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Mostrando postagens de setembro, 2009

Morro no entendimento de nao pertencer

  Morro Não espero entendimento, A minha alma foge-me, Sinto como se observasse e previsse a minha própria alma, Morro todos os dias um bocadinho de amor porque amo muito, Amo e morro de saudades da minha filha, Amo e morro ao ver o meu pai morrer sossegado de sorriso encantado nos lábios, Morro ao ver a minha mãe não viver, porque a amo, Morro de morte pela amante que se traiu porque amo, Calo, e não abraço, Ainda tenho medo de mim, Desconforme a minha voz, Não gosto de me ouvir.   Não pertenço A minha pertença não se coaduna com a pertença a que chamo normal, Não acordo certinho, Almoço certinho, Não faço a sesta certinha, O para além do certo é longe, Para mim o incerto é próximo e já ali, Não pertenço a marcas nem a grupos económicos, Não colaboro e gosto de não colaborar, Mostro a falta de colaboração, Não dissimulado, Não pertenço.   Entendimento Não espero entendimento no desentendimento acerca da pertença ou da vida. Decido por mim erradamente, por intuição. Apesar de estar for...

O tempo nao me diz nada

  Os dias não conhecem os meses e os meses não são íntimos com os anos. A soma dos instantes são sorrisos abertos ao imaginário. A melancolia é um negrume da alma. Replicam sinais da torre a um cortejo fúnebre. A missa dita em latim cantada, aquece as almas de lenço preto que se ajoelham à passagem. São contratadas carpideiras que num choro uníssono falseiam, como se falseia um grande amor.   Divide a mentira a ténue linha da verdade. As noites escritas aos magotes de palavras coloridas são hoje cinza, onde não deposito sequer a lembrança. O adiamento está ao rubro. Mais adiado do que o adiamento afortunado da miséria material, fica a miséria emocional disfarçada de abraços e pretensas proximidades desejadas. De substrato, conteúdo, musica e poesia cristalizo o conhecimento. As figuras não dão luta. A vulgaridade adivinhada prolifera numa destreza reprodutora cansativa e descoerente.   Existem em mim vontade apenas de estar numa praia deserta em silêncio. Existe mais do que o verbo exi...

Senhas

  Eu não gosto do bom gosto Eu não gosto de bom senso Eu não gosto dos bons modos Não gosto   Eu aguento até rigores Eu não tenho pena dos traídos Eu hospedo infractores e banidos Eu respeito conveniências Eu não ligo para conchavos Eu suporto aparências Eu não gosto de maus-tratos   Mas o que eu não gosto é do bom gosto Eu não gosto de bom senso Eu não gosto dos bons modos Não gosto   Eu aguento até os modernos E seus segundos cadernos Eu aguento até os caretas E suas verdades perfeitas   O que eu não gosto é do bom gosto Eu não gosto de bom senso Eu não gosto dos bons modos Não gosto   Eu aguento até os estetas Eu não julgo competência Eu não ligo para etiqueta Eu aplaudo rebeldias Eu respeito tiranias E compreendo piedades Eu não condeno mentiras Eu não condeno vaidades   O que eu não gosto é do bom gosto Eu não gosto de bom senso Não, não gosto dos bons modos Não gosto   Eu gosto dos que têm fome Dos que morrem de vontade Dos que secam de desejo Dos que ardem   Eu gosto dos que têm...

É só galgorro !...

  Um mês que se esfumou. Dias amantizados com as noites perderam-se ganhando-me. Uma solidão imensa de ninguém com presença minha acompanhou-me. Não sei se irei ver alguma coisa positiva na desilusão do passado. Mais do mesmo. Episódios adivinhados, conjecturados. Resultado calculado. Palavras levianas e irresponsáveis a fingir serem verdade transformaram-se em punhais. Não me separo de mim porque na verdade só a mim me tenho. Sempre assim foi, sempre assim há-de ser. Insistência análoga de palavras esquizofrénicas de ajustamentos constantes sobre a empatia, o amor e amizade. Os factos contradizem as noites inventadas.   Ajusto-me agora a uma nova realidade. Sitio imóvel que transformarei de vida e trabalho. Farei café de madrugada para perfumar o ar. O céu, a lua e as estrelas estarão atrás de mim, à minha varanda. A lua mudará de sítio como sempre e as árvores gémeas baloiçar-se-ão a cada cigarro fumado nos intervalos.   Acompanham-me sítios desvirginados em passeios de moto. Meto ma...

Vê lá se atendes o telefone !

  Deixei-te na tua casa nova, na tua nova cidade. Regressei cheio de um revoltoso sentir que me saía por todos os poros do meu corpo. Viajei de vidro aberto agarrando o ar tépido da noite. O cheiro a eucalipto na serra que cruzei, diligenciava um alívio ao aperto que sentia no coração. Vim devagar, não queria chegar. Revi o nosso tempo. Revi-te nos teus primeiros passos e ais. A tua primeira gargalhada o teu primeiro correr para o meu abraço. O teu primeiro dia de infantário, o teu primeiro dia de escola. O teu primeiro confronto. Revi os primeiros, os entretantos e os actuais. O tempo desapareceu e fugiu. Estás entregue à confiança, desejo e esperança que deixei depositado contigo no espaço que preparamos durante a tarde. Ficou confortável e com o teu toque. Ao teu gosto. Trouxe o teu perfumado, apertado e demorado abraço. Trouxe as lágrimas que não desmontamos. Trouxe o último aceno e a ultima frase humorada que não dissemos. Dormi pouco a pensar como seria o teu dormir. Estás no teu...

Apaciento-me

  Marquei o número. Atendimento de excelência. Nome, “em que posso ser útil” com a sugestão de um “à sua inteira disposição” identificação do problema, reformulação, fecho e despedida, fazendo-me crer na total disponibilidade e de um que “serei sempre bem-vindo”. Chamada de valor acrescentado que fica em cinco euros à hora. O problema está no problema que parece mesmo não ter solução. Mas tem que eu sei que tem.   Descabida ameaça de injunção e tribunal. Huuuuuuu. Ai que medo. Já vai em mais de cem euros a quantia de vinte e picos que não foi paga. Já me vejo em frente a um colega juiz, algemado a sair de um carro celular. Vou tratá-lo assim mesmo colega, porque eu já fui juiz das festas da minha terra. Televisões, rádios, jornais, policias, redes secretas, generais, protecção civil, helicópteros, marinha de guerra. Tudo tudo. Mesmo assim vou lá. Documentado e de elaborada fundamentação. Sonho ainda ser indemnizado pelo dia de não trabalho e pelos vin...

Grita sal de água dos meus olhos

  Grita sal de água dos meus olhos, Adiantada saudade, Presença ainda.   Noite feita sem ti, A fechadura não cederá à tua entrada, À tua saída.   O teu perfume não será o quadro na sala, O teu sofá espreguiçado e imóvel, A ausência feita de nostalgia.   Os regressos serão brindados, Três dias antes, Dois dias depois.   E assim a tua ausência, Será comparência, Presença.   Os teus livros, A tua musica, A gargalhada.   O cheiro da tua comida, O teu humor, O caminhar.   Salta-me assim, Dos olhos, A alegria da tua partida.

Voto letal

  Muros, largos como países, Mãos soltas como hélices, Pensadas para castrar.   Sinuosas mentes, Invasão, confronto e espiral, Arquitectos do juízo.   A mentira feita de verdade, A verdade faminta, vociferada, Por decisões indecisas.   Vai à urna, Deposita o teu voto mortal, Assina a sentença letal.   Abril desaguado, Maio remoto. Ideal de liberdade, distanciado.   Como é bom escriturar, Sem a guarda te levar, Conquista primaveril gritada.   Deposita a sanidade, Numa cruz em boletim, Faz de ti o fim.   Latifúndios de fome, Campos por cultivar, Fidalgos feudais… a matar.   Mediáveis tempos de outrora, Volta dos tempos fascista, Fim dos poetas e artistas.   Mil pedaços de terra infértil, Nas nossas mãos por cultivar, E assim mataram Catarina.

O PR é sonso

  Incrível. Não me enganei. Não gosto de sonsos. O nosso presidente da república é sonso. O tempo revelou-o afinal. É como os outros e os outros são como ele. Tudo farinha do mesmo saco. Inaudíveis. Afinal também encomenda notícias. Desta vez o tiro não saiu pela culatra, saiu fora de tempo. Na pior altura. Altura de campanha eleitoral. Uns bons milhares de votos vão passar-se para o outro indesejado lado. Azar. O bloco central na verdade existe e a direita conservadora também. O bloco central agradece a exoneração pública e noticiada do homem de confiança do PR. Nome pomposo, assessor de impressa e conselheiro político de longa data. Ar de sonso igualmente. Lobo na pele de cordeiro. É no fundo o ajuste de contas ao freeport. Digamos que é o freeport presidencial. Contas mais ou menos saldadas. Isto é tudo a mesma carneirada. Deprimente e mal frequentado este País. Gajos espertos de mais para a cabeça que têm. Dos sonsos não reza a historia. Não tenho teorias nenhumas, nunca tive e não...

Minha Joaninha voa voa

  Os dias gastam-se. Soltam-se. Desprendem-se. Esfumam-se entre os dedos como a areia da praia. A ampulheta do tempo inverte-se. Decrescentes, os dias flutuam em direcção à partida acabada no começo. Início de um voo anunciado. Sinto-te tão próxima e delicada. Estou a teu lado, como sempre. Os teus olhos pedem abraços que te dou. Gosto do que temos feito nestes dias. Nada está a acabar, está tudo a começar. Uma nova e boa fase. Nunca o meu ego quereria que não existisse esta etapa por te perder. Nunca perderei. Se tu ganhas, ganharei. Distanciados ficaremos juntos. A minha menina está grande, vai ser maior ainda, se é que existe dimensão no tamanho do que sinto por ti. Minha Joaninha voa voa.

Da parecença se somaram as palavras

  Pendem cheiros a rosa dos teus olhos, Límpidos. Enfeitiçado olhar, Soberbo. Atordoado pensamento, Difuso, entre searas de rouxinóis, Espalhados e afinados. Secam palavras húmidas de tanto ditas, Como lágrimas murchadas. Prescrevem, Sem decreto-lei apropriado. Fome saciada, Tardes solarengas, Apetecidas. Rios desaguados e celebrados, Festim impensado, Momento divino  Excêntrico. Pele doce de brancura, Cabelos de milho, Trança sábia.   Da parecença se somaram as palavras.

Tu, Ricardo Araújo Pereira, não! “falam, falam,falam...”

    Ó Ricardo tu sabes esmiuçar muito mais que isso.   Não me digas que não podes?   Não me digas que não deixam.   Não me digas que está tudo combinado?   É que não se nota nada! (hehehe)   Esperava mais de ti, se é para esmiuçar tem que ser sem dó nem piedade, tem que ser cáustico. Vale mais ser fedorento do que gato. Porque é um gatinho cheio de ronrons que me tens parecido ser. Um gatinho em fase de amestração que tem lambido e ronronado o Sócrates do magalhães, a Manuela das pme´s, o Louçã da esquerda chique, o Portas dos agricultores e o Rangel de Estrasburgo. Tens feito muito e bem de gatinho mas muito pouco de fedorento. E tu és um fedorento. É a pala desses gajos que esta trampa está como está, isto não está para brincadeiras nem sorrisinhos. Vê se te pões fino. Não te vendas e esmiúça com o verbo esmiuçar. Não me desiludas com o debatezinho politicamente correcto.   Tu, Ricardo Araújo Pereira, não!    “falam, falam,falam....”

Amigo do norte

  Bela noite a passada, passada com o matar da saudade que se sente com a falta de alguém. Neste caso aquele amigo dividido pelo mesmo sonho, pela mesma caminhada. Gosto mesmo de jazz. Conversei, sorri, actualizei-me e actualizei. Tive aquela estranha e pacifica sensação, de um mundo ter parado e eu ter descido para o meu lugar. O meu sítio pequeno, pacifico e interessante. Sítio pleno de trocas de ideias, sem sobreposições. O contrabaixo gravemente exalava sons calmos, descompassados e peculiares. O piano acertava de acordes compostos os sons gemidos de um saxofone amarelado e antigo. Conversei acerca deste ano último. Vi fotos, soube de alegrias, de desilusões, de medos e esperanças, de verdades mais que outras coisas quaisquer. Mais tarde, já o sol se forçava a romper, comia pão quente misturado com as palavras que teimavam não se calar. A minha melhor noite dos últimos meses. Cedi a minha cama, acordei e almocei. Abracei o sentido de ter tido tanto em escassas horas. Fui ao comboio...

Tenho quarenta anos e tal

  Tenho quarenta anos e tal. Duas vidas de uma já morta. Experiência de óbito em vida. Vivo por tanto ter estado morto. Hoje a vida sabe-me a alegria e a morte a tristeza. Aculturei-me e aderi. Tenho uns papéis escritos que dizem que sei coisas, me avaliam e me nomeiam. São caros. Tenho uma percepção socrática sofista de que nada sei. Ignorante, humilde, pragmático. Falsa vaidade fingida de segurança. Cognitiva. Sou esperança projectada no análogo. Mais do que eu sou o outro. Durmo bem comigo. Passeio-me em florestas de lírios que estremecem ao acordar. Arvoredo solto na minha imaginação. Não durmo aos quarenta anos e tal, mais do que quatro horas e tal. Associo a necessidade de estar acordado, ás coisas que tenho que resolver, nesta vivência viva de vida. Impulsos de acordes quentes acompanham-me já roufenhos e gastos de beleza melódica. São a minha companhia, palavras brotadas e anti-monocordicas. Sou mais do que pareço ser e menos do que acho que sou. Lá fora chilreiam nas árvores e...

À fava...

  Sou ficcionista. Por protecção, por sobrevivência, por segurança. Pelo mesmo motivo tenho um emprego patético, onde represento oito horas diárias de uma loucura premeditada. Uma loucura aceite aos olhos dos outros que a entendem. Eu sinto-me demente. Há os que acham que é um bom trabalho, lavadinho, com responsabilidade e que até se ganha bem. Uma treta. Não é um bom trabalho, a responsabilidade vale o que vale, e não se ganha bem. Pior que isso, suportar a rigidez das ideias, o mais do mesmo diário, a palermice e a representação de um papel social direccionado ao engano. Sou um criativo num espartilho. Visto uma farda que não é a minha, uma pele onde nem me reconheço. Pensamento divergente não é urgente e urgente é o previsível. Massa critica e associação de ideias não devem faz parte, associada à ameaça que o pensar por si mesmo encerra. Uma parvoíce, esta representação diária contra-natura do meu eu. O humor vai-me ajudando nestes dias solarengos de uma cinza interior que sinto am...

Navegar

    Abro a porta e descerro, Mil luas azuis navegam. Abro a janela, Dez sois acabados de pôr, Vão e vêm em mil desejos, Que me habitam de ti. O céu cinzento carregado, Verte lágrimas guardadas, De uma cara que foi quente, Ilusão de uma praia deserta, Que de rochas, areia e mar Se faz. Gaivotas rasantes, Velejam nas ondas. O peixe salta ébrio, Na felicidade do mar revolto. Não tenho visto os amigos que não tenho, Tenho estado com os que sobram. O sol já arde meio, Por detrás da noite que cai, A lua refresca metade, Do dia que se vai. A serra a meio caminho, Espera-me regressado, Num outro caminho, De moinhos, Que ao sabor do vento, Velejam como as ondas do mar.

Estradas e caminhos

  Existem estradas que me conhecem. O meu rasto escreve momentos na passagem breve e continuada. Momentos meus. Estradas que me saúdam à passagem. Estradas amigas que participam nos prazeirosos momentos que engenho. O que sinto testemunha-se numa harmoniosa junção. Estradas sinuosas que conhecem a minha opinião, crença e lirismo. A calmaria com que as percorro é própria e adequada. Estrada que são veias, libido e emoção. Estradas que percorro de sorriso enfeitado e de lágrimas desprendidas. Estradas que são companhia e que me elevam onde a minha alma se aquieta.   Não são estradas usuais e concorridas. São estradas ténias e solitárias, onde se ouve o vento e se avistam arvores a dançar. São estradas que me presenteiam de tudo e de nada e que têm um poder magnificente da adivinhação. Estradas não escolhidas por viajantes mas coerentes na proximidade. Estradas cúmplices que me encontram. Estradas com conhecimento, emoção e presença. As minhas estradas percorrem-me, antes de percorrem os ...

Parabens Filhota !

  Escrevo-te sem saberes filhota. Sexta-feira 11 Setembro mais ou menos hora de jantar. Saltas de olhos molhados e a brilhar. Choras e ris no mesmo soluço. De seguida saltamos os dois de olhos a brilhar e molhados, no soluço seguinte. Um desejo, um sonho, uma caminhada alcançada. Esta vitória é tua, e, é tão minha também.   Sabes, um dia retirei-te de um berço da maternidade onde nasceste e chorei. Chorei simplesmente. Molhei-te com as minhas lágrimas enquanto te olhava e segurava. Dentro de mim existia uma guerra. Foste o primeiro e único soldado da paz que entrou nesse pelotão. A paz soçobrou.   Rapidamente me conquistaste e contigo no meu peito sempre, construímos e vivemos o que temos e é único, especial e sem adjectivos que não terminem na palavra Amor. Tantos episódios que passamos juntos. Alguns sendo muito difíceis foram fáceis. Nada terminou, apenas se iniciou outra etapa que eu tanto desejei.   Obrigado por cuidares de mim, obrigado por permitires que eu cuide de ti. Obrigado...

Vantagem psicológica

  Vantagem psicológica muitas vezes é uma expressão que se usa para educadamente não se dizerem coisas acerca de determinado assunto, relacionado com determinado objecto ou episodio. É apelar após diferentes tentativas à vantagem psicológica. Vantagem psicológica é como o próprio nome o diz vantagem psicológica. Ou seja, nunca se sabe muito bem se é na verdade vantagem, muito menos se é psicológica. Vantagem psicológica é também um comportamento intencional direccionado a um determinado objecto e objectivo.   Por exemplo: - Uma equipe que é posta injustamente pelo árbitro a jogar com menos um, fica em desvantagem psicológica? Creio que não. Creio que vem ao de cimo o espírito de grupo, movido pelo da injustiça. O que faz, que mesmo sendo menos, sejam mais fortes. Realça-se o espírito de sacrifício e as palavras desaparecem, substituídas pelos actos que se tornam de facto visíveis. É isso. Aproveitar oportunidades não é igual à necessidade de as aproveitar. Tudo a seu tempo. Se é vantag...

É adrenalítico este meu sentir de 750 cc

  Mais perto do céu observo outro planeta que gostava de conhecer. Elevo-me no acto solitário de viajar. O ar quente e deslocado pela velocidade afaga-me. Por momentos o coração bate descompassado de adrenalina, em inclinações na estrada que sobe a serra serpenteada. Os vales salpicados de luz indicam-me um caminho que desconheço. Sei-o meu. Vertiginosa a velocidade desafia-me. Concentrado viajo nos meus pensamentos. Paro. Fumo um cigarro no descanso da serra deserta. Vêem-me imagens. Oiço o ruído da bicharada e vejo o vale plácido e sereno. Vejo ao longe um castelo gótico de telhado verde. Porto de Mós. Desafio o subir das curvas fechados, onde ainda cheira a mar. O meu peito em debandada abre o trilho. Continuo a viagem. Pensamentos reais escoltam-me. Está vento. Já faz frio, neste Setembro que adivinha o Outono. Não existe trajecto, não existe morte, existe a vida. Aproximo-me, a viagem é um momento meu em que não dou pelo tempo passar. É um flash de mim mesmo. É um local onde me re...

Foi de sonhos que fiz a realidade

  Voltei a ouvir o relógio da torre da praça da minha aldeia. Compassado, intervalado e certo. Recordo um quarto ausente no tempo, em que o ouvia dilacerado por um não dormir. Angustiado e desesperançado. Passaram os anos. Voltei a ouvir o relógio da torre. Acordado, escrevo nos intervalos harmónicos de uma liberdade fresca. Horas quentes e fartas de ausência e de sono. Horas recordadas de todas as noites em que o relógio da torre não me embalava. Hoje o relógio da torre da minha aldeia faz-me bem. Faz-me companhia.   Imagino uma figura pequena e corcunda que em cada intervalo de tempo o faz badalar. Não acredito em mecanismos automáticos. Essa coisa dos automatismos não devia existir. Prefiro acreditar na mentira de uma figura que badala o relógio da minha aldeia, do que insistir na história do pai natal. O relógio sabe-se ali. Acompanha-se e sabe historias.   No banco onde me sento olho-o iluminado por o castelo altaneiro, debruçado sobre a praça. Sabe-me bem a praça de madrugada e v...

Na verdade estamos juntos mas não estamos misturados

  Claustrofobica esta forma de viver quando o betão me tapa a linha do horizonte e os mágicos madrugantes nasceres de dia. O distanciamento à linha do horizonte é a proibição fronteiriça, de uma linha forte e marcada, por onde a minha respiração não passa. Quero ser pastor. Pastorear-me nas manhãs. As manhãs estão mais perto do céu e as noites junto das manhãs. O caminho entre as duas é disforme.   Vou desistir dos ensinamentos. Vou por mim como no fundo sempre fui. Na verdade a diferença é real. O discurso para além das palavras é diferente. As inadequações com os que me identifico são por demais evidentes. Ontem bebi vinho. Estava bom. Fez-me sonhar. Um vinho que me deixou lúcido. Um vinho que me alegrou e carregou sem estar encarneirado numa data de chavões e adjectivos sentimentais. Um vinho que me deu esperança e vontade de estudar até ao final dos meus dias. O vinho é um indutor de processo. O vinho tem a magia e cheiro a desaprendizagem.   Já me habituei a não dormir. Já me habi...

Maço-te? perguntou!...

  De semblante carregado atravessou a sala dizendo ao seu ego que aquela multidão de três pessoas o observava. O espesso semblante não era mais que a insegurança de cada passada. O medo de escorregar num abismo engendrado por ele próprio. Um abismo traiçoeiro e fascinante. Impossível de se descolar da sua auto-imagem. Era um homem rude e cruel marcado por decisões dúbias. A simpatia, o abraço e a confiança eram de difícil convivência. O silêncio era a sua companhia e a solidão a sua amante.   Numa perfumada manhã acordou, sentindo-se um homem novo. Extrovertido, sem bom senso, desprendido das suas diferenças e sem medo de pandémicas e pindéricas epidemias, enfrentou o mundo. Confiou. O sol iluminou-lhe o sorriso. A chuva lavou-lhe o silêncio e a solidão. A névoa abriu-lhe em raios prateados o caminho. O frio juntou-se gélido ás gotas de orvalho que teimaram em não se encontrar ali, á sua porta, rosa escarlate.   Forte conduziu o sossego. Todo. Num desenfreado querer solícito. Escolheu ...

Citações: Manuela Ferreira Leite

Citações:   «Assim, se chegar ao Governo, a dra. Ferreira Leite extinguirá o pagamento especial por conta que a dra. Ferreira Leite criou em 2001;   A primeira-ministra dra. Ferreira Leite alterará o regime do IVA, que a ministra das Finanças dra. Ferreira Leite, em 2002, aumentou de 17  para 19% ;   Promoverá a motivação e valorização dos funcionários públicos cujos salários a dra. Ferreira Leite congelou em 2003;     Consolidará efectiva, e não apenas aparentemente, o défice que a dra. Ferreira Leite maquilhou com receitas extraordinárias em 2002, 2003 e 2004;   Levará a paz às escolas, onde o desagrado dos alunos com a  ministra da Educação dra. Ferreira Leite chegou, em 1994, ao ponto de lhe exibirem os traseiros.   No dia anterior, o delfim Paulo Rangel já  tinha preparado os portugueses para o que aí vinha: "A política é autónoma da ética e a ética é autónoma da política".»   Manuel António Pina, Jornal de Notícias, 28 de Agosto de 2009.

Sacanas sem Lei

  Depois dos emblemáticos, Pulp Fiction, Kill Bill e outros, Tarantino comparece com Sacanas sem Lei. Inversão de papeis históricos. Bem conseguido. Como a desequilibrada  pseudo-fábula de David Fincher , na historia do Benjamim Button. A mesma forma de juízo. Reinventar a história ao contrário. Gosto do conceito “reinventar” “antecipar” e ao “contrário”. Desgosto do conceito real. Cresce-se mais à sombra, do que ao sol. Opinião do nosso Nobel Saramago.   A lua está branca, o mar ruidoso. A Areia não se separa da espuma. Está quente a noite. Detesto os escrivães que só se escrevem deprimidos e/ou apaixonados. É uma burla à escrita. Uma fraude. Escrever é purgar o que há de ignóbil em nós e deixar à consideração, a leitura ou não. Eu não presto. Eu sou um filho da puta. Sou mau e sou vilão. Sou a antítese que se insinua, sou sugestionável e porco. Sou azedo, descrente, bêbado, mulherengo e drogado. Sou ladrão, mentiroso e arruaceiro.   Sou antítese. Se...

Proverbios

  Gosto da expressão: “não bate a bota com a perdigota”. Embora o senso comum, a sabedoria popular e empírica tenha as suas falhas, os adjectivos e predicados são por vezes felizes. São por vezes autênticas pérolas da descrição, com um poder adaptativo que me chegam a fascinar.   Também gosto de uma outra que é: “Cada cabeça sua sentença” o que me dá a ideia, do errado que é cada sentença julgar cada cabeça. Esmiuçando; justiça é um ponto de vista perto do coração e longe da razão.   “A palavra é de prata e o silêncio é de ouro” Boa expressão acerca da palavra e do difícil que é entender alguns silêncios. No julgativo que são alguns entendimentos do silencio quando queremos a prata das palavras.   Na sequencia: “Para quê algodão quando se pode ter seda”.... O suficiente não é a excelência.

Razão e guerra

  Já tinha referenciado que a censura andava por aí disfarçada numa Pidesca forma de provedor. Agora já nem se disfarça, emite comunicados. Aconteceu com o Ps o que já tinha ocorrido com o PSD. Figurantes diferentes. Marcelo Rebelo de Sousa versus Manuela Moura Guedes. Distingue-os o transformismo. O mesmo executante a TVI, detalhes diferentes mas tudo igual, passo a redundância. Isto faz-me entender o que já há muito tinha entendido, a proximidade e o entendimento da mesma força politica, com apregoamento periférico diferente. O Pina Moura é disso, um bom e vivo exemplo.   Na mesma linha de raciocínio apraz-me comentar, como pode alguém saber o que é bom para a vida de outrem, se não sabe o que é bom para a sua própria vida. E é neste raciocínio que me causa sudação, vómitos, insónias e ate algum desespero, que me vou embrulhando em mim próprio, sem saber como sair desta concha semi-aberta que cauciono. A culpa bem sei, morre solteira e não é solução para nada. Antes de ser punido gos...

Cor? Vermelho sangue

  Conceito disruptivo é a oportunidade que vida nos dá de reafirmar que ela própria é formada de mudança. Mudar é saudável. Mudar de casa, de emprego, de cidade, de País é enriquecedor. É acrescentar mais experiência, expectativa e vivência. Os momentos são breves intervalos de excertos escritos na hora. Intemporais.   O dia é como uma bola de sabão que rebenta quando menos se espera. Explosivo. Uma bola que saltita de decisão em decisão, de mão em mão. Indecisão. Infantil soprar mais uma bola por um canudo de espuma, testando o seu vigor.     A breve solidão espreita, Encantada! A companhia anunciada, Desejada e rejeitada, Pelo medo de ser roubada, A liberdade conquistada!   O diamante encontrou o garimpeiro, Não foi o contrário. Mesmo pensado que se encontra, É-se sempre encontrado. Pelo poesia, pelas cores? Fica-se enfeitiçado!   Como só uma chama, Mil luzes me cegam. Brilho tonto, ressabiado. Cor? Vermelho sangue. Prolifera, vocifera Vale apenas, um instante!

Opiário

  Opiário devia de ser a minha sala de estar. Não o sendo, não deixa de estar instituído no meu sentir, o conceito que entendo por opiário. Opiário mental, definitivo e volúvel. Opiário fugidio e arisco em forma de opinião. Fixação olharenta e obsessiva num sinal imaginado e vertiginoso. Um instante horizontal onde retrato os meus momentos. Opiáceos são os meus sentimentos e conhecimentos. Deslumbrantes. São os meus ignorados sentires, dementes e dormentes. Opiáceos.   Enrolo no meu olhar vidrado uma pasta preta. Maleável que arredondo entre os dedos, a que chamam como significado metafórico e adjectivado, religião do povo. “Ópio bendito ópio”.   Adormecido ópio curandeiro, deus, feiticeiro, benzedor e charlatão, velhaco, impostor e amor. Afecto de maleitas emocionais e físicas. Tenho um opiário dentro de mim, adormecido, impunível, impurgável. Vou assassinar a minha boca. Ceifar o meu pensamento. Desembarcar esta nau num cais abandonado. Num porto desregressado. Vou desengr...

Sou deus e sou o diabo !...

    Sou deus e sou o diabo, Engenheiro e arquitecto, Professor e aluno, Visão e aprendizagem, Desportista e sedentário, Arrumador de emoções, Perspicaz e ignorante, De tudo, se me constrói a alma, Sou o que sou, Mais do que fui, Serei sempre mais do que sou, Numa hora não sou nada, E sou tudo sem nada o ser, Nada sei em particular, Nada sei de forma geral, De momentos vivo vagos, Os dias somados de um todo, Que de partículas se fazem.   Sou tudo, serei nada, Feito de nada, sou o que sou.    

Abriu-se em dois o mundo

      Abriu-se em dois o mundo. Emir Kusturica em festa num Alentejo quente quente. Gosto de ver o brilho emanado da minha filhota a dançar. Entre amigos que não sendo os dela o são. Amigos acompanhantes da sua evolução e crescimento. Os dias esgotam-se em ordem decrescente em direcção ao sonho. Está aí. Mais uns dias e vai. Experiência independente de apelo á responsabilidade e maturação.   Abomino o julgamento em forma de proibição. Retiro ensinamentos diários acerca do adiamento e da mentira disfarçada de verdade, incongruente e ilusória. O tempo será sempre o único e final apreciador. A coragem é o início da verdade. Desiludo-me sempre, antes de me voltar a iludir. Caminho degrau a degrau num experimentalismo sensorial, observado e meu.   Combino prosas, poesias e histórias. Pinto quadros, músicas e teatros. Entendo o Amor desiventado. Quanto mais feliz mais breve o é. Na estrada sinuosa desembarcam prodígios e devaneios. O coração eleva-se conquanto a lucidez se constrói. A metamo...