Porque se escolhem as palavras, se mostram umas e se ocultam outras? Palavras levam-nas o vento, mas o vento também as devolve, e de quando em vez, de quando em quando, quase sempre ou nunca, as palavras bailam na ritmada desordem e ajuntam-se a um sentido que não escolhem, mas que quem as disse, apalavrou. Se, ditas desalvoraçadas, têm a simbiose do desassossego, o amoroso da tempestade, a calmaria visceral do aconchego, ou a desilusão da denuncia do afecto que se esconde. Se, ditas em forma de paz podre, em jeito de bonança latejante e ordenada pela demoníaca sede de tudo querer em jeito próprio, aí revelam-se a cada reencontro com a sintaxe. Se, ditas com o coração, denunciam a coragem e a cobardia do entendimento subliminar da coerciva prepotência e, bastantes vezes mascaradas de amor. Se, impensadas, soam a parvo, retardado, arrogante, manipulador, egoísta, bipolar e incompreensível. A palavra e a atitude, não existem do lado de baixo do equador, a palavra fica pelo caminho, esvaz...