Postagens

Mostrando postagens de janeiro, 2009

Gemo agua

  Ardo um fogo verde cinza. Flores e lantejoulas enfeitam o meu peito, Se se ganha perdendo, Perco-me encontrando o pensamento, O silencio dorido, A madrugada fria amainou.   O celeste negro do céu despiu-se, Despiu-se de palavras enclausuradas. Ontem o frio trespassou-me, Aqueceu me a essência, Levou o que me deste, Demência,lucidez exasperada.   A mesa segura os cotovelos, Os ombros sustentam a cabeça, A cadeira aconchega-me. Cúmplice o meu gritar, Fez promessas de soluçar, Gemo agua como musgo na rocha.

Estou maravilhado e assustado!

  Estou maravilhado e assustado!       As palavras aproximaram os caminhos que me são familiares. Sinto que não os percorri. A descoberta diz me, o quão difícil é pedir companhia, e deixar fluir de mim aquele olhar que brilha só por te ver. Embacio a vista, escureço o olhar, engrandeço a distancia. Mesmo assim sinto que a alma me atraiçoa, quando me atrevo a olhar-te. O horizonte de contraste não consegue olhar te nos olhos. O arco-íris não é ás cores, sabias? O meu olhar precisa de te oferecer o que a minha alma deambulante aspira alcançar. Os movimentos que te envolvem o andar, personificam o teatro que representas para mim como ninguém. O arco-íris não são cores, são movimento, envolvem-te o andar, as cores são os acordes que entoas numa melodia colorida quando danças para mim. Ofuscas o arco-íris com o teu olhar. Encarnas as ondas do mar, como se uma lança de fogo de um planeta por inventar, te acompanhasse num grito branco e silencioso. És música, sustenido, bemol, sétima, diminut...

A beleza falece às ondas na praia !

  Quando as palavras se trocam por olhares Os caminhos tornam-se comuns. Quando sentimos os silêncios As anti palavras geram desejo. Quando o mar revolto se torna espuma A beleza falece às ondas na praia.   As conversas intermináveis São como caminhos inalterados, Chegamos lá antes, de saber que chegamos. As nossas bocas distantes Percorrem as palavras. Com cautela, como se de fogo se tratasse.   A presença existe às avalanchas Queimam-se arrebatados sentires. Teimosos. somos vontade. A madrugada rende-se calma ao desejo De não deter este encanto, Que denuncia a angustia de te saber aí.

Timoneiro III

  As viagens? Faço-as, aquando a vontade da possibilidade me permite. Não as faço quando devo ou quero fazer. Há um momento para viajar. O momento certo. Viaja-se quando a alma nos leva do pensamento. Cega-nos um caminho que conhecemos mesmo sem o frequentar. Viajo quieto, acordado, agitado pelos sentimentos mais mundanos, que transformo em epopeias. Esqueço-me das caminhadas para alem das ilusões, esqueço-me de me esquecer dos pronomes pessoais e possessivos. Esqueço-me de lembrar o meu Deus selvagem e secreto. Leio livros. O conhecimento não pode ser pago. Nunca pode ser pago. A barba por fazer retira o respeito. Os soslaios de olhares acumulam-se aos montes. Agudizam a minha antipatia pelo mundo. Procuro um lápis mágico para escrever um livro, cujo preço vale cada dia que me permito viver, na plenitude de cada momento. Um dia alguém me sussurrou ao ouvido que os outros não eram mais do que simples espelhos, instrumentos do meu próprio confronto pessoal, do meu bem e do meu mal. Duvi...

Á espera do timoneiro II

  O fumo denso esfaqueou, o nevoeiro oprimido. Não se fundiu, porque não ensaiou uma valsa enquanto se despia das suas semelhanças. Ambos enganaram a luz, única claridade de um momento ímpar. Recusaram-se a viver por um só momento que fosse. Ainda cheira à erva e palha amontoada e molhada. Corre um riacho que teima em chegar depressa ao seu destino. Ainda estendem os lençóis brancos a cheirar a sabão. De madrugada não se vê ninguém, mas sente-se o coração. Não penso. Esvazio-me de tudo. As memórias são imagens e sentimentos. Posso colori-los de cores e momentos. Nunca serei capaz de assassinar a leviandade do primeiro olhar. Sou único, vejo para além do que os meus olhos alcançam. A minha rua está dentro de mim. Desenho um quadro cheio de palavras, como se de uma verdadeira orquestra se tratasse. Incompreensível este Amor feito de nada. Torno o meu espelho mágico, do qual fujo todas as manhãs. Somente as palavras brotam do pensamento simples, honesto, e impraticável. O contexto foge ás...

Á espera do timoneiro?

  Cada pincelada ou pedaço com que me presenteias arrastado pelo espírito eleva-me. Leio, releio e tento ouvir. Os títulos invadem o meu espírito de contradição e curiosidade... Qual é a chave da porta secreta? Do palácio? O fim do túnel, na qual se vislumbra, finalmente, para lá do fosso (reserva mais visível a olho nu), um mar infinito e quem sabe, um barco à vela, à espera do timoneiro?   "Detesto a cobardia de não me meter ao caminho" Adoro...reservas, sinto um brado pela vida sem tréguas, sem mais nada, a não ser o privilégio de termos aprendido a saborear cada brisa, cada ventania ou tempestade, com que a vida nos presenteia.   “Gosto da sabedoria duradoura dos iletrados” Cada lição que os sentidos guardam, são os filtros da razão, as vozes ancestrais que os livros criam. Cada lição, que empiricamente ouvimos na narrativa de quem sabe encostar-se e saborear. O cheiro que emana das raízes e do tronco dos carvalhos antigos à beira da estrada. Não há reservas, q...

Sobrar !

  Dentro de mim existe um gajo com cara de parvo, Um velho e um novo, um pobre e um abastado, Um filho único e um bastardo.   Visto uma roupagem séria de um humor exagerado, Um humor que me faz tão bem por fazer mal, O estatuto anarquista que me domina é visto de cima, pela loucura..   Isto anda tudo muito certinho, Muito sossegadinho, “No silêncio da noite beijar-te-ei um dia… quem sabe!.. homem dos mistérios”.   O meu cérebro estoura em gargalhada de compaixão, Devia de haver reformatórios e manicómios interiores, que nos purgassem a insanidade, Devia de haver pacotes de equilíbrio nos escaparates das livrarias,   E sabão especial para lavar a alma nas mercearias que faliram. Devia de haver abraços à solta para os necessitados de sopa, E bancos nos jardins com palavras aconchegantes para a solidão.   Deviam haver pessoas em quarta mão e sorrisos em contra-mão. Devia de haver filhos para alugar e pais para a troca, Os velhos deviam pintar o cabelo de azul,   Devia-se...