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Mostrando postagens de abril, 2011

Jazz´em

Já não choram os meus olhos, Calma. Abundam invisíveis lágrimas, Na minh´alma.   Já não experimento mais, Emudeci. Não solto em palavras, O que senti.   No céu e no inferno, Vivi. No sonho e na fantasia, Morri.   Arrasto-me pela estrada, Balanço. Jazem os meus encantos, Descanso.

Crise em si, em ti, em nós e em mim.

Definição de crise: Crise (latim crisis, -is) 1. Mudança que sobrevém no curso de uma doença aguda. 2. Conjuntura perigosa; momento perigoso e decisivo. 3. Falta de trabalho. 4. Embaraço na marcha regular dos negócios. 5. Desacordo político que obriga o ministério a recompor-se ou a demitir-se. Crise nervosa: ataque de nervos.   Crise em si, em ti, em nós e em mim.   A crise pouco me diz. Ainda se fosse meramente económica, vá que não vá. Mas não, ela é intrínseca em nós. Recordo-me do meu professor primário, parca referência de identidade que guardo. Era de Santa Comba Dão e não me tratava pelo nome. Chamava-me pelo apelido, o que até nem me desagradava de todo, já que puxava ao meu pai. Mas sentia-me assim a ter nome de senhor, era estranho, não tinha nome de menino. Ignorância dele, beatismo e castração da minha liberdade individual. Uma crise.   Lembro-me da crise que era não gostar dele ou admira-lo. Da crise que eram os julgamentos da irreverência própria de ser adolescente. Da c...

Daqui à morte? já falta menos de metade!

Platão sim, Prozac não. Quando a vontade é grande não podem existir grandes dificuldades. A memória do futuro já me tinha dito que a comemoração da liberdade seria esvaziada e vã. Esvazia-se o conceito antes do esgotamento e do ideal. Juntam-se as partes e baralham-se as estações. O teu cheiro primaveril já não se entoa nas canções de Abril. Funestos, os cravos defloresceram antes de reflorescer a liberdade, e de ficarem vermelhos e equitativos. Entontece-me esta agonia, esta desvirtualização demorada da conquista. Entrega-se assim cinquenta anos aprisionados, desalfabetizados, perseguidos, ceifados, interiorizados, ultramarinizados, mortalizados, ensaguentados, mutilados, e historiados numa história morta de moribunda, roubada por uma economia ordenante e castradora, parida por umas coordenadas decididas e sem opinião eleitoral.   A filosofia, as pessoas, os miúdos, os velhos, a massa humana e humanizada não conta nestas contas que daí vêm e advêm.   Abril já não o é.   Abril foi suad...

Surpreende-me com antigamente, pedi.

Surpreende-me com antigamente, pedi!   Mas a criatividade da surpresa já não se tinha de pé. Não se sustinha. Tinha-se perdido com os anos. Até as palavras e a soma da raíz quadrada estavam adulteradas. Já não havia mais noites sábias ou acordardes surpreendentes. O mar já não habitava irrequieto o meu peito, a lua não espelhava a sombra do meu caminhar. A comunicação afundara-se na difícil subida da montanha. Se as palavras não encaixavam mais, os conceitos eram outros. Apenas a contradição nos alimentava. Estava na hora dolorosa da partida. A partida é uma decisão. A partida sendo uma decisão pare a resistência. Por ser uma decisão, não por ser uma partida. Isso, ambos o reconhecem.   Sei, que acordando assim, todos os dias sem assombro, é apenas uma questão de contraposição a partida. Somos um País de viajantes. De desacautelados viajantes. Partir assim sem rumo, sem maré ou poiso certo, é apenas dar existência há minha vida. Só me sinto vivo perto da morte, ou semi-perto dela. Part...

Gestual

... E outras e tantas vezes a tua boca vida minha aguarda-me gélido de não te saber aí. Outras e tantas vezes aguardo o degelo a tua explosão. Prolongamento de ti meu corpo feito teu, simbiose, metamorfose, dois mundo feitos um. E nos recantos de ti e de mim, aguardamos ordens. Ordens líbidas descompassadas inertes e móveis. Da vontade que nos aguça espadachim... ser de paz. Depois orgasmicamente fitamo-nos mudos e eloquentes, invade-nos uma linguagem sem palavras, uma gestual composição, que só os nossos corpos entendem. Se pudesse era aqui que aniquilava o tempo que parava o mundo e fazia da palavra sempre... o momento.