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Mostrando postagens de outubro, 2009

A irritante historia dos Gps

  A irritante historia dos Gps. Conduzia eu atrás de um Skoda não sei das quantas, vislumbrei um aparelho desses que sei marcar o trajecto de casa para o trabalho, e do trabalho para casa, antes que se percam no itinerário que o carro faria até sozinho sem o idiota ao volante que o conduz. Para ir a qualquer sítio neste País será preciso tal aparelhómetro. O prazer de nos perdermos foi substituído por uma voz irritante que analogamente só me faz lembrar uma boneca insuflável, vá-se lá saber porquê. O conceito no meu entendimento é o mesmo. Se não vejamos. Perdermo-nos, dá-nos a oportunidade de descobrimos os nossos próprios itinerários, e o prazer de fazer as nossas próprias escolhas e caminhos. Foi sempre assim comigo. Foi perdendo-me que me encontrei e escolhi. Como sou muito teimoso, estou-me a ver ao comando de uma voz certinha e irritante. Se me mandasse para a direita iria para a esquerda e vice-versa, certamente. Vejo-me ao fim de dois quilómetros a parar e mandar o aparelho ao ...

Plagio

  Desilusão continuada numa data de alegorias e plágios. Uma data de ideias onde a criatividade não abunda. Plagio não é apenas copy / paste. Plagio é também isenção de ideias e ficar preso a um chorrilho de disparates repetidos e auto-piedosos. É inspirarmo-nos nos outros para falar de nós em jeito de contraditório. Seborreia mental plena. Desilusão. Desilusão é o que tenho sentido recorrentemente na minha vida e que de alguma maneira me faz ser quem sou. Desilusão traz-me desconfiança, vontade de não arriscar, isolamento e até julgamentos que sei não serem coerentes, muitos deles baseados apenas nessa desilusão. Ontem falava já madrugada alta, que é o meu dia, com alguém que me dizia entre outras coisas “entendo-te, como eu te entendo” e fazia-me sentir o meu sentir, um sentir não extravagante, não utópico e não lunático. Obrigado pela frase curta e tão cheia de mim. Hoje durante o meu dia algumas vezes em forma de comichão cognitiva ela me bailou na cabeça e semeou um sor...

A paridade da destruição criativa

  Debruço-me hoje sobre finais. Finais são sempre estados de espírito diferenciados e de não fácil, ou difícil execução e aceitação. Os finais são a oportunidade dada aos inícios e normalmente a oxigenação da vida. Sabendo nós que o oxigénio é elemento fundamental no processo clorofílico, entende-se então como essencial à vida inicial, o final. Inevitavelmente o processo do bonzinho esvai-se na mentira que foi essa própria criação de outrem. Esgota-se igualmente a besta criada e posterior, que não se ajusta exactamente à terrível criação. Nem sempre nem nunca, nem oito nem oitenta. Diz o povo que a virtude está no meio, que metaforicamente se poderá entender, como o fiel de uma balança que é a vida e o equilíbrio que se procura nas crises, finais e inícios. A crise assim dita induzida por um qualquer final, não é mais, do que tão-somente a oportunidade criativa para reinventar a nossa essência perdida na agradabilidade ao outro. O azeite sendo a verdade é mais leve que a agua sendo a m...

Mudam-se os tempos mudam-se as vontades?

  Tão patética esta ternura da distancia. Estes telefonemas multi-diários. Nestes dias últimos sinto-me mais forte depois uma longa e cheia de ninguém caminhada veraneante, já entrada na estação seguinte. Verifico-me assim na quadra.   - A Cantiga de Escárnio é aquela em que a sátira se constrói indirectamente, por meio da ironia e do sarcasmo, usando palavras cobertas para que hajam dois entendimentos “lhe lo não entende rem",   - Na Cantiga de Maldizer, a sátira é feita directamente, com agressividade, "mais descobertamente", “com palavras que querem dizer mal e não haverão outro entendimento senão aquele que querem dizer “chãmente”.   Essas duas formas de cantiga satírica, não raro escritas pelos mesmos trovadores que compunham poesia lírico-amorosa, expressavam, como é fácil depreender, o modo de sentir e de ver o próprio de ambientes dissolutos, e acabaram por ser canções de vida boémia e escorraçada, aquela que encontrava nos meios frascários...

Viva. Viva a dança dos pássaros

  São milagrosas estas linhas que me habituei a escrever. Paradigma de mim mesmo. Numa metáfora circense diria que a minha escrita é legista. Legista, como um médico que abre e vê o adormecimento eterno. Por ordem sequencial deste pensamento, entendo também que escrevo como uma médica parteira, que dá vida ou ajuda a dá-la. Assim me encontro numa escrita aberta, a que chamo legista, por avistar por dentro. Por outro lado, antevejo-me numa escrita naturista, que dá vida à própria vida e pronúncia ás palavras. Esta forma solitária e snobe que os escritores têm, arredado das suas leituras, chamo reflexiva. Escrever para alem de ser reflexivo é filosófico. Parte do desconhecido para a significação, quase sempre egoísta e de dúbia interpretação. Uma dança de pássaros pode ser uma dança de pássaros, ou o seu próprio entendimento. Pode ser partida ou chegada. Amor e desamor. Saúde ou doença. Pode ser uma poética forma musicada de dúvida. Uma duvidosa mudança de estação. Uma estação filosófica...

Disruptivo

  O mar a espraiar-se na areia, Gaivotas de arrulho pendido, A cacimba envolvente. O sol a cair desprendido no mar, Cascatas submissas do poder da gravidade, Fazem da água solta a minha música preferida.   Rebuliço esplendoroso, Fonte do meu ser, Amor mais que miséria. Emocional mais que intelectual, Soltam-se as amarras dos meses passados, De ideias mais que ideais.   Voltei a sorrir sem motivo, Deixei as lágrimas entregues sem remetente, Na caruma onde fiz a minha cama. Continua no pinhal cheiroso de resina, E luz dependurada pelo luar, Farto de não ser sentido.   Escolho o sentido, Escolho o caminho, e vou.        

Dar: - palavra escassa, invulgar, quase extinta

  É de porcelana o meu eu. Loiça de especial ocasião. Na vulgaridade destemida de me perder encontrado, encanto-me. Encanto-me num sentido desilusório da soma das gentes que vou afectando, distanciando-me. No meu caminho serei outra coisa qualquer para alem do que sou. “Vais ter mais filhos”, disseram-me. Já não questiono se creio. Não creio sequer se questiono. Gosto da serra que desci desembalado e isento de opinião, desprovido, e esvaziado das raivas que me assolam, de incompreendidas compreensões. Desci sozinho, desci em paz. As estrelas magas juntas e bailarinas em bicos dos pés, saudaram a minha passagem. Nas moitas a bicharada escondia-se dos humanóides. Sábias. Sinto uma voluntária força dentro de mim, que se perde nesta terra que frequento. Indeciso, pressuponho-me num chão onde pudesse dar e fazer. Sem matéria atrás de mim, apenas afectos e letras juntadas para ensinar. Somente números primos e compostos da teoria dos números, compondo o fundamental teorema da álge...

Outra margem

  O barco balança ritmado pela maré. A viagem para a outra margem começa onde o sol me acena crescente. O dia quase rompe dentro de mim. De olhos impenetráveis, estoura dentro de mim imagens felizes da minha alma. Balanceiam-se ao vento cabelos longos de um Maio já maduro. Descalça num chilrear alvoroçado, as gaivotas fazem tangentes. Malucas. Num divertimento de quem não tem preocupação. A margem insinua-se cada vez mais, ali num fumegante nevoeiro que se espreguiça e levanta. Aprendiz de feiticeira esta luz inconstante, velha e sabia. O oriente sonha com a forma como me conduzes e guias. Sonho com o teu abraço incestuoso, até. Com as tuas palavras molhadas de desejo que reprimes num jogo alucinado que me fascina. Prendem-me decisões que adio. Tomadas e adiadas sem coragem, de um bater a porta digno e definitivo. Escrever diz me tanto, tão mais do que palavras ditas de incongruência de um sentido duvidoso. Escrever adequa me e ajusta-me, à verdadeira forma não dita, de um conteúdo adi...

ABRAÇO FORTE

  08.57 - Abro os sistemas operativos com que trabalho. Abro o meu correio e electrónico e revejo-te. Leio:   “Olá Jorge   É só para te dar um beijo. Guardo te. Leio-te gosto, tornou-se um hábito. Estive na argentina, adorei.... Mando te umas fotografias, não tenho muita paciência, guardo – as, não tenho muito jeito para contar. Beijo gdr força... apesar de não falarmos.... Se quiseres escreve... aquilo que te apetecer e que te der na real gana. ABRAÇO FORTE”   É esta disponibilidade que sei sincera e sentida que me escalda. É esta forma de sentir que sei verdade. Este abraço que sei sentido. O tempo parou empático nesta forma forte de gostar. Também guardo a saudade, quero-a. Guardo as noites e as viagens. O começo e o final.

Texto 301

  Agua nascente brava e cristalina comprometida entre duas serras. Embravecida no passar revoltoso do estreito e espraiada na foz verde musgosa da foz. A recordação do teu rosto não me deixa. A forma como os teus baços olhos partiram, num sinal de luz apressado e urgente. Semana acabada numa cordilheira de vales assustadores. Beleza que corta cada curva dada. Íngreme este molde do pensamento mesclado de tortura. O perfume das searas cortadas salpica a passagem. Circulares as pedras da calçada que rotundam o castelo. O mar adivinhado por detrás dos montes tem pedaços de terra fértil. O calcário destroça-se em pedaços milenares embranquecendo a verde floresta virgem. Sou mais arenoso que rude. Passeio-me sob pétalas brancas suspensas em escadarias de pedra fria e gasta. O tacto faz do paladar alegoria. Os mitos que defendo e dependo abrem-me o mundo que calcorreio. Sereno nesta alavancada forma de estar. As minhas mãos percorrem a noite de lua crescente. Espero sinais da evolução criativ...

O asfalto arde

  O asfalto arde nas minhas passadas chegadas, Um estado febril invade-me, Bom presságio.   A marginal de mar empoleirado, Solta cacimba como sinal e pronuncio, Chegam do mediterrâneo sons quentes e azuis.   Ablusados pelo Atlântico, Quentes de Africa, Ablusados são Blues em compasso decadente.   Espraiam-se na areia, Tocados em sustenidos, Em sétimas dominantes.   Segredos soterrados desconfirmam-se, Sem clave de sol, A lua espia três beijos que trocámos.   A despedida desregrada, O fim anunciado, Surdo.   Louco,   Faminto, Cego.   O asfalto arde nas minhas passadas partidas.  

Empreendedorismo Social aplicado ás Autarquias

  A filosofia dar-me-á respostas mais que a psicologia ou psiquiatra. A palavra "filosofia" tem dimensões específicas no tempo e no espaço, formas novas e diferenciadas tornando difícil a sua definição. Discuto comigo mesmo sobre a sua definição e o seu objecto de estudo específico, que não encontro. Definir filosofia é realizar uma tarefa meta filosófica. Por outras palavras, fazer uma filosofia da já filosofia. Ou seja, a melhor maneira de abordar a filosofia não é definindo-a, pois ao tentar defini-la já exige por si só, alguma filosofia.   Este problema exige-me respeito e seriedade. Não há como definir filosofia, sem que se tenha alguma compreensão transmitida pela própria definição em si, do mesmo modo que não há como responder adequadamente a uma pergunta, se não partimos de uma compreensão dada da pergunta e da resposta. Isto castra todos os textos que ultimamente tenho lido e todas o “recados” escritos. Textos repetitivos, “desasaborados”, sem ...

Selva Selva

    Bolas de sabão sopradas num tubo que se rebentam.   Desenham-se ao encher.   Ilusão esvaziada de arco-íris.   Cores.   Palavras que não pronuncio.   Estrada por onde não ando.   Nada me pertence, tudo me é emprestado.   Já estive na selva. Selva selva.   A selva é uma jurisprudência inventada e adaptada.   A selva da pequenez e da cegueira.   A selva da negação.   Selva bruta, cruel e injustificada.   Selva do engano, das palavras não ditas.   Ditas que ditas.   Uma selva escura de pessoas ignóbeis e ásperas.   Enfeites, cores e ares frágeis.   Poder submisso, ilusório.   Vermes que habitam na selva de uma mente que mente.   Apetece-me gritar do cimo de uma serra e calar.   E calar de vez.   Calar para sempre.   Na verdade sou.

Conto de estrada

  As persianas da minha casa estão abertas. A porta também. Vem quando quiseres Amor e enche-me a alma. Arredado do Amor assim não se chega nem à janela. É de difícil acesso pela intransigência e exigência que ponho nele. Não me basta raios de sol, quero o sol todo. Não me basta o luar, quero a lua. Quero a sabedoria das horas e a leveza das palavras nas estações. Quero o companheirismo de um abraço e a cumplicidade do olhar. Quero a admiração do movimento, orgasmos conjuntos e prazeirosos. Quero o entendimento da acção e a vontade promíscua conjunta. Quero ribeiros de água translúcida e margens de musgo presenteado nos meus sonhos. Quero refeições ligeiras e leves e longos passeios de luz natural e florestas solta de cheiros que me embaciem o olhar choroso. Quero como presente um arco-íris e como quadro empoleirado na ombreira da minha porta, uma estrela cadente que se espante com os espíritos e te traga até mim, e me leve de ti, até ti. Quero a fidelidade, a verdade oposta à mentira ...

Gosto muito dos dois

  A ignorância da opinião falece-me. Somos um País atrasado, todos o reconhecemos. Somos dos últimos onde devíamos ser os primeiros, e dos primeiros onde devíamos ser os últimos. Então não é, que vi uma televisão que tinha um travestido jornal, emitir opinião sobre a orquestrada e suposta publicidade ao último livro do nosso Nobel. Como se isso fosse preciso ou necessário num homem de oitenta anos. Sobre o livro nada tenho a dizer, não li. Li todos os outros ou quase, menos este. Nobeis tivemos dois e um foi dividido. O livro que ganhou o Nobel não foi a favor. É mesmo um grande livro. Ora sabendo eu, como se trata a cultura neste País e donde são oriundos os criativos, não me admiram as opiniões e indignações estúpidas e analfabetas. Massa crítica aprende-se com a liberdade e acesso à informação. É incomodativo bem sei. Liberdade tem pouco mais que trinta anos. O acesso à informação é manipulado. O resultado só pode mesmo ser esta santa ignorancia. Explico de uma forma simples como se...

Posso escolher morrer á desgarrada como o fado.

  Uma travessa miserável junto ao Palácio da Ajuda numa “villa” cheia de podridão, de mau cheiro e doença, encontrei-me comigo próprio por lá. Irreconhecível. Uma idosa farta de idade, morta de espírito e alma, suportava-se dose atrás de dose. A “villa” tinha vigias, milícias, e um veneno tão bom, que matava de quando em vez um ser humano. Matava rapidamente e aos poucos, é como se queira, mas aniquilava sempre. Cadáveres de olhos fundos e olhares perdidos e angustiados, visitavam num corrupio a casa suja de desgraça e faminta de vida. Prostitutas e ladrões que não o eram, estavam por ali nas horas mortas. Mortas de vida e vivas de uma necessidade sem espera, sem tempo e horas. O cheiro nauseabundo amontoado e sórdido entranha-se e desaparece pela habituação. Uma romântica visão, é dada por velas acesas e sombras reflectidas nas paredes. Sombras curvadas em rituais repetidos. Saudade deste sentir adiado, sabes. Destas lágrimas guardadas e vertidas anos depois. De...

A esperança está onde menos se espera

  O teu baloiço era feito de uma corda grossa numa ramada de oliveira forte e possante. Uma tábua como assento embalava-te nas tuas / nossas brincadeiras. Sentia no meu pescoço abraçado a força nascida de uma mudança que não sabia sequer existir. Corrias para mim como se voasses. Sem medo, sem reservas. Usavas uns laçarotes no cabelo que te enfeitavam o sorriso. Na época, corrias para mim como a mesma decisão com que todos se afastavam. Como ninguém, abraçaste-me e convidaste-me para ser quem sou. Sem nenhuma palavra ou cobrança disseste-me tanto, tão pouco e tudo. Restamos hoje os dois, neste milagre que foi o dia em que te gerei. Não foi o amor do acto. Foi a transformação em amor no dia em que nasceste. No dia em que te peguei chorado de lágrimas de mudança. Indescritível este meu sentir, esta minha disponibilidade. Este meu todo, por inteiro, e principal. Tinhas um cavalo de baloiço que ainda hoje recordo. Sei que tenho o perdão do que não soube fazer melhor e a alegria exaltada de...

Na verdade fazemos muito mais falta quando somos precisos.

  O nevoeiro translúcido pousado na seara já seca depois da época fértil, acalma o cheiro intenso da terra. Embargados os mandados domínios das funções dos sentidos esperam o uivar dos lobos da serra, que não se ouvem. Um nevoeiro que não vinha do céu abraçava a terra. Um nevoeiro que saiu da terra e por ali ficou adormecido formando uma planície, na já acordada planície. Uma estrela cadente riscou de fogo o céu. Escreveu uma letra, um sonho e seguiu. Saltitaram as estrelas com movimentos abraçados da minha cabeça, de olhos emprestados e sublimados no céu. Lhasa de Sela rima uma canção de letra gemida, de um sentir que me acompanha, de um pensamento em perspectiva. Ali em campo espacialmente aberto de um soberbo escuro, de um frio apetecido, numa reserva de mim próprio exaltada e natural.   “Haveremos todos de ser como o milho seco e carcomido”. Sorrio com a figura de estilo. - Claro que sim. Haveremos de ter a sabedoria das noites. As noites observam mais que os dias. As no...

Um euro-deputado pago por nós

    Existe um senhor euro-deputado, de quem me recuso ate balbucionar o nome, a quem recomendaria vários livros do nosso Nobel. Nem vou opinar porque sinceramente não há nada a opinar. Mas posso e devo falar. Já li efectivamente vários livros dele e há mais de vinte anos que o faço. O desprezo destas palavras que não escreverei falará por mim. Há mais dois escritores que recomendo atenta leitura, Nietzsche e Nicolau Maquiavel, na mesma linha de pensamento. Nada lamechas, muito terrena, crua e dura. Gosto de quem não se basta. Gosto de quem se questiona. Não se empresta, adia ou vende vida. O Mundo pula e avança, por isso mesmo. Vinha de Évora a pensar nisto. É a vida.  

Cabe um suspiro numa noite

  Florescem apaziguadas formas geométricas que não se coadunam com a linha do horizonte, colocada num fundo azulado em que as nuvens se põem. Fundo negro de uma claridade trespassada por um sol adivinhado de raios fortes e tensos que se convertem em violetas brandas. As nuvens têm formas de jardins plantados e floridos de árvores a chilrear. Pássaros incolores habitam um ego que teima em não sossegar. Desassossegada, brava e incerta, esta amansada magnitude posta no poente. Um farol mistura-se incoerente, nos elementos alucinados e pendidos na convivência de uma linha desenhada a sul. Soltam-se palavras que se juntam, num adicionado mar, mais do que um subtraído sentimento. Sinto estourar no meu cérebro junções de pergaminhos antiquados e tão actuais. O tempo não me diz nada. Cabe um suspiro numa noite e uma madrugada num afecto. Verte de um dia esboçado, um carinho. Num caminho térreo o sol descobre e rompe o nevoeiro. A descoberta dá-me sempre o fascínio de um entusiasmo momentâneo q...

Tenho-me a mim

  Quando preciso muito de alguém, conto comigo. Quando tenho que tomar uma decisão, conto comigo. Já há uns anos aprendi a cuidar. Aprendi a cuidar de mim, da minha filha. Sem rodeios ou escolhas simpáticas de palavras sou pai e mãe. A mãe demitiu-se. Estou a aprender a cuidar dos meus Pais. A minha mais dolorosa experiência nesta vida renascida. Não é fácil sentir que quem nos gerou e segurou, precisa agora que os segurem. Não são fáceis nem doces as lágrimas da minha mãe. Não é dócil a lucidez dar lugar á confusão do meu pai. Não é fácil ao meio-dia achar que são cinco da tarde. Ou que um sábado é uma quinta. Não é fácil saber que pode cair de uma escada e mudar o quarto para outro piso. Não é fácil preparar as doses diárias de medicamentos para os dois. Lembro-me todos os dias que sou hoje o que eles fizeram que eu fosse. Pensamento pródigo de sentimento. Apesar de tudo, enche-me o coração de amor. Depois, o vazio de estar em casa. A minha filha já voa sozinha o que me faz feliz. Ol...

Ai sr engenheiro sr engenheiro

  Ser elegante no comportamento?   Uma falsa questão que se esvazia na falácia do ser. Dá-se o que se recebe e recebe-se o que se dá. Mentalmente através da estratégia observacional, a avaliação psicológica não é mais do que as condicionantes extrínsecas e erógenas da mesma. Erógenas por serem sensoriais. A reacção aos estímulos: - causa / efeito / consequência. As condições em que essa observação é produzida levam a identificar diferentes formas:   Laboratorial – Produzida em condições controladas. Naturalista – Elaborada no meio natural em que se desenrola a situação. Invocada – Realizada a partir de situações ocasionais e em que as condições não são controladas nem previstas.   No dia de hoje já acabado, apeteceu-me explicar, é o termo “apeteceu-me explicar” sublinho, este conceito de forma simples a alguém que é esperto de mais para a cabeça que tem. Isto de uma forma simples, é tão-somente ter referido que não se deve só contar com a “esperteza...

Andalucia

  Madrugada andaluza quente a sul. Num jardim feito de bosque em Sevilha, dancei como se o mundo fosse desabitado. Árvores enormes cobriram a minha pequenez de tamanho. Uma dança imóvel afigura-se-me. Sevilha está adormecida e eu desperto. Continuo. Acorda o dia na minha chegada. Um estreito divide o meu sentir. Africa esta na outra margem. Lugar onde os mortos se devolvem em pó à terra, num sublime e cantado murmúrio. O mar mais quente, bate na encosta onde adormeço. A noite é quieta. Tarifa passa a ser minha até hoje. Já lá voltei, continua encantada de uma forma diferente. Subo desnevada a encosta da serra, semeada de rebanhos, casas de pedra e feitiços. Guardo-as numa gaveta perto do coração. Disperso, enquadro o que penso nos vales serpentados por ribeiros degelados. Desço e volto ao terreiro. Atravesso o estreito e piso Africa. Exala um cheiro quente e abafadiço que já conheço, que me bate no estômago e me prende ali. Bebo chá e degluto caril. Mando o meu olhar o mais longe que c...

Galicia

  Escrevo sobre uma viagem. Uma viagem pode ser uma vida, um sonho, um despertar, uma manhã, uma madrugada, uma noite, um instante, uma travessia, uma hora, um olhar ou um minuto.     Dois sacos, uma seara de quilómetros e uma brisa que me corre na alma. Uma viagem acompanhada de palavras trocadas com um cd repetitivo em que a musica perde importância trinada por diálogos. Alegorias dilaceradas numa Galiza que me espera. O Prestige acaba de tornar o planeta inconsolável de um mar nosso mais a sul. Santiago espreita-me numa beleza e trova que me corta a respiração. Abissalmente aterradores, os sinos replicam encantados. Os adjectivos só estorvam tão indescritível sentir. Os teus revoltados cabelos avermelhados soltos ao vento, são tão belos como a poesia que se entrava na arte das ruelas fronteiriças à igreja.   Os acordes soltam-se sem pressa presos nos dedos de quem os dedilha. Sopradas melodias de uma flauta e de um trompete enchem a praça de um impregnado granítico. De uma fonte, um...

Condição

  Vou mergulhar na serra d´aire e conhecer ancestralmente as dúvidas que me ocorrem. Vou abraçar de lá o astro-rei, pintar as árvores de cores invisíveis, mas visíveis do céu. Vou plantar brincadeiras semeadas de crianças, onde a morada seja a felicidade. Vou retroceder à ingenuidade do alto de santa marta e fidelizar as ondas da ilha das negras rochas. Vou salpicar o tempo conhecedor, com o vento. O pintalgado das gaivotas nos barcos emproados dos pescadores engalanados, seduzem-me. As chagas contam histórias nas passadas da areia que as ondas não apagaram. Vou rebolar na areia aquecida pelo vento, antes refrescada pelas marés. O arrulhar adormece-me em passos lentos de dança. Sensualidade de vestido de linho trajado e uma trança solta e graciosa enfeitada. Desejo voltar à valada e ver em debandada o voo rasante e arrojado nos chorões debruçados sobre o Tejo quente de Verão. Desejo verter uma lágrima e saborear o sal. Desejo as sandálias cheias de pés nus. Vou musicar uns acordes e ad...

Só sem favor

  Colinas dançantes acenam-me, De uma fresca solidão exacerbada, Pessoas sonantes são nada.   Mistério, acérrima defesa, De tenções já longínquas, Pessoas, vontades, profícuas.   Fazer favor pelo amor, Tem ofendida remissão, Faz-se amor pelo amor, sem razão.   Desprende-se em vagas ofendidas, Abraços forçados, não, Não sendo o bem-querer a razão, vigora assim a emoção.

Acompanho-me

  É meio do dia, o que não significa que o dia esteja a meio. Meio do dia de um dia desinvestido, de um dia que teima em não acalorar a vida. A vida é um arrolado somatório de acções producentes. A lógica não gere a vida, muito menos as horas que o dia encerra. Alogicamente subsídio a minha forma de estar, a minha forma de ser. Vivo numa brisa desvanecida em que a temperatura interior é decidida pela exterior. A luz da vida ofertada pelo sol na minha vida interior é equitativamente decidida pela exterior. Vivo numa temperatura e luminosidade artificial. Não cheira a terra no sítio onde vivo. Abomino os ares que respiro e a luz fotossintética e clorofílica que me medra. Escrevo assim do meio do dia, da parte de dentro da minha vida não decidida. O ar condicionado, decidido e imposto, num dia de luz exterior que não absorvo. Condicionado e reflexivo. A água abruptamente e inopinadamente afoga-me em sentires já longínquos e recordados. Recordo os sonhos noctívagos e desabrochados em mil e...

Nobel ???

  Não me admira o Obama ser Nobel da paz. Se o Bush foi, porque não haveria este de ser. Com a respectiva diferença claro está, porque a há. O Bush ter sido Nobel foi um atentado à paz. O Obama ser Nobel não tanto, mas não me entra também. Agradeço ao meu secreto e selvagem a lucidez opiniosa. Ainda é cedo. Fez muito pouco ainda, quase nada, para ser Nobel do que quer que seja. Apetece-me começar a disparar e ofender, tanto a academia como o Obama (que devia rejeitar a distinção), endoideceram. Os tempos em que vivemos são mesmo estranhos: "paz" parece significar "guerra", "bem" parece significar "mal", e "vergonha" parece não existir. Estava mais bem empregue ao nosso Guterres que frequenta campos de refugiados e vai distribuindo migalhas por lá. Pelo menos é Português. Fazia bem à auto-estima nacional. Quem sabe não encheria a Avenida da Liberdade ou a Rotunda do Marquês, num embelezamento típico português de festim. Era bom para ...

Continuarei….

  No mais fundo de mim existe uma nascente viva. Um rio subterrâneo de água límpida que se percorre entre grutas sinuosas. Uma síntese de aglomeradas plantas libertam um cheiro que não exala um perfume famoso. Dentro de mim existe um firmamento de varias galáxias. Dentro de mim os dias esgotam as fontes. Num interior em descoberta existem bosques de sentidos desagregados, onde habitam cavalos selvagens. Existem indomáveis sonhos sólidos e vagos. Dentro de mim existem soltas razões por amoldar. Dentro de mim amalgamam-se elementos. Agua, terra, fogo e ar. O rio translúcido e cristalino que corre, o vento bravo das montanhas, o cortar gélido de sol na minha cara, o fogo que me invade desproporcional, incoerente e sábio. Assim, sobrevivo ás bebedeiras ressacado das manhas morenas entrançadas de sol fugaz. A saudade é uma forma de sentir que não gosto e abomino. Gosto de me espraiar. Tenho saudades da espuma do mar e das ondas desordenadas como o meu sentir. Tenho saudades do sol do vale f...

Carta para lembrar

  Voltei de dentro de mim. Faz calor na minha cara. O poder decisório arredou-se. Acedo e coloco flores na janela dos meus olhos. Penitencio-me. Comungo da mesma fonte que sacia o meu desejo. Amanha é um dia, que quero que floresça de vontade. Espero-o. Quero ouvir o silvar dos pássaros na traseira da tua casa. Quero que as flores voltem a ser regadas à mesma hora com o mesmo afecto. Desejo ouvir o ronronar dos gatos à tua passagem. Espero ver o teu lugar ocupado com a tua sabedoria. Os vulgares momentos deixam de o ser, quando a mudança existe escrava da metamorfose invasiva. O riso embaraçado pelo teu cabelo branco e a frase a condizer fascinam-me. As palavras que trocamos com o olhar. As decisões que adiamos por estarem tomadas. Os teus olhos brandos e sabedores, sapientes e cultos de uma experiência arrecadada de seriedade e exemplo ensinam-me. Sei que estás de volta ao teu lugar. Estes dias não foram fáceis. Foram dias de medo, de trabalho e preocupação. Dias sem vontade e de soli...

Morada

  Contemplar preso, Distância. Mãos cruzadas sob o peito, Olhar semicerrado. Adivinhada partida, Decifrada chegada.   Que há em ti? O teu nome? Já não importa. Inventas historias calmas, Vividas. Paz!   Sossegaste, Mereces tranquilidade. Decides descansar, Comer ou não. És tu quem sabe, És tu quem decide.   Destinas assim, Não se lacrimeja perda. Chora-se saudade, Consolo a presença, És livre, Seres livre faz-me bem.   A felicidade, Mora na rua, Abraçamento. Espero a hora, O regresso, A morada.

Fazias, fazias!

  Auto-suficiência é uma palavra com a qual me tenho relacionado, debruçado e debatido nos últimos dias. Auto faz-me sempre lembrar qualquer coisa relacionado com automóveis. Auto-stand, auto-reparação, auto-reboque, por aí. Auto-piedade faz-me lembrar um stand de automóveis na Cova da Piedade, mas sobre esta palavra ou expressão nem me deprimo, não me identifico e “prontos”. Não quero. Sou responsável, não debito o meu mau estar nos outros. Sou grande. Afasto-a. Suficiência segundo o dicionário é a qualidade do que é suficiente, habilidade, aptidão. Suficiente, quer dizer na mesma descrição de palavras o seguinte: - que é capaz, que satisfaz, apto, capaz, hábil e/ou uma nota que é dada aos alunos que estão entre o medíocre e o bom. É uma tontaria creio. Então alguém com tamanhos adjectivos de dimensão e volume assim qualificado, onde é vertido tanto suor, sangue e lágrimas, precedido por um auto, só está situado entre o medíocre e o bom? Não me parece. Parece-me sim, que um...

Esburacada casa

  Vou esburacar uma gruta para habitar. Construirei um espaço onde os jardins sejam a continuação do paraíso. Escolherei para viver nele, ninguém. Será cheio de ninguém. Todas as músicas serão de ninguém e tocadas por uma multidão. O ar será puro lavado pelas entranhas da terra. Gemerá água da rocha que me alimentará. A temperatura será amena e constante. Cavarei a terra com as mãos para a semear de liberdade. Existirão permissões e não haverão domingos nem terças. A quinta será um regaço de pousio cultivado a cereal. O pão cozerá num forno purgatório. Adocicado será o acordar e desprendido o adormecer. O amor far-se-á sem obrigação, somente por devoção. Não existirão olhares fermentados de risos à passagem nem abraços à despedida. A despedida será exaltação e festa. A vida celebrar-se-á com vinho. Os jardins de nuvens e lagos serão as marés que se irão levantar, serão o balanço que rebolará esse mundo inventado e esburacado, num pedaço de terra fértil de humanidade. Será habitado por ...

Chove bem

  O céu choveu esta noite por mim. Precisava que chovesse. A terra ficou perfumada da minha janela. A água numa solta correria reflectia a luz da noite na estrada negra. Misturei café e bebi. Li esta noite as dúvidas de estar por ser e de ser por estar. As sombras da trovoada pelas quatro da manha faziam os gatos assustados esconderem-se como setas nas esquinas enviesados. Abri as janelas sentei-me e toquei. A chuva vinha na minha direcção mas desviava o trajecto ao chegar. Os acordes doces suaves e brandos desabrochavam da viola. Tinha-te ali comigo e tocava. Via-te de cabelo branco e sorriso pendido de luz. Recordei as conversas que gostava de ter contigo. As diferentes opiniões sobre religião e politica. O quanto te admiro pela diferença. Estou só de um vazio transcendental que me acompanha, somos ainda dependentes, mas a nossa dependência já não é das coisas à nossa volta, é de nós próprios. Apetecia-me este vento certeiro, esta chuva debruçada nas árvores, no céu fechado. Aceito a...

Parabens !

  Uma angustia fervente. Um mar de água represa para que não me inunde. Um pensamento feito de tão farto sentir que não me abandona. Um fingimento por necessário ser. Um sentir que não pode ser notável entre as nove e as cinco. Uma obsessão pelo imediatismo para que a comporta se possa abrir e desaguar, num desabafo de mim para mim. Uma dor no peito que flutua e arrima. Um projectivo vislumbre do que está para vir. Um desadequado e desenquadrado estar. Um não conseguir olhar de frente. Uma presença corporal feita de ausência. Um saber que apesar de tudo, estou melhor aqui do que não. Um escapar de mim dissonante, cognitivo e emocional. O teu olhar azul fluorescente continua a iluminar-me. Até já, vou até aí dar-te os parabéns.

Aquele abraço PAI...

  Cansado. Impotente. Sem soluções. Nada para dizer ou fazer. Apenas aceitar. Especialmente hoje vi-te, sem saber que era possível o meu homem referencia ficar assim. A inteligência não abunda por aí. Fazes parte dos mais inteligentes que conheci. Sem pisar ninguém, de impostos em dia, exemplar. Conceitos passados de uma forma séria. Amanhã são setenta e oito anos. Farás na cama que te foi distribuída no hospital. Lá estarei com a mãe, que o resto da nossa família foi para a universidade como tanto desejaste. Sei que não saberás que comemoras amanhã tal data. Nem sei se saberás que eu e a mãe lá estaremos. Mas nós sabemos e estaremos lá. Hoje, tudo deixou de ter importância. Não sei o que está para vir, mas seja o que for, quero que saibas que sei da tua paz. Que sei que estás sossegado. Ainda tivemos tempo de nos dizer que amávamos se é que isso fosse necessário. Ainda tivemos tempo de ir ao futebol. Ainda tivemos tempo de conversar e de saberes de mim. Ainda tiveste tempo de me trans...

Seixos

  O mato rubro cheirava a verde matinal hoje. O sol espreitava luminoso entre a ramagem. O pó levantado deixava um rasto de passagem. A temperatura foi aumentado consoante os quilómetros percorridos. Atravessei um riacho empedrado de seixos luzidios. Das nuvens saíam cantares de pássaros migrados em bandos. Domingo. Cruzei-me com gente vestida da fé professada com indumentaria a rigor perfumada de naftalina. Eu barbado e transpirado bebi um café surpreso por quem me o serviu numa aldeia onde todos se conhecem. Penso em turbilhão cada metro que percorro do que me vai na alma. Recordo os amigos e o que não divido. Lembro o invadido e sentido cravar-se-me no peito. Penso no acordar do meu pai e no adormecer da minha filha. Penso em quem realmente gosta de mim e em quem eu gosto realmente. Subi a anti-montanha e avistei o horizonte. Sou interpelado por mim no regresso. Ajusto-me e não deixo de sentir. À tarde viajarei à cidade em busca de conhecimento e mais tarde cheirarei um prado verde ...

madrugada adentro

Imagem
    Agora dei para não sair de casa tal é a estupidez lá fora. Sei que é mais meu que dos outros, mas é assim que me sinto. Tem uma parte boa, trabalho. Saí de manhã fui à praça, ao lidl e ao modelo com a minha mãe que está quase cega. O meu pai recusa-se a colaborar. Não estando lúcido, está feliz como nunca. A auto-critica de dia para dia desaparece. Ficou assertivo de repente. “Não me apetece, não vou!” “Não quero, não faço, e não digo”. Continua de olhar expressivo a achar que o mundo pensa que ele está doido. “Coitados dos do mundo” pensa ele. Ao final do dia fui pôr e buscar a minha mãe à missa antes que fosse atropelada. A minha filhota em estado estéril só me fala de doutores, padrinhos, praxes e Coimbra. Lá vou abanando a cabeça sem ouvir.   A lua atrás de mim cresce e desloca-se à medida que escrevo folhas e folhas de um trabalho que ainda nem começou. Penso, mas para que é que é esta merda toda? Uma tese para quê se ele já há tantas. Vou ma...

A rosa

  Rosa prenhe De ti inundada Visceral.   Humana Anti-rosa Hiroshima.   Airosa Pendida Amada.   Lambida Lágrima Aurora.   Manhã Estrada Fascínio.   Promessa Adiada Frustrada.   Surpresa Presa Nada.   Eu, tu Nós Rosa prenhe.    

Esboço um sorriso

  Trio azul. Hoje dia mundial da música correu em bica do contrabaixo do Carlos, num teatro deserto de pessoas. Sem falsa modéstia ajustada, existe boa musica e má musica. Existem bons poemas e maus poemas. Existe o direito ao contraditório bem sei. Hoje foi fantasiosa a noite, deserta de pessoas, inundada de boa música. Um português, um norte-americano e o alemão provaram que a escala de sustenidos e bemóis é universal. Tenho saudades das chuvas de Abril e da força de Maio. Estou calmo. O jazz tem esse efeito em mim. É introspectivo e faz-me sentir. Não quero sofrer pela diferença mesmo que seja solitária. Revi em cada vinte minutos de música uma vida. O eu pequeno, o eu pré-adolescente cheio de energia, desporto e musica. O eu adolescente cinzento de adormecimento induzido. O eu insistido e adiado. O eu vivo, descoberto e inaceite. O eu aceite de factura por cobrar, daquilo que fui e já não sou. O ser pai, filho, profissional e academicamente igual, tem maior provação intrínseca e an...

Já

  Não me gostem, Não me admirem, Não me amem, Não me apoquentem.   Sílabas conjuntas, Conjecturadas, Pulso a pulso me ergo, Sem dádivas.   Não me encosto, Recebo e dou, Não me apoio, Sou o que sou.   Não tenho mais força, Esgotei, De tanto pensar, Que amei.   Construo o meu sonho, Sozinho, Faço de mil uma ideia, Genuíno.   Já me perdi, Já me encontrei, Do outro lado da vida, Voltei.