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Mostrando postagens de novembro, 2011

Acerca do erro e do perdão, da culpa, e do direito a errar...Arma de regeneração

Os erros são sempre uma importante arma de regeneração. É como se da lapidação de um diamante se tratasse. Os erros não são crassos, são suaves se aperfeiçoados. Um erro é mau se por exaustão se repetir. Um erro é de oiro se a mente nos abrir. Já errei mais de mil vezes graças ao criador. Já repeti e reparei os meus erros. Já os esqueci e lembrei. Já os perpetuei e multipliquei. Já os dividi e reparti. Já fiz a minha sementeira de erros. Já colhi erros de semente, gérmen de vida. Errei tanto e tão pouco. Errei de ignorância. Errei de suposta sabedoria e latente certeza, o que importa, é que não me importa errar. Um homem não se faz em nove meses, um homem faz-se pelo menos numa vida, e uma vida, são sessenta anos e tal. Há tempo. O tempo urge no erro. Existe uma vida para aperfeiçoar. Por vezes tenho vontade de errar intencionalmente. Errar com palavras, deixar sair de mim, do meu âmago, do meu mais fundo e profundo sentir, um chorrilho de disparates direccionados objectivamente das ma...

Fragmentos de sol deposto

Estende-se na praia a areia branca, Cor infindável a perder de vista, Perco-me,  No horizonte azul, Posto de mar. Leio três linhas que se me oferecem, Poesia, longínqua, natureza, Na primeira solta-se tristeza, Na segunda demasia, Na terceira nasce-me esperança, Terra minha fecundada, Desse teu sal transpirado. Em cada onda que se espraia, Como sol acalorado, Desse pranto, Se faz noite, Madrugada esse encanto, Nasce outro dia no mar.

A morte como evento social

A morte como evento social.   A morte como evento social. É como a sinto amiudadamente, tais são os artigos de opinião, a proximidade pseudo-latente, a transformação lacaia e serviçal de agradar e deter palavras de circunstância, como se fossem necessárias ou obrigatórias, numa hora em que o sentido é recolhimento, e em sabedoria, afastamento. Aquando a hora chegada da partida, logo se arvoram vozes despontes de uma surdina aterradora, ressuscitando conselhos dados, identificações não resultantes, juízos de valor de pares iguais, ignorados e esquecidos momentos solidários do carpir das mágoas em catarse, que se queriam solitárias. Depois existe um fenómeno que me aborrece de sobremaneira, o acesso indiscriminado e desrespeitoso do facebook e de comentários avaliativos e quantitativos, de quem outrora devia estar sossegado sob a emissão de desentendimentos de razão, mais que o entendimento da emoção. A decisão de pertença e identificação a um grupo, é tão valida quando a ele se pertence...

Joana

Faça chuva ou faça jazz, faça fado ou chova ternura, os teus braços incandescentes são de marfim aventura, porto de abrigo, descoberta, sonho presente, existência. A voz do vento é como a voz do silêncio. Ora brada, ora se cala. Neste dia, há uns velhos dias atrás, que somam já anos, peguei-te. Peguei-te entre os meus dedos dentro das minhas mãos, e fiz duas promessas. Uma a ti, outra a mim. Talvez seja o meu prometimento único e cumprido. Sem vaidade ou falsa modéstia, sou um Pai, e ser um Pai não é igual a ser pai. Os dias têm um fim, para os seguintes poderem ser melhores. Tão próximo e fervente é o que sinto, que as palavras só me atrapalham neste momento. Parabéns filhota e obrigado por cuidarmos assim um do outro, desta forma simples de grandeza e aceitação, de presença e afecto. A ti, também te devo o homem transformado que sou. De ti renasci. A nossa historia, contar-se-ia facilmente da frente para trás, embora se tenha vivido de trás para a frente. Amo-te, sem receio algum de ...

A marca da amizade presente (carta ao meu amigo sobrevivente)

A marca da amizade presente (carta ao meu amigo sobrevivente)   A marca? ... Já tenho.   A marca, essa coisa por que se é conhecido. A marca do sol deixa a pele queimada. A marca do frio escurece a tez e analogamente a deixa queimada. A nódoa é a marca da sujidade. Sem mácula é a marca de coisa nenhuma aparente. A minha marca já a tenho, as minhas danadas marcas, as minhas transformadas marcas, as minhas marcas amanhadas, as minhas imaculadas marcas, as minhas marcas alteradas, o meu futuro sustentando nas marcas, o meu passado de marcas de verdade, o meu dia marcado, a minha noite marcada, a mulher que me marcou, o dia que me marcou, a musica que me marcou, a morte que me marcou, a viagem que me marcou, o efémero que a marca tem, o definitivo que a marca oferece, a marca de dor, a marca de paixão, a marca da distancia e da saudade, a marca da presença, a agonia marcada e a marca da fé. A marca da amizade presente, a marca da verdade e da mentira, a marca em transformação e metamorfose...

Ladrões do tempo

Ladrões do tempo, seres ausentes que passam pela nossa vida e nada acrescentam, apenas roubam a preciosidade rara do um período irrecuperável, essa predisposição para a felicidade, que nos torna votantes de uma abstenção violenta mas construtiva. Inocência, ingenuidade, desencanto. A infância é o que nos molda e nos rouba pedaços de vida, fragmentos da alma. Necessito contar os contos da minha infância. Ora elixir, ora abstracção e castração. Psicodrama do menino que habita em mim. Jogo de fazer ressurgir comportamentos. Fantasias e afectos. Modificação e desenvolvimento de personalidade. Criança que ri e dança e se sossega, como se de um auto terapeuta se acolhesse. Continuo a entender e a sonhar junto com as crianças, esse mundo de fantasia e astúcia. Esse bando de alegria a caminho da tristeza e responsabilidade. A caminho da mudança da frescura, pelo azedo negro e defensivo do medo da angústia da idade. Gosto tanto de ler como de escrever, mas leio melhor do que escrevo. Abençoo-me...

Primeiro de Novembro, de todos os anos a mesma coisa.

Existe o luto que se faz sem ter que se fazer, e há os que necessariamente são feitos, queira-se ou não se queira. Lutos por pessoas, pela vida, por momentos. Lutos proibidos feitos em silêncio. Lutos patológicos e psicossomáticos, onde as dores de verdade se transformam em dores que não o eram. Lutos homofóbicos, nas suas mais cruéis e reais vertentes. Lutos de pós-vida e pré-morte. Como devem agonizar os cuidantes dos lutos, que colmatam as dores com carinho e tiques de feitio e personalidade. Diante da morte, a religião retira ou diminui a ansiedade do fim da estação. Transforma-a no conceito de passagem. Afinal a fé, é um tapa-buracos, ou não é um tapa-buracos, mas sim um ajustamento vanglorioso, que remenda as essências espirituais, que dá alguma coerência temporal. As técnicas crescem e desenvolvem-se em redor da morte, da vida, da aceitação, da dor e dos lutos. Depois, de apêndice em apêndice, cada um sabe de si. As artes evoluem, mas não suprem a humanidade latente, que escasse...

Suspirar é respirar pelo coração

Suspirar é respirar pelo coração, respondi eu, de cada vez que me perguntaste o que significava aquele respirar tão profundo, aqueloutro expirar que te fazia parecer, que fugia de dentro de mim, um bando de pássaros desarvorados, que desenhavam círculos no céu, que pareciam brincos de pérolas muito brancas, quase translúcidas, como os pensamentos que teimavas em ler, e que se exprimiam apenas naquele ar suspirado, ora forte, ora suave e imperceptível. Acontecia madrugada no nascimento pianinho do sol abraçado e geminado, acalorando o dia de esperança e fé, aquela fé renunciada pela revolta da incerteza do próximo momento. Preciso de momentos meus. Quão difícil é achar o meu prolongamento visceral, a minha história para contar. Os meus dedos entrelaçados na música que componho e que nunca ninguém ouviu, precisam de libertação. Quão difícil é, abraçar e sentir o tempo parado no mundo, e saber que se o mafarrico chegar me protegerá, como se aquele abraço fosse um exército de guardiões e c...