assumidamente esta tristeza faz-me feliz
Não tenho vários motivos que me alegrem, nem um ou nenhum. Muito menos as notícias me informam, ou os gestores de opinião de nome pomposo e estrangeiro, me dizem o que o mundo tem para além de pessoas, interesses, e tudo o que Pessoa adivinhava neste congénito desinteresse que me desassossega e, me retira às noites o sono, e aos dias o sonho. Não tenho motivos ou fé que me acrescente que a humanidade há-de vir a ser melhor, ou que o ego desimpeça a vil obra social, decadente e abstracta, que já em manual se escreve, ideias em frases de ninguém, partilhadas pela máscara de um livro de caras, que tem a cara que se quiser ter. Não tenho motivos por aí além, não tenho. Sorrisos? Sim tenho. Uns de escárnio, outros de escárnio e outros de escárnio também. Triste? Sim, assumidamente esta tristeza faz-me feliz.