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Mostrando postagens de setembro, 2017

vale de mar sem estar

“… Eu construo a minha própria espiritualidade. Entendo que não posso adquiri-la de outra forma, não posso ser militante de uma outra que não a minha, ser seguidor, comprador, imitador, enganador de mim mesmo.   Eu construo o meu próprio bem-estar de uma forma simples e verdadeira, e essa verdade é a minha, mesmo que não o seja fora de mim.   A minha espiritualidade são os momentos em que me esqueço que sou um ser vivo, em que me esqueço do tempo, do frio, do calor, do sexo, dos jogos, dos outros, e me encho de amor, me abraço e aconchego, e sou eu, de olhar cego, de voz abafada, de respiração cortada, de audição surda, de amor tão cheio, que não sobra nada se não eu mesmo, sentindo-me deus de mim próprio.   Não consigo encontrar fora de mim, o que dentro de mim habita. Não consigo reconhecer fora de mim, o que dentro de mim ocupa. Não consigo ouvir fora de mim, o que dentro de mim grita.   Espiritualidade é una, indivisível, encontrada, experimentada a sós, não são correntes de gratid...

Conhecimento

Conheço muita gente de cumprimento, conhecem-me raras pessoas de sentimento

Poetise-se

Poetise-se a saudade e a voz calada, a chuva e a alvorada, os campos em flor e a madrugada.  Democratize-se o amor pleno de oportunidades e a liberdade, punindo a palavra vã não clara. Poeme-se todas as tardes de amantes abraçados, e os beijos depositados em recipientes a levantar Perfume-se a vida das raízes patrimoniadas de vida.  Boicote-se toda a antítese das ideias e ideais. 

autarquias 2017

Este tempo de campanha eleitoral é divertido, Diverte-me. Depois penso bem e afinal não me diverte, deprime-me. Conheço naturalmente os candidatos, vivo aqui há mais de 50 anos, é constrangedor verificar a leviandade dos mesmos e das suas ideias em prol da gestão do erário publico na cidade, concelho, freguesias ou por que ordem for, se é que não existem mais variantes nesta equação, nesta ordem de grandeza, ou nesta  grandeza de ordem, parece-me existirem mais factores em ponderação que não são explícitos, mas que implicitamente escapam ao que se quer esconder. Uma tontaria pegada esta brincadeira das autárquicas. Desde os candidatos, - às não ideias - Vou mas é para Marrocos e não voto. “Prontos”  .

Uma quimera por fecundar um mundo

" ... Sabes, no meu próprio respirar existe o mar alvoraçado de madrugada, e o pranto da mulher a chorar pelo amor que morreu.   No meio da minha vida algures ficou a vontade de ser viajante, trocada pela imóvel inércia de olhar para aquele oceano reflectido nas leves recordações das caras que já nem recordo.   Sinto-me "desvivo", sem retorno ou acipreste deflectido que me guarde em sua sombra, à boleia das ladainhas das viúvas, de choro disfarçado de vida, mais vivas do que eu, mais entusiasmadas pelo desnorte do que os ventos alísios, frios, corpulentos, desfraldados e orgânicos.   Sabes, no meu próprio respirar existe o mar alvoraçado de sonho, de fantasia, de outro planeta construído de gente, abraçada a gente. Uma quimera por fecundar um mundo …”

Regeneração

É assim com todas as mães, disse eu. Todas ficam mais pequenas e humanas. Mais despreocupadas, menos mães, apenas porque nós já somos mães também. É vida a regenerar-se a ela própria, são as mães a ficarem pequenas, e os filhos a ficarem envelhecidos. Depois somos avós e volta tudo ao mesmo, é sempre assim filha, disse o val de mar pai.   

excerto de val do mar de abril

"... houve uma breve pausa no teu olhar que me gelou. Conheço pelo reconhecimento da tua voz o teu olhar. Vejo-te sem te ver, e, sem olhar, sei o que a tua voz sente. Pelo teu andar detecto o chão, e sinto preso no teu caminharr, a tua vontade de abundante felicidade a querer enlouquecer a miséria do teu sentir. Sei da tua luta. Sei a estratégia da tua labuta. Sei toda a tua força e juventude, os teu ais, o teu gemer, o teu sofrer, as tuas gargalhadas misturadas de animo e prazer, fecundadas pela ironia de querer sem querer, de ser sem saber, de ter sem precisar, de enlouquecer e cegar, entre a saudade e a mais profunda vontade de ficar. Sei de ti só pela rouca voz sussurrada, de mãos cravadas e erguidas, desacreditadas dos deuses, mas aos deuses oferecidas. Sei coisa alguma de ti, e de ti, sei tanto ..."

Dias de vida

Foram os dias que já não são dias que construíram este dia que é vida hoje. 

Tony Carreira

Para não gastar muito latim acerca do enorme Tony.   - Nunca esperei dele que fosse compositor ou grande poeta.. - Não estou desiludido porque nunca estive iludido. - Desde que pague a quem deve por mim está tudo bem, fica resolvido e absolvido.   Amigos como dantes.   

Salpico

Foi como se me tivessem enterrado vivo e eu tivesse acordado entre terra, larvas, humidade e o escuro ruído do mundo a girar. Partir assim, foi o que senti ao acordar. Por isto, quero que me incendeieis e me mandes queimar, e que as cinzas, sejam feitas de mar e luar. Saberás onde estou e, em que onda me estendo de areia na praia. Molharás a face e, há-de  te saber a beijo esse salpico.

Hoje IV

"...hoje viver já é bastante, tantos são os dias em que nem existo..."

enfeitado de mulher

Não. Não. Não. Disseste-me tu antes de me dizeres adeus.  Disseste não com o olhar.  Sim com os olhos.  Não com a noite que suspiraste com a lua.  Sim com a música que me enviaste.  Não com o clássico: - não é nada - Sim com o esperado: - tu sabes - E tudo isto é não, enfeitado de sim, enfeitado de mulher.

Entendimento ao tamanho

" ... Nao é por estares na praia que o mar se acalma.  Não é por estares à janela que o vento traz o cheiro do dia que foi dia sem dor. Não é por conheceres o sabor das lágrimas que matas a saudade. Não é por nada que tudo é, e é por tudo que nada será.   A vida são pedaços de nós embriagados de realidade, na ressaca de se crescer sem ter idade apropriada para que se cresça.   Não se está preparado para nada na vida, estando-se afinal preparado para tudo sem que se espere, sem que se saiba o tamanho do que se sente, ou se possa diminuir ou acrescentar entendimento ao tamanho   ..."  

Castelo

Quando o cheiro a margaridas do monte do castelo são madrugada e o cheiro ébrio se confunde com a lua, alvitra-se como amanhecer, nunca antes de o sol já se fazer balançar, há mais de meio dia.

Nova forma de amar

Esta nova forma de amar, sem corpo, sem olhar que se procure, sem flor que se plante, ou rubor que se me cole na face.  Esta nova forma de amar que dizes não ser amar, sem dilúvio, sem mãos para se dar, sem lágrimas para secar, sorrisos para desconfiar, sem nada que pareça amar, com tudo o que o amor não tem.   Esta nova forma de amar, tentativa  falecida, porque mais do que velho e eterno, é o amor.

E se depois o tempo ...

" ..  e se depois já não houver tempo? Se já não se despertar em mim aquele ruído que não me deixa adormecer? Se ja nao houver aquela dúvida que me massacra e alivia? Aquela fadiga do corpo de tanta volta a alma lhe dar? Se já nao existir nada que me mantenha com o nada que procuro suprir? Preciso de nada para me encher de ti..."

Revolution

As revoluções não dão trabalho. São meros exercícios em prol de um sonho. Quem não revoluciona não vive. Quem não se dá ao trabalho de revolucionar, nao pode gritar em seu nome, o verbo sonhar. 

Escancarada felicidade

Escancaradas as janelas da minha alma, depois de te teres debruçado em mim. Espreitado. Entrado. Instalado. Perfumaste de loucura o quarto do meio com a normalidade da paixão, com a floresta de desejo plantada em nós. À tarde, o mar acalmou para nos visitar. Nao parecia o mar que nos juntou. Nao parecia ser eu a visitar  o mar. Quis ser solidário, o mar, com a sua presença. O sol cai devagar para dar tempo do abraço terminar. As janelas, a alma  e o convite escancarado à felicidade, pernoitam madrugada adentro.