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Mostrando postagens de novembro, 2008

Silencio ensurdecedor !...

  Gritam roufenhos entre os dedos Acordes que o poeta escreveu. Miséria, luxúria, risos e choro.   Tempestades de palavras assombram o pensamento A luz transparente. Cega.   O deserto de vontade fica povoado. Desventrado de preconceitos.             Alma sublime ao vento, regressa ao útero materno.   Calam as sombras inventadas. Ouve-se Deus, houve? Os rios serpenteiam bairros.   Fogem do regresso atempado. As mulheres afagam de afectos os homens. A ética mata o código.   Na noite ouve-se do mar a espuma branca Enrolada, enfeitiçada Sem coerência, sem sentido.

Esta a caminho! ….

  Entra o romper do dia pelo quarto adentro. A noite suada de um descanso que não existiu sopra de alívio. A manha rotineira como tantas outras dilacera os sonhos. Sempre igual, vou ter que me erguer e sair. Como sempre os olhares enfeitiçados e fugidios transformam os minutos do meu dia. O meu pai esquece-se da sua existência, baralha, confunde. Não existem horas. As pessoas finalmente são irreconhecíveis. Sossegado rega o jardim para gastar o tempo. Vê-lo, é ver-me agonizado. Cuida da terra a que lançou sementes. Continua de olhar azulado, longe do que o manteve vivo setenta e tal anos. Incrível; como uma noite suada, transforma o resto das nossas vidas. Sinto-o mais perto. Inconfundivelmente mais perto, como se restasse apenas a confirmação. Vejo nas suas mãos o saber dos dias passados. Oiço a sua respiração balançando ente o adormecer e o acordar. Sinto as suas memórias cristalizadas na sua opinião. Amanha mais tremulo… e depois e depois e depois? Esta a caminho! …. Es...

Fugidia !...

  Através das noites As luas percorrem o silêncio, Negro d´ alvorada.   Jaz em mim Um corpo despido Entre as estrelas.   A morte é anunciada Pela vida, Fugidia!   Pinto uma tela Que baptizo de vida, Escura, com luz.   Esculpo liberdade Arquitecto a paixão, Chamo á obra vida.

ponto final !

  Incompreensível este Amor feito de nada. Somente as palavras brotam do pensamento simples, honesto, e impraticável. O contexto foge ás regras. O cheiro não tem o paladar do comportamento. As atitudes são contrárias á vontade. A vontade é presa ao pensamento. O pensamento não é preso a nada porque é livre. Vivo assim num redondo vocábulo, espartilhado pela anti-vontade, do querer nada querer.   As viagens? Faço-as, aquando a vontade da possibilidade me permite. Não as faço quando devo ou quero fazer. Há um momento para viajar. O momento certo. Viaja-se quando a alma nos leva do pensamento. Cega-nos um caminho que conhecemos mesmo sem o frequentar.   Os livros Leio-os quando os apanho sem que eles me fujam. Os livros têm que ser á borla. O conhecimento não pode ser pago. Nunca pode ser pago. A barba por fazer retira o respeito. Os soslaios de olhares acumulam-se em montes. Agudizam a minha antipatia pelo mundo.   Os pobres juntam-se ao vinho, nas frias tabernas aquecidas, pelo apalpar ...