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Mostrando postagens de abril, 2019

Abril de papoilas

quem comemora com duvida abril, troca cravos por papoilas. Indisfarçável essa agressão. Antes nazi, pelo menos sei com o que conto.

fascismo artístico e/ou criativo

Dói-me. Preocupa-me este fascismo, à criatividade e às artes. Nenhum autor, nenhum criativo, nenhum artista pode ser medida a qualidade do que faz, pelos “likes” ou “views” com que se brinda uma publicação. Isso é puro fascismo artístico e/ou criativo.

Todos os homens livres não têm descrição

Todos os homens livres não têm descrição. Todos os homens livres cheiram a flores no sorriso, e carregam no olhar a generosidade da bem-aventurança do desígnio maior da paz conquistada pelo sangue transformado em lágrimas, Todos os homens livres não têm tradução, nem têm em si nenhuma certeza se o dia de amanhã será sequer um dia, Todos os homens livres são ricos em inimizades, breves traições da poesia, e solidão abastada, Todos os homens livres são revolução Nenhum homem livre terá deus ou religião.   Um homem livre é caminho e luz, a quem um dia da morte, o aproximou.

Décadas

" ...foram décadas e pétalas que sobraram de flores, que fizeram o manto das nossas noites ..."  

os dias não se acumulam em água corrente

alma que bebe em fonte cristalina sem corpo para matar a sede, carne alienada pelo medo constante que amanheça outra noite sem que o dia aconteça, assim se faz o corpo de alma,  juntos, em cuidada identidade sem passado, sem presente, que os dias não se acumulam em água corrente.  

Escreverei mais uma vez 

Bom dia! Tantas e boas palavras adornadas de sonho que são escritas, ficam por dizer nos olhos de quem não ouve. Escreverei mais uma vez 

Belo, pois

A incessante busca da beleza humana, inacabada e solitária, está sob todas as pétalas das flores e da foz que desagua no mar.   Todas as florestas perfumadas se acrescentam, belas e dissidentes ao dia distinto e recordado.   A beleza só se configura no prisma encantado dela própria.   É  uma condição desregrada.     . 

Abril de dois mil e dezanove sem Abril

dias tão tarde se fizeram poesia, mais do que os dias, mais do que vidas, mais do que tudo sofrido e preso, abril demorou e pouco se vê por aí, e já se ouve que antes era melhor do que agora, e os pretos e os brancos, e os homossexuais e os outros, e a diferença, e a violência, e abril mudo, calado, sem voz, porque a esquerda já é moderada, e a direita abençoada, e as ideias já não sustentam os ideais,   e os poetas já não se leem nos jornais, e não há pão como havia na rua da padaria, e apenas se ouvem roufenhos uivos do velho que morreu sem que abril se afinasse e transformasse em abril. e se não foi, já não será, que todos estão reunidos na mesma mesa sem convite à liberdade.