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Mostrando postagens de março, 2018

Impossível primavera

“… a primavera não é mais bonita que outra qualquer estação, nem mais feia, nem mais perfumada, nem mais iluminada pela lua. A primavera é quando o tempo me começa a escassear no prolongamento dos dias, nas noites que minguam, em época que sobra e me falta.     É física a minha primavera. Visceral. Caminho de um sentido só de sentidos. Amena. Desentendidamente em guerra com as nuvens carregadas de isolamento. É a antítese metafórica das palavras que broto á terra, para colher nunca.   Autobiográfica? Impossível! Impossível autobiografar quando não sei qual delas sou. Se primavera, se as outras não primaveras … “

Excerto de palavras por ver o dia um dia (889)

Excerto de palavras por ver o dia um dia (889)   “… essa coisa Freudiana do édipo não me assiste. Nem o meu ego, nem minha libido estão relacionados com a minha mãe, essa senhora envelhecida ainda jovem. Da minha mãe, veio o meu lado ateu da fé …”

como nos poemas em que não consigo separar-me da poesia

nos poemas em que não consigo separar-me da poesia, escrevo mais de mil ideias e palavras que desconheço, escrevo ódio que também o sinto, paixão e flores.   tento agarrar o ar e esfregar-me na face com ele, impossível que o ar não se agarra, como nos poemas em que não consigo separar-me da poesia.

Escrevo para o raro entendimento

Escrevo para o raro entendimento ...

https://www.youtube.com/watch?v=-2eoCZxGjZE

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Falta música conhecedora de música às palavras. Quando a tentativa vã de conceito, esgota salas sem música que seja de si mesmo feita, falta poesia, ouvido, menos social irreal e dinheiro obscenamente cobrado à entrada. A musica nada tem a provar ao ouvido ruidoso e apedrejado de mente. A insularidade promove a genialidade, quantos menos gente melhor, quanto mais salas bafientas e antigas de multidão diminuta, melhor igualmente. O paraíso habita algumas das minha noites.  

Abril antes de mim

O tempo ensina-me acerca da humanidade. O desconhecimento faz o ridículo. Não posso, não devo julgar quem conheço, muito menos o devo fazer a quem não conheço, ou a quem o tempo não me deu a conhecer.   Desresponsabilizar-me, far-me-à sempre cair no erro da tentativa de encontrar em alguém ou algo, a minha própria responsabilização.   A sociedade vive para fora, para os outros, para a manipulação da auto-imagem.     A individualidade vive para a sublimação.   O tempo ensina-me acerca da humanidade. O que gosto e o que não gosto. 

a metafisica do medo.

o medo, a metafísica do medo, o deslumbre, a adivinhação, o que antecipo em choro, em fuga, em defesa, em ataque, o corpo sem corpo, nem tripas, nem coração, nem prazer, nem tesão, nem mãos, nem dedos que apontem, ou julguem quem em silencio se definha, os portos atracados de mar, sem barcos ou sonhos, a chuva que lê livros, o sol que não lê livros, a gente que não lê livros, nem as pessoas que os leem os veem, a morte antes do medo, o inverno, o al berto,   o medo, a metafisica do medo.

Morphine

Quando o céu escurece a cidade e já só a vontade de sexo é a companhia da melodia de um saxofone, penso:   "que tamanha loucura em forma de normalidade, habita gente a quem nem o mar educa" e retorço-me com as palavras silenciosas como companhia.   Agora, este dedilhado ouve-me.     https://youtu.be/LAnaoTKbFkw

maldita desdita

“… As tuas mãos labirínticas. O bairro desfalecido. A Inês que deixou de ser mulher para ser o Ricardo. O pré-conceito dilacerante e obstinado. O mar entediado com a maledicência. O Ricardo frágil. A Inês quase forte. Gosto dos dois que um pénis não altera o meu gostar. A coragem vive mais do que a cobardia. Os drogados não se importam com a Inês, Os alcoólicos desimportam-se com o Ricardo e, se ele pagar um copo, podem até dizer: “ - eu não sou, mas tenho um amigo que é …”.  A Inês, tem uma amiga e um amigo que são. São os dois no mesmo corpo: - paixão, coragem, mãe, madrugada, esperança, mundo, solidão e magnificência – mas são do verbo ser, antes mesmo da maldita desdita …”

O medo e a culpa

O medo, não é somente medo que enclausura em si, O medo é o mundo, O medo é as escadas da semelhança, O encadeamento ilógico dos dias, O absurdo do amor, O paradoxo da necessidade de atribuir culpa à culpa, nas mais variadas vertentes.   Culpa do medo, O medo da culpa, O medo pelo medo, A culpa pela culpa.   Ensinam-nos isto antes de andar, Antes sequer de sermos gerados, Antes de tudo o medo, Depois de tudo a culpa, Depois de tudo o medo, Antes de tudo a culpa.   O medo e a culpa, A culpa e o medo, A baia azul reflete o rochedo, Onde um dia juro, me vou derrubar.

Poetry day?

não sou de dias mundiais de natais, pais ou poesia, tão menos o são as palavras, o que mando dizê-las escrevendo, o que as mando sentir sentindo, onde as mando morrer morrendo, onde as mando viver representando,  de mundial só existe o mundo, sem celebracao viva que se celebre, que a vida já é - poesia -    

Regulamento geral de protecção de dados

Saudade de ser anónimo. Não ter a minha morada no banco. O meu nif nas finanças. O comercializador de gás, energia, comunicações, a agência de viagem, a via Verde, a tap etc nao saberem o meu número de telefone, email, Facebook ou Instagram. Farto que o sistema saiba de mim. Desopila o figado. Chiça.    Não me lixem com o regulamento geral de protecção de dados. Nao sou de dados nem de regulamentos.    Sou de ser. F... se.    

Poetas da primavera

A competência vale de pouco. Vale a imagem. A auto-proclamação. Os amigos e a cumplicidade do território. A agradabilidade. O silêncio. O pactuar. O encobrir. Os almoços. As viagens. As putas. Os segredos. O malabarismo. O chico espertismo.   É assim com os políticos. Com as hierarquias. Com a organização social.    Depois há os despertencentes felizes desmaterializados e convictos poetas de abril e das primaveras.    Sou um despertencente feliz desmaterializado e convicto poeta de abril,  e das primaveras. 

Opinião

O silêncio dos covardes todos os dias vive morto. O ruído dos que têm opinião, a morrer, só morrerá uma vez. 

2304

Trazes no teu grito molhos de palavras por entregar.   Nos teus lagos de lágrimas deixadas por navegar, trazes o mar todo em sufoco para te aliviar.   Entre os dias que faleces, ressucistas sempre em esperança o verbo amar.  

“hugoniano”

Continuam despidas e miseráveis as árvores defronte à minha varanda. Um miserável perto do miserável “hugoniano”, entristecido como o personagem que roubou um pão, miserável como o personagem que não roubou pão.   Ladrões de um pão presos, ladrões do pão à solta. Tudo igual.   “Dessocialmente” equilibrado.

Recordo todas as flores

“… olho nu a noite. A cada vez que sinto o corpo indecente, afigura-se-me outro erro que jurei não cometer. Espero não ter dilacerado nenhum órgão, e que o meu sangue não jorre noutro local de mim, que não e somente nas minhas veias.   Olho desnudado o dia. Recordo todas as flores menos uma que não cheira a flor, não sabe a primavera, não poloniza em estação nenhuma, porque para ser flor, não é suficiente ter pétalas, caule e espinhos, para ser flor, é preciso a autenticidade dos astros, a melancolia em forma de preguiça da planície, o aperto do sossego do mundo, e voz de aconchego e sonho.   Olho a praia em despedida. Sei que quando voltar, não haverá quem tome o meu lugar junto do mar…”

Serão herança minha, um dia, estas palavras

" ... A pele, o ardor, a ponte silenciosamente chuvosa, os carros cantarolando bjork por dentro, outros, silenciados pelo presença da solidão, o sol apagado, o nevoeiro aceso, o mar à espera do outro lado, o casal ventoso demolido à esquerda, a poente nem há nascente , não tenho pressa, nem frio, que o quente veste-me de um casaco velho, o cardoso pires embala-me de adjectivos, o al berto de uma soturna inveja, e o pessoa de tudo e de nada, os meus papeis sentados comigo no banco do lado, passeiam-se miseravelmente engelhados, com palavras que para mim são todo o oiro que possuo. Serão herança minha, um dia, estas palavras ..."

praça da poesia.

invento em cada navio a sua viagem,  em cada pessoa a sua historia,  em cada dor um abraço, em cada olhar a tristeza, em cada sorriso um disfarce,  em cada musica a alegria,  em cada poema o sangue,  em cada lágrima a vida, em cada noite a alvorada,   em cada pessoa que passa, aqui sentado invento nesta praça, a poesia. 

Memória

Já não lembro o cheiro da tua pele e, nas tuas mãos, já não recordo as minhas, não que a saudade se tenha suicidado, que não se mata de amor o amor, nem falece de vida a vida.   Os dias são memórias, ora raras, ora violentas de realidade que se fundem e esfacelam no que se chama destino.    Destino, são raras brisas perfumadas de saudade fresca e melancolia.

Entenderes

"... qualquer madrugada pode ser madrugada, assim o dia se entenda com a noite, como o mar se entende com a lua ..."

Mar Bravo

em todas as nascentes geme vida em jeito de água, e em toda a foz o sol se põe dissemelhantemente, o mar obriga-me a ficar calmo;   no grito do seu brado e talento. 

Mulher de dias

Tenho uma filha. Mulher. Menina. Criança. Adolescente. Adulta. Independente. Autônoma. Pensante. Meiga. Terna. Arisca. Senhora de si. Decidida. Com massa crítica e filtro. Educada. Assertiva. Louca. Ajuizada. Amiga. Cuidadora. Friorenta. Com sentido de humor. Inteligente. Informada. Culta. Humana. Empreendedora. Livre, liberta e amorosa.    Vai lá ela celebrar dias assinalados acerca de direitos que já são dela por direito próprio?   Claro que não vai. Obrigado filhota. Amo-te mulher.  

2295

O frio aconchegou-me o caminho. A porta que tantas vezes empurrei já não é uma porta. Elevaram uma parede. Fecharam a porta sem a chave. Construíram outra casa e a porta passou a existir, onde existia o velho cadeirão de madeira que o João trouxera do Sul. Já não existe a porta. Já não habita sequer a minha memória. Modernizaram a felicidade com a ilusão de ser feliz. Modernizaram os abraços e o fogo que existia nas frechas por onde o sol se espreguiçava, como se isso fosse existir. 

não deixarei de gritar nos meus versos

- À covardia assiste sempre dizer que sim. Um sim adoecido, que procrastina somente a infelicidade. Um dia tudo ruirá e todos os nãos serão sufoco e desmemoriada razão. Engordam assim os pançudos feudatários, burgueses incapazes de pensar que a cultura matará sempre a estratégia. É uma questão de tempo. Enquanto isso, as mulheres, os carros, a comida, a bebida, o dinheiro, entupirá de miséria todos os seus dias. Enquanto isso, não deixarei de gritar nos meus versos -

Corpo

Maltrato o meu outro corpo. O que não levo ao médico ou faço exames.   Este, vou cuidando. Lavo-o. Emagreço-o. Examino-o. Tonifico-o. Viajo-o. Alimento-o. Descanso-o qb.   O outro torturo-o. Descuido-o. Desrespeito-o até, e vai tudo para a alma, que é como que uma esponja com memória, encharcada e seca, em paz e em guerra, cansada e exausta de noutra alma não desabafar.

o fim do princípio

todas as duvidas são mais do que hesitação, as incertezas são tanto como as bebedeiras que me torturaram a alma, a libertação o massacre, o tempo que passou sem se pode abraçar à vida, irrecuperável todo este delírio de mim, a serra minha irmã, o mar meu companheiro, a lua minha confessora, os meus amigos meus inimigos, a vida de tanta morte, a morte enterro da vida, o fim do príncípio e o princípio do fim.