podia abrir-te todas as portas e as gavetas, deixar-te rebuscar toda a minha vida, ficares sabedora dos meus amores, de todas as minhas dores, de todos os meus caminhos, os maus, os bons os meus. podia abrir-te todos os meus pensamentos, todos os meus desejos, todos os sonhos por inventar, todos os meus sonhos até por sonhar, podia “ladainhar-te” todas as minhas preces, todos os meus credos, que mesmo assim, me acharias o mais estranho e organizado caos. podia abrir-te todas as janelas de mim, deixar pousar os pássaros no parapeito, que a felicidade seria voo, sempre que o vento se agitasse, as nuvens do céu se movessem, e todas as melodias se calassem, a cada descompasso, em que o meu coração sobreviva.