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Mostrando postagens de setembro, 2020

rouca voz enfeitada de flores

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Sucumbo à tua rouca voz enfeitada de flores e imobilidade de transeunte momentânea, comparável a uma qualquer obra prima que nos rouba segundos de glorificação e apoteose, sucumbo, renasço, e tu nem reparaste nos meus olhos disfarçados de sorriso e ausência.    

A vida é maior do que a memória

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…  Saí na loucura das noites distintas com o mundo inteiro nos meus braços em correria desenfreada e omnipotente. As árvores no meu olhar. O mar a rebentar nos meus ideais. Uma anunciada ressaca na manhã seguinte. Saí de noites, já a noite quase se avizinhava outra vez, com poetas a gritaram versos e canções de madrugada, a adormecerem de cansaço no meu fígado. Saí de noites erráticas com certezas que se diluíram em copos e solidão. A viagem decorreu num manhã sem esperança nem sol. A vida, é maior afinal do que a memória. Reconstroi-se em contramão …  

A memória são nódoas negras e feridas saradas

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A memória são laivos de esquecidos bocados de vida, que voltam para sangrar a alma ou purgar o coração, são como ruas desconhecidas de caminho, cidades longínquas, ou os primeiros beijos na boca cega do desejo.   A memória tem gargalhadas e choros permanentes, tem cheiro das camas lavadas, suor dos corpos alvoraçados, fadiga e cansaço, descanso e saudade.   A memória são: - nódoas negras e feridas saradas -  

Amar o que d´ mar.

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ó mar o que é d`amar, à terra o que é d´terra, ao céu o que d´céu, à solidão o que lhe pertence,  e às mais vazias e ocas determinações conjecturais, o aplauso de toda a ironia, a miséria de toda a mentira.   Que ressobre pequenos encantos, arvoredo e poesia.   Amar o que d´ mar.        

Como te digo eu hoje no presente que já existi no passado?

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Como te digo eu hoje no presente que já existi no passado?  E que no passado não tinha nem as mesmas lágrimas nem os mesmos sorrisos, e os abraços eram dados em fuga constante de mim e do mundo. Que no passado houve dias que não clarearam, e o meu único pensamento se resumia a uma constante dilaceração diária. Como vais crer tu que eu já fui eu? Que hoje eu sou um eu acrescentado, onde todos os dias existe um eu que sou eu apenas e que tem saudade e agonia de mim mesmo no passado. Creio na evolução da alma, na necessidade do reencontro pessoal, na relação individual e na estrutura do pensamento. Creio na amizade por mim. Sou de pouca gente à minha volta, de pouca gente mesmo, em mais de dois terços da minha vida não existe ninguém, aqui e ali circularam umas pessoas que vou alterando com a vida. Há livros, músicas, tentativas de poesia e construção de canções que me constroem mais do que gente. Como te vou eu dizer hoje, que já fui passado? Um passado duro e leve escolhido e eleito pel...

Casa das folhas

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Os passos que deixo a chiarem com a madeira, as janelas sem o tempo que o tempo destruíu, o velho estendal sem corda, o galinheiro sem telhado, a casa do cão sem cão, as silvas como inquilinos, as portadas a meia porta,  os ninhos aninhando as primeiras folhas secas derrubadas pela chuva.   Na cidade, tudo composto sem sorrisos que acompanhem. Na aldeia, os sorrisos decompostos com a vontade de ficar, com vontade de reconstrução e sonho.  Casa das folhas rasgadas em mim e terra que me suporte.  

Nexo

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Falaste-me de nexo de casualidade, de coincidências, de destino, de deus, de astros, de energia, de quebranto, de autores consagrados, correntes de opinião, meditação, reiki, psicodrama, filósofos, médium, canções, etc... Falaste-me da tua existência extrínseca, quando o vazio é intrínseco.  Falaste-me das lágrimas antes do choro. Do fim antes do início. Da desilusão antes da ilusão. Da aceitação como a impossibilidade da solução.  Há palavras que não são de dar, são construções partilhadas de silêncios, abraços, pensamento convergente e amor.  Há palavras quê são os passos que nos encontrarão. Depois sim. Depois a casualidade e a coincidência serão o destino.    

Aparência (s)

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Antes de seres atraente eras inteligente e, foi por isso, que reparei em ti.  Agora já nao sei nada de ti, nem da (s) tua (s) atraente (s) aparência (s).  

à espera da inspiração

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Fica fria a candura do desejo, a ingénua vontade transforma-se com a noite em segredos que pesam mais do que o meu peso pesa na terra. As estrelas sublinham a pontos de luz o sufoco que tenho encravado na garganta, ligação directa a este cansaço que não me permite sentir leve com cheiro a flores. Vou morrer assim, preso, à espera do verão, à espera das marés que trazem as gaivotas à praia, à espera da inspiração enquanto sinal e redenção. Morro assim, preso, à espera de vida. Mesmo que dure mais mil anos, aprisionado sou: - extinto -  

“tweetando” os pôr-do-sol

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Revoltam-se os pulsos doridos de cerrados se erguerem. As esplanadas continuam cheias de revoltados em sossego da árdua luta de ideias, as praias também, os restaurantes por solidariedade também, até os mais caros. Ficaram os campos desertos e o povo a desaparecer com o emprego. Contenta-se a gente com um “quanto baste” de subsídios.  Isto não é a ingenuidade do destino, é a arquitetura dos que distribuem a riqueza produzida, a distraírem-nos. E nós distraímo-nos ... “tweetando” os pôr-do-sol.   

Avante fatima misericordiosa

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Já li muito sobre a festa do avante. Ja li menos, mas li qualquer coisa sobre cem mil pessoas em fatima em ajuntamento anárquico beatificado. Diferenças? Há. Claro que as há, e ainda bem que as há. Está tudo bem. deus protege os seus, a democracia protege os outros, depois venha o diabo e escolha.  O avante é pecado, deus nos livre. Ainda somos este país assim, desconsciêncializado.      

Fica a saudade se for caso disso em jeito de recordação

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Quase nunca tenho tempo para me despedir ou quero. Arranjo desculpas como: - o que vivi foi a despedida construída no tempo; se é para perder não há manifestação de despedida que possa ser feita ou sentida - Acontece-me com a morte dos que me partem, das amizades que se desvanecem no tempo, outras que nem foram amizades, não pegaram, como se lhes faltasse serem regadas ou a semente tivesse apodrecido, outras porque a amizade não é apenas estar juntos e frequentarmo-nos ou, frequentar os mesmos sítios, até porque denoto em mim uma maior frequência em sítios a que não pertenço, por diversas razões explicáveis e por grandeza de coerência por inexplicável razão. As despedidas em mim são sempre feitas sem tempo. O que acontece é, que o tempo é o aqui e o agora, tudo o resto ou é passado ou é futuro. Fica a saudade se for caso disso em jeito de recordação.  

Nomes

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Há nomes nas pessoas que  não se aplicam à sua fisionomia, assim entendo a chama de alguns nomes, o calor de outros, e outros ainda coisa nenhuma. O teu? É o meu nome! Posso-me queimar, congelar, matar, viver, ou gritá-lo apenas. O teu nome é a madrugada repetida, a insónia que espera a luz, o caminho suspenso sobre o mar, o luar e a saudade.  Os nomes são o lago onde nos habitamos, reflectimos e somos.    

Triste saudade feliz

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Às vezes, a saudade é tanta saudade, que se mistura com a tristeza e me confude. Fico triste de saudade. Mas não me importo. Enquanto entristeço recordo a saudade feliz.   

Vicente Jorge Silva

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Vicente Jorge Silva, um homem cheio de homem dentro. Um homem que me deu palavras construídas de frases. Que me ensinou e fez companhia. Ontem, o jornal publico devia ter feito da primeira página - o Vicente - Fosse a politica para o que a politica devia de ser e, não fosse a politica o fim para o que é. Há homens que não partem, ausentam-se, já que o seu lugar não pode ser ocupado com a mesma sabedoria e seriedade. Obrigadoc caro Vicente!  

Militância idealista

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Não são os cravos a esperança, nem a madrugada. Não são os homens, nem um deus qualquer, nem os poetas que ficaram. A esperança, construção de cinquenta anos morre dia a dia sem enganos. Há quem lhe conte os dias. Fazem-me falta as madrugadas do medo, a militância idealista, o sonho.       

Muralha dos olhos baços

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As lágrimas que me salgam a pele, são as mesmas que me lavam a alma. Lágrimas são lágrimas, são pedaços de luz devolvida na madrugada. Escurece o mar que guarda o dia. Danço a melodia do fumo que arde com o fogo que se esconde no peito, muralha dos olhos baços.        

Tigresa, Caetano e Ney

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Anda como se não pisasse o chão. É assustadoramente presente e desligada. Em muitos homens deposita imensamente, amor e dor. Todas as tardes escuta Caetano com vinho branco. Não há pele mais morena, nem mãos mais esguias. O sol despede-se dela que é o mundo. Sabe música a compasso e acerta com o ternário. Sabe que cruel é não ter pão e chão. Sabe que cruel foi a menina que não foi. Sabe que cruel foi a mãe que não teve. Com muitos homens aprendeu a ser mais homem do que mulher. Mulher que percebe desalma de homem, tem de dor o universo inteiro, e por defesa um exército completo. O sol morreu ali. Ela saboreia o último gole, e trauteia a “tigresa” completa.    

Festa do Avante etc...

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O avante e a prenda envenenada comida em fausto banquete.  O avante é como outra festa qualquer, outro ajuntamento qualquer, outro evento qualquer, mas não é uma festa qualquer, um ajuntamento qualquer ou um evento qualquer.  O avante não é o avante. O avante é: - a festa do avante -  onde não se brinca à liberdade, onde existem os últimos marxistas/leninistas convictos, e só por essa convicção merecem o meu respeito, concorde ou não concorde com a ideologia. Em boa verdade, o meu respeito pelos comunistas, não difere em nada do meu sentimento pelos católicos apostólicos romanos, crença que me foi dada pelo baptismo sem escolha em pia sacra baptismal. Admiro ambos pela convicção, não creio em ambos pela absolvição, fé, entre outros credos não comuns ao meu ateísmo e ser apolítico. Em ambos os casos não me parece que venha algum mal ao mundo a não ser democracia, fraternidade e igualdade, excepto raras excepções em adulterados entendimentos comportamentais das doutrinas que os rege aos ...

Saudosa floresta

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Não me ocorre outra forma de te dizer que a distância e o tempo que está entre nós é como uma floresta onde o sol não consegue rasgar a vegetação, onde somente os raios de luz teimosos abruptamente sucumbem à resistência que teima em existir, mas, por pouca luz que haja, é a suficiente para manter vivo o que tem que se manter vivo. Saudosa floresta   

Perdoar e desertar

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Perdoar e desertar. Existo somente com uma una forma de perdão, a pessoal. Não há outro perdão que conheça, possua, acredite em nome e designação pessoal que não o meu a mim mesmo. Não me assiste o poder de perdoar outro alguém. Isso pacifica-me. Quando perdoado a mim mesmo, perdoado o mundo inteiro.