Na tua rua se encontram todos os meus lamentos, todas as minhas preces, o ruído e o silêncio, as noites, a saudade inteira da presença, e a desordem dos meus pensamentos.
Sobra vida em dias que não se cansam, já não se sabe o nome dos filhos, as manhãs são como as noites, as tardes como as manhãs, tudo está parado e nada se suporta, os medicamentos constroem um bairro em cima de uma mesa à cabeceira, já nada se espera a não ser o dia, até lá ficamos todos moribundos.
Tinhas um moínho na tua varanda a espreitar aire, a vida a saltar-te do peito, um filho que não cabia em ti de tanto amor, uma esperança. As palavras não me saem nem escritas, um dia a saudade será ainda mais permanente, não sei se é, até um dia, sei o que foi em vida, bjs