“vou ali colher uma braçada de sorrisos para ti”
Sonho com pomares de abraços e sementeiras de afectos. Sonho com a expressão “vou ali colher uma braçada de sorrisos para ti” ou “semeei hoje de madrugada abraços frescos, daqui a seis semanas, quando os colher envio-te um ramo deles, para que não te faltem”. A terra fértil aos torrões no regadio colhe as lágrimas que me caem. O adubo é a minha confissão nas tardes sentidas onde me sento e recolho. A passarada no seu voo giratório observa-me e faz-me senti-los ali, presença. Ao longe vislumbro o céu cada mais escurecido e a noite cada vez mais clareada. Clareada de uma luz meia ofusca, que me sombreia o regresso. As chaminés deitam fumo com cheiro a aconchego. Vejo um vulto que sei ser da Hermínia, tusso, e ela diz-me: - Entra Josefa, podes entrar, tenho sopa acabada de fazer, puxa uma malga do armário, senta-te e aquece a alma, anda. - Não quero incomodar deixe estar, respondi. - Não incomodas nada, o que me incomoda é ver-te de negro esse olhar assim, olharento. Sabes, entro em...