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Mostrando postagens de maio, 2023

Imensurável

A saudade é uma imensurável liberdade que nos abençoa

Sem “agendas”! com convicção!

De revolta em revolta, apazigua-se-me a alma, de compreensão e desistência, que não vale a pena guerra declarar, a quem a já tem declarada, desistir nunca será abandono, será sempre lutar ao contrário, que de bem querer se erguerão só abraços.   Sem “agendas”! com convicção!

Aqui e ali ponho sonhos

Gosto dos finais de tarde em que te oiço, em que me ouves, em que ouvimos a tarde a chilrear de passarada, a tempestade a anunciar-se, e a noite fresca atordoada.   Gosto das nossas palavras de fim de dia, da exuberância com que sentes o que me queres dizer, as palavras que escolhes, e o sorriso que emprestas à pronúncia, eu, embelezado, escuto.   Aqui e ali ponho sonhos, tu agarrá-los e convences-me que são bons.

Sopa

Às vezes mãe, tenho só saudade de sopa, das sopas,  da medida certa das coisas, do silêncio e de saberes do mundo.      

Caminhos do acerto

Sou um abençoado homem errante que tem oportunidade de "deserrar" e confessar-se ao seu deus extinto.  São os caminhos do acerto.

Alma alva

Era verde, tudo verde, e a alma era alva.

Independência

A minha independência de pensamento retira-me pessoas à dependência de uns e outros, tenho menos numeros de pessoas a quem telefonar, menos tudo, menos nada, muito mais de mim, mais caminho, sonhos e descoberta. A minha independência de pensamento, mata-me as ervas daninhas da alma, faz por ela mesma a triagem civilizacional que preciso.

Todas as luas que "luei"

Haja quem me entenda, não é fácil, dizem-me todas as luas que já "luei".

Raça sem terra

Grito palavras repletas de silêncio, Que me cansa dizê-las desentendidas, Que sem raça, sexo ou credo me soam livres, E a outros entoam a guerra, Desentendo-me assim do mundo, Neste grito de raça sem terra.

Dançarina enfeitiçada

Havia índios na minha infância. Não existia playstation. Inventava foguetões. Havia pessoas de cores e raparigas que se beijavam em verdade e em consequência. Abria-me o espírito vê-las tão amigas delas próprias e minhas amigas igualmente. Havia a badalada da torre para o chamamento do que estava em falta e o cantar dos pássaros antes de partirem em debandada. Depois aprendi acordes, poemas e ternura declamada em estrofes. Voltaria à minha pequenez sem a falta de ser maior. Havia índios na minha infância, cabanas, palhas, terra e uma dançarina enfeitiçada.