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Mostrando postagens de abril, 2015

Abril podia ser no natal

Abril podia ser no natal, Ou o natal podia ser em abril.   Passado o enterro do fascismo, Segue-se o funeral da liberdade, ... As lágrimas são ocasionais, Mas a fome é permanente, A vida é desigual, Na vida de toda a gente.   A liberdade? É passageira! A memória? É efémera!   O natal podia ser em Abril, Ou em Abril podia ser o natal.   Ambos são para esquecer, Ou lembrar num dia somente.

antes que Abril se faça tarde

antes que Abril se faça tarde, e o mundo desacredite na sua própria crença, antes que a loucura infeste mais do que invada, o pensamento que diverge, e em risco, ... habita mil homens que mandam, noutros mais de mil que obedecem, e se castre o que ainda é alicerce, elevo estre trago, que em gole beberico, de liberdade da boa. antes que Abril se faça tarde, ressuscita branda, a habitual madrugada de Maio, sem as lágrimas combatentes, dos que existem resistentes, mais as mulheres dos que existem, e os filhos que resistem.   Abril desabonado, Não abandonado, Ainda durmo sob o sonho do aroma a cravo!

Vivo num prédio de Abril!

Vivo num prédio de Abril! Com um primeiro andar frente … à montanha, Um segundo direito … à lua, E um terceiro esquerdo … ao vento,   Prédio de Abril vivo, De poesia desencarcerada, solta, ágil e fraterna, Que moram nuns olhos que choram e riem, Que morrem nuns braços que sofrem e se alegram. Habito um prédio vivo de Abril!

e se?

E se de dentro de nós soltássemos as amarras e deixássemos o vento guiar-nos mar adentro e, descobríssemos, que para aceitarmos as marés nos basta lançar a barca ao mar?   E se descobríssemos que dentro de nós existe o vento e que até ao destino nos basta a abundancia do sentir?   E se descobríssemos que nunca nada está descoberto e nos descobrimos a cada bátega de água da chuva que se nos oferece em cada alvorada?   E se nos descobríssemos num encontro marcado connosco?   E se? E se? E se?   E se nunca nada nunca … fosse plantado e cuidado com “ses”?

Não arrisco o grito

Torturas-me em cada lembrança, Possuis-me em cada recordação.   No vocábulo que engulo sem risco, Não arrisco o grito.   E nas lágrimas que teimam sufocar esta saudade, Vive em soluço a cobardia de não te oferecer o meu pranto.

Excerto de palavras por ver a luz um dia

“ … Foste um poema enganado e uma prosa adiada. Esta hora não é de dor mas é dolorosa. Tenho que partir mesmo amando cada desfalque teu no meu coração. De tão enraizada que está em ti o delírio da ilusão que já não creio na mudança. Preciso de ouvir cada melodia da música que escuto. Já me disseste nada e tudo e, em nenhum momento, entendeste que apenas te quis dar a mão e voar. Provavelmente poderíamos ter voado. Na verdade, jamais poderíamos voar juntos.   E assim o caminho me levou com o peso de um poema enganado e uma prosa adiada …”

saudade

A saudade suada dos teus olhos verde pinho, Amantizada de mar, Percorrida nos pinhais que nos abraçaram, Na nosso quase demente amor, Vive repousado nas dunas, Refugio nosso, cama e segredo.   A lua e o farol rasgaram os nosso corpos, Mais do que as nossas bocas, Juntos e amantizados neste querer de promessa, De que tudo seria tão intenso, Como a força do mar, Falecido nas ondas da praia do nosso amor.   Na madrugada o pinhal refrescou-nos, E o abraço na hora da maresia, Salgou-nos a água que os nossos olhos gemiam de felicidade, O cheiro forte a nevoeiro, Adormeceu entre nós, Neste querer plural de nos querermos.

primavera

A primavera acordou a chorar solidaria com a saudade que sinto. Depois a Primavera ficou ensolarada quando soube que o tempo não se esgotou e é renovado a cada madrugada. Depois, a primavera encantou-me quando tomou o teu sorriso como dela. Mais tarde, abraçados, o gerúndio abraçando conjugou-se no verbo presente do abraço e, logo as flores desabrocharam em cores mais de mil, apanhei a mais bela e enfeitei o teu cabelo, beijei-te docemente neste desvario e loucura. Agora sim, a primavera e tu afagaram-me. Agora sim, a primavera aconteceu.

https://www.facebook.com/Cardilium

Escrevo para repensar e voltar a pensar tudo o que pensei e, sempre que penso, penso novo o velho que pensei.   É uma tara, um vício, uma mania, mas desta praticamente loucura, floresço a cada pensamento e, verifico não ter fim cada momento.   Se fosse um escritor, difundiria cada pensamento ordenado de cada momento, e, em cada momento, sacrificaria todo o pensamento até sangrar, depois, publicaria os resultados.   Assim, apenas repenso cada velho pensamento tornando-o livre e dono de si próprio, validando-o. Depois suicido-me umas horas e, como cristo, ressuscito a cada manhã.   https://www.facebook.com/Cardilium

O antes não é igual ao agora e não será nunca semelhante ao depois

A vida é desordeira por si própria. Revolucionária em idade jovem, amadurecida pelo amanhecer da tarde. A fase da sabedoria é o resultado da soma dos dias. São as dores e as alegrias, o prazer e a espera, o encantamento e o visionário sentir, o respeito e o tempo como ele é, mais a adivinhação experimentalista da vida, que nos amadurece e sustenta, como uma árvore que cria raízes no solo que a sustém. O antes não é igual ao agora e não será nunca semelhante ao depois.

As palavras imagens

Ponho em cada palavra um tempo, uma pausa, um brilho, um intervalo, uma demora, uma época, e um momento.   Oiço nas palavras o som com que as escrevi, a paisagem que senti, e a distancia delas até mim.   As palavras são as minhas imagens cristalizadas.

- Abril partiu -.

  Abriu-se Abril como um filho numa madrugada perfumada, Fechei a sepultura, a dor e o medo, Cantei uma canção ignorada, E um poema silenciado, E acreditei.   Acreditei num sonho distante de Maio, E entendi o voo desordenado das gaivotas.   Depois, Abril ficou, Depois, Abril regressou, Depois ...                                 - Abril partiu -.

As palavras e a poesia já vão para envergonhadas

  Após a morte das canções erradas e da poesia proibida, As madrugadas de medo floresceram inocentes.   Rompidas as palavras, brotaram os ideais, Abril já foi primavera e Maio esperança.   Envelheceram, As palavras e a poesia já vão para envergonhadas.

As pedras encantam-se umas pelas outras

Aqui onde os deuses se reúnem, As pedras encantam-se umas pelas outras.   Todas as bocas têm pão, E no chão regado de desejo, Todos os peitos têm peito, Todos os filhos têm mãe, E nas tardes embravecidas de Abril existem homens, E sonhos da liberdade que quase findou.   Aqui onde se reúnem os deuses ainda é Abril, E até as pedras se encantam umas pelas outras.

Ter dúvidas é saber!

Não tenho a certeza de nada, as certezas são imbecis, apenas tenho a certeza de que o céu me oferece o sonho. Ter dúvidas é saber!

Insubmisso

Insubmisso, Roufenho, Em surdina mais do que em silencio, Abafo o grito, Apresento o pranto, Lágrimas secas, Bebidas de um trago, Disfarçado riso, Na pele presente.

Palavras por ver o sol um dia_XIX

… Depois, a terra ficou vermelha e o mar rubro, rubro de um vermelho tão encarnado que deixou de se ver o sol. O céu estonteou e os bandos de pássaros ficaram desnorteados. Sem norte. Sem rumo.   Na eira escondida da encosta a terra como que sangrava pedindo chuva que a não escutava. Tinham decidido as nuvens punir aquele pedaço de gente, de um mal qualquer que não adivinhavam. Depois da tempestade de há três noites anteriores que o inferno tinha tomada a aldeia. Somente as crianças não sentiam a mudança, somente as crianças continuavam a sua vida sem alguma alteração. O padre defendia ser castigo divino, o coveiro defendia que os mortos tinham desaparecido , e as crianças não entendiam o que todos desentendiam, afinal tudo estava igual para eles, tudo estava diferente para todos.   O céu carregou-se de chuva e as nuvens inundaram a eira, o adro, a rua de cima e a rua de baixo. Choveu mais dias do que noites. O cansaço adormeceu a aldeia. Quando o sol empurrou as janelas de todas as c...

Noite sem tarde

O mar acalmado desceu e ficou mais longe. Pareceu-me ter mais areia e menos mar. Pareceu-me cansado de mais um dia.   De face serena enquanto o sol o possuía escondeu-se alaranjando a tarde, enegrecendo a noite de luz.   Senti-me abraçado como em criança, quando o sono me retirava ao dia e a noite não detinha tempo.

Removo da terra odores

Removo da terra os odores que as margaridas lilases vertem junto ao mar. Odores que deixo na cama onde me rebolo e construo nesta simbiose de ser.   Na madrugada quente a lua arredonda-se e ilumina-me os passos. Não existe outro sentir que não este o que sinto. Não existem mais nenhumas palavras nem outra forma de adormecer, ou outra maneira de acordar. O mar todo de prata enche a lua toda de luz, e toda a luz e toda a prata não são suficientes para me entristecer nestes dias ... em que me alinho.   Junto-me com os deuses a estes instantes oferecidos de tanto, a todos estes instantes carregados de nada. O nada e o tudo, o tanto e a lua, o mar e a tua boca soltam beijos, palavras e sorrisos que me iluminam como o que se me dispõe da natureza.   Não encontro nem o destino nem a glória de o saber.

Revolta dos sentidos

E na revolta dos sentidos embriaguei-me de lucidez. Refleti sobre os azuis. Sobre os diferentes azuis, onde o mar abraçado ao céu esperou pela lua. Quando me invadiu o ultimo luar que rasgou o nevoeiro, entendi o tamanho da minha existência e a dimensão menor do que sou construído.   Ali, sentado, voltei a sentir.

O voo abalançado

As normas quebradas, avassaladas, as regras desnudadas.   o voo abalançado do mar nas ondas, e no final da tarde salgada, conceberam-se as ondas do mar.   e na areia, as marcas sofridas do dia, faleceram esperando um novo amanhecer.

Frestas

Entro em ti pelas tuas frestas como a maresia, Fico em ti como a luz do luar da lua, E escuto-te como o pranto sereno das ondas do mar.   Adormeço como o despertar da manhãs do meio do dia, E anoiteço em mais de meia madrugada acordada, E em ti entro pelas frestas de ti mesmo como o vento desacordado.   E na imobilidade de tanto êxtase, Fico sem sitio onde me repousar, Só em nós existe o descanso extasiado.