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Mostrando postagens de março, 2019

assumidamente esta tristeza faz-me feliz

Não tenho vários motivos que me alegrem, nem um ou nenhum.   Muito menos as notícias me informam, ou os gestores de opinião de nome pomposo e estrangeiro, me dizem o que o mundo tem para além de pessoas, interesses, e tudo o que Pessoa adivinhava neste congénito desinteresse que me desassossega e, me retira às noites o sono, e aos dias o sonho.   Não tenho motivos ou fé que me acrescente que a humanidade há-de vir a ser melhor, ou que o ego desimpeça a vil obra social, decadente e abstracta, que já em manual se escreve, ideias em frases de ninguém, partilhadas pela máscara de um livro de caras,  que tem a cara que se quiser ter.   Não tenho motivos por aí além, não tenho.   Sorrisos? Sim tenho. Uns de escárnio, outros de escárnio e outros de escárnio também.   Triste? Sim, assumidamente esta tristeza faz-me feliz.  

todas as manhãs entardecidas da vida

depois da noite voltam as manhãs a entardecer,   escutas louco o teu peito a desfazer o destino, os teus braços temem este querer, a tua boca seca-se de palavras,   tu, desprendes os passos com que o teu peito louco há-de cavalgar todas as manhãs entardecidas da vida.   Vais!

terra de mar

A minha terra é o mar.   Antes naufrago, que soterrado nessa infame vida que só tem terra, sem marés onde depositar os meus sonhos, sem neblina onde esconder a minha dor.     O mar é a minha terra.

- ilógicamente -

“ … é tão ilógica esta permanente sobredosagem de sabedoria que descarregas em adjectivos julgativos acerca da humanidade, acerca do que ouves e não ouves, do que pensas ouvir e do que ouves realmente, se é que ouves efectivamente, a mim, tudo me soa a combate gratuito, sem sentido e sem guerra por combater, a mim que sou todo musica, e que entre todas as palavras, aquela com que terminas, parece-me desajustada ao discurso.   Esse: “está tudo bem”, é o declínio de tudo o que ergueste em breves minutos escanzelados de cruel desumanidade. Sei lá se está tudo bem, que me pareça não está, está (s) tudo mal, mas não sei … “

Em cada mente fraternidade

Entardece logo que as flores deixam de sorrir e o jardim fecha nas horas que se acumulam. Os jardins não deviam ter portas e horários, isso é como recuar no tempo em que a poesia era delito, e em cada esquina não havia igualdade. Jardins plantados? sempre! Em cada mente livre, fraternidade.

SPH

" ... porque não sinto as tardes no bulício da cidade mais breves, do que a mente com que penso o sangue que me jorra e cega a infinitude, deste saudoso bairro que vi partir, partindo eu mesmo para uma sala em que todos falam de tudo, onde todos sabem que o sol é a ultima variante que a madrugada alberga, e é neste redondo e perdido pensamento que, tento fugir ao lugar comum de só por hoje não ser somente, só por hoje ..."

alma melindrada

o papel ontem colorido e adocicado, amontoa-se agora deslaçado, feito lixo, como palavras impensadas que o vento não levou por não serem palavras.   assim, jaz amarrotado o papel, como alma melindrada, num amontoado de nada.

Quem quer casar com o meu filho?

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Quem são os idiotas neste programa? A operadora não será, pelo negócio envolvente e que os accionistas agradecem. Quem vê este programa será a razão do mesmo existir. Isto é uma questão. Adiante.   O que me preocupa? As mães:   Mulheres amedrontadas pelos filhos, que projectam o medo que o menino não sobreviva, num orgulho desmesurado e uma vaidade incompreensível, naquilo que devia seria uma preocupação passível de ajuda psicológica.   Os filhos: Crianças maiores de idade impedidas de crescer pelas senhoras do item anterior, o que lhes dá muito jeito para: - serem grandes quando lhes apetece e bebés quando o caso está mal parado.      O que me preocupa muito?   Dias depois de a 7 março, se ter feito um dia de luto contra a violência doméstica, e no dia seguinte se ter comemorado o dia da mulher (seja lá isso o que for), haver um canal televisivo que às 20h passa noticias sobre a violência sobre as mulheres, e uma hora depois, está o mesmo canal a violentá-las e a promover a fraca ment...

Pelo vício

“ … e, dizia calmamente dominado pelo medo: - Não há vícios bons.   Permita-me discordar disse-lhe eu em desconsentimento. - Há vícios muito bons. Vícios que me acrescentam. Que me dão para além do prazer que um bom vicio deve dar, asas. Um vício que me dê asas, é um bom vício. Um vício que me retire o vôo, é uma vício menos bom e, mesmo assim, discutível pelo imperfeito advérbio que o baptiza.   - Permita-me discordar.   - Sim, permito, claro. É desta discordância que nasce todo este brado sem protesto, e que o entendimento se faz união e coerência. Adoro o vicio de me sentar a debater todos estes pontos de vista. É um vicio bom. Gosto …”

em dias enegrecidos quando uma réstia de amor se solta, cega-me de luz, o dia

em dias enegrecidos quando uma réstia de amor se solta,  cega-me de luz, o dia

8 Março

A minha mulher filha não vai em oitos de março. Orgulha-me a coerência acerca dos seus direitos serem diárias. Orgulha-me outras coisas também. Viva .

Já os terrenos diários convivas … raramente.

Alguém pode dizer que Fernando Pessoa morreu? Ou mesmo que está morto e não vive, Se vivo está por todo o lado menos no céu.   Alguém pode dizer que se não conhece, nunca se viu, ou escutou José Saramago? Se se conhece mais que família, Se se escuta mais que amigos e se vê mais que um secreto e indomesticado deus.   Alguém pode afirmar que não se ouve vindo da vida de Beethoven a  5ª sinfonia? Fica por mim claro neste Março de 19, que os homens geniais, são imortais, e abraçam-me sempre que eu deixe ser seu  abraço,     Já os terrenos diários convivas … raramente.

Jamais morrerei

Sete sois me aquecem, Sete luas me guardam.   Sete montes me separam, Sete baladas me embalam.   Sete sentires me possuem, Sete demónios me ajustam.   Sete deuses se me apresentam, Sete prosas me seduzem.   Sete poemas me encantam, Sete corações de melodia.   Sete pares de sete olhos, Sete saias me atormentam.

Conan Osíris

Gosto do miúdo Tiago Miranda. Parece-me um bom miúdo. Sinto que é um bom miúdo. Bom filho. Bom neto. Respeitador. Com um estilo muito próprio que eu respeito e admiro pela coragem de ser quem é e de se vestir da sua própria pele.Tiro-lhe o chapéu.   Mas permitam-me não gostar da música e do poema. Permitam-me não o considerar um poeta, nem um músico (que isso é outra coisa). Do meu gosto ou não gosto não advem mal nenhum ao mundo, é só o meu gosto. Isso também não faz de mim, um preconceituoso, um velho, um bota de elástico, mente fechada ou outra coisa qualquer que seja diferente da opinião de quem dele gosta. Eu respeito.   Para ilustrar um pouco melhor a pessoalidade do tema nao ser exclusiva ao Tiago (aqui Conan Osíris), igualmente não gostei dos Homens da Luta e gosto do Nuno Duarte " Jel " e do Vasco Duarte (Falâncio), foi idêntico com as Doce, com o Armando Gama, com o Duo Nevada, os Da Vinci etc etc etc.   Por isto, deixem-me gostar do miúdo pela empatia que na verdad...

humanidade somente (post 2500)

" ... o mundo assusta-me cada vez mais, não os loucos de loucura, assustam-me os certos de convições dementes, os que veem nas raças, credos e escolhas o inimigo, assusta-me a procura desenfreada da diferença na igualdade que não tem genero.   na humanidade somente há: - diferença inexistente -

Quim Neto de Moura

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  Acerca do meritíssimo Quim Neto de Moura muito em voga pelo acórdão, pelos acórdãos, pela alusão à bíblia e ao direito de posse sobre as mulheres e tudo o que daí advém, existem poucas palavras que em boa assertividade possam fazer jus ao tresloucado acto que este homem defende.   Primeiro, que se exonere do cargo o moço.   Depois, que se faça acompanhamento psiquiátrico.   Depois ainda, que as mulheres de sua família conversem com ele acerca de si mesmas, que eu não tenho tempo para salazarentos conceitos que me arrepiam e amedrontam, nem bafientos, gastos e desusados conceitos católicos, que eu já dei para esse peditório também.   Senhor Juiz, tenha juízo.  

Evaporado II

Começo a evaporar-me assim que começo a habituar-me a ser presença.   sou um abstémio da assiduidade 

Evaporado

Começo a evaporar-me mal o sol se troca com a lua. Como se profundamente estivesse a voltar de um recobro, entre dores e confusão, anestesia e vida, morfina e amor.    

Intervalo

Todo este sentir que se constrói no intervalo da tua visita, faz os meus dias serem esperança, sonho e saudade.    O tempo tem este orgânico sentir.