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Mostrando postagens de outubro, 2018

vida, morte, estrofe e vento…

Ser poeta afinal é:   - ver sem ser visto, - amar, sem ser amado. - conhecer, sem ser conhecido, - voar, sem ser pássaro. - vida, morte, estrofe e vento…

trovoada de ternura

A antecipação dos vazios é-me oferecida pela experiência.  Aprendi o destino,  Reflorestei o meu deserto, plantei lírios. A mágoa já não me sabe, é indolor, inodora e incolor, é loucura e frenesim.   Revisitar-me é: - ter-me em distintas partes iguais. - saber-me a lágrimas por rebentar. - entender as trovoadas incontornáveis da ternura.

Naif III

- Naif, não é mais do que a complexidade elaborada da consciência da simplicidade -

1993

Esperança trazida no ventre do vento, Fogo queimado, Lua incerta, Aurora de outrora esbatida, Cinzento mar sacrossanto, Ruas reles povoadas, Madrugadas de anos duradouras, Loucos sorrisos exaltação, Decotes desabotoados, Música dentro de muros Já desfeitos inexistentes, Cores de luzes desmaiadas.   Bairros onde me esbanjei, Calçadas onde me deitei, Manhãs acordadas de perdas, Pontapeados de bons dias, Identificação pedida perdida, Fotos de olheiras arquivadas, Copos de Jim Morrison ébrio, Fantasia psicadélica The Cure, Sonhos de paisagem Neil Young, Verdades de Bob Dylan,

Sobriedade não é a minha sanidade

Sempre vivi no limite de me fartar do excesso, Sempre adormeci cansado, Não descansar de ser, de ouvir, de ler, de cantar, de tocar, de amar este desamor a mim, Retorna-me sempre este círculo, esta espiral, este ponto de partida não evolutivo, Cansa-me a falta de descanso, Sobriedade não é a minha sanidade.

Estou maravilhado e assustado! (extracto de palavras por ver a luz do sol um dia)

Desenhas e encantas a serra nos mais recônditos recantos. Semeias sonhos. A serra cheira a estórias e adormece de encantos. Pares um filho inventado. O sol adormece e treme com o breve encantamento de um gesto escondido. As ervas crescem numa púcara fervida como remédio. A serra deita-se com o mar e o nevoeiro com o arco-íris. A serra expressa-se num breve sussurro. Os caminhos estão apaixonados pelo regresso. Os deuses tudo permitem.   Sabes de alguma coisa de regressos atempados? - Sei, sei de uma estória em que o mar foi visitar a serra.   E pode alguém ser quem, não é? Pode alguém dissimular não ser ou existir? Pode alguém tornar-se noutro alguém, nem que seja por um instante? - Pode, a esperança hipoteca a fé e o dissimulado veste-se de certezas.   E o medo? E o medo? - O medo é preciso.   O medo faz parte do mistério? - Faz. O medo é a antítese da fé.   E o que é que comanda a vida? É o mistério? O medo precisa da fé? - Adoro o mistério obsoleto do óbvio. - Adoro o mistério dos d...

Exuperyano e nocturno

Parece-me chegar o mar aos dedos. O sol faz o seu percurso raso com a vegetação. Esconde-se na hora marcada. Na hora combinada. As gaivotas deitam-se num voo circundante. Exuperyano. Nocturno. Na praia os resistentes teimam em resistir.   Sento-me no telhado por detrás do farol. A varanda abaulada cheira a livros. O crepúsculo cai em decadência. O som é difuso. O mar soa diferente se de encontro à rocha, se de encontro ao mar. Um velho poema é declamado em surdina. Beijo e passeio-me nos teus lábios de seda. O cheiro da noite habita a minha pele. As palavras encolhem a minha solidão.   A verdade divergente da verdade dos homens é o meu mundo. Uso mais do que cinco sentidos. Fecho-me aos que me impedem de sonhar pois aprendo o que não sei quando sonho. Estar por estar, não estou. Ser por ser, não sou.   A estrada, agora prateada pela lua, junta-me às estrelas.

bem vinda

disse: - chego a ter pena de ti. Por mim, não quero ter pena de toda essa sapiência da desgraça manupulada. Não quero. Já não quero mais - Veio-me o perfume a rosas fora de maio, era dezembro. Adormeci.

A rapariga antipática que afinal não era antipática

A rapariga antipática que afinal não era antipática.   Não era simpática porque não sorria, porque não ficava sem jeito, porque sentia, porque andava de braço dado com a vida, porque cantava, porque dançava, porque escrevia até poesia,   então, não era simpática porque eu não sabia, e agora é simpática porque eu sei.   Não era a antipatia dela afinal, foi sempre a minha ignorância que foi lei.

gosto de quem não proclama a loucura e apenas se dá com ela

" gosto de quem não proclama a loucura e apenas se dá com ela "

acerca de uns "prós e contras" a, atrasado

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Acerca de uns "prós e contras" a, atrasado   Ser consensual sem massa critica coerente é “encarnareimento” psicossocial, porque a outra visão é sempre a nossa “não visão” ... há mais vida para além de ... salazar deixou fortes chagas num povo que se não quer cego, mas que existe em ser cegueira colectiva, muito mais vezes do que a felicidade exige, o cardeal Cerejeira não está isento de culpa mais os seus acólitos beatificados.     Logo nós povo, que poderia ser tão feliz com tanto sol e mar.

flor de ópio e deus

Em mais de setecentos poemas nunca deus pôs em mão em um que fosse, nunca deus se afigurou em nenhuma lança espetada ao bem, nunca a verosímil esperança que deus abençoasse o mundo foi sementeira regada de fé, nas ruas apregoadas de profetas sonolentos e embriagados pela solidão do desespero do conceito injectado como heroína veias acima.   O mais próximo que conheço de tal fé, religião, superior poder o que seja, é a alienação colectiva de massas reunidas pela traição à humanidade. “A religião é o ópio do povo” é conceito marxista, logo, não convém que seja, mas é. É flor de ópio em forma de: - cantada cegueira em rede afirmada e alienada -

até hoje, não mais o olhar se me aqueceu

" ... não me lembro do frio que fazia quando te conheci, mas devia fazer, sei que os dias eram pequenos e as noites enormes, e eu gostava que as noites fossem enormes e fizesse frio, podia conversar mais, beber mais vezes café, embaciar os vidros e fazer desenhos. Podia pôr uma manta em nós e comentarmos as notícias e as viagens que faríamos quando os dias fossem maiores, não me lembro do frio que fazia quando te conheci, mas recordo muito bem o gelo que fazia em maio quando parti ... até hoje, não mais o olhar se me aqueceu .. "

Tanto

Tanto fogo e caras disformes, mar de amor por atracar num porto de coração naufragado. Tanto peito maior que planinicie a perder de vista em terra raiana, tanto silêncio de palavras guardadas e aguardadas, de um outro peito imenso. Tanta morada em descoberta de ruínas por edificar. Tanto tecto. Tanto chão. Tantos beijos. Tantas mãos.

espalha serenatas por aí

Não espalhes mais por aí o motivo de me detestares porque cheira sempre a amor, Os teus guerreiros em alerta providência não são mais do que escudo usado do abraço que não sentes, O tempo muda a vontade, faz da cegueira, luz. Não espalhes mais por aí tanto amor em jeito de dor, Nem eterno foi o amor de judas a jesus cristo, nem eternas são as nossas vidas, O que foi amor será sempre amor, mesmo que já não o seja, Espalha boas notícias que de boa sementeira se fará boa colheita, Espalha sementes e entardecidos abraços, Eu, espalharei serenatas de lua cheia em versos de poesia junto à lagoa que frequento, junto ao mar.

sempre o c...............

“ … Há sempre uma época da minha vida em que afinal apreendo e aprendo alguma coisa acerca da raça humana, quanto mais não seja acerca do preço da satisfação, e da diferença de valor que o mesmo tem para a insatisfação. Retenho de igual forma, que somos apenas imagem, e que é no escuro, do desespero, na aflição, no medo, e em tudo o que não é contentamento ou jubilo, que se revela o mais submerso mundo, aperreado ao conceito verbalizado do simples e afetuoso cumprimento: - Olá, bom dia, está tudo bem ? - Sim, sempre! Sempre o c……… O val de mar foi sempre de poucas e parcas palavras, mas de bons, sábios e cirúrgicos adjectivos …“

se (s) mais houvessem

Foi como se o mundo depois de visível se desabasse e eu quisesse voltar a não ver. Foi como se depois de libertado eu quisesse voltar à prisão outra vez. Foi como se depois de andar eu quisesse a imobilidade. Foi como se depois de sentir eu quisesse ficar gelo e pedra, inerte e inanimado, quisesse em vida estar morto e depois de morto ressuscitado.   Na mente de quem nuca escutou uma canção não existe melodia. Na mente de quem nunca viveu uma estação, não existe outono só porque as folhas se desprendem das árvores. Na mente de quem nunca cheirou a madrugada, não existe o cheiro da terra molhada depois do sequeiro, nem esse cheiro é extasiante e orgásmico. Isso é de todo Incompreensível. Na mente de quem nunca foi, nunca se será poeta ou trovador, nem se entenderá nunca o valor que têm as palavras beijadas ao ouvido de quem se ama. Quem nunca amou, acha patético o medo de amar, o risco de estar, o sufoco de sentir vida de mão dada a outra vida.   Foi como se o mundo desabasse num ensaio...

As palavras às vezes só atrapalham

Quem sou eu para discordar dos sonhos ou não permitir que as vísceras tenham vida própria? Quem sou eu para querer que as minhas palavras tenham um sentido e, não sejam anárquicas e sem sentido aos sentidos dos que sentem como eu?   As palavras por vezes vezes só atrapalham. Resulta melhor um abraço e a madrugada numa praia salpicada de música a gosto. Quando o tempo não tem medida certa e os passos acertam o compasso, fragmentos de felicidade saem em sorrisos de olhos brilhantes, sem repararmos que o dia já nasceu e vem abraçar-nos. 

Quantos beijos guardas em cada degrau?

Quantos beijos guardas em cada degrau? Quantas estórias guardas na tua historia e quantos amores a chuva lavou dos olhos, o sal que a saudade verteu de lágrimas? Quantos segredos de amantes e quanto vento atravessou encostado às paredes, segredando noticias dos homens que partiram, às mulheres e crianças que ficaram? Quanto frio, quanta neve, quantas tempestades de peitos dilacerados guardas em ti?   Vida sempre igual. Campo. Rio. Serra e frio, calor e a festa do verão. Depois, tudo igual novamente. Campo, crianças, sementeira, colheita, os domingos que cheiram a café e a oração sagrada. Nesta terra semeada nas entranhas do ventre da terra, existe o mundo inteiro, não há outro mundo, nem outra terra, não pode haver.    Agora, beijo suavemente o cansaço e adormeço todos estes anos. Já não durmo uma noite de cada vez. Adormeço por toda a vida uma noite de cada vez.   Amanhã, voltarei a beber da fresca agua que geme da fonte onde misturo o choro com o amor. Tenho saudade de beijos. Tenho ...

o meu território mental tem a universalidade do teu sorriso

o meu território mental tem a universalidade do teu sorriso

repara em mim antes de voares

Idealizo mil momentos, frases, gestos, olhares, sons, sorrisos, nasceres de sol, luares exclusivos, montanhas com riachos cristalinos, mares revoltos, sedução da natureza passeando à minha frente envaidecida e gloriosa, pedaços de neve, gentes de luz, invasão de nós, pronúncia e línguas desenfreadas de beijos.   Sentado sob esta ilusão, espero que repares em mim sentado no areal, como se de mim, saíssem labaredas em sinal de presença, fogo e marcas de vida que não vês.   Espero que repares em mim sentado, quando te levantas e "me voas".