Postagens

Mostrando postagens de outubro, 2019

Já me fiz mulher. Já me fiz amor

“… já me fiz mulher, disse-lhe. Fazer-me mulher não é deitar flores à terra. Fazer-me mulher é saber que nenhum homem saberá ler e que eu não o saiba, ou que o género faça a diferença na oportunidade. Já me fiz mulher e não renego em mim a capacidade de amar diferente, de cuidar diferente, e isso não é diferença (s), é a bênção da humanidade a completar os géneros, se é que é de género que me queres falar. Tu terás outras bênçãos que juntas às minhas, e isso torna-nos mais amigos, cúmplices, e loucos de amantes o sermos. Já me fiz mulher. Já me fiz amor…”

Saudade é a tristeza a sonhar

Saudade é a tristeza a sonhar.

Não nos despedimos nunca, quando existimos

Não nos despedimos nunca, quando existimos

Inteligível

A construção feita de sonhos tardios, As ventosas e iluminadas madrugadas, As mulheres da minha vida.   Umas, fogem de mim fugindo eu de mim próprio. Outras, fujo eu de mim próprio fugindo delas também. Díspar sentir, este.   Estará nele decifrado o inteligível do meu ser?

nos dias todos

Quando deitada à terra uma semente pode apodrecer, se mal-amada se sentir. Duas crianças da mesma semente desigualmente serão filhas de um mesmo deus. Nenhuma história se repete. Nenhum destino se iguala. Não existem nem duas horas com o mesmo tempo, muito menos o tempo cabe na mesma hora. Quando me deito, e todas as noites me deito, em nenhuma delas o meu corpo cede de forma unitária. A minha voz se cala da mesma maneira. ou os meus olhos se cerram do mesmo jeito.  Todos os dias imagino mais do que vivo. Experimento mais do que acerto. Concretizo menos do que sonho, e a saudade nunca parte, para mais distante do que a esquina que te vi dobrar, que já é longe para o tempo que não te vejo chegar. Todas as sementes apodreceram desde a tua partida. Mesmo as amadas. Nenhuma mais deu fruto como a que deixei semeada e não vi viver. O Val de Mar? Continua com lágrimas de sal no olhar todos os dias, nos dias todos!

Extracto de palavras arrecadadas

Bom dia. Que a loucura verdadeira da não admissão das amarras te frequente, desejei-lhe eu esperançoso de entendimento. 

lágrimas sorridas e mar

Em terra de mar os barcos virados a norte são baptizados como os seus filhos. São um bom pronuncio. São encomendados a Santa Rita de Cácia que os vele e guarde nas noites de vagas altas. Místico este areal onde o silêncio é tudo de tudo, salgado de sal, lágrimas sorridas e mar.

subsequentemente

A vida, o amor, a perseverança, o aniquilado esforço da fé, faz do dia seguinte apenas e só, subsequência do anterior.

Poetisas

Todas as poetisas do mundo têm em comum, a sensibilidade criativa das emoções adjectivadas numa imensidão interminável. 

Um dia a saudade será a liberdade

É perigoso o fascismo eleito democraticamente por maiorias diminutas e sufragadas pela mesma gente. A abstenção é o enfado do povo. Convém prosseguir com o desgaste. Um dia a saudade será a liberdade.    

Não há morada ultima

Toda a terra emprestada para túmulos, não é mais terra do que a terra doada para florestas, onde todos os sonhos me pertencem.  Não há terra para túmulo ou para uma última morada. Não há terra de floresta para uma primeira morada. Não há moradas numeradas pela vida, ou vida numerada por um talhão de terra. A terra mesmo escriturada por um qualquer documento que o declare, não confirma a vida, ou o depois da vida, vulgarmente chamada de morte. A terra jamais poderá guardar a alma. Já a floresta, tudo guarda e cuida.  Cuida da terra. Do céu. Dos corpos e das almas.  Toda a terra e a terra toda nos pertence, enquanto sementeira da nossa existência.

Flores e paz

Flores e silêncio têm a mesma fragância e paz.

06 OUT 2019

13 anos de Cardilium a depositar por aqui um amontoado de palavras. Já muita vida se deu.

As palavras são devolutas

As palavras são devolutas, cada um habita-as como mais lhe convir. Podem elegantemente vestir-se de verdade ou apenas dar-se-lhe uma roupagem leve e desprovida de conteúdo, por isso são devolutas com escritos de arrendamento nas janelas. Tu, habitas despida as minhas e eu cuido desse amor despindo-me igualmente.