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Mostrando postagens de março, 2007

Planto !...

Entre o deve e o haver fica inscrita a estatística. Manipulo os resultados. Planto a arvore que não plantei. Baloiço o filho que gerei. Passeio-me nas margens, onde não te encontro, sabedor do desencontro. Saber-me desencontrado fascina-me. Intelectualmente trocado pela razão. A membrana que separa o coração é ténue. Dilato os vasos sanguíneos. Troco o ar respirável pelo irrespirável. Sou metano poluente. Sou ar venenoso. Reajo á química e purifico. Sinto as artérias na barriga. Descompenso. Esquiziofrenizo. Destaco-me em burburinho na multidão. De soslaio sinto-me invadido pelos olhares que me cruzam. Cruzo a praça para o outro lado. A solidão afasta-me da alma. Escrevo em passos largos uma prosa sem nexo, invisível. Purga-me. Alivia-me ter que viver. Alivia-me das esperas, quando te espero. Pior, quando sei que te faço esperar. Acho injusto. Saber-te aí desse lado, da ânsia que sinto. Mas não venho. Não vou. Não volto. Espreito da praça para o castelo através das nuvens. Os meus gest...

Pareceres !

Aproximei-me lentamente. Calmo, frio e lúcido. Já antes o mar invadira o paredão. Estava a lua á janela. As trocas de sílabas ajustavam os nossos gostos. Líamos o mesmo autor. Ouvíamos o mesmo compositor. Mesmo sem estar nos mesmos sítios encontrávamo-nos. Falamos dos sítios que haveríamos de visitar. Sonhávamos juntos em camas separadas. O firmamento iluminava o nosso astral. O mundo parecia parar quando nos ligávamos. Eram verdades benditas misturadas com mentiras de sonho. Os fios ligavam a nossa existência. Os satélites espiavam as nossas conversas em devaneio. A nossa espiritualidade era soprada pelo vento, que fazia lá fora. Os vidros das nossas janelas humedeciam por estar quente. Trocávamos música e poesia em silêncio. Trocávamos quadros, pareceres e amigos. A vida encantada tornava-se real. Real era o sentir do encantamento. Esperávamos pelas trocas, horas e dias a fio. A música era a companhia no trajecto. Eram conduzidas. Ouvidas e escutadas. Re-ouvidas como um re-tratamento...

Beco dos Parasitas !

Silêncios. A mágica atitude de dividir silêncios incomodativos é uma arte. Dividir silêncios é como enviar um olhar colorido e cúmplice. Os olhares e os silêncios podem ser terrivelmente próximos ou arrasadores. São quentes e gelados. São ódio e Amor. São vida e morte. Pode ser começo e final. Ser orquestra. Ser silêncio, afinal. Ontem senti um olhar envergonhado, silencioso e cheio, de encontro a mim, no final da tarde. O sol já se escondia na serra. Já de madrugada, o silencioso sorriso teimava em acompanhar a lua erguida no céu. “Dentre” as estrelas balançam sons que se ouvem em silêncio. “Dentre” os sons bailam cometas incandescentes, num encadear minimalista. Na madrugada admiro este bailado denso. Turvo pelo fumo que aspiro de um cigarro, e expiro de encontro ao céu. Silêncio que partilho com o fresco do varão onde me encosto, debruçado pela noite dentro. Oiço aqui e ali a matéria a ceder. O barulho quieto da matéria. Tudo se transforma. O mar bate de encon...

Preconceito !...

Preconceito é um conjunto de pensamentos, afirmações, julgamentos ou insinuações feitas a nós próprios dentro de determinado contexto efectuado com determinado ajustamento.   Quero dizer: - Quando catalogo determinada característica a um qualquer ser, que na minha forma de ver, é desajustado, promovo eu mesmo o preconceito. Logo o preconceito começa por eu achar que alguém é preconceituoso. O preconceito não parte dos outros. Achar que alguém vale pelo que aparenta, e não pelo que é na sua essência, é o preconceito. Eu vivi meses, não, anos. A ténue fronteira entre o ideal e o real é ver aquilo que queremos ver. Lutei para manter a cortina da ilusão. Senti o esforço do lado oposto, que me fez ver que ainda posso confiar. Quando existe a dúvida, nada posso fazer para recriar a cortina da ilusão. Mentalmente cego e convencido da minha grandeza, jamais serei capaz de evoluir. Eu criei um halo e idealizei pessoas. Perdi!... De repente, percebi que todas as falhas que senti ao longo dos te...

De relance !...

Fosse o que fosse que entrasse jamais saia daqui de relance. Relancei-me porque voltei a lançar. Da madrugada nascem pegadas. O ouro com que pinto incandescente os meus olhos, cegam o traço com que desenho o meu rosto cinza. De madrugada fiz um filho. Filho que nasceu de mim. Filho que levarei ao morrer da vida. Pelo caminho esqueço-me das sementes. A chuva há-de apanhá-las. Hão-de se gerar. Tudo se cria. Sinto um frio cerebral abraçar-me. Figuras sociais celebram á volta da mesa, numa romaria que tem vinho. Vinho com cheiro a adega, desempacotado, e sem rótulo. Oiço ao de leve, o borbulhar da fermentação. O suspeito do costume contrai-se. Circulo em contra mão. Não há trânsito nem sinais. Não há sinais evidentes que me forcem a parar. Vou continuar pela madrugada fora, ultrapassando cada cruzamento em contra mão. O esforço rebelde da saudade do tempo que ainda não tive, existe. Figuras incandescentes trespassam-me como equações por resolver. Por resolver continua a contínua desordem i...

Errante e pensante ....

Cada vez mais o mundo me faz sentido. Cada vez menos sou requisitado. Eu decido. Ganhei o poder de decidir. Escrevi muito neste ultimo mês e meio. Escrevi muito pouco aqui. Passei dias a arejar. A lufada de ar fresco, é uma corrente de ar benigna. Doeram-me os dias últimos de Fevereiro. Passei-os sozinho, menos um. Já lá vão. Está tudo bem. Sou um "Paizão"como diz uma “amiga amiga”. Soaram-me acordes sensíveis. Não consegui desligar. Palavras abruptas jorram entre as sílabas. Algumas clandestinas, outras teatrais. Todas secretas. Quanto mais só, mais cheio. Sinto a vitória aproximar-se. Cresci. Não tenho medos. Confio em mim. "O essencial é invisível aos olhos" Nem mais… Sorrio…. Esboço "dentre" os lábios um sorriso acanhado. Conheço-me mais. Cada vez me conhecem menos. Não existe culpa. A culpa foi mais uma mentira que inventaram para me culparem. Como o pecado. Para me dissuadir vontades. Amei quem me Amou. Amo quem me Amou. Am...

Se me tivessem avisado !...

    Se me tivessem avisado, não teria sacudido a poeira, que enevoava o caminho. Não teria desfolhado as paginas do jornal, teria-as folheado. Não as teria assim arrancado, como pétalas de um malmequer. Como quem arranca o coração da paixão, que não se sente, mesmo teimando sentir. Querer arder de paixão não é uma escolha. Não é um acto. Não é uma graça. Muito menos é uma decisão. É como passear no Cairo, e rebentar uma granada na esquina que se vai dobrar. Imprevisivel. Sem escolha. Gosto de não receber, nem ter que enviar sms. Acho estupido e irrita-me. Adivinho o sol desempoeirado. O Março já passou na França e esta aí. A Noite esta mais quente. Os dias vão mais longe nas horas que aguentam. Aguentamos  dias e noites, como se irrepetiveis fossem. Dias somados ao saber do envelhecimento. Particulas de nevoeiro carregadas de brisa transparente, adormecem o passeio que teimo em dar na marginal. Fim  de semana marginal. Marginal com margem. Avisto a outra margem, onde chamines fumegam a...