este continente que trouxe para te guardar,                                                                          se tu não estás.

O bairro inteiro vive nas traseiras

Há dias verdadeiros em que me defendo de mim e sou.   Dias feitos de bairro onde estou só, onde estou eu, o jardim de trás, os cães, a relva por cortar, a água dentro das poças, a passarada, os antigos e sumidos desenhos na pintura gasta e velha do prédio, e os “amo-te”, redesenhados e avivados com a paixão, substituídos por nomes feitos de presente.   Já li: “amo-te claudia, patrícia, rosa, maria, susana, isabel, palmira, fernanda etc”  e tantos outros que afinal não são nomes desenhados na parede traseira do prédio, desavindo com a parede da frente.    Há desenhos de sol, nuvens, paz, e poetas mortos. O bairro inteiro vive nas traseiras. É por lá que nada existe. 

O sol naquela terra é eternamente frio

“… nem as escadas a perder de vista transformam o sol em calor, está sempre frio aquele chão. As pedras colocadas em filas até à cidade, mantêm sempre o brilho gélido das manhãs mesmo açambarcadas pelo sol. O sol naquela terra é eternamente frio…”

Infantil coragem de te abraçar

Sentado entre o sono, a espertina, e meio metro inalcançável de corpo, com quem dancei a despedida quente e húmida a sul do sítio para onde este pássaro moderno me teima em levar, deixo cair pensamentos vagos, difusos, atrapalhados por um querer que não poderá nunca ser querer.   Espero nunca aterrar deste sonho que já se desfaz a cada minuto que o sonho. Sonho que este pássaro se transforme em pessoa, e nós nos transformemos em pássaros e voemos cada qual na sua direcção, em direcção a cada sonho que guardamos enquanto céu, livre e longínquo, irreal e desejado, que o sonho, é a infantil coragem, de te poder abraçar junto das estrelas uma última vez.    

Mil beijos mulher amiga de val de mar

Vi-te a trabalhar a vida inteira. Entender os sonhos e a madrugada.   O amor? Lei do retorno? Não entendo! Vi-te a sobreviver num corpo de mulher, num olhar de menina que grita: "... eu sou mais do que o corpo que vês passar. Eu sou mais do que o medo que me vês guardar. Eu sou tanto e tão pouco mais do que amor, muito amor. Amor de mãe que joga à bola como um pai. Amor de um pai que teima em chegar e me fez aprender a dar "beijos à homem". Sim dar beijos à pai. Eu sou uma mãe que sabe dar "beijos à pai", e uma mãe que beija como uma mãe. Que segura. Que cuida. Que trabalha. Que gere. Mulher que se esconde de ser mulher. Que se esconde de deixar-se de ser mulher. Inteira. Vulnerável. Carente. Amorosa. Companheira.   Mulher de corpo em tremura, desejada, beijada, amada e adormecida numa estória de ser feliz, como uma história inacabada. Falta o abraço coerente com o sonho. O caminho faz-se caminhando. Mil beijos mulher amiga de vai de mar 

Palavras silenciadas

Tenho ciúmes da tua boca. Ciúmes do que cala, porque o que diz é o que fala e não são essas as palavras que me faltam, são, as que em silêncios se calam. Sim, tenho ciúmes da tua boca.

Albergue

"... e, quando o mundo é a tua casa, nesse alpendre me albergo dentro do teu abraço.

Luar de novembro

Lua cheia de lua, noite, olhar, mar, sonho, desejo, céu e vermelho a condizer. Lua onde desfaleço depois de mil sóis de cansaço, de todas as madrugadas crescentes e, do vento ordenar-me contrário o caminho. Repouso agora os bocados de mim que sobreviveram a outros negros pedaços de mim desigualmente.

Arraso-me no silêncio ruidoso da minh'alma

Arrasas-me com essa inexistência de quem passou de amigo a indiferença. Os meus lábios prendem-se de palavras silenciadas. As minhas mãos vivem com a saudade de se apertarem nas tuas . O meu corpo geme da saudade de dançar no teu.     A madrugada lembra-me o abraço e o terraço onde estas palavras e outras descritas,  poemam as minhas recordações guardadas com o teu cheiro. A tua voz vive agora fora do meu entendimento e já não poderei sentar-me na tua mesa e ser ingenuamente eu. Arraso-me no silêncio ruidoso da minh'alma