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Mostrando postagens de julho, 2020

Sei!

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Sei, pelo silêncio que me cala que a saudade é mais loucura do que saudade, que a garganta cala o que a mente adormece, e o horizonte reflecte as camélias que apodrecem fora da estação. Sei, que o silêncio é uma divisão fechada no meu peito.    

Bruno Candé

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Já me custa ler, ouvir, saber que há quem argumente justificações para a morte de outro alguém, para a orfandade de três crianças que ficam sem pai por ser preto, porque não há outra razão nem nenhuma outra palavra que se ajuste a esta morte antecipada de ameaça por isso mesmo, a cor. Dentro de mim corre uma incompreensão desalvorada que me fere, que me envergonha, que me faz não querer ser branco ou preto, que me faz não querer ser humano, que me faz não encontrar palavras que me destruam o desentendimento. Envergonha-me tanta anónima sabedoria e responsáveis decisores. Envergonha-me deus, e tudo o que creio. Sinto-me envergonhado. Desculpem crianças. Um abraço Bruno, o pano soltou-se antes do final da peça.    

Mundo

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À tua boca chamo mundo, às tuas mãos barca, ao teu sorriso viagem , aos teus cabelos vento, às tuas palavras vida, aos teus segredos ausência, dentro de ti são as suaves pétalas de julho que me perfumam as noites       

Pássaros d' aire

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... e nas entranhas da serra o vento de repente parou para se ouvir a passarada ao pôr-do-sol, eram todos os pássaros de aire a despedirem-se do dia, o vento parou só para os ouvir. Neste sobejo de dia resta o cheiro a seara cortada, e a doce água que descansa no ribeiro...  

Taacto 2020 e o sr rodrigues

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Pérola do dia do convidado que escreveu o prefácio, gasto e batido. "eu nao devia dizer isto, ou, eu não estava para dizer isto, mas disseram-me que os poetas nao prestam" In António Rodrigues, universidade politica  O Varela, que na verdade gostava de poesia, não merecia tamanha assobiadela à margem de apresentação dos poetas reunidos em torno dele, nem aproveitamentos politicos à custa do(s) sonho(s) que deixou, "agora peço desculpa mas vou ali dar uns beijos aos meus netos" 2º pérola ... por respeito á poesia,  e saiu como se o mundo fosse sua pertença agraciada. Os poetas são de outra estripe, são de abraços e sangue a jorrar no sentir.   Podia nem ter vindo, diminuiu, não acrescentou.         

solidão e presença

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a solidão que te envolve é a minha presença, a cidade,  as igrejas, os bairros, toda aquela gente que se cruza apressada,  as árvores,  a ilha. tudo o que te envolve é solidão e presença.      

Não sei como não vês

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Não sei como não vês que fico sem saber dar os passos que dou todo o dia quando te encontro e tropeço de pés bêbedos com as pernas sem forças a deixarem de reconhecer o caminho, Não sei como não percebes que o meu “olá tudo bem” não quer dizer nada do que essas três palavras representam por norma e delas saem desregradas tentativas de dizer outras três mil palavras que não me ocorrem, Não sei como não entendes que as minhas mãos ficam sem sítio onde se colocarem, sem espaço onde se abraçarem, sem dedos que sejam capazes de serem indicadores, Não sei como atinges o desfalecimento do meu coração, e sorris em resposta com o um “olá tudo bem”. Fazes de mim um inconsolado homem, estarrecido, sem ideias.   Não sei como não vês …  

Não adormeço mais junto a este silêncio de mil anos

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As folhas caem e encobrem o coração, as nuvens soltam em direção à terra um perfume adocicado a astros e estrelas, parece quase perfeita loucura que se solte um perfume a astros e estrelas caídos das nuvens e das folhas que encobrem o coração, parece temeroso e alucinado o pensamento que acha que o coração não se semeia, rega ou colhe, ou se entende que o luar é a solidão mensal da nossa ilusão, as folhas caem e gesticulam homens imaturos quase náufragos da vida.   Não adormeço mais junto a este silêncio de mil anos.  

Ao Zêzere

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Leve é a palavra que me ilumina que retiro do rio que se afoga na foz, que se dá na nascente, e sem cansaço que o detenha faz da serra mais apertada o seu caminho. Rio que dá vida à lagoa onde me banho e paisagem no serrado onde me descanso. Assim fosse a minha alma tão largada de tudo, as minhas mãos benção do passado, o meu peito saudade e presente, que no futuro creio tanto como o rio que não sabe onde termina, que não sabe que o sal o deterá já gasto de todas as margens percorridas.  Leve são as palavras que me saem na calma do zêzere que corre de madrugada em madrugada em mim. Desde sempre.      

Quando tiver tempo

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Quando tiver tempo, verdadeiramente tempo para estar estarei. Por enquanto o tempo que gasto quando vos encontro a falar de vidas, sempre muito opinativos, com muitas soluções para a vida de outros alguéns quando a nossa é miseravelmente administrada, não me faz sentido gastá-lo. Saber a resolução para as vidas todas e a minha não ser disso padrão, não me assiste o direito de ser participativo nesse colectivo demasiado grande para a minha pequenez exemplar, e grandiosa falta de exemplo associativo.   Assim sendo, não gastarei o meu tempo em nada e ficarei na miserável companhia de mim mesmo, mas evitarei o desgaste de me sentir miserável em grupo, é o meu contributo para a diminuição da miséria colectiva em consciência individual. Quando tiver tempo, se voltar a ter verdadeiramente tempo voltarei, sem por-do-sol e gratidão a abençoar-vos em indigente necessidade. Voltarei sempre com a verdade das noites dentro.  

quotidianamente covidiano

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Este novo quotidiano covidiano está aborrecidamente cheio de teorias socias de resistência e criatividade.    

O António Rodrigues, o ex, pré, pós-presidente ou lá o que é

Há indivíduos que nascem sem filtro (s). O ex-presidente, o pré-presidente, o pós-presidente seja lá o que for da camara da cidade onde nasci é um belo exemplar disso. Tem tudo o que os políticos devem ter (a parte dispensável) e falta-te tudo o que um político deveria ser (a parte indispensável). Vive numa espécie e aparente impermeabilidade e tem manifesto excesso de certeza, é aí que se vai o tal filtro (s). Quando se pensa que tudo é permitido apenas porque um lugar lhe pertenceu por 20 anos de penhorada gestão municipal, denota-se senhoriais tiques de ditatorialismo. Veste-se de um imaturo e inadequado narcisismo de avultado egocentrismo, tornando-se num egomaníaco prepotente e mal-educado. Um perigo à solta. Está em recrutamento ideológico. Alvos principais: - pessoas isentas de massa critica, profetas do “sim senhor presidente tem toda a razão homessa” - É divertido ver isto de fora. Eu que sou apolítico, ateu e quase apátrida da minha cidade, divirto-me q.b., enervo-me q.b. igu...

A intempérie da morte

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Uma bela canção de despedida ouve-se murmurada num som que se aproxima vivo com a morte depositada nos ombros dos homens que fazem jus à última viagem do amigo. Fim de tarde na cidade onde a noite mal cabe nas ruas, onde a claridade não cega de esperança os velhos que por ali debatem a vida das ruas estreitas. As mulheres de olhos desnudados e corpo negro, carregam os filhos inquietamente enfadados. Todos se preparam para a intempérie da morte ritualizada com o rigor do sofrimento de quem se junta à despedida de um corpo magro e doente, que não soube da sua própria existência para mais de setecentos dias atrás. É um misto de recordação chorosa e saudade antecipada. As ruas ficam agora mais leves no regresso do adeus da separação. Os velhos acocoram-se e ficam por ali murmurando recordação. As mulheres seguem o que lhes, por fortuna foi destinado. As crianças esperam a crescer. Da vida já nada se espera. Da morte espera-se tudo. É o recobro da intempérie da morte.    

não há burburinho que me brilhe no olhar

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nem há mais mar que que encha de praia, nem tempestades que se encham de mar,  nem dedos fortes que se entrelacem na esperança de erguer mundo,  nem vento que me acompanhe o coração, desenlaçado do novelo de nós que se desfez.   não há burburinho, não há paz que me brilhe no olhar.        

indecifrável

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sou o meu mais recôndito recanto do pensamento, o meu olhar mais severo, o meu mais indecifrável olhar, a noite escura mais rasgada de relâmpago, o céu a desabar da mais profícua tempestade.   assim, esta transparência me enfeitasse de sorriso.  

Assim de transparência me enfeita um sorriso

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Sou o recanto mais recôndito do pensamento que me sai pelo olhar, quando decifrável, é como noite escura rasgada de relâmpago e o céu a desabar em profícua tempestade. Assim de transparência me enfeita um sorriso.  

À margem

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a sombra junta as almas ao entardecer da madrugada, o silêncio das palavras acalmam a saudade, amanhã, será o cheiro a memória que ficou na margem guardada a - abraçar-nos -  

Sonho

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Corre o rio desalmado num sonho em que as árvores dançam com o vento. Há princesas em castelos imaginários. Há a lua a acordar da preguiça e a embelezar o céu. Há o rio em sombras desenhadas nas margens a brincar com o vento ao toca e foge. Há sonhos reais na vida do rio. Há sonhos na vida da gente que torna real o sonho do rio.  

Uma espécie de vulcão, céu e fonte rasgada de enxurrada

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Os nossos corpos habituaram-se e agora gostam-se, mesmo que as nossas almas pertençam onde não saibamos que pertencem, habituamo-nos, agora não podemos é querer que seja outra coisa que não hábito. No entanto passámos a gostar deste hábito, e a não viver sem ele, a ter saudade dele, a desejar a hora dos hábitos a que nos habituámos. Quando oiço falar elaboradamente de amor, penso sempre: “é um hábito”. O meu hábito. O nosso hábito.  Uma espécie de vulcão, céu e fonte rasgada de enxurrada.  

pós-sabático

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Tanto amor, tanta diferença, tanta escolha endeusada, tanto acerto, paisagens incompreensíveis, almas juntas, céu partilhado em dois, definitiva loucura, efémera viagem, natureza completa, jardins perfumados de flores, encostas de mar debruçadas em nós. Depois, o ódio da dimensão do mesmo amor foi assinalado por uma usurpada clarividência que afinal de tão obvia, aparentou amor. Talvez fosse só a loucura encenada de paixão, talvez nem tenha sido ódio nem amor. Talvez nem tenha sido tudo nem nada. Por ventura foram somente campos de feno onde deitámos os nossos corpos e eles se tenham gostado, depois as nossas mão tentaram inventar o amor, mas foram só corpos alados em planícies desabituados.  

as ruas, as avenidas e o rio

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As ruas, as avenidas, as flores das ruas, as arvores das avenidas, as cores que descem as ruas, as cores que sobem pelas ruas, os cheiros das avenidas, o rio espelhado ao fundo, ora pelo sol, ora pela lua. Não fosse cada sentir meu, e as ruas, as avenidas e o rio, parecer-me-iam sempre iguais. Mas não, são sempre tão diferentes.  

Ate ja luar

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e, o dia tornou-se na noite de mil horas que viriam inspiradas até que um homem lhes desse voz nas palavras que ainda se hão-de por aqui escrever. até já, lua revoltada de mar  

A viagem é alucinante, depois, o amor entontece as almas.

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A viagem foi alucinante pela pressa de chegar e ver os teus olhos profundamente saudosos e a tua boca saborosamente quente logo por cima do teu peito incandescente. A viagem foi dura e longa, mesmo roubando ao tempo a distância. A distância foi severa e extensa mesmo que seja quase nada, porque quase nada não existe naquilo que nos separa. Quase que te vejo da minha janela, e mesmo não te vendo, sei que passaste, ou passarás, sei que mesmo que entretido nos meus livros, ou a desejar na minha música, sobra sempre uma alucinada viagem apressada de ver os teus olhos profundamente envergonhados com os meus. Os nossos olhos envergonham-se mais do que nós mesmos, como se fossemos homem e mulher antes da estupida evolução da posse. A viagem é alucinante, depois, o amor entontece as almas.  

Já me fiz amigo de um poeta

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Acordei com o tagarelar de uma feira. Uma feira onde se apregoa e compra. Onde se vende e troca. Onde a música elege o cantor. Onde a fome se detém numa barraca que arde de frigideiras e bifanas. Onde há barracas de potes de barro. Onde o vinho se bebe com os homens que se sentam a olhar as ancas das mulheres que passam nos seus decotes. Já tive um amigo da feira. Era uma mistura de feirante com a eloquência retórica que lhe servia de pertença onde pensar se exigia pouco. Juntando-se-lhe umas certezas o apregoado estava vendido. Assim se governava. Já tive amigos de bairro e outros que o destino não me fez de fortuna. Não tive destino e a sorte sobrou nos amigos que me restaram. Já me fiz amigo de um poeta.  

adiar a felicidade é matar a vida que não repete o que adia

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suave, sem que me despertasses do cansaço com que me adormeceste, senti o teu cheiro a cantarolar nos teus lábios, diziam assim: - adiar a felicidade é matar a vida que não repete o que adia -  

Recordação do caminho e mar

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São dias encurralados nas semanas, semanas presas aos meses, anos acumulados de tempo diluído sem retorno. É vida emprestada à saudade, lágrimas entornadas à esperança, erros acertados por tentativa, vento por companhia e noites, luar alienado das horas dos dias encurralados nas semanas. O sangue pisado é: - recordação do caminho e mar -  

Falas-me de um país do Minho

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Falas-me de um país do Minho que me descreves verde e verdadeiro, em boa verdade o é, mas existirão outros verdes e verdadeiros com outras cores por ventura, outros céus, outros mares, feitos do mesmo céu, do mesmo mar, do mesmo chão, e com um igual bando de idiotas a desgovernar, as flores, os cheiros, o Minho de que este país é feito, das ilhas em equilíbrio no mar, e de moinhos silvestres ao vento a gritar - Portugal -   Falas-me de tanto Minho, de outras terras de planície e vinho, e do mar a agradecer-nos por ser nosso de nação.   Esta terra não podia ser de França ou de outro lugar qualquer, não lhe assentava, não lhe caía bem.  

O par que dança, a pele que troca de cheiro por um beijo, a canção. 

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Cantar no acerto dos acordes, dos tempos menores crescendo para sétima, a dominante das palavras que escolhem mulher na poesia, do carinho que não tem a solidão, a cantiga cresce, sonha, constrói um corpo, esculpe os ombros, as pernas, a boca, a alegria, o sorriso, e a canção está pronta para que se juntem os corpos e se dance no acerto dos passos. O par que dança, a pele que troca de cheiro por um beijo, a canção.             

igualdades

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Não temos todos direito a liberdades iguais, temos direito à igualdade de liberdade, são coisas diferentes, muito diferentes. Liberdades iguais ou igualdade de liberdade. Distorcida semantica educacional que desde a infância promove erros que mais tarde criam prisões sociais irrevogáveis. Fecham mentes. O meu professor da primária tentou... valeu-me a (s) dissemelhância (s).