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Mostrando postagens de junho, 2016

desgosto

Ainda não sei se gosto de escrever, se gosto de me descobrir, se gosto de descobrir os outros e/ou mundo, se gosto de depositar aqui o que pressinto na segurança do que sinto, em troca vantajosa com o choro num ombro desconfiado.   Na verdade confio na minha solidão. É segura. Já não é uma coisa má. É uma distinção esta forma de entendimento comigo. Tempos houve, em que ombros errados ouviram as minhas lágrimas errantes.   Com as palavras gosto e desgosto e tenho o desgosto de não gostar.   Ainda não sei se gosto de escrever, ou esconder-me para me abraçar.

Vaidades

A vaidade com que me olhas não é a mesma vaidade com que te vês, Nenhuma é verdade, eu sei. A vaidade com que te olhas é apenas um desejo, É a vontade de quereres sentir-te bem na tua pele, A vaidade com que me olhas, É a ansiedade de querer que eu olhe pelos teus olhos, a vaidade com que te olhas.

morte mais certa do que a vida

Se me procuras, Estou na noite adormecido à espera que a madrugada acorde antes de mim, Se levante mansamente e me beije antes de partir, Que se entregue na companhia que nunca arrisquei, Da morte mais certa do que a vida.   Se me procuras, Estou na outra margem de mim à margem, Escuto o vento solto e destemido, Estou, tal como o vento, livre e arrojado, Sem medo do mais certo que reconheço,                                                              Pelo desconhecimento certo que a vida tem da morte.

lua e meia

levo comigo a brisa dos teus lábios, o vento,o frio, a distância de lua e meia, do teu mundo do meu,

Escondo-me

Escondo-me numa folha de papel que não é de papel, Já não se escreve em pergaminho, Oculto-me em palavras furtivas e recônditas, Levanto de mim a poeira já assente, Exponho-me ao sol que me queima.   Escondo-me nos finais de tarde entre persianas semiabertas ao mundo, Semicerradas de mim, Pálpebras ausentes, Enlouqueço o meu corpo de: - espasmos,vontade,alegorias,mitos e ecos.   Nas horas longínquas e serenas adormecidas vagueio inerte, Sentado viajo pelo mundo inteiro, Entre os meus livros e autores de fim de tarde, Viajo no desassossego proeminente da minha alma, Na calmaria do espírito pousado no mar.

Qual a relação da loucura, da genialidade, do louco e do génio?

Qual a relação da loucura, da genialidade, do louco e do génio?   Nao têm que pertencer obrigatoriamente ao encaixe obvio da questão, porque a loucura não é pré-determinada e a genialidade nao é uma construção.   Ambos são momentos deixados de uma matéria que nos faz pensar, que nos dá o que não temos, nem sabemos existir. Por isto, os loucos e os genios, não têm que ser o que são, são o que anteciparam ser, antes de todos nós.   A genialidade, a loucura, os genios e os loucos são a antecipação ao conformismo da felicidade, são o sangue da poesia, a invenção de sentir as palavras.

caos

Caos. A imperiosa e necessária forma de me redimir da luz que se transformou em penumbra.   Coloco a face entre as palmas das mãos e deixo-me sentir. Dou a mim próprio a oportunidade do calor das minhas mãos embrulharem-me o rosto e, de me sentir como um rochedo que salva a praia da tempestade, salvando-se a ele próprio.   Caos. A agradável forma de essencial reconstrução.

se acabassem com a saudade

se proibissem a saudade acabavam com as minhas madrugadas de prisão e liberdade, com as minhas lágrimas e esperança,   a saudade faz me falta, é o encanto do meu passado, o reencontro com a felicidade.   se acabassem com a saudade acabavam com o meu nome próprio, apelido, e a esperança nas lágrimas que verto.

O “camaleonismo”

O “camaleonismo” renega a própria essência, é uma “substância” acessória, não essencial. A camaleónica vontade de ser, estar ou gostar, de acordo com os gostos não vigentes do bem-estar que nos oferece o prazer do que gostamos, é a subtração do que se é, sem adicionar o que quer que seja em direcção ao parecer bem.   O conhecimento são plataformas de partilha que se multiplicam de cada vez que se apresenta, um autor, um músico, um pintor, uma cidade, uma cor, um cheiro, uma floresta, uma flor, um rio, uma madrugada a alguém. Multiplica-se por cada pessoa a que nos apresentamos, pode ser, vezes um, vezes cem, vezes mil, o que for, recebemos pela mesma ordem de grandeza.   O “camaleonismo” é uma falácia intelectual e emocional. É procrastinação. Desconfio sempre das mudanças bruscas sem sustentação. Desconfio, mas vejo-o por todo o lado.

quem amo não tem alma que de mim parta

quem amo não tem alma que de mim parta, mesmo que o cheiro se desvaneça, a saudade verta  uma lágrima, e o corpo já não me pertença, quem amo não tem alma que de mim parta.

adormeceu e acordou no meu peito

"... a paz adormeceu e acordou no meu peito, singular complexidade, plural simplicidade ,,,"

Morrer sem amar é como morrer sem viver

Morrer sem amar é como morrer sem viver, nos mais variados e diversos tipos de amor existe o sentido da vida.

solidário e resistente

Respeito muito as minhas lágrimas e a igualdade, Respeito as diferenças como semelhanças, Idiotas,espertos e maldizentes irritam-me, Não tenho pachorra, Não quero proximidade.   Num contexto extrinseco posso escolher, posso não estar . Numa prespectiva intriseca nao me faz nenhuma espécie a opção sexual, o bom gosto, a forma dissemelhante de pensamento, o afecto, a religiao, o passado, os sonhos, as escolhas.   Eu tenho uma opção sexual. Sonhos. Passado. Escolhas. Pensamento divergente. Afecto. Não ha diferenças.   Abomino, revolta-me e nao entendo, a brutalidade de julgamento de escolha com actos terroristas em nome de que deus menor for.   Fico com mil palavras e vontades encravadas na garganta, solidário e resistente.

Apeadeiro da paz

Quando pétala após pétala o cheiro se tranforma e amadurece, Desaparece de mim o medo da incerteza do medo, Entendo então a primavera como estação da esperança, Apeadeiro da paz que sinto na minha companhia.

madrugada sobrelotada

“ … Gosto de reflectir é um facto. Necessito de observar outro facto.   Na reflexão e observação nasço. À velocidade que o mundo está, seria fácil (se eu não cuidasse de mim) aderir aos conceitos dos outros, às frases feitas e divulgadas massivamente, viver até a vida de alguém que não a minha, a sua sensibilidade, reflexão e observação. Não o faço. Escolho-me a mim e às minhas ideias.   Na verdade as páginas partilhadas são conceitos para nos retirar o pensamento, ao invés, promove que alguém os adeque à sua própria vida. É uma coisa do género “não é bem bem isto, mas serve”. Não, não serve. Serve-me apenas o que eu realizo, o que eu penso.   Como pode alguém falar de amor por mim? Falar de sentir por mim? Falar de pensamento por mim? Falar de dor por mim? Ou falar no que eu creio e sinto. Posso (mas posso pouco) achar num pensamento algumas parecenças com um meu, mas neste caso as diferenças são o que falta para ser - o meu pensamento ou sentir -. Não embarco em “post´s” de filosofia...

Éramos domingo e não sabíamos

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No meio de arrumações onde sempre me desfaço do que não preciso e guardo o que me faz "ainda" falta, descobri estas palavras de Jan/1991, manuscritas, naif´s... :-) Já viste? Quase que toco as nuvens! Já viste? Quase que te adivinho! Já viste? O sol está mais fresco e é mais fresca esta tarde! Já viste? Eu sei onde estás! Já viste? Descobri-te! Já viste? Descobrimos juntos o enclave de nós mesmos! Já viste? Toco o sol, Já toquei o mar, O teu rosto, A tua alma, A tua anti-existência, A tua transformada vida. Já viste? Se antes nos doíam os domingos insatisfeitos, hoje satisfazem-nos as tardes como quando éramos meninos e nos obrigavam a ser tardes de domingo.   .

Só proveitos e oportunidades

Qual é o problema de errar? Qual é a vantagem de acertar?   Não existindo o erro não existiria o acerto, a mudança e a evolução, A perfeição enfadonha me. Aborrece-me. Faz idiota as pessoas em que encarna.   O erro é como os abraços, confortam-me com a oportunidade, Com o aperfeiçoamento, caminho inverso da perfeição.   Qual é o problema de errar? De não ser perfeito? De não ser uma construção? De ter gostos dissemelhantes? Nenhum. Só proveitos e oportunidades. De aprender. De apreender.

livre merecimento das escolhas

Por vezes neva neste deserto quente e árido, As flores enlouquecem com o sabor da neve, Como se não tivessem sido vacinadas e tivessem sucumbido a uma virose pouco potente, Apenas porque cresceram no local errado e fora de tempo, Como um rio que nasce na montanha e desenfreadamente galga todas os penhascos até se acalmar na planície, Como os beijos, Tal qual como os beijos dados na boca errada, Como os beijos a desentenderem-se nas bocas e nas línguas que não entendem a idioma.     Os beijos, as bocas, as flores, os rios, as montanhas, as planícies, a neve, o deserto, a calma e a alma, Ou se pertencem, Ou jamais se pertencerão, O desentendimento é a liberdade para continuar o reencontro definitivo, O desentendimento empurra-nos para a procura, O desentendimento satisfaz os ousados, Os não rendidos do sítio onde pertencem, Os despertencentes militantes, Os guerreiros arautos da esperança, Os capazes de pensar no.livre merecimento das escolhas

habituação e convivência

O patamar dos patamares da minha emoção, das minhas emoções, são como um dia de Verão que desperta nublado e frio, e se transforma por nada e/ou razão aparente, no dia a que pertence.   São assim os degraus radiosos da minha emocionalidade. É uma questão de habituação e convivência.

"recanto-me"

Na fonte fresca da saudade boa "recanto-me" ao som da água fresca que corre entre o musgo, por ali, descanso-me.

Nexo de casualidade

Nexo de casualidade entre nós ali imobilizados nos degraus do entardecer, esperando que a lua nos beije.

A minha boca murmurando os teus olhos sedentos

A minha boca murmurando os teus olhos sedentos,   o teu abraco deslumbrante, onde o meu corpo estremece,   canto o cheiro a flores, do amor que me apetece,

contra-acção

" ... Na minha poesia o que espero tem tempo. Escrever é para mim uma luta contínua contra a neurose em direcção ao equilíbrio e à lucidez. É um remendo ou uma remediada contra-acção..."

liberdade II

Se antes não tivesse sido aquele tempo, não existia nem o agora, nem o depois. Renegar o tempo que foi é: - desesperançar o tempo que aí vem e tudo o que nele se encerra e detém - Ser hoje, ser agora, por hoje e por agora é: - somente ter a liberdade que tem o tempo que foi -

liberdade III

A primavera está em construção. As noites irradiadas de luz, acrescentam-se à vontade de o dia não se ausentar. A passarada em debandada exclui-se por uma vida melhor, foram atrás dos dias das horas compridas.   Vi Lisboa de lágrimas nos olhos, adormecida na sua luz, sedenta de vida como o rio que lhe passa sem a rasgar. Vi o azul subir a encosta e o bosque descer até ao mar. Vi as ruas cheias de cidades e o mundo numa avenida só. Vi praças torneadas como as pernas de quem lhe passa. Vi a poesia solta em malmequeres, nos bairros e no castelo altaneiro, erguido e calmo. Vi o sol esconder-se em monsanto e a lua elevar-se de prata, sob o bugio. Vi os jerónimos de mão dada com torre em belém, a beijarem-se. Vi marquês e o saldanha a rebolarem-se no parque. Vi a graça a seduzir a sé, e o tejo ajoelhado ao cristo rei. Vi as ruas enfeitadas de Santo António e a avenida engalanada de bailado. Vi o jazz sair à rua na praça da alegria e o teatro esbracejado no dona maria. Vi o são jorge a rir-se...

liberdade I

A liberdade tambem se mede em dias, em abraços sorrindo e lágrimas. Debruço-me sobre a liberdade e lembro-me das grades que ja segurei, da prisão escolhida sem escolha percebida. Caminho avenida abaixo e num minuto atravesso um deserto que acaba num abraço livre e com escolha. Glorifica-me rever os amigos que me lembram a decisão de me acorrentar à livre benção da amizade. As flores da avenida, solidárias, embelezaram o meu peito.

A minha cegueira é sempre a minha luz

A vida e todas as suas acidentalidades e contingências não assentam na inteligência. Assentam no que sinto. A inteligência não é o fundo do meu ser. É somente o que adiciono, o que acrescento. O fundo do meu ser é o que sinto mais do que o que creio. É a minha pele irracional. A minha devoradora e incessante busca do que experimento. A minha cegueira é sempre a minha luz.

Bragança e natal em Amesterdão

“… e no meio desta loucura neva em Beja, estão mais de cinquenta graus em Bragança, é natal em Amesterdão e a rua vermelha está muito animada com a mãe natal em beijos loucos com o pai natal, quebrando o encanto de milhares de crianças filhas de pais que não as deixam crescer…”

Como tudo, sou tudo, como sou

Como o sol, Como a chuva, Como o vento,   Como o mar, Como o sul, Como o norte,   Como a noite, Como a madrugada, Como a raiva,   Como o medo, Como o amor, Como a vida.   Como tudo, sou tudo, como sou.

Socialização, "encarneirado", "desencarneirado" e anti-social

Não conheço o sítio onde vivo. Não me conhecem no sítio onde habito. Breves bons dias são celebrações ocasionais de boa socialização pensando-se que é boa educação.   Boa educação não existe, é um conceito lato de boa socialização. Sendo-se educado é-se "encarneirado", sendo-se “desencarneirado” é-se anti-social.   Socialização, "encarneirado", "desencarneirado" e anti-social, são dogmas educacionais.   Educação é muitas vezes e só, breves celebrações sociais desprovidas de solidariedade, como se oi dizer “para inglês ver”.

vou ao encontro

Altero para viver, Escolho onde acordo, Repenso o futuro, A motivação. A consideração estafada, A desconexão evidente da evolução percebida, A desunião de um “eu” velho, gasto e viajante, Deito fora os papeis amontoados, As recordações ausentes de mim, Repenso para viver, Reinvento a distância, E vou ao encontro.