Avenida marginal
Um frio de rachar fragmentava-me a face. Sentia os olhos encovados, como se se escondessem do frio abrupto e inclinado, que me fazia caminhar rápido em direcção a casa, sabedor que me acolhia um terno sentir, uma doce segurança e um confortável aconchego. Cada passo a mais dado, é um passo a menos por dar. O rio, transeunte confirmado e normal da cidade, adormece invernoso e enfumarado no seu leito. Apetece-me confrontar a minha resistência e balançar-me na noite cândida e inacabada. Sôfrego, disperso-me de mim próprio e elevo-me nas minhas recordações. Outrora, verti aqui no extenso deste jardim, papoilas coloridas que me enfeitaram de luz a alma. A alameda construída, depois de desmanchada a fábrica velha, modificou a minha infância e adequou-me a uma existência induzida, elegível do agrado que julguei ser importante existir fora de mim. Uma agradabilidade distante e distorcida, construída por uma disparidade eloquente, de aceitação e presença. O menino que se passeou do lado margina...