Platão sim, Prozac não. Quando a vontade é grande não podem existir grandes dificuldades. A memória do futuro já me tinha dito que a comemoração da liberdade seria esvaziada e vã. Esvazia-se o conceito antes do esgotamento e do ideal. Juntam-se as partes e baralham-se as estações. O teu cheiro primaveril já não se entoa nas canções de Abril. Funestos, os cravos defloresceram antes de reflorescer a liberdade, e de ficarem vermelhos e equitativos. Entontece-me esta agonia, esta desvirtualização demorada da conquista. Entrega-se assim cinquenta anos aprisionados, desalfabetizados, perseguidos, ceifados, interiorizados, ultramarinizados, mortalizados, ensaguentados, mutilados, e historiados numa história morta de moribunda, roubada por uma economia ordenante e castradora, parida por umas coordenadas decididas e sem opinião eleitoral. A filosofia, as pessoas, os miúdos, os velhos, a massa humana e humanizada não conta nestas contas que daí vêm e advêm. Abril já não o é. Abril foi suad...