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Mostrando postagens de dezembro, 2022

Não creio em anos novos ou velhos

Sabes, continua a apetecer-me futuro. Não um futuro rápido. Pode ser um futuro lento, onde nos demoremos vagarosamente a conversar. Um futuro arrastado onde nos atrasemos a rir. Um futuro onde calmamente nos perlonguemos a recordar um passado desfigurado de futuro. Não creio em anos novos ou velhos.

Bons fantasmas

A cidade está cheia de saudade dos que me partiram, nos sitios do café, dos beijos, dos silêncios, das partidas, do mar e dos abraços.  A cidade está cheia de recordações, de abismos, de esperança, de vida, de morte, de invulgaridades relacionais e de bons fantasmas.  

A tua boca sabe a orvalho e madrugada

Às vezes cheiro a ti, outras tropeço nos teus passos, mas sempre a tua boca me sabe ao orvalho da madrugada, sal, e ao sorriso do teu olhar.  

Barcos siameses

barcos siameses, alma gerúndio, tempo que se levanta a poente. atracado neste porto de que não parto, já mil sois me queimaram e mil luas me iluminaram,   As marés e o tempo não esperam por nenhum homem.

descansado pelo voar

tenho alguma gente, que me enche o peito de gente mesmo, como um pássaro livre e velho descansado pelo voar.

Não me ofertem flores

a obsoleta desocupação das flores, os vasos em ruínas por regar, a morte sem possível indulto, o nascimento à mão de quem as deixa morrer, o coração que se parte, o chão que deixa de ser raso, o perfume que desvive, a morte artificial, desnatural.   Não me ofertem flores!

Olho-me. Reflectido outro dia, só por um dia

Em celebração da vida depois da morte, lenta, sonolenta e entardecida, nesta real aventura de viver, alma ruidosa a quem porventura já falto nesta obra inacabada. Olho-me, reflectido. Outro dia, só por um dia.

urgência de mim desencontrada

Esta urgência de mim desencontrada em pedaços de noite carregadas de ninguém, amontoadas canções de poesia descompassada por compassos desajustados, - urgência em mim desencontrada -