Postagens

Mostrando postagens de junho, 2023

Consolo e esperança

As palavras agasalham-me em forma de consolo nas noites acordadas, quando as desfolho do pó repousado na mesa de cabeceira, na primavera, refrescam-me viçosas como a esperança de que as flores na manhã seguinte se abram perfumadas, as palavras, personagens inventadas, consoladas de esperança e sonho.

Silêncio de palavras guardadas

Já não sei quantos dias meço, e esqueço-me do sabor das manhãs a café, transformei-me na negação da morte acreditando na imortalidade do momento, os meus olhos teimam ser água,  as minhas mãos vindima de casta demarcada, o meu peito silêncio de palavras guardadas.  

Básica necessidade

Água, música, poesia e fruta, é-me suficiente.

Os poetas nunca morrem

Para onde vão os poetas quando morrem se os poetas nunca morrem!   Descansam sob as palavras esgrimidas de alma entre os sonhos e os caminhos, os amores e as tentativas, a solidão e a companhia da chuva, a inquietação e o mar, o prosaico viver e a complexidade de ser.   Os poetas são vida eterna mesmo não narrados nas escrituras.

Distância e compreensão

deixas a distância marcada a compreensão, o fogo a arder com a nova madrugada, o esconderijo escancarado ao mundo que tentamos esconder, o beijo guardado na nuvem fechada na gaveta da cómoda, os teus ais não mos dás, e o teu sorriso entristecido de futuro, espera enquanto os peregrinos em salmos proféticos visitam a santa milagreira.  

O perigo e a benção

O perigo e a benção que têm as minhas feridas é saber que vou sempre sobreviver, é um alívio saber isso para os dias que me sobram.

Os olhos também ficam baços de brilho

Os olhos também ficam baços de brilho. Ontem, enquanto dançavamos, e em voltas as nossas mãos se enlaçavam, a minha alma esperava por nós na fresquidão da noite quente. Nem te vi sair. Vi-te chegar. Só hoje te despediste como não deve ser, com um adiado abraço, e um abraço adiado, é um abraço perdido. Não se adiam abraços.

Assim me vou embebando nesta causalística sobriedade !

Sinto estrofes nas arvores, rimas no cheiro da madeira, musica no vento que passa,  saudade nos lagos que a chuva desenha, presença na sossego da floresta, esperança no mar que rebenta na areia da praia.   Assim me vou embebando nesta causalística sobriedade !...    

Algum desporto

Entendo a superação, a individualidade, o prazer, o bem-estar, os limites, os sítios, o cansaço, o deslumbramento, a harmonia e o corpo a abraçar-me. Não entendo a competição, nem retiro daí algum gosto. Sou mais de agregar!

A mesa, os biscoitos e o sorriso escancarado

Quando me sento à tua mesa, chego a casa. Os biscoitos cuidadosamente arrumados no pequeno prato são a tua boca a encher-se ainda mais de sorriso, do que aquele que ela já tem. De repente o mundo são as nossas conversas, a tua dança de corpo sentado, os teus olhos a brilhar com os meus. Despedir-me, é sempre o anúncio de um regresso a combinar.

O tempo que eu me demoro nas palavras

O tempo que eu me demoro nas palavras, se fossem sopa com tomate, azedavam!

3201

Enquanto os homens falam os deuses riem-se e escutam, os olhos são as janelas das casas e dos abismos que se misturam. Os homens falam iludidos que os deuses são o inferno.