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Mostrando postagens de julho, 2015

A vida é medida às estações

A vida é medida às estações. Frio, temperado, fresco e ardente. Cada uma delas abarca os meses. Os meses as semanas. As semanas os dias. Os dias as horas, e, em cada menor partícula de medição temporal, a pele absorve a emoção de sentir. Depois existem as pessoas que nos causam arrepio: - arrepio frio, temperado, fresco e ardente. Depois existem paisagens duras e frias e olhares quentes em qualquer estação, é nesta altura que começo a ceder e, o meu entendimento sentido, mostra-me que existem pessoas que nos alteram as estações, tanto por defeito, como por excesso. Depois, depois, depois … volta tudo ao princípio: - Frio, Temperado, fresco e ardente.

A mim não me subscrevo

A mim não me subscrevo, E a alguém subscreveria, Se sou ninguém, Não subscreverei alguém.   Ao nascimento das palavras, Di-las-ei a mim por ventura, Não direi a mais ninguém, Que sou alguém.

Presságio!

duas vidas entrelaçadas numa, ambas minhas. Presságio!   Adivinhação. pressentimento que o passado me oferece hoje,   O mar ensolarado põe-se com o que adivinho ser o sol. milhares de vezes o sol pôs-se no mar, milhares de vezes os vi diferenciadamente, o sol e o mar, abraçarem-se de forma desigual, única e exclusiva, deixo a minha imaginação rebolar encosta fora, Sei que nunca obterei o certo ou o errado, o que antecipei, o que postecipei.    

Palavras por ver o sol um dia XIV

O rosto enrugado pela dureza do frio esbate-se na sombra do seu corpo ao passar. A morte esconde-se diariamente e o olhar vigor, é onde deposita os seus olhos. Habituou-se a ver sem olhar. As sete horas nocturnas de que são feitos os seus dias, são a prisão que lhe prometeram em nome da liberdade. As encomendas, feitas numa surdina temerosa, seguem sem rota o roteiro normal do silêncio. A cama aquecida espera-o sem perguntas. Foi contrabandista. Contrabandeava sonhos. Sonhos de uma vida melhor. Contrabandista: profissão improfícua da zona raiana de um Portugal quarentão de pseudo desenvolvido e liberdade.   … De dentro da alma da alma geme humana uma nação e, na desordem dos sentidos fico-me. Entristecido voo sem horizonte onde pousar. Na regenerada sequência balouço-me autista voltado para os declives em que me alberguei. Ensurdeço das palavras descarregadas e, num semblante inútil de choro, sorrio ao rio que me lava a saudade de pranto, já nem as tuas mãos me seguram, já nem o teu pe...

"Quem me quebrou o encanto nunca me amou”

Cheira a flores de rosas no meu quintal. As noites têm o silêncio dos amantes. Perdura a vontade de fazer do mar companheiro e de deixar completa esta obra que é a vida. Em criança tive o encanto da inocência. Já crescido aceito o desencantamento de alguns dias da vida. O desencanto da desistência. Aceito a loucura que me tolda. Os sonhos que vou sonhado. Expresso-me mais do que transpareço e muito mais do que digo.   Cheira a lençóis lavados e frescos no meu peito, de cada vez que acordo do único sonho que tenho. Aos poucos concretizo. Concretizar é o agradecimento à existência. Todos os dias me abandono e recolho. Todas as noites entendo a ruptura como uma oportunidade. Mudo sem estratégia pensada e amadureço com as estações, sem me aperceber, entendo que tudo o que preciso não se procura, encontra-se.   Tenho como “Pessoa” e todas as pessoas em mim: “todos os sonhos do mundo” e “pedras no caminho” .   Não construirei um castelo. Construirei uma gruta e um passeio empedrado de seix...

já há muito que não de dança nas clareiras

O milagre é a vida, O mistério é a morte.   Enquanto durarem as nuvens nos meus olhos, as incertezas do amanhã jamais serão esperança. maldito corpo que me pesa mais do que a alma.   Mística existência humana em cada ser, e, nas florestas onde habito, já há muito que não de dança nas clareiras.   O vento sopra desafinado, e o meu par não comparece.

Não crente, sei que tens a paz como destino

Não me sai da garganta um grito, Nem das mãos força demasiada, Apenas me sai um abraço e uma flor desenhada.   Um sorriso sai-me em espanto, Nesta cidade alterada, Expressões são desencanto nesta alma recatada.   Sinto mais do que um olhar, Sinto mais do que paixão, Rumor passa a silêncio. O fim? Exaltação!   Não crente, sei que tens a paz como destino!...

Rasgada

Rasgada ficou a despedida, e o beijo suspenso na minha boca.   Os dedos separados de mãos, num adeus sem deus a quem professar.   Distância sem possível distância, tão perto e tão longe.   Do instante tão distante, ficou o tempo sem retorno.

Baez, Joplin, Dylan e Cohen

Já me ofereci verde laranja, castanho terra, cinza mar e azul planície, para vestir a minha alma de outra cor momento, mas teimo em possuí-la mais cinza do que amor, e de amor despi-la de mim, para em ti vestir o entardecer pousado em cores e música.   Oiço Baez, Joplin, Dylan e Cohen, e a nora fazendo sempre o mesmo movimento no mesmo rio, não usa sempre a mesma água, como a minha alma não veste sempre as mesmas músicas e cores.  

o dia abreviou, a noite cresceu

As estrelas arrefeceram no céu escurecido, esquecido, o sol rompeu mar adentro.   o dia abreviou, a noite cresceu,   em mim, solavancos de te querer irrompem-me,   trouxe ontem a noite para o meu leito, deixei a minha pele tacteada na tua, aproximámos as nossas almas num alinhamento que entendo e desconheço,   existe entre nós análoga vida, a vida que nos afasta, a vida que nos aproxima e funde.   As estrelas arrefeceram no céu escurecido, esquecido, o sol rompeu mar adentro.    

As flores dão cor à estação

Dentro do meu peito esgotam-se as palavras que os meus dedos já não tacteiam; Renascem primaveras que matam as outras estações pois só a esperança quer vigorar; No meu peito e nas minhas mãos permanece o cheiro a flores e os dias crescem de luz; Sinto no teu corpo o meu porto; As flores dão cor à estação.

Pela paz, à paz.

Rabisquei uma flor, uma gaivota e a paz segurada num sorriso, Sobrou ódio de tudo e de nada, Já dancei com mulheres irmãs dos meus assassinos, E na escola, na cadeira ao lado da minha, sentava o irmão que a minha pátria acolheu, Desenhei olhos negros e belos do que via das mulheres, Defendi habitação e igualdade, Pintei de escuro o racismo e ergui o punho pela arte, Morremos hoje todos mais um pedaço, Sem desculpas ou ajustamentos do nome que tem a palavra assassino, E no alcorão em nenhum sitio está desenhada a guerra, Não está escrito em nenhum lugar, o lugar que jihad executou.   Pela paz, à paz.

Sou regressado ou regresso?

Sou regressado ou regresso?   Neste tórrido sentir gélido, Sou a mim regressado, Do que sonho e não alcanço, Mais do que o sonho alcançado, Acordo suado e perdido, Adormeço pacificado, E assim é cada noite, Em cada dia sonhado.   Sou regresso ou regressado?

Palavras por ver o sol um dia _ XI

Como pode o início ser tão distante, desconhecido, enigmático e intenso? O perfume que ficava quando passavas adormecia e acordava com a minha saudade. Saudade desconhecida do verdadeiro sabor da saudade. Saudade desentendida da verdadeira dor da saudade. A saudade mesmo estranhada não deixa nunca de ser saudade magoada. Não sabia sequer o teu nome, de onde eras, onde te encontrar. Esperava por ti até não aguentar o meu coração desordenado por te ver e, quando te via, fingia não te ver, e voltava tudo ao mesmo. Saudade, saudade, saudade. Num dia que não existiu beijei-te. A saudade atracou. Agora já sei o seu nome. Chama-se enleio e não tem época para florir, existe antecipada ao amor.

As palavras não se lêem

As palavras não se lêem. As palavras escutam-se. As palavras são o silêncio e as angustias extrapassadas da alma. As palavras precisam e ganham-se no silêncio. Uma coisa são as palavras que se escrevem, outra são as que se lêem, outra ainda são as palavras conjugadas com o sentir que nenhum verbo descreve. As palavras multiplicam-se por elas mesmas e, é no seu conteúdo que adquirem forma e, é na sua concretização que ganham conteúdo. As palavras soltam-se e não nos pertencem. Pertence-nos apenas o que as palavras nos fazem sentir, de forma desigual a cada uma de nós que as lê e, na diferente forma de as amar. Universal é apenas o universo.

olhares

A minha existência é hoje e todos os dias que foram a minha vida. A minha vida não interessa nada a não ser a meia dúzia de pessoas, que já não são sequer meia dúzia, mas algumas ainda são pessoas.   Ser pessoa é ser inquietação, Posso esquecer-me de palavras e de nomes, Não me esqueço do que sinto, Do que senti, E não me esquecendo de nada posso esquecer-me de mim, Há olhares que não voltei a ver mas não esqueço

Cidade

  Cidade claustrofóbica. As pessoas passeiam-se vidradas sem reparar que existem. Cheira a fumo. Tudo liquidado numa velocidade estonteante no horizonte que não existe. A noite cai. Fica com uma emancipada normalidade. As pessoas ressuscitam e tornam-se expressão. A noite tem esse encanto mesmo na cidade. Encanta-se de vida. A ponte acende-se dos barcos que povoam o rio. Os bares berram embriagados e roucos. O fumo excitado salta ao som de uma batida que reconheço. Os corpos ausentam-se da alma numa volátil sedução. A cidade é apertada para mim. Agrada-me usá-la e voltar ao sítio onde a linha do horizonte não quebra a lua cheia.

A infelicidade da normalidade

O quotidiano esperançado de felicidade que não se põe com o sol e os submissos afazeres que não nascem com a madrugada, a espera do desespero que desespera, os começos recomeçados de finais que foram reinícios de novos dias, não se expõem com frequência à felicidade. Chamo a isto a infelicidade da normalidade com uma comissão agendada de futuras lágrimas.

Estou ordinariamente em falência!...

Estou cada vez mais falido e ordinário, Falido de fé e ordinário da normalidade que esta gente me traz, Não me dou bem com gente e, como já nem gente sou, tem dias em que nem comigo estou.   Estou cada vez mais falido da falência até do meu corpo, Mas mais do que a guerra dos órgãos, Cresce em mim uma pedra ilhada, doente, inacessível que não sente.   Estou ordinariamente em falência!...

abraço, destino partilhado

Um abraço tem sempre duas vias. Um abraço tem a certeza de uma célere vontade de não ter um fim. Um abraço é o plural de mim no outro, é o outro singular em mim. Um abraço é o destino partilhado. Um abraço é o fim e o princípio da minha intimidade, inviolável individualidade.

Já habito do lado da saudade

Já habito do lado da saudade.   Mais de metade da minha vida sobrevivi ao lado dela, de vida gasta e expirada amantizo-me agora com a melancolia e, adormeço.   - Vivo assim num real ganho da perda dos reencontros que não aconteceram. - Vivo assim no desencontro com as pessoas que partiram. - Vivo assim e mais do que tudo, desencontrado dos que existem não existindo.   Já habito do lado da saudade ao invés de habitar ao lado dela.

Pétalas

Pétala a pétala o vento rouba à primavera a estação, tal qual os sonhos repetidos em cada madrugada, adivinha do amanhecer.   No denso bosque adormeci e pousei os meus desejos.   Um dia regressarei como as flores que brotam com a fantasia e constroem com a madrugada repetida e baça, a esperança do clarear dos dias na minh´ alma.

a maresia constrói a leveza no fim de tarde

Os dias morrem feitos de horas amargas, Feitos de horas doces, Os amigos e a vida gastam-se e recompõe-se, As noites são momentos, E os dias nem sempre são tormentos.   As madrugadas e as flores regam-se de orvalho, E a maresia constrói a leveza no fim de tarde, Na baía, o barco e a vela esperam amanhã, O porto na foz de braços abertos, Aguarda que chegue da tua boca, o beijo.

Deslaça-se e prende-se a mim eu próprio

Respiro a noite pela fresta que a lua deixa crescente, Tal qual se sente acrescentada, Desprendida a minha alma.   Deslaço em mim, eu próprio.   Sem sono deixo entrar a vida, Nesta noite ultima, Primeira de flores semeadas.   Prendo em mim a lua e rego-a de pétalas.   Metamorfose no meu despertar, Sossego a minha inquietude, Deixo pernoitar em mim o medo, pela vida.     Deslaça-se e prende-se a mim eu próprio, a lua, as pétalas, e o medo desfigurado em vida.

Tu não estás mesmo que me habites

Na ponta do cabo onde o mar e a terra se abraçam sentei-me, Cansado, vi o mundo no teu rosto,   Tu não estavas mesmo que habitasses ali, ao meu lado, Descansei do cansaço que levei,   Sentei-me muito alto, O mar espumava calmo,   Parecia-me pequeno e distante, E enorme quanto mais longe,   As gaivotas fingem sempre que não me veem, E o vento faz como o sol,   Acena-me, Descansado fiquei do cansaço que deixei.

Fragmento

Tudo é tão imóvel que se torna estonteante a velocidade com que nada acontece e, se torna estonteante a velocidade com que tudo acontece.   Somos pequenas e submissas peças de uma engrenagem que não contruímos mas a que pertencemos.   Sobra-nos a fé de saber que nada somos e que tudo somos apenas no dia em que habitamos.   A memória é a única certeza que temos de nós mesmos. O futuro é a incerteza de tudo o que está para vir.   Tudo desaba e tudo se constrói em cada momento, a cada fragmento de nós.   Existem caminhos.

O cheiro dos cheiros é a soma dos aromas.

O cheiro dos cheiros é a soma dos aromas.   Noite morna de odores transformados em perfume. Os cheiros transfigurados tornaram-se numa única fragrância, as que as palavras não abrangem em descrição.   Na praça mal iluminada brota a tonalidade laranja. Desabotoam-se das árvores penugens em forma de algodão. As mesas de madeira desocupadas vertem conversas de homens que falam com musicalidade e código ritmado, purificando a garganta com goles de vinho rosa.   A noite fica mais clara quando, dos teus olhos calmos, cai maresia. As tuas mãos suplicam a imobilidade do momento. Da tua boca rompem gemidas palavras que me consolam, e, se esbatem nas folhas caídas das árvores. Há mil anos que esta luz cai desamparada tal qual como o teu corpo exausto, suportando os pensamentos que amontoas.   Do céu e da terra, do mar e de ti, do fogo e da luz, os cheiros que o meu olfacto sente são muitos e alucinados, vêm de toda a parte, são mais de mil transformados num. A soma deles na tua pele, no teu anda...

Festejemos

Brutal e ruinoso o meu desajustamento. A realidade com que escrevo ajusta-me. Renego o que escrevo como se de uma foto antiga e ridícula se tratasse. As palavras relidas são dolorosas. Os textos morrem escritos. A vida está nos textos por escrever. Ajusto assim o meu sentir. Olho o imenso mar de gente e agonizo. Recuo, tomo balanço e vou de encontro à vida. A minha loucura casou com a lucidez. Vivêncio estímulos eléctricos a cada ordem de comando do meu cérebro. Cristalizo na minha memória tardes e adormeceres. Noites e acordares. Madrugadas e penumbras. Luz e pôr-do-sol. A lua espia cada passo meu. O meu coração é agora fragmento. As palavras pulam da minha garganta seca. Os meus olhos cintilam de água. A liberdade e a maré vêm às vagas, espumando presos atributos que se escondem na areia negra dos sonhos. Está fresco e em crescendo este inexplicável rugir de protesto. O Abril ainda vem em África. O Maio está a amadurecer a promessa. O hoje é madrugada. Lá fora imóvel vive o medo que ...

Metades

Se mais de metade de mim é agua, E metade da terra também, Quando a lua se parte em duas, E sol se despedaça a sul, Tudo o que sinto navega, Tudo o que creio atraca, No porto que seguro em mim, No mar que abunda a minh´alma, Por mais de metade ser vida, Mais de metade é crer.

Engradecido

Agradecido, Engrandecido, Rio de agua lavada, Cristalino.   O poema que declama a vida foi escrito pela mão do amor, O milhão de poetas que o descreveram habitam em cada sílaba da poesia, Queria agora receber um abraço declamado por um piano .   Engrandecido, Sou agradecido O amor é sempre sangrento, Essencial e procurado

A solidão sepulta a vida e o amor

Na solidão existe um ruído do tamanho de nada e de ninguém, Sozinho acompanhado de outro só, Existo eu. O rio expiado à quietude, A aragem do barlavento que me refresca o suor escorrido da saudade, O vento decompõe e separa. A seara divide o que me acrescenta, O silêncio tem o rumor do tempo, A solidão sepulta a vida e o amor.

escrevo o que me resta

Quando já nem o sal brota dos meus olhos, Nem as palavras se cravam, Ou sangram no meu peito.   Quando já nem as rosas perfumadas se desprendem, Nem o jardim se enche de primavera, Soltam-se apenas agrestes as palavras                                                          porque tudo o mais, morreu.   Tortas estas linhas direitas onde navego, E com que escrevo o que me resta, Sobram-me os abraços em sorte,                                                          a vida, depois a morte,

Palavras gastas

Pérolas são os teus olhos, Cicatriz que fica do teu abraço, Palavras soltas que me soprastes, E até o Jazz foi presente e dedicado, Numa noite tardia inacabada.   Descida a rua juntos bebericamos, Palavras gastas de uma companhia não convidada, Que nos incendiou de fogo o peito, De tamanha ousadia, Em nós descrente.   Mesmo sem te ter aqui, aqui te sei, Melodia e vontade, De mais te ter e saber, Desse nome de guerra que não o é, E que nunca achei que o fosse.

pássaro / homem

Recolho toda a minha raiva e transformo em amor. Recolho todo o ódio, levedo com bem-querer e, assim, de ramo em ramo, construo um homem com alma de pássaro feliz. O amor, o ódio e a raiva, passam a ser: - A intensidade transformada em bem-querer num pássaro / homem feliz.

Tenho o teu cheiro nas minhas veias

Tenho o teu cheiro nas minhas veias, o teu abraço sufocado no meu pescoço.   Tenho na minha boca a tua, mais o mel, os beijos e os segredos confiados.   Erguem-se os corpos espelhados no sol. Recolho o que sobra da tua face e dos abraços da jornada de ausência.   O rio visto da encosta é sofrido e desenfreado, inquieto, endiabrado e tranquilo.   Por não te saber conhecida este sentir não é errante.   Retenho o teu cheiro nas minhas veias e o teu abraço sufocado no meu pescoço.

P´la Grécia

Desceu o inferno à terra, Desceram os infernos à terra, Instalou-se nas ilhas onde o pão é diferente, Instalaram-se no reino desigual, Onde pardos e ruivos, E todos os outros, Exemplificam como ter medo não cai em sorte, E como a morte é dignidade cantada de pé, E como sempre, A tempestade colhe quem semeia ventos, E diz o povo de razão: Não peças a quem já pediu, Não sirvas a quem já serviu. À Grécia, pelo exemplo e pela dignidade da inteligência…

Irei encontrar o sítio da minha alma, sem esforço e inclusivo.

Esta intuição de proximidade das almas dilacera-me e guia-me.   Sinto-a quase de uma forma alienada. Sinto-a quase sob a forma de emanação calorifica, sentindo o calor quente que calculo acontecer mas que nunca contemplei.   Somente creio e sinto as almas que me são notórias. Estranho nas mais variadas formas sensoriais as que não quero próximas de mim. Não sei explicar melhor ou mais do que isto, a proximidade das almas na minha vida.   Melhor explico as raízes das árvores presas ao chão como as minhas mãos presas aos meus braços.   Mais sinto a noite e o céu em soberba paz, e as estrelas no sul com o hemisfério norte em guarda.   Mais e melhor sinto uma planície onde o mar abraça a terra, e as casas são apenas lares que cheiram a gente.   Irei encontrar o sítio da minha alma, sem esforço e inclusivo.

Ao amanhecer eu sabia

Ao amanhecer eu sabia, Que depois da escuridão tomaria a luz do dia.   Na intermitência dos minutos a saudade existia, E, depois de anoitecer eu sentia.   Os meus músculos, A boca, As mãos, A melancolia, A lua antes do sol, O sol depois a vida.   E já no amanhecer do dia eu sabia,

o pranto que me secou os olhos

Foi sempre o pranto que me secou os olhos de lágrimas, A ermida devota da serra aberta que me fez sangrar os pés de caminho.   Foi sempre o medo e a fé que me acalentaram os dias, Foi sempre a solidão que me encantou o sentir.   Foi sempre a saudade e o céu juntos, que me puniram como se de deuses se tratassem, e, quem assim se acostuma a viver, não tem outro alegramento para além do sentir.   E o sentir é o sentir. Não se sente bem. Não se sente mal, sente-se ……………………….   ………………………….e na escolha do sentir, escolhi sempre a ermida da serra devota que me fez sangrar os pés de caminho, o medo, a fé, o encantamento da solidão, a saudade, o céu e o pranto que me secou os olhos de lágrimas.