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Mostrando postagens de julho, 2009

"A" grande

  Ilimitado? Sem limite! Extensão, Marco, O céu? O limite! Amplitude, Término, Viagem, Grandeza, Largueza, Apaixonante, Aparvoado, Imensidão, Mistura, Vastidão…   Por ordem de grandeza a inexplicável forma de estar, sentir, entender ou até Amar … Amar de A grande.  

A perder de vista

  Assim a perder te de vista, A perder te de vista assim. Prendo-me à liberdade inventada, Invento uma prisão em mim.   Num meu peito uma masmorra, Muitos sonhos… ilusão. Sinto-me preso ao tempo, O tempo não tem razão.   Viajo deste lugar, Para um lugar desconexo. Grades de ausência forjada, Já não dou… já não peço.   Escrevo historia…património, Gravado em terra sedenta. Leio o que sinto solidão, De mim já estou ausente.   Tomo uma droga adormeço, Cansado de ler e sentir. Caminho feito de pedras, Castelo por construir.

Raio azul quente de sol moreno !...

  Incrível a forma como de desprendem sorrisos de bocas vãs. Sobrepõem-se ideias aos ideais. Nesta viagem, mares revoltosos, correntes assimétricas, transportam fantasia e sonho aos dias. Pragmático e usurpado a fantasia faz norma. Num circo, as feras revoltadas são como o Amor adiado. Não me amestro, faço de tumultuosas estradas, caminhos imperturbados de cores invisíveis à alma.    Hoje amanheci a pensar em ti... entrou-me um brilho estranho pela janela. O brilho de um sol azul, quente e ao mesmo tempo gelado. Contemplo o sol. És tu. É grande a distância entre nós. A luz da tua cor morena prende-me. Um fascínio que me deslumbra e aterroriza.   De onde vem esse brilho que me prende e afasta?   Um brilho indecifrável que penetra a minha alma com uma profundidade familiar. Sol azul, calor intenso que me gela...   Vou pegar num raio teu. O mais luminoso de todos. O que abandona os teus olhos quando me olhas e fazer um colar invisível. Só tu e eu saberemos da sua existência. Vou usá-lo se...

Medo, esperança e coerencia

  Tenho medo de enlouquecer. Não de uma loucura alienada, mas de uma loucura escrava. Tenho medo de depender do acto de me adormecer e acordar. Não da loucura provocadora da mente, mas sim de uma loucura desassossegada, de não ter o sol para me aquecer. Tenho medo de não saber. Não, de não saber. Tenho medo do não saber, pelo facto de não me recordar. Tenho medo de loucura assenhoreada, não da loucura de ausência de autocrítica.   Mas tenho esperança. Tenho esperança da loucura ser o caminho da felicidade. Tenho esperança da inversão do riso pelo choro, do sim pelo não, do querer pelo não querer. Tenho esperança de ver-o-mar bater à minha porta e de tocar o céu com a mão. Tenho esperança de dizer o meu nome sem ter que o dizer.   Vivo esperançado de perder a minha idade. Tenho esperança de colorir as estradas, e viajar na A-laranja para o Minho, na A-rosa para o Litoral e na A-violeta para o profundo Alentejo. Tenho esperança de sentir o luar com raios prateados pendurados na minha jan...

FMM 2009

  FMM 2009. Mais do mesmo. Cheiro adocicado no ar embrenhado em proporcionadas vontades. O vento prenhe ao final de dia junta acordes que se sustentam. O ar quente e bravio engravida o sonho. Vivos, madrugada dentro, os corpos dançantes transfiguram-se. A música eleva-me e transporta-me mundo fora.     Adormeço nuns braços inventados de brandura. Acordo a caminho do sal doirado pelo mar. Entrelaçados os dedos seguem os instintos enterrados na areia. Deleito-me em suaves olhares cúmplices. Respiro. Convergente acordo com o teu acordar. Queria porfiar os últimos dias eternamente. As gargalhadas sentidas esboçam-me um sorriso nem sempre fácil de conquistar. Questiono a vida feita de lugares, de dias e horas desencontradas. Momentos de coisa nenhuma e de ninguém. Viver ao lado tem sentido insatisfatório. Luto empenhado em conseguir partir. Um dia sei que partirei numa caravela sem destino anunciado. Que pernoitarei onde habitar o sono. Que me alimentarei mais do que a fome que sinta. Que m...

O inteligível que é o meu sentir.

  Embaciam me os olhos da humidade Outonal de Julho. Encerrou outro ano. Estou vazio. Parar não é meu apanágio. Sentido de dever cumprido objectivo alcançado.   Férias? Gasto-as à minha maneira, de forma diferente dos demais comuns. Passo-as a trabalhar na mesma, aqui neste sítio, feito de sonhos tardios, ventosos e madrugadores. Ajusto-me aos pensamentos elaborados acerca de Marbella, Portimão ou Costa da Caparica. Assim como assim não sendo Africa, estou melhor aqui. Vou três ou quatro dias a uma Africa que vem até mim. E depois recomeço para dar férias a quem realmente as merece.   Está decidido, para o ano por esta altura, depois das madrugadas que aqui passarei, vou ao Mali. Vou numa altura especial e hei-de ir com alguém especial, ou não. Mas vou, é uma prenda que me darei.   Enquanto isso penso nas mulheres da minha vida, uma esta para morrer, a outra para partir. Esta coisa das mulheres da minha vida desaparecerem, mexe comigo. Mãe e filha, ambas estão de partida. Uma fez o que...

Vou

  Bebo-te em palavras que me arremessas aos magotes. Palavras sábias, experimentadas e vividas. Palavras espontâneas não escolhidas. Dos meus dias, fazes peças únicas, esculpidas de desejo e saudade. Sinto as mãos amarradas de uma vontade que não posso desamarrar. Entendo as marés muito mais que a dança das gaivotas.   Destruo para criar de novo, e nesse processo criativo / destrutivo habito-me. Não se recomeça o que nunca se acabou. Inicia-se a obra depois do sonho. Visualiza-se o sonho na dissonância cognitiva. Das minhas noites fazes obras de arte. A palavra mais obscena que me disseste, foi “amo-te”. Um amo te baixinho e envergonhado, que sobe de ritmo e tom, à medida que te empolgas na explosão do prazer adivinhado.   O vento segreda-me segredos impacientados. Apetece-me viajar, sair de mim, perder o bom senso e as saudações rotineiras e habituais, de quem faz o frete de tão-somente balbuciar um gaguejado e inaudível bom dia. Apetece-me inebriar-me e alienar-me de eufór...

Deambulo

  O ar fresco da noite aquece-me o rosto. Deambulo numa sinuosa estrada inundada de musicalidade. As curvas que me levam até à vila poema cheiram a silvestre vegetação, o rio agreste, entortado com o fundo de seixo, cantarola misturado com o som da matéria a ceder. Parei, fumei e senti a noite escura. A montanha defronte dançava ao vento, a outra meditava com a lua. Senti vontade de me perpetuar ali. Parar o tempo. Desresponsabilizar-me. Partir sem ter que regressar. Desci á vila. Estava sarapintada de luzes amareladas, imóvel e deserta. Estive por ali sentado a ver o doce encontro dos rios e voltei a fumar. Baforadas densas de fumo suspiram para a noite. A ponte, de quando em vez é habitada por um carro que passa sem direcção. Na outra margem fuma em produção uma fábrica. O motor da mota inundou o silêncio da noite, com um rouco grito que me transportou até casa. Gozei a fresquidão, bailei, amei e dancei com os pensamentos que me avassalam. Quero desnascer e nascer de novo. Em casa ag...

Trinómio causa/efeito/consequência

  Somos o resultado daquilo que conhecemos, verificando isso logo nos apercebemos da equidistância ao conhecimento.   Afastarmo-nos das velhas, poluídas e impostas ideias de pensar e sentir pode ajudar-nos na felicidade?   Viver, no fundo é um conjunto de regras socialmente aceites, de nos comportarmos ou pensarmos. Isso afasta-nos muitas vezes da nossa própria essência. Anula-nos a massa critica e “encarneiramos”. Choramos ou rimos pelo efeito catarse. “Emprenhamos pelos ouvidos” como diz o povo. Parar, para nos afastarmos dos conceitos impostos e darmo-nos a oportunidade à diferença, é sempre aos olhos dos outros motivo de julgamento, o que nos atinge e refreia.   Somos espontâneos no nascer e no morrer. Nos intervalos afastamo-nos de uma essência que afinal é a autenticidade e a genuinidade. Depois há os acessórios que nos englobam, as marcas, a “boa onda”, o fazer parte de qualquer coisa, sem sequer sabermos do que fazemos parte. Ignóbil esta vivê...

O tempo não me diz nada

  O tempo não me diz nada. Espero na encruzilhada e não aparece. Fugidias lembranças assolam dentro de mim. Finjo acreditar. Umas a seguir à outra estouram-me no pensamento. Balbúrdia de ideias. Labirinto de desejos. Conspurcação de decisões.   E se fechasse os olhos a 180 km hora? Onde acordaria?   Insano vislumbre da minha competente poluição. Atormentam-me as pessoas e os ácidos acinzentados que expelem pelo olhar. Ocorrem-me jardins fantasiados. Vejo-me de mãos dadas com uma mulher que não identifico, que desejo que seja o meu prolongamento. Que veja nas mesmas cores e cante no mesmo timbre. Que a solicitude da alma se desvaneça em mim. Que a união dos corpos seja o apêndice apenas do encontro. Que o amor seja antes de o ser. A saudade a presença e o tempo coisa nenhuma.   Vejo uma floresta rasgada por raios de sol entre a folhagem. Vejo a lua misturada na fresquidão sôfrega de uma boca salivosa e saciada. Antevejo duas lagoas translúcidas onde depositarei a minha confiança sem res...

“Cada vez mais, gosto menos de pessoas”

  A lua continua alta e extravagante. Libertar os outros é libertar o nosso eu. Mandar é do domínio das aparências. As aparências não são de um mundo real. O talento não tem idade, tem estatuto. A liberdade canta-se eternamente. Num céu escuro e pintalgado de estrelas, a lua beijada espiava o poeta. Trovou palavras de o´neill, de agostinho, de ary, de sophya. A liberdade passou por aqui. “Cada vez mais, gosto menos de pessoas”. Como eu entendo.   Tal como a madrugada, a desilusão não chegou, como eu esperava. Redonda, obliqua e carregada de formas geométricas, a natureza exprimiu-se em formas que a matemática entende e as palavras expressam.   As pessoas carregam cores nos tecidos e sandálias a condizer. Entreolham-se. Caminham de copo na mão com o mesmo treino com que caminham de saltos altos. As pessoas não, as mulheres, que são pessoas especiais. A minha mãe e filha são-no.   Tenho que treinar andar de copo na mão sem me derrubar. Tenho que me acostumar a conversas que nã...

Gracias à la vida

  Quase que consegui acabar sozinho com ela. Não sei se era do vento. Sei que aos poucos se levantavam e desistiam. Já me tinha cruzado com ela no festival músicas do mundo em 2007, já me tinha conquistado. Na altura retratou Zeca como nunca o tinha visto fazer. Estava ansioso por ver aquela forma única de tocar e de se embrulhar com a sua voz própria voz. Simples, Lula Pena.Chamas a lua, afastas o vento e fazes os peixes sonhar num rio bordado atras de ti.   Acabei de saber que o resultado do meu empenho como pai deu frutos. A minha menina vai para a universidade para ser uma senhora. A minha menina já é uma senhora (hehe).  A casa vai ficar vazia. O teu cheiro, tu, os teus ruídos, o teu afecto ficará. Feliz fico por te ver crescer e voar. Numa amálgama de sentimentos revi-me. Consegui, estou a conseguir. Sei que te eduquei. Que te transmiti e induzi conceitos e valores, orgulho-me de te ver caminhar. Fazes da minha vida, uma vida cheia, com mais do que motivos para me querer bem. Obr...

Enquanto uma alma se de nós lembrar

  Dirão sons as palavras, Criatura?   Dirão as palavras a fonte, Que sinto do teu beber?   Numa forma grandiosa, As palavras são inventadas!   Dirão os sonhos, Presença?   Inoportuna, adiada, exasperada Prendida?   Dar-me-ás tu Fugidias lembranças?   Lembranças do que não disse Ao invés do que disse?   Parto assim em breve. Não adiado!   Socorro-me assim passado Brevidade?   Momento, palavra, alma O físico é matéria? Sobra a alma!   Enquanto uma alma se de nós lembrar, Estamos vivos?!...Vivos

Almonda

  Baralha-me sentir-me de ferias a trabalhar. Uma parte de mim está de ferias. A outra levanta-se para vir trabalhar. A outra pode-se agora deitar porque esta de ferias. Esta engalanada a minha cidade, as pessoas ornamentam-se igualmente como se à igreja fossem.   Nestes dois dias atrasados usufruí de umas belas passeatas de mota. Devagar, depressa e muito depressa. A relva fresca respira. Respira melhor quando está mais vazia e a hora mais adiantada. Por ali esbocejo umas palavras com os amigos do costume, antes de me espraiar nos lençóis. Tardias vão as horas. Não gosto do número de vezes que digo boa noite. Gosto ainda menos das boas noites que oiço, insensatas. Adoidado por ali fico retirado num sítio bonito, verde água, onde após o bulício se ouve a agua descer em escadaria rumo á foz. As toilettes já se recolheram.   Ficam ou loucos, os que acham que entendem a lua, que dançam como se sentissem sozinhos, os que adivinham o tempo, os dos jarros de vinho, os viajantes que não são a...

Desaustinada

    Vi uma borboleta desaustinada, Multicolor, transparente, Chamei-a pelo nome. Tamanho alcance não tive, Ignorou-me no seu voar, E fez-me imaginar, as idas.   Vi uma gaivota. Varias gaivotas, Dentro de uma nuvem. Sabem voar, Num voo picado de chuva, Fazem-me pensar, o que é Amar.   Vi uma criança a correr Dentro de um mundo. Vi saltitar sorrisos, De entre dois olhos, Vi um olhar. Que me fazem pensar, viver.   Vi uma árvore vergada. Enrolada, raízes. Vi um tronco sábio, Germinar seiva, sombrio Um banco gélido e gasto. Que me fez pensar, solidão.

Ai de mim sem mim

  Ai de mim sem mim. É doentio contar comigo para alem de mim. Mas habituei-me. No fundo, conto comigo, e acabo por me aparecer quando me preciso. Socialmente não sou activo. Acho sempre muitas diferenças entre mim e o meu redor. Ontem, eu e a minha música depois de ter feito o que realmente é importante, passei por um “sítio” socialmente frequentado e aderi. Falei do desinteressante, mas colaborei. Vi representações extrínsecas e com alguma epilepsia argumentada, nas aderi. Nesse atempado regressado vinha a pensar-me.   O que faço ali? Quem sou? O que quero? Do que gosto? De quem gosto? Quando me pacifico afinal?   Olho em meu redor e não vislumbro pacificas razoes para me pacificar. Segredo, medo e pecado não me ajudam. Duvida, desconfiança e julgamentos não me solidificam. Na verdade o real e o sonho são pólos opostos do meu ser. Tal qual a verdade e a mentira. Resta a música fazer-me térreo ou terreno. Ir ao cinema ás quadras de dois. Beber água defronte para o mar. Ou e...