“… Da perda se faz ganho e verdade. Sempre assim foi durante toda a minha vida. Em alguns momentos, a perda foi uma insuportável dor e de seguida uma enorme oportunidade. Em outros momentos, foi um alívio e de seguida a demonstração da verdade, como quando o sol nasce e quer mesmo nascer rompendo entre as nuvens como um rio invernoso em enxurrada. Em outros momentos, a perda foi a incompreensão do momento, a injustiça, a incredulidade, a ingenuidade, tudo em alvoroço no meu peito e, de seguida, tudo junto num motim organizado em pelotões de verdade e oportunidade. As perdas nunca o são, são sempre alguma coisa muito maior do que a escassez. Não é normal e vulgar perder com grandeza. Esta foi a ultima conversa que o val de mar teve comigo no vale em frente ao mar de onde ele partiu, o val de mar, esse homem que me ensinou a mais do que amar, esse homem que não o perco porquanto me deixou em mim. Nunca nada se perde em oportunidade e verdade…”