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Mostrando postagens de maio, 2008

A felicidade é um estado de espírito afinal!....

E se nos vestíssemos de palavras e despíssemos de preconceitos? Que interessa a merda da cor? Que interessa o continente? Que interessa donde venho ou para onde vou? Satisfaz-me os momentos audazes e arrojados.   Interessa-me inventar e sonhar. Interessa-me saber e compreender. Eu quero lá saber a igreja a que vais. Só me interessa o pleno de presença, a satisfação do momento. Interessam-me as conversas sem suspiros ou queixumes. Interessa-me a genuinidade, o aconchego e o bem-estar. Interessa-me sentir o tempo parado paradinho, e não ter pressa. A lareira quebra a noite. As palavras não se esgotam nos interesses. Prefiro não saber para não comentar. Não me interessa a vida dos amantes Interessam-me os amantes. Não me interessa o dinheiro. Nem a moda. Nem as marcas. Interessa-me o coração e os acordes da minha viola.   Abomino expectativas. Abomino a lucidez que cega. Amo as duvidas. As oportunidades. Os desencontros Os encontros As minorias As greves E o Jazz   A felicidade é um estad...

O que nos divide é o rio

Escrever é o contrario de vestir. Escrever é desnudar. É fantasiar personagens. É mentir com a verdade. É a verdade enfeitada de mentira. A verdade e a mentira são poemas exteriores, invalidáveis. É a anti-mentira e a anti-verdade. É anti memória. O passado não existe. Apenas existem momentos. O futuro existe transformando-se em passado. Inexequível. O crescimento é factual e desnecessário. A maioria das relações são amparos de terceiros. A maioria das relações são sustento do período que encerra conhecimento, com vontade e auto estima. Ser nobre é uma grandeza não humana. O homem por natureza não é nobre. Faz-se. Faz-se de cada vez que é plebeu. O anonimato e a confiança estão intimamente relacionados com erros irreparáveis. A ignorância prolifera. O protagonismo é atroz. As estrelas já não são o que eram. Provavelmente nunca o foram. Mudaram como os meus olhos. Se já não são, nunca o foram. Senão pensaria como Arantes antes da conquista, pensaria como a Castro antes da invasão, pensa...

Sem imagem

Não estou inspirado para trabalhar, apetece me um pouco de conversa sem imagem. Sem ter em conta as boas práticas. Apetece – me ser eu, hoje estou cansado de representar um papel que me faz ter um ordenado no final do mês. Apetece-me sentir qualquer coisa que não seja olhar para a minha direita e ver um tipo todo certinho, com mulher, filhos, casas, carros, mas quadrado de pensamento. Olho para a esquerda e vejo o outro que é esperto de mais para a cabeça que tem. Apetece-me estar com alguém que entenda, que a maior fortuna não é o que temos e cá deixamos, mas sim, o que levamos connosco. Apenas levamos pensamentos, os livros que lemos, as viagens que fazemos, e as musicas que ouvimos. Levamos o que sentimos. Eu gosto de sentir, por muito que me assuste, gosto. Gosto de abraços. Gosto se ser ouvido sem ser julgado. Escrevo para te dar um beijo e a lua cheia, O mar que deitas pelas lágrimas, saborosamente salgadas. Escrevo para dizer que me lembro. Que não me esqueço. Escrevo porqu...

Catatónicamente imóvel ...

Pesam as palavras. Pesa o sono intranquilo. Despejo mil palavras que dão espaço a outras que se hão-de gerar. Assaltam-me palavras de silêncio que me transformam as ideias. Renovo. Renasço. Transfiguro vulnerabilidade em alento. Depois de ler um texto sobre a magia da pessoa errada apraz-me assimilar. Não sou apologista das relações perfeitas. Sem sal. Apaixonarmo-nos pela pessoa certa deve ser muito chato, muito harmonioso. Esperar pelo telefonema ansiosamente é ok. Esperar pelos atrasos é ansiosamente bom. Estar zangado é sublime, porque torna cada etapa ultrapassada fascinante, fantástica e inundada de desejo. Como se escreveria sobre o Amor, se o amor fosse uma “coisa normal”? Como se inspirariam os poetas sem a dor de não ter! Sem a dor do sentir! Beber em lágrimas paixão, é o que a torna especial. Não respirar e não ver. Sentir, sentir, sentir e enlouquecer. Gozar a calmaria do desvario e cansaço. Esperar sem saber o que esperar. Conduzir a duzentos á hora sem nos lemb...

a felicidade mora numa rua perto da loucura

  A amante que durante anos me passou pelos braços morreu. Morreu nos braços do marido a dizer o meu nome. Nome que durante anos escondeu. Nome que guardou gritando. Morreu a segreda-lo. Adorava tê-la ao telefone a andar de um lado para o outro, ao som ritmado dos tacões dos seus sapatos. Adorava analisar os seus textos e fotos. Adorava os pedidos de boa viagem e de beijos. Nunca fui ver-o-mar com ela, adiei. Agora não posso mais ver-o-mar ás quintas-feiras porque morri com ela. Uma viagem é apenas serenar o coração. U ma lembrança, um cheiro. Existe um pinhal regado de vento. Umas escadas escuras que gemem agua ao subir e lágrimas ao descer. Tem sol e sei que o mato irá ter cheiro. Fica a meio caminho do início, de um caminho desiniciado. Os lobos escondem-se e denunciam os passos. Apenas as estrelas nunca se apagam. Ate a lua se esconde. As estrelas nunca se apagam têm um sentido e uma direcção. No romance as coisas são diferentes. Não há sentido nem direcção. A vontade própria é a...

a tres de maio !

Acordou solarengo e descorado. Adormeci a saber que ia sonhar. O percurso dos dias estava em celebração. Preparei tudo e fui. Na praça sem combinar os encontros eles surgiram. Um, depois outro e ainda outro. Tanto a agua como o café estavam quentes. Tão quentes como a minha respiração. Tentava absorver tudo s abedor da irrepetibilidade daqueles momentos, daquele dia. Projectei as lágrimas das mães e dos avos. Estava tenso da calma que me assenhoreava. Os burburinhos eram bonançosos e os sorrisos milagrosos. Cantavam aleluias que me sabiam bem. Trocava olhares cúmplices com a minha filha que sorria pelos olhos. Beijei antes os meus pais. O meu pai apertou-me aquela mão sem palavras necessárias. Sei que pensou: “Deus é grande”. Desfilaram pela rua acima capas negras pintadas de coloridas fitas. Uma era minha. Um era eu. O sol não me queimava. Queimava-me de arrepio alguns sentires que me avassalaram. Resisti. Senti depois com cuidado que fazia parte. Que tinha feito por isso,...