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Mostrando postagens de novembro, 2014

Não há razões

Não há razões, Não existem mais razões, Nem tem que haver entendimento, Nem inteligência para tal, É ilógico e não tem mal.   Larga-me, solta-me, Não me maces com discursos, Se nem os pássaros ouvem as nuvens, Nem a chuva que as carrega mais os trovões, Porque teria que haver razões?

A alma não tem direcção

A alma! A "coisa" mais silenciosa que eu conheço que tem um ruído que desconheço. A alma não tem direcção! Tem sentido. A alma não dói! No entanto tem chagas incuráveis e dolosas vontades. A alma é fiel na felicidade. As vontades da alma são sempre isentas de dolo.   As almas são como árvores e têm raízes que proliferam na terra. São férteis. As árvores têm seiva como sangue que as mantêm vivas e possuídas de um recanto sombrio. A cúpula é o início da alma das árvores, que juntas fazem uma floresta onde os raios de sol irrompem em sinónimos de igualdade regrada. O silêncio administra os dias, as faces desconhecidas, o conhecido e exacerbado sorriso excêntrico, quedo e tranquilo. A fresquidão adormece-me no meu peito fervente de ideias, sonhos e inspiração. Os vernáculos pensamentos e eróticas melodias descem em mim. Treme-me o timbre imaginado de uma voz desassossegada e escondida. Tranquilo, acomodo-me arraigado a uma linha que denomino raiana para saber ser: - a fronteira d...

Há mãos na madrugada

Há mãos na madrugada, Boas novas, Noticias vãs, Vil sentir emoldurado, Corações embriagados, Rostos abonecados.   O mar brade sempre espumado, Coragem de verdade, Mentira verde na esperança de amadurecer, Os passos dados sem terra, O ar respirado a arder, O fingir imaginado da fome.   Os soslaios de sol nuns lábios esboçados por um sorriso, São a verdade, são o engano da mentira.

Bebo nas palavras o que retiro da vida,

Bebo nas palavras o que retiro da vida, Somente as virgulas são dementes, Tudo o resto são pétalas que abrilhantam a minha existência.   Não perduro ao tempo que me foge, Não me agiganto ao pó levantado dos meus passos, Sôfrego respiro a imensidão que me limita.   Assim penso, Assim contemplo o mar sempre vivo, Assim sou tudo e nada.   Resplandecente na outrora madrugada em que acordei, Desperto os sentidos que me restam, E bebo nas palavras o que retiro da vida.

Tear

Imagino um tear com fios de seda invisíveis que te formam o rosto, Um meio sonho que se constrói tecendo, Uma meia estação a caminho do verão, Um raio antes do trovão, Uma semente antes do fruto.   A tua face está agora tecida em seda, Na tua pele que se entrelaça, Com a chuva que te embarga as lágrimas que não gemeste, As tuas mãos desenham na terra que remexes, A semente que deitaste,   Tu, semente, seda, mãos e face. Preciosa tela tecida de fios invisíveis de seda.

Longe, a sul.

Quando o amor se desgasta, e o corpo se arrasta, mais do que farta a mente, opaca, a alma não sente, as serras e os rios vertem lagrimas e lírios, ... as palavras esgotam os poetas esgotados de entendimento, amanheço culpado por não amar, adormeço esperançado que seja apenas eu e não a humanidade, vivo a morte em forma de vida, sem norte, longe, a sul, vive a vida, encantamento adiado, dia a dia mais castrado. Invejo os pássaros voarem, as flores sorrirem e o vento silvar. . . Invejo o mar e as tempestades, o sol e a chuva, Invejo tudo o mais, ao invés deste desamor desgastado. . .  

Gemida saudade

  Olhos que gemem de saudade, Mãos inertes de movimento, Boca calada de palavras.   O sol? Amanheceu com a dor.   A lua? Abraçou a dor prometida ao sol.   O mar? Está solidário com as mãos inertes de uma boca calada nuns olhos que gemem de saudade.