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Mostrando postagens de julho, 2016

Abençoado afinal

Vieste suave como a brisa que acorda a madrugada. Tocaste-me.   Senti-me abraçado ainda antes do teu abraço fecundar em mim todo o meu ser, e é de todo o meu ser que te escrevo, da minha alma, do meu peito, deste sentir visceral que abarca terra, mar, lua e sonho.   Instalaste-te de uma forma tão intensa que a minha vida se tornou suave e terna. Ter-te, saber-te aí, faz de mim um homem engrandecido, um homem orgulhoso em partilhar tudo o que semeias em mim.   Sinto-te vida em mim. Desejo ser vida em ti. Conta comigo para o teu caminho. Seja o que for, seja o que nós queiramos que seja. Família, verdade, confiança, construção, porto seguro nosso e dos nossos e do que tiver para vir.   Sou abençoado afinal.

Santa Marta

  Ao nosso abraço juntou-se o vento alvoroçado como uma orquestra, abençoou-nos e, rompeu madrugada adentro, percorreu-nos num arrepio continuado até agora, tarde já posta.   Os meus olhos inundados de ti misturam-se com as lágrimas presas da felicidade que me doas. Quase prefiro o deserto que adoptei. Por lá não espero nada e as minhas noites são solidão adaptada. Aqui sangra o medo deste amor, que, por ser amor arde como fogo e contenta o descontentamento.   Quero a alquimia do mar nos teus beijos e a tremura do teu corpo no meu. Apiedado, nu, vulnerável e entregue, espero que a revolta mantenha a força, a decisão e confiança. Continuaremos juntos na benção do vento ao alto da santa Marta, onde as minhas lágrimas caladas são amor. Não é felicidade. É a fusão das almas, no espírito, na carne, na descoberta conjunta das nossas mãos dadas, no querer do caminho.

A irracionalidade dos corpos

A irracionalidade dos corpos é a consequência da irracionalidade das almas.   Corpos irracionais conseguem-no na isenção de razão. A razão não promove o amor. O amor é irracional e só se pensa sentindo, ou sente-se pensando. Os corpos reagem à irracionalidade, nas almas unidas sem urgência.   A irracionalidade enquanto dádiva e fusão metafísica num corpo, é o alcance de uma vida, o tempo terreno  pode não ser suficiente. Experimenta-lo é uma dádiva do reencontro. É a evolução da alma, na mente e no corpo.    A rracionalidade dos corpos é um prolongamento da benção das almas. É uma linguagem transfronteiriça ....

fogueira

" .... o fogo que ateei foi o mesmo onde me queimei.   Enquanto isso atravessei o meu deserto sem vislumbre de um oásis onde me encontrasse. Não era preciso continuar. Foi preciso parar e deixar-me encontrar neste regresso a mim. Depois sim, fui encontrado na evolução de mim mesmo, na disponibilidade para o outro. Voltei a sentir um sorriso perdoado de todas as noites em que fui chama sem fogo, em que fui lume sem chama.,em que não fui coisa nenhuma, sabendo o tanto que sou.    O fogo que ateei foi o mesmo que me  salvou ..."

FBI (Fémea Barata Insuportável)

pela 1º vez em 10 anos de Cardilium transcrevo um texto de outra pessoa por ser: adorável, escrito por uma amiga (E.C) pela sua humanidade, eloquencia e actualidade. Obrigado, é o meu tributo às tuas palavras, dar-lhes mundo.   " ... Tinha uma visão da competitiva / vingativa / ressabiada mulher que queria mesmo mudar. Gosto de igualdade no género Com muita pena minha, algumas senhoras, ladies, gajas não me ajudam nesta mudança Dão 1 e queriam 2 ou 3 ou para a vida inteira ou não dão, mas adorariam dar Existe uma especie de FBI (Fémea Barata Insuportável) Algumas investigam para reportarem à Fémea Superior Outras são péssimas investigadoras, nem em casa própria... Outras ainda chegam às mais dementes conclusões, e escrevem sobre verdades interestelares. Umas interessantes: foram as tuas amigas, depois são super amigas do teu ex. Creio que até competem entre si o Supra-sumo: para atingir (ainda não sei bem o quê), usam e abusam de maquiavelismos, sem olhar a quem, sem noção perifér...

Almas condizentes

Almas condizentes e a sua sublimação     As almas que se encontram sublimam-se na vertigem do que alcançam e visionam. Infinitamente.   As almas descondizentes gastam-se na absorção terrena do corpo, num atropelo cruel e vingativo à humanidade e ao amor.   A sub-elevação das almas não está ao alcance "dos não preparados".   É de outra substância dimensional.

Saudade adiada

Saudade, adiada, suave, temperada, construída de presença sentida,   saudade vociferada aos deuses, aclamada, acalmada pelo mar,   saudade, oferta da tua presença, ausência anexada em mim,   saudade adiada, nova, recordada no teu sorriso    

Sagrado sentir

Sagrado sentir invadido de ti e de tudo o que em mim habita.   Sonho, abraço, vento e mar, paz, lua, luar, luz que nos guarda.   Sagrado sentir invadido de ti tem nas minhas mãos o abraço declamado e a saudade adiada pela saudade.   Sagrado sentir invadido de ti em mim, saudade, lua, mar, poesia e caminho.  

Extracto de um conto pobre de espirito

" ... Jamais se pode disfarçar para sempre a paz podre das escolhas, um dia o verniz estala, e toda a ofensa gratuita saí cega em direcção a quem é de paz, o ódio tem efeito boomerang, a revelação das comadres associa-se ao festim, ocorrem-me os filhos dos amantes de ambas as partes e a vergonha da desilusão a instalar-se com efeitos futuros e retroativos, ao entrarem na escola no dia seguinte. Não se escolhem os filhos, também não se escolhem os pais, tudo é muito bem ilustrado para o mundo ver, para magoar mais. Os filhos deviam ter mais escolhas e poderem educar os pais. Depois, toda uma multidão de cabras cegas ofensivas esfaqueia quem não conhecem e, ofendem opinativamente o infundado adultério vingativo e alucinado de dois pobres seres isentos de coração.   Do outro lado o pecado é apenas a paz e o amor, e ambos vingarão abraçados com a verdade. No outro lado a paz finalmente instalou-se com a confirmada intuição da sabedoria.   Os rostos tristes e envergonhados tentam agred...

por fora e por dentro

dentro de todas as minhas vontades existes, dentro do mais dentro que há dentro de mim, e por fora também, por fora do que há mais fora de mim, por dentro do que há fora de mim, por fora do que há dentro de mim, por fora e por dentro existes, por dentro e por fora, por fora e por dentro de mim.

por falar em mariposa

por falar em mariposa !

A vida é justa

Posso partilhar de uma forma sublime sobre amor, paz, luz, espiritualidade, amizade, conceitos, ideais, preconceitos e felicidade.   Posso ilustrar com lindas paisagens ou gente bonita, mas nunca poderei escrever sobre o meu património, com a minha letra, pela minha mão, com o meu sentir, se nada tiver para dizer, se nada tiver sentido na “pacatez reflexiva”.   Posso esconder-me nas palavras dos outros e ter muitos seguidores, mas não posso ser amado pelo que escondo, porque só se é amado por aquilo que se é, demonstra ou cria.   A vida é a soma de todos os dias em que senti, de todos os dias em que sou, de todas as quedas que dei, de todas as vezes que me levanto, de todos os abraços, de toda a saudade desenhada pelas lágrimas mais do que pelas gargalhadas, de toda a ausência, de todos os reencontros.   A vida é justa, pode não ser na hora em que eu escolho, é ela que decide o momento de o ser, pode tardar mas não falha, e é nesta crença experimentada que posso escrever de uma forma s...

Extracto da uma fala de um personagem de “ A gosto”

“ … Não entendo a miserabilidade da facilidade com que as palavras são ditas, as opiniões são mudadas, a vontade transformada, a decisão vandalizada. A coerência não é um conceito idílico, é uma atitude. Jamais farei um contrato sob a forma de amor. O amor não se contratualiza, ou se serve em banquetes rodeado de gente que pactua com um facto que não tem vigência, com fatos bolorentos e cheiro a naftalina num dia para esquecer e não para lembrar. Não se celebra a hipocrisia contratando a bênção dos deuses. Não se representa a felicidade.   Que pobreza habita o amor? Que dolo é este da falsidade do amor?   O amor são dores assentes no ombro de quem nos ameiga a alma. É a compreensão dos dias. A liberdade de ser. O amor não é a substituição terrena e individual dos indivíduos que se servem uns dos outros, pelo amedrontamento de se ser só por enquanto.   Não deveria ser o medo social infligido pela incapacidade de se dar ao próprio, o ombro na forma mais genuína e honesta que existe? - o ...

O homem sem nome (monólogo)

texto protegido pelos direitos de autor@copyright   Capitulo I – Mãe - Vou-me embora desta terra que já não é terra. Desta terra que me foi dada à nascença. Desta terra que é a minha mas a quem eu já não pertenço. Desta terra brava de fome. Sem céu e sem sonho. Sem sonhos. Tão longe do mar que quero conhecer. Mais longe ainda das estrelas, do que de deus. Vou-me embora desta terra de arrependimento. Desta farta solidão e de minha mãe.   Não. Não posso mais ficar aqui apenas por ti minha mãe. Não merecemos isto. Nem tu, nem eu, nem o homem que te fodeu na noite em que por aqui passou, e fez de nós mãe, tu e eu. Quero saber de outras terras. De outras estações. Quero ser alquimista e sentir o vento norte soprado na minha face. Vou-me embora, sabendo que a saudade me esfaqueará todas as noites, e que as tuas orações me embalarão a mim não crente, a mim ateu. Mas o que vale para mim mãe, é saber que a tua fé te mantem, é saber que a tua fé te vale. Não nasci um homem bonito. Nasci o filho ...

O amor nunca é avassalador

O amor nunca é avassalador, amar os defeitos leva tempo.   Avassalador é a descoberta do corpo e a mentira do ajustamento agradador. Depois, o tempo demonstrará se o cheiro a flores continuará no teu corpo e no meu, saberemos se a admiração cresce com a saudade, se passearemos de mão dada como se o mundo fosse habitado por ninguém, se a madrugada de areia e mar e tu, me ouvirão cantar aquela música de dois acordes e o poema que me sai num sorriso, se nos olharemos meigamente como os nossos corpos se presenteiam, isto sabendo que somos tudo isto e, não somos tudo isto também.   Somos dúvida, medo, cansaço, doença, raiva, dificuldades e vida, somos vida. Será que nos amaremos com vida?   Quem amei, amarei sempre, há cheiros que me arrebatam a alma, outros nem tanto.

Gente feita da minha gente

Mais um dia de menos um dia, De um dia a menos do dia que me anoiteceu, Gasto assim os dias que se distanciam, Acumulo menos um dia da distância sobre mim, Regresso desta viagem alucinante que foram os dias dos anos que passaram, Das vezes em que me senti tão doente que a loucura me pareceu lucidez, O meu corpo fraco cedeu às noites de retiro, Quero agora embebedar-me de gente boa e feliz, Gente feita da minha gente.

Sempre volta a certeza de que sentir não é um erro

Já me entristeci com a alegria da descoberta, Já me alegrei com a tristeza da separação, Já me entristeci compreendendo a ilusão, Já me alegrei na dor da confirmação, Em toda a tristeza, Em toda a alegria, O tempo sempre me abraçou.   Largos dias têm cem anos, Sempre volta a certeza de que sentir não é um erro.

Os livros

Os livros ardem intocáveis nos escaparates, Poesia de poesia saboreada nas mãos trémulas de quem os folheiam, Quem escreve não se define nas palavras, O que esclarece, limita ou elucida, É a paisagem que se percorre nos olhos de quem vê lendo, De quem sente sendo, De quem chora por quem amarga, De quem ri por quem afaga, De quem faz plural o singular, De quem não se cala e se transforma, De quem por ser poema se incendeia, De mãos trémulas num livro que se salva aberto por estar fechado.  

Texto de 1986 depois de uma noite em branco

Texto de 1986 depois de uma noite em branco   Li isto recentemente - "encentivoute" - lindo, palavra adoravél, muito bom, e não é escrita inteligente, é da outra (da menos inteligente não sei que nome dar). É como ouvir marilyn manson numa "danceteria". Até tem a ver. (já vi e ouvi marilyn mason quando me drogava :-)  não é uma critica é uma constatação irónica e divertida) Mudam-se os tempos mudam-se as vontades. Ontem gostei de uma autor, afinal já não gostei, gosto de outro, depois de um musico, depois de outro, depois, depois, depois, sempre depois e como não gosto de nada, gosto do que acho que os outros gostem que eu gosto, e saltito assim de nenufar em nenufar como se fosse um elefante num ginásio da moda.  Valia mais mais gostar do que gosto, assumir, empinar o nariz e depois, qual é o problema, o assunto ficava resolvido, não me trocava, não me baralhava e evitava prostituir-me intelectualmente também, e pronto, As coisas são como são, quem vai vai, quem es...

Sei que rejuvenesço qual Fênix das minhas próprias cinzas

Sedento de me madrugar neste hemisfério, de chocar contra mim próprio, cruzar-me comigo por aí e trazer-me de volta,  debruçar-me à janela da minha alma e ver-me regressar, estafado, com o olhar de brilho vivo e esperançado, não baçento de cinza esverdeada e sem expressão, sem culpa por cumprir ou pecado por confessar, limpo, afinal sempre soube o caminho sempre soube o erro da escolha, a cada instante, sabia-o, sentia-o, a compaixão tortura-me agora com a certeza da pobreza da humanidade   Abraço-me. Sei que rejuvenesço qual Fênix das minhas próprias cinzas. 

A modernização dos bimbos e as redes sociais

A modernização dos bimbos e as redes sociais.   Foi um "dádiva cultural" nalguns casos e a "potenciação azeiteira" noutros ". Nuns casos percebeu-se finalmente que Fernando Pessoa e Sophia Melo Breyner Andersen existiram e "escreviam umas merdas". Percebeu-se que existiam uns tipos que faziam música com bons poemas e acordes a condizer. Percebeu-se o privilégio que é ter um sítio porreiro para exorcizar o pseudo-erotismo e as fantasias dos filmes de adolescência. Percebeu-se a optimização da cobardia do voyeurismo da vida dos outros e os "recados". Percebeu-se que podemos sentir como vai a vida dos rivais e amantes, e o nosso amor proclamado aos animais. Percebeu-se que podemos mostrar-nos de costas, de esguelha, com exaltação à descoberta do caminho da felicidade, escondendo um olhar entristecido e envergonhado, só porque se quer dizer ao mundo o antagónico do que se sente.   A modernização dos bimbos e as redes sociais, é uma dádiva !...  ...

Nice_14_JUL_16

Atentados alienados do ódio e da religião. Já me escapam as palavras. Já só existe sentir. Já me falta entendimento. Já só me sobra um sentimento maior do que indignação. Uma escalada por fazer, mentalidades por desfazer.   Nice 14JUL16

Não se entende o que se pensa não ser amor

Não se entende o que se pensa não ser amor, pelas diferenças, vocabulário, estar, atitude, ideais, e "maus começos".    Não se entende o que se pensa nao ser amor, pelo desinvestimento, luxuria, medo, contra-entrega, anti-honestidade emocional e não aceitação.   Não se entende o que se pensa não ser amor, até à revelação da saudade de um momento apenas de desabafo vento e mar, da possibilidade de mostrar o que se escondeu, da oportunidade de ser real e não ausente.   Não se entende o que se pensa não ser amor, até a culpa invandir o sono e não derrotar o cansaço, as noites passarem a ser de poucas horas mesmo sabendo que nada há a fazer, que nada há a dizer do tanto que se quer dizer.   O tempo findou. Nada é nada. Nada resta. Resta nada. Jamais se poderá voltar a abraçar, quando não se entende o amor por pensar não ser amor.   Resta a punição do merecimento e ... seguir 

beijos e abraços

as palavras inventados pelos outros não se adequam nunca à minha exposição. Podem ser muito elaboradas, combinadas, amplificadas, profundas ou partilhadas, mas em nenhuma situação saíram das minhas vísceras em direcção ao meu coração, não fui eu quem as sangrou, logo, não encaixam no meu sentir, podem ajustar-se ou servir para um qualquer fim, mas não são minhas, são apropriadas porque me servem, é como se as alugasse, não porque as habito ou sejam minha propriedade. eu sei p ensar, sentir e expressar, assim eu o queira fazer. beijos a quem é de beijos, abraços a quem é de abraços.

Não há noite que me invada e adormeça

Não há noite que me invada e adormeça, na nascente do rio adornado de nevoeiro e tempo parado, fizeste-me crer que o teu cheiro, o beijo e o convite ficaria à tua porta esperando-me,   Julguei ser tarde para a reconstrução, A noite amanheceu e o sono tardou em vir, carrego-me agora sabendo que o dia trará a noite e o nevoeiro cairá sob a nascente do rio que o tempo parou, recordando o beijo abraçado à tua porta.   Tenho o travo do teu corpo na minha boca, o sabor das tuas mãos na minha pele, a estrada, o vento, a lua, a chuva, o mar, o rio, o nevoeiro e a nascente,no meu peito, esperando que a noite te ofereça um sonho meu.

Excerto de uma morte anunciada (personagem em desamor)

Excerto de uma morte anunciada (personagem em desamor)   " ... Já não há primavera no meu corpo, Termina aqui a vida desta alma impacientada, Amanhã não existe mais hoje, O trilho perdeu-se ensanguentado, Virão fadas, cartomantes, curandeiros, exorcistas, mágicos e cantadores, Um corpo sem primavera não merece vida, Um corpo sem primavera merece sossegadamente a morte ..."

Tenho tido tempo

Tenho tido tempo. Tenho lido livros que não são lidos. Livros que não estão no "top ten", livros malditos escritos por malditos. Outros nem tanto, mas por necessidade académica. Os livros têm direito à diferença. A diferença existe e abençoada seja.

Amo o meu Pai e a minha filha

O que me irritam os queques, os betinhos e os loucos de barriga cheia. O que me irrita a portuguesa alegoria da desgraçadinha. O que me irrita a soberba importância mesclada de ignorância. O que me irritam as óbvias conclusões ao indiviso. O que me irrita afinal Portugal já não ser um País. O que me irrita o novo-riquismo disfarçado de diferenças tão iguais. Também me irrita o velho-riquismo cheio de Antónios Marias, Carlotas e afins.   O que me irrita a plena incapacidade de olhar para dentro. Do simples questionar. Do facilitismo e da anti-tomada de decisão, da ajuda exterior, do empurrar o balancé. Como me irrita a auto-estima ser chamada de grandiosidade e pedestal. Como me irrita a mim mesmo adoecer com a minha própria incapacidade de entendimento, e ficar azedo do fígado, e corroído de dores estomacais. Como me irritam belos discursos fartos de palavras mas livres de acções, esvaziados de acções mas fartos de palavras gentis, coitadinhas, boazinhas, mas inofensivas e ausentes de ...

Abençoado sejam os não estagnados na vida

Abençoado sejam os não estagnados na vida. Estagnar não é estar no mesmo sitio, bem os conheço bastante viajados.....    

continuada caminhada

" ... Alguém que fala de madrugadas, de viagens, de afectos, de erros, de acertos, de poesia e de poetas, de contadores de historias, de revoluções, de paz, de marés, de amigos, de fogueiras, de saudade, de desejo, de céu, de mar, e de esperança, é alguém vivo, sedutor, e que sabe o seu lugar na vida, que sabe o caminho que fez e o glorifica, que sabe o caminho para onde quer ir e com quem quer fazê-lo, com quem o dividir e transformar a efémera felicidade em continuada caminhada..."

a vida são todos dias abraçados de luar e bem querer de quem nos ama

há dias lindos dissimulados de mentira, dias de tristeza carregados de verdade,   dias de sentir, de fugir, de esquecer, de lembrar,   dias de surpresa, inesquecíveis, esgotados, adiados,   dias aguardados, sonhados, entristecidos, agradecidos,   dias feitos de vida, vida feita de dias,   … a vida são todos dias abraçados de luar e bem querer de quem nos ama

Excerto da desdita

" ... Excerto da desdita de umas palavras por ver o sol um dia   Descreio na troca comercial da fé. Sei o trabalho que a sorte dá. Conheço a paz de espírito de um abraço com sentido diferentemente de consentido.   Ontem e hoje adormeci e acordei paredes meias comigo e a vontade de paredes meias comigo subir os degraus que levam a tua casa e dizer-te: "o meio peito esta prestes a enlouquecer o meu coração"   ... Foi dilacerante    

Perdoo ou perdoo-me?

a tua boca não me enche, desculpa ou desculpo-me? Vou ficar entre os meus livros e a varanda das minhas madrugadas. Nada acrescentei para lá de ilusão. Hoje, o meu corpo arde envergonhado, a minha pele não reconhece o cheiro da lua na tua. Perdoo ou perdoo-me?

A cada lua

A cada lua nova vem até mim, Não precisas dizer-me como foi crescente a lua, Traz somente os pedaços da minha saudade, Não precisas de contar-me os teus pecados, Ambos (os pecados e a lua), Foram por mim chorados. Vem somente a cada lua nova amarrar-me, até que chegue abundantemente a chuva que te leve.

o gemido sereno do olhar dos olhos que aguardo

Posso ser o olhar nos olhos do olhar que guardo, Posso ser a descritiva forma dos lábios que desenham o beijo, Posso ser o vagabundo que não está por desistência, Posso ser o mal ou benção, o porto ou o naufrágio, Posso ser a cidade deserta que tu habitas, Posso ser o gemido sereno do olhar dos olhos que aguardo.

Presente aceite sem exclusão

A destruição definitiva do romance está hospedada na razão do sentimento, coincide com as histórias por contar. O romance é a fase interna, interior e aguda dele mesmo. O romance é a anti-vulgarização do gostar, não se mostra, fotografa, expõe, localizamos, dizemos amo-te ou adoro-te publicamente. O romance esconde-se, protege-se, guarda-se, cuida-se, vive.se, é sempre do tamanho do minuto seguinte e por tempo indeterminado. O romance tem um princípio e um fim indecidido, só faz parte dele ilimitadamente o próprio. Os romances são oferta, São bastantes letras juntas, Com palavras ou não, São parágrafos carregados, Natureza, imobilidade e elementos casualísticos, Os romances são lágrimas, Sorrisos e o medo abundante de medo. Os romances são best-sellers emocionais, Vida revisionada, Vertente rasgada e verdade, Passado e futuro, Presente aceite sem exclusão.

Escrevo porque ouço o que não falo

Escrevo porque ouço o que não falo, Porque vejo no mar o destino, No teu cheiro o descaminho, E o que calo falo no que escrevo.

ópio quando se torna povo … cega.

Todas as palavras vociferadas voltam à boca de quem as brade. Toda a mágoa acusada volta à mão do acusador. Todo o dedo apontado ricocheteia na essência do momento. A ilusão não fere a cegueira da verdade. O alívio usado e adiado sangra em peitos inocentes, adornado de palavras desprovidas de autoria. Palavras ajustadas da vida dos outros como se coubessem na nossa vida, por momentos aparentam-se lindas e iludem o encaixe que ser quer passar. É como uma bala perdida que acerta num inocente amor. É como o ópio quando entra nas veias. É como o ópio quando sai do corpo. É como o ópio quando se torna povo … e cega.    

Todos os dias continuam por habitar

Os dias, as noites, a pele, as mãos, a boca, o olhar, a paz, o tempo, o sentido, o rio, o céu, o beijo, as estrelas, as canções, o silêncio ...   ou é-me roubado, ou é-me acrescentado.   Todos os dias continuam por habitar.

A trágica incompreensão do amor de um poeta

Excerto de: A trágica incompreensão do amor de um poeta   “ … Podia ter ficado com o teu amor se fosse amor, se tivesses conseguido decifrar o código que guarda a minha alma, se tivesses gostado do sabor das minhas lágrimas, se tivesses sido em vez de tido.   Podia ter ficado com o teu amor se fosse amor, e se o contrário do amor não fosse o que aplicaste, o que realizei, o que acreditaste, o que aceitei.   Podia ter ficado com o teu amor, se a língua com que falo, não fosse a mesma língua com que te beijo, e fosse o beijo tão infinito como as palavras e o desejo. A solidão que me atrai é a prisão que nos separa.   Não podia ter ficado com o teu amor, o teu amor não conheceu o meu amor, o teu amor não amou o meu amor. Não pode ficar com o amor de um poeta, quem não decifra a poesia no amor, a lua e o mar …”

Fico por aqui

Fico por aqui por não estar por aqui ninguém. Quando alguém chegar mudo de lugar, mudo-me para um lugar que não seja lugar nenhum. Um lugar sem gente é um lugar seguro.   Aqui se houvesse pessoas era como o pinhal que me trouxe até aqui, sem pinheiros. Seria como o mar ali de baixo sem maré ou mesmo o céu sem estrelas. Um lugar com gente não é lugar nenhum, é um lugar de ausência.

endeusamento

O endeusamento dos seres humanos cai por terra com a paz que se espraia no oceano. A gaveta onde deposito o que sinto tem o perfume da descoberta. Cada dia é muito mais surpreendente do que qualquer pessoa. Os dias reservados para mim ainda me surpreendem. Existe quem me surpreenda.   ...............Eu e os dias.

felicidade que me golpeia

Não existe outra presença no pedaço moreno de mar que frequento para além de mim, o farol, a madrugada, o brado das ondas, o pinhal, o cheiro forte a luar, as estrelas deitadas sob a lua, a minha viola, e a felicidade que me golpeia naquele pedaço moreno de mar que frequento.

Excerto de palavras encantadas de nada VI

(falas dos personagens "Mar_e_ana" e “Sol_e_mar”, de um romance em desconstrução por ver a luz do sol um dia)   “ … Não adianta mudares de cidade ou de casa, aquilo de que foges está preso a ti, o que deixaste para trás, amanhã acordará contigo na nova casa, na nova cidade, na tua cama ou noutra cama qualquer, a tua pele e o teu sorriso desmaiado não tardará a ser encontrado pelo que foges, e o nevoeiro tomará conta da tua alma, aqui o u noutro sitio qualquer, a podridão não é física ou espacial, são conceitos e ideais tolhidos pela verdade. Enfrenta-te e descobre-te, disse.   Como faço isso? Dói? Dói mas sara e liberta, sentirás na leveza do sono a compreensão do que julgaste nos outros, perdoarás a mulher a quem roubaste o seu homem e o filho a quem roubaste o seu pai, perdoarás a representação diária que os teus olhos declaram no cansaço de ser quem não és, compreenderás que afinal não te devem nenhum pedido de desculpas, e que tu deves descobrir a verdade que desconheces,...

Tens no meu leito o teu lugar

Tens nas tuas mãos o saber da minha pele, No teu corpo o sentir do meu toque, Na tua boca as minhas palavras.   Tens o meu respeito no teu peito, A minha saudade na vontade, O meu sonho no teu ventre.   Tens no meu leito o teu lugar, No teu jardim a árvore que plantei, Tens em ti a luz que me abraça.

Excerto de palavras encantadas de nada V

(fala do personagem "É do Mundo", de um romance em desconstrução)   " ... Amar verdadeiramente é desamar.   Amar o desamor reconhecendo o desamar no amor, depois, o desamor não faz com que tudo tenha sido mau, pelo contrário, foi tudo bom e tudo voltará a ser, quando o desamor voltar a ser amar, e desamar voltar a ser amor..."

Excerto de palavras encantadas de nada IV

(fala dos personagens "Val de Mar" e "É do Mundo", de um romance em construção)   “… Inverno de decisão?   Sim, inverno de decisão tomada em pleno verão. Sabes quando decides pelas palavras que não te soam, pelo olhar que não confias, quando a terra quase te prende antes do caminho, quando o sono tarda em te vencer pela culpa que sentes, quando sentes que te prostituis pela vontade que sabes errada. Sabes quando o diálogo é tão redutor que mal chegas te queres logo ir embora e te maltratas até ao orgasmo seguinte, e aí, tudo faz sentido, e o sentido que faz é partires quanto antes, tomares um banho, tentares adormecer e perdoares-te nesse sono que não te vence e choras de nojo e pena de ti próprio. Sabes quando a tua razão te esfaqueia por não decidires amar-te e tratares de ti como te sabes merecedor e, insistes em não fazeres parte do abraço que conheces, te aceita e conforta.   Não sei "Val de Mar". Não sei. Sei de mar. Acho que o mar devia ter acesso r...

Excerto de palavras encantadas de nada III

(fala de um personagem Val de Mar de um romance em construção)   “… Não pensas mais em mim?   Não, não penso. Penso na tua filha e tudo o que lhe dás, os ténis, a roupa, os brincos, as pulseiras, e a ausência. A ausência triste de saber sem porto seguro a tua filha, que é uma menina como a minha.   Penso nas famílias a desfazerem-se com o teu cheiro, nas mulheres companheiras e amantes, trocadas por momentos oferecidos pelo teu corpo ignorante.   Penso nas ocas palavras que não se enchem. Penso no brilho inexistente dos teus olhos. Penso na loucura de me fazeres sentir louco e na descida da serra juntando os meus pedaços dizendo que, aquela teria sido a minha ultima vez, quase conseguia, mas aquelas três vezes por ano eram como uma droga, e eu usava-a.   Penso no que senti desde o primeiro verão no meu inverno da decisão. Preciso purgar-me, preciso de encontrar as ervas certas para fazer um chá que me beije a alma com o coração…”

Excerto de palavras encantadas de nada II

 "... Já não penso em ti, apenas isso.     Desmoronou-se o encantamento no desencantamento das tuas palavras. O que eram as minhas mentiras tornaram-se na tua verdade. Não é desilusão. É confirmação. Não penso mais em ti, apenas isso.   Aceito a possibilidade da assunção de poder pensar mal, mas também aceito a possibilidade de sentir bem. Afinal vivo com o que sinto e não com o que penso.   Vi-te ao longe, e foi de longe que vi a tua tristeza, estavas com a boca chorosa que reconheço, pensei, senti, que te desejo tudo o que desejas.   Entendi de forma definitiva, que já não penso mais em ti..."

Excerto de palavras encantadas de nada I

Excerto de palavras encantadas de nada I " ... Não adianta o encantamento das jóias, as frases dos outros, a profecia da fé contrária às acções. Não adianta o julgamento como disfarce. Um dia o barroco da podridão da alma é apregoado em vez de escondido como se tudo valesse em nome de uma vingança que a intuição já antes adivinhara. O exemplo não necessita de palavras ..."

Sempre lá estarás com as manhãs aliviando o meu acordar

Sempre lá estás com as manhãs abreviando o meu acordar, Sempre te despedes como os finais de tarde para me poupares a despedida, Eu, amanheço mil vezes por dia, E despeço-me adiando intemporalmente a ausência, Acendo velas à esperança que suporto, Esvazio a solidão num ápice, Quanto mais depressa mais dói, e mais depressa sara, Coloco as minhas asas e solto livre o pensamento, Num voo nocturno, a lua e o abismo abraçam-me, A minha intuição mais uma vez me salvou, Erro para acertar.   Sempre lá estarás com as manhãs aliviando o meu acordar.

Tu tens a marca

A marca da amizade presente (carta ao meu amigo sobrevivente)   A marca? ... Já tenho.   A marca, essa coisa por que se é conhecido. A marca do sol deixa a pele queimada. A marca do frio escurece a tez e analogamente a deixa queimada. A nódoa é a marca da sujidade. Sem mácula é a marca de coisa nenhuma aparente.   A minha marca já a tenho, as minhas danadas marcas, as minhas transformadas marcas, as minhas marcas amanhadas, as minhas imaculadas marcas, as minhas marcas alteradas, o meu futuro sustentando nas marcas, o meu passado de marcas de verdade, o meu dia marcado, a minha noite marcada, a mulher que me marcou, o dia que me marcou, a musica que me marcou, a morte que me marcou, a viagem que me marcou.   O efémero que a marca tem, o definitivo que a marca oferece.   A marca de dor, a marca de paixão, a marca da distância e da saudade, a marca da presença, a agonia marcada e a marca da fé. A marca da amizade presente, a marca da verdade, a marca da mentira, a marca da transformação ...