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Mostrando postagens de dezembro, 2018

Boas realizações, resoluções de novo ano, e as minhas decisões a 31 Dezembro de todos os anos

A melhor forma de não me enraivecer com as datas em que dizemos estas barbaras palavras acerca de realizações, resoluções ou as minhas decisões são: - é o silêncio -.   O silêncio impede-me de dizer três dúzias de obscenidades vernáculas acerca do tema, que mais tarde me viria a arrepender e, a continuar tudo na mesma. O silêncio nem tem muito a ver com arrependimento, porque não me importava nada de me arrepender se isso mudasse alguma coisa, mas como não muda nada, só perco tempo, arrependo-me e, nada muda.   O pior. Esta maldita época de resoluções, realizações e decisões, tem o condão de ser epidémica, viral e catártica. Ainda pior do que pior, pega-se a pessoas que amo, e parece-me que as palavras que dizem e as letras que escrevem me soam a desconhecido. Horrível.   Realizações? mesmo as de cariz sexual, não são coisas que me entrem, e eu que gosto tanto de amor aos rebolões.   

A distância da proximidade ou a proximidade da distância?

“… sim, disse eu sem me afastar do livro que tinha entre dedos e da Joan Baez que se ouvia roufenha em fundo da sala.   Mantenho uma próxima distância que me defende do que me separa afinal de toda a gente, e o que separa toda agente igualmente de mim.   Gerir distâncias e proximidades é um exercício que mais de cinquenta anos de vida me instruiu ser o mais sensato, para as diferenças que mantenho de mim mesmo. Como posso eu comprometer-me com viagens, jantares, relacionamentos com mais do que horas de pré acordada data e hora, se nem eu mesmo sei, se quero ou me apetece, proximidade ou distância.   Está em parte explicado a ausência de proximidades na minha vida. Está assim explicado em parte também, a presença da distância da proximidade na minha vida. Parece complicado, dúbio e demente, mas eu entendo-me muito bem.   A distância da proximidade ou a proximidade da distância? É isto …”

amizade

entre todas as palavras que afasto do horizonte, há uma que me enche de todos os sonhos - amizade -  ... quão raro abraço me fere de amor.

Declaração da inocência de amar

Declaração da inocência de amar   Amar é inocência, escândalo e risco, Prepotência, mundo incendiado, revolucionária vontade de abater todo e qualquer inimigo do amor.   Amar, é declarar-me inocente a esvair-me de sangue por ter matado o meu outro eu, à obediência de amar.  

terra semente

Ana, Aninhas, no seu olhar cabe todo o carinho do mundo, o seu corpo terra e semente agregado de amor latente, os seus lábios, vento e abraço constante, esquiva e celestial, toda inteira num diminutivo que nada diminui, toda inteira numa pequenez que acrescenta e engrandece, menina mulher feita de alegria.     Toda e inteira. Aninhas feita de Ana.

escolhas II

“… não é o caminho que escolho percorrer o que calcorreio. São mais as vezes que o caminho me escolhe a mim.  Como na vida, sou mais escolhido do que escolho, até porque as escolhas não são o meu forte, pelo menos as boas escolhas, em geral, ou geralmente, não as faço boas, mas refaço-as a cada vez que me reformulo e questiono se são as noites que escolho, a vida e o caminho que me percorre …”

A confortabilidade, o preconceito e a dissemelhança

A confortabilidade, o preconceito e a dissemelhança.   Tenho pensado, equacionada, dissertado, “introspectado”, analisado, verificado, observado, ficcionado etc, acerca desta coisa de me sentir confortável acerca do preconceito, mais propriamente quando estou no “meio dele” e a dissemelhança verosímil do mesmo.   Exemplo: Não tenho nenhum tipo de preconceito homofóbico, de género, escolha sexual, religião, racial etc, no entanto eu, e outros que observo e verifico com atenção, de tanto querer (mos) ser (mos) aberto (s) de espirito e mente, quase tenho / temos tiques e, passo / passamos a ser uma coisa que não sou / somos, estou / estamos a ser preconceituoso (s) com o exagero de querer / querermos ser solidário (s) com uma dissemelhança que não precisa de solidariedade nenhuma, devido á normalidade da diferença. Não há nenhuma anormalidade em ser díspar.   Na verdade, esta coisa resolve-se de uma forma simples. Gosto de pessoas, só isso. Não tenho os mesmos comportamentos, não tem mal ...

o infeliz disfarce

quando te dou as minhas mãos, os meus dedos, o meu peito todo, o meu sorriso, o meu acordar, devolves-me a certeza de ser mais alma este frondoso embalo de desejo e saudade, que meras presenças ensaiadas, que teimam em ser o infeliz disfarce com que me adorno de vida.  

pedaço colectivo e despertencente

" ... sem que o olfacto de toda aquela multidão me encantasse, lá ia eu resistindo na esperança que as bandeiras ganhassem a liberdade do delírio de quem governa os destinos desta massa ordeira, até me parece a mim próprio que não lhe pertenço, tal é a cegueira colectiva deste povo, nesta época de engano desenganado pela vida, e lá me associava eu, dia após dia, aquela marcha cada vez menos colectiva da liberdade, aquele pedaço de mim comunitário e despertencente ..."  

Inexistente

Querer inexistir faz-me estar onde não sou, conversar com palavras em desuso, palavras em que não creio por mais do que um mero beijo.   Inexistir, faz-me ser noite solidão em multidão gentia.   Inexistir, faz-me esconder as palavras que me ferem.   Inexistir, faz-me sentir despertencente nos sítios onde escolho pertencer em bocados de tempo, com mais de mil desculpas desacreditadas de mim mesmo.   Inexistir, mata-me mansamente a esperança, fico menos vivo e mais solitário, do que se sozinho me encontrasse abastando-me.     Inexistir, faz-me até esquecer que a música me veste a alma e, quase me deixo prostituir por acordes de poemas inexistentes, em mim homem - dilacerado e ausente -.   Inexistir, faz-me sentir uma puta, que às putas eu tenho o maior respeito, porque são, porque existem.   O que sinto de mim, é não ser, tal como as que fingem ser.  Inexistentes.

Um poeta não se substitui por outro poeta

Um poeta não se substitui por outro poeta, um poeta com outro poeta, passa a ser poetas no plural. Cada poeta pode ser uma sílaba, uma intenção, um declínio, uma verdade, uma pretensa conjectura, uma avenida com bancos ocupados e arco iris rasgando as arvores, pode ser uma revolução ou a invasão do mar na terra. Pode ser o que quisermos que seja, que não há entendimento adequado ou vinte valores em aferida criticidade. Cada poeta é a liberdade construída por ideias em desconstrução.

nada, é tudo em todo o que excluso, no que foi, no que fui.

nada, é tudo em todo o que excluso, no que foi, no que fui.

nenhum amor me recorda ser amor, todos os amores são amor

nenhum amor me recorda ser amor, todos os amores são amor

quasi

Perspicaz é quase inteligente

No ventre, a canção ganhou forma a as palavras diminuíram-se na cadência

No ventre nasce a vida que as palavras geram, os ais com que escuto a madrugada, o sorriso com que encontro os teus braços, as tuas sôfregas passadas, o jardim onde me sento em finda madrugada a ler os poemas que desgostoso deito ao rio, a tortura de não saber desenhar poemas e amor, as lágrimas encravadas nos olhos cansados, na verdade, as palavras com que tento adornar este sufoco, nunca são verdadeiramente explícitas.   Ser poeta em palavras é: - o dom máximo no mínimo de pessoas - Ter alma de poeta é: - a tentativa de entender a incompreensão -   No ventre, a canção ganhou forma a as palavras diminuíram-se na cadência.

seis

... ergo de mim o dia, final de ano, inicio de mês ultimo, em celebração dolorosa de decisão da vida a apunhalar traiçoeiramente a morte, lenta, sonolenta, entardecida. extracto de seis de Dezembro de outro século, em suada madrugada ...

Walk On The Wild Side

Imagem
De cada vez que te visito, não te visito, revisito-te, e em cada revisitação, aí sim, visito o que em ti há de novo, visito a metamorfose dos dias, toda a desilusão que a ilusão te dá, o abraço adiado e as vezes todas em que a saudade se alberga silenciosamente nos nossos peitos, enquanto dedilho as cordas da minha viola, sem ordem de partitura, num indelével improviso desprovido de pensamentos ou quimeras. Em fundo oiço aconchegante: Walk On The Wild Side    

natal blá blá blá etc

O natal para mim é: .- não natal - podia despejar por aqui em apetecido vernáculo um chorrilho de dissertaçoes acerca da época, mas na verdade, resume-se a isto, não natal, com tudo um que um não encerra de recusa participativa blá blá blá blá, que no fundo é o que se ouve por aí, blá blá blá blá ... etc.