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Mostrando postagens de maio, 2012

A verdade versus auto-estima e o ego versus mentira ou inverdade.

Segundo Heidegger há uma questão denominada “essência da verdade”. Não é a resolução fora da realidade, porque se assim fosse, converter-se-ia numa falta de fundamentação, onde não se poderia encontrar a verdade da essência da verdade. Por isso, Heidegger propõe que a verdade se agregue à realidade. Ao ser assim tratada (a verdade) promove o bom senso, propagandeia a sua importância, pois não há como argumentar e manter argumentações sobre esta questão, sendo ela assexuada por si só. O que poderá manter o interesse e o debate sobre este assunto é apenas a própria filosofia, pois o senso comum não tem interesse na linguagem filosófica, apenas nas evidências.   Se pensarmos numa primeira definição sobre à auto-estima, iremos debater-nos com a primeira contradição; “… o fenómeno que estará relacionado ao amor-próprio do indivíduo seria, quiçá uma questão de senso, de capacidade pessoal e auto-respeito, esta estará eventualmente condicionada a uma opinião alheia, uma imagem externa acerc...

Jasmim em cachos de olhos negros

O céu perfumado de jasmim larga cachos de perfumes, uns mais intensos, outros adocicados, outros distintos e agros, suaves e intensos, imaculados e revoltosos, inocentes. A eternidade dura um momento. Os momentos eternos são aqueles que não se destronam pela substituição dentro de mim. Nunca ninguém partiu, depois de em mim ter existido. Sobranceiro, recolho-me refugiado no meu sentir uno, nos meus sentires plurais. Tenho saudades do mar, do mar de abundância, mexido, de cheiro vigoroso, robusto, encantado, entardecido pelo pôr-do-sol, desperto pelo nascer da manhã. O mar que esconde o sol de nevoeiro, e a maresia encoberta no seu regaço cinzento. O mar dos pescadores e das varinas. O mar das gaivotas salgadas. O mar de alma desprendida a perder de vista. As saudades não se matam, as saudades castram-se, semeiam-se, muito mais do que se colhem. A saudade é um famigerado substantivo qualificativo de um sentimento desqualificado, tóxico, de um veneno sem profilaxia apropriada ou prática ...

Poetas ou naufragos?

Resumindo: um poeta não escreve. Um poeta sente necessidade de deixar sair as suas aflições feitas palavra, ser fluído como o líbido sexual, representado por algo da força e significado de um orgasmo que, o arrebata ou inquieta. Descomandado por um sonho não crente ou entendível, pela realidade, pela paixão, por nada e por tudo, pelo desamor, talvez mais do que o amor, o poeta é uma mistura de pólenes raros e comuns.   O poeta, não tem posição para dormir enquanto não naufragar o seu incómodo no seu porto do mundo. Os versos de um poeta são um momento. São o raio antes do trovão, são segundos, deslocação, remoção. O trovão é, o efeito das suas eloquentes e imperceptíveis interpretações dele mesmo, no seu id, ego e alter-ego espelhado, abrangente, descoincidente às vorazes sanguessugas do entendimento linear como se quer, mas disruptivo como é.   Um poeta não é a poesia. A poesia são os poetas, todos.   Um poeta é quase sempre visto como um lírico sonhador que vive num mundo irreal?   M...

Escrevendo

Escrever é lembrar para esquecer, É sentir para purgar, É rezar para perdoar, É companhia ao isolamento, É entendimento para o desassossego, É paz para a guerra, Ondas calmas e vento, Mar tempestades e marés. Escrever é, Amar pelo sonho, É sonhar que se ama, É vida para a morte e sorte para o azar, É sol para a lua, Norte para o sul, Hemisfério para o mundo, Sal para o tempero, Astrolábio, dissertação, loucura agreste e rima. Frases são: amontoados de olhos do mundo, Molhos de gente abraçada, Braçadas de beijos repletos de oceanos. Os pássaros do sublime céu, Dançam melodiosos chilreares, abençoados pelas árvores,v erdes e entroncadas de chão, Escrever é nada e tudo, É tao pouco e tanto, Catedral e capela, Esplendorosos relvados … e areal, Montanhas, Lagos e florestas,   Descrito assim … se escreveu.

A chave

Como se pode ter um problema de ego e auto estima em simultâneo? O ego como um problema passa pela necessidade de ver suprida de uma forma desajustada e nunca suficiente, as suas necessidades irreais. Auto-estima pode ser uma deficiente necessidade, como que meritória, depois da vitimização de necessidades reais, isto, num contexto de erro por decisão merecida. Uma ilusão fantasiosa e falta de filtro cognitivo projecta-nos para um eu inexistente, mas necessário e narcisista. Os egos são a razão de muito sofrimento, são lacunas do ego por sublimar. São gritos silenciosos por escutar. Sinais visíveis por vislumbrar. Sítios inventados. Realidades aumentadas. Vida diminuída. Depositar nos outros a culpa, aquietamentos, jogos mentais, pressão sanguínea em aceleração ou batimento cardíaco em descontrolo, é fraudulento. Antever no fundo é prever. Idealismo no sentido idílico da antecipação, calmaria e resolução. Não mudo coisa nenhuma. Não mudo o mundo, nem ninguém, mas também não me prostitu...

Entre o sorriso e a lágrima

Este soberbo espaço entre o sorriso e a lágrima não é néscio, não é ridículo ou obtuso. Este soberbo espaço é, vida viva. Já fui muito mais velho do que sou hoje. O tempo não é infalivelmente idade, não é fatalmente velhice, desastrosamente menopausa, ou inevitavelmente andropausa. Isso é apenas o que deriva num desgovernado e mentiroso delírio, na cabeça de quem se recusa a existir no tempo, como vida. Percepciono fugazes entradas de existência em mim. Num mesmo dia ocorrem-me nas veias, rios imensos e vorazes, correntes vigorosas, e vontades possantes. Eu? Eu deixo-me ir. Não adianta o desgaste da resistência que é perder-me a mim mesmo. Causas são causas, não passam de causas, eu sou muito mais, ideais. Solto-me sedento do que acredito. Aceito uma evadida fé que troquei por perseverança, trabalho, descontextualização e verdade. Não me traio, sou-me fiel, constante e coerente. Não represento ou falo de saudades por agradabilidade, não acho que possa ter o que não me pertence, ou ser ...