Agora que passaram alguns dias mas que já ninguém se lembra, arrisco-me a falar da morte, da horrível palavra enterro, da expressão incompreensível: - “festejo fúnebre”, da saudade, das lágrimas já secadas, dos dias de direito a gozo profissional denominado: - “dias de nojo” e de o corpo a caminho da transformação de ser vivo para defunto, a tombar para o esquecimento. Depois, pode então ser cremado ou incinerado como lixo, que é o que a carne é. Estou agora em condições de chorar, celebrar a tua alma, essa sim, vida para além da morte, essa sim, recordação cristalizada em mim, essa sim, a nascente da saudade que não se apaga ou diminui, que cresce comigo feito do teu tempo e ausência. Agora que já ninguém se lembra, continuo incompreensivelmente há procura dos desígnios de deus na nossa vida, mesmo ateu, dá-me jeito responsabilizar alguém que não a vida, pela morte. Agora que já ninguém se lembra e já tudo chorou, e toda agente desejou o: “descansa em paz” via estrangeirismo (RI...